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EUA bloquearam os lados do Brasil

28 de junho de 2009 15

Estados Unidos fizeram uma interessante variação do 4-1-4-1 para o 4-4-2, ambos com duas linhas, dois sistemas bem britânicos

Há um problema quando um técnico encontra um sistema tático ideal para o grupo de jogadores que comanda. Não deveria acontecer, afinal, a escolha do sistema certo é um bem, uma definição positiva. Mas algumas vezes isto ocorre: o engessamento. É tão grande o temor em desfazer a estrutura consolidade que o técnico não apresenta alternativas táticas. E isso tem acontecido com o Brasil.

Dunga acertou em cheio na escolha do 4-5-1 (ou 4-2-3-1) da Seleção Brasileira, com estratégia voltada ao contra-ataque. É o sistema certo para os jogadores que ele convoca. O Brasil tem conquistado títulos assim, e faz excelente campanha nas Eliminatórias. Mas, sempre que passa por dificuldades, ele resiste à ideia de variar. E não varia. Troca apenas nomes, sem alterar posicionamentos ou funções.

Isto se viu hoje na vitória sobre os EUA. O time norte-americano entrou obstinado em bloquear a saída pelos lados do Brasil. Em seu 4-5-1 com duas linhas de quatro e um volante entre elas (também chamado de 4-1-4-1), os Estados Unidos fecharam a combinação entre Maicon e Ramires na direita, e a parceria entre André Santos e Robinho na esquerda,

Com o bloqueio nas laterais, o Brasil se viu forçado a afunilar as jogadas. Com diagonais procurando o centro. Levando toda a marcação em direção a Kaká e Luís Fabiano. E, contra duas linhas compactadas, e mais um volante entre elas, jogar pelo meio é muito mais difícil. Os EUA induziram o Brasil a cair na malha fina da marcação. Deu certo.

E com a bola, os EUA variaram para o 4-4-2. Feilhaber empurrava o camisa 9 Davies para a frente, formando o não menos britânico 4-4-2 em duas linhas. Donovan pela esquerda e Dempsey na direita disparavam pelos lados, contando com eventuais apoios dos laterais. E Altidore foi o pivô “xarope” de sempre, mantendo a boa atuação que teve em toda a Copa das Confederações.

Dunga não tentou nada novo. Poderia, para abrir a marcação, forçar vitória numérica pelos lados. Quem sabe com Nilmar e Pato, fazendo um 4-3-3, já que perdia por 2 a 0. Poderiam sair Robinho e Gilberto Silva. O time alargaria o campo, descentralizaria as jogadas, aí sim abrindo espaço para as infiltrações pelo meio.

Mas Dunga, dentro das suas convicções, apesar do engessamento tático, conseguiu a virada para 3 a 2. Com jogadas que expõem outra virtude da Seleção Brasileira dele: a força física. O Brasil não tem vergonha de jogar bola na área. Toda a pressão brasileira do 2º tempo se concentrou em chuveirinhos. O goleiro fez dois milagres (um deles dentro do gol) em cabeçadas. Lúcio marcou o gol da vitória em escanteio. Os cruzamentos, sem espaço para chegar à linha de fundo, saíam da intermediária ou de faltas laterais/escanteios (bola parada).

A única jogada de bola no chão foi a do gol de empate, quando Kaká caiu pelo lado, confundiu a marcação centralizada e fez a única jogada concreta de linha de fundo, cruzando para trás.

É bom saber que o Brasil tem um sistema tático forte; é ruim constatar que não há variação. Mas é ainda melhor a convicção de que, dentro de suas próprias convicções, Dunga tem dado muita sorte. E aí o resultado derruba qualquer tese. O Brasil vai bem. Méritos do treinador.

Postado por Eduardo Cecconi

Comentários (15)

  • Kleiton Kuhn diz: 29 de junho de 2009

    Boa Noite Cecconi, poderiamos fazer uma preleção do segundo tempo do Brasil, pois no primeiro gol o que se viu foi um reposicionamento do meio e do ataque, principalmente do Luiz Fabiano que exerceu a função de pivô para a infiltração dos meias que sempre cairam pela diagonal, o que acabou com a sobra americana, bem diferente do primeiro tempo, aonde ele jogou na linha dos zagueiros. E as duas substituições realizadas.

  • Nicolás Mega diz: 29 de junho de 2009

    Cecconi, não concordo com a tua análise sobre os EUA terem bloqueado os lados. Pelo contrário. Eles fecharam o meio. Povoaram a intemediária e forçaram o jogo do Brasil pela direita. A marcação era de duas linhas de 4, porém desalinhadas. A esquerda fechada pela 1a linha, a direta aberta, sendo a 2a linha postada dentro da grande área. Ficou nítido que eles queria forçar a jogada aérea do Brasil, garantindo a defesa com a sua sólida linha de quatro zagueiros de grande estatuta e impulsão.

  • Fábio diz: 30 de junho de 2009

    E tem mais, vamos ver se tu é bom mesmo… Explica porque o contra-ataque dos EUA não funcionou como no primiro tempo? Vamos ver se vc “VÊ” o jogo mesmo…

    Resposta do Cecconi: rendo-me Fábio. Não posso ganhar de ti. Tu venceu a competição. É o melhor! É o melhor! Grande abraço!

  • Rodrigo Leão diz: 29 de junho de 2009

    E ae Cecconi, tudo bom?

    Cara, ao meu ver os Eua não bloquearam os lados. Pelo que eu reparei, eles bloquearam o meio e liberaram apenas uma pequena faixa de campo, ali próxima a linha lateral. Lá os alas brasileiros tiveram todo o espaço para fazer cruzamentos sem olhar para a área, porém, não tinham o mesmo espaço para progredirem nas diagonais (principal caracteristica do A.Santos e do Maicon).

    Ao menos foi isso que eu notei… Q q achas?

    Abraço

  • Alberto diz: 29 de junho de 2009

    Boa Noite Cecconi, o problema do Dunga relacionado ao engessamento são as opções que ele convocou para o banco, Robinho não jogou NADA o torneio inteiro mas ele não o tirava de campo justamente pra preservar o esquema já que Pato e Nilmar nao fazem a mesma função dele. O máximo que acontecia era ele mudar jogadores que executavam a mesma função: Ramires por Elano e os Laterais. Vc não acha que ele deveria rever isso, pelo menos convocar reservas com a caracteristica de sua tatica nao acha ?

    Resposta do Cecconi: é uma boa perspectiva, Alberto. Pato joga dessa forma no Milan, aberto na esquerda em uma linha que tem ainda Kaká. Nilmar poderia se submeter a esta função sem problemas. Seria algo do tipo o que o Corinthians faz com Dentinho e Jorge Henrique. ABraço.

  • Paulo diz: 29 de junho de 2009

    Parabéns Eduardo, pela visão técnica do comentário. A convicção de Dunga, o leva às vitórias, o que é bom e os resultados atestam. Contudo, gera-se uma alta dose de sofrimento, dependente da técnica diferenciada ou da sorte, enquanto temos na reserva jogadores de qualificados para outros esquemas táticos, eventualmente exigíveis para mudança menos traumática de um escore adverso. São opções. Pessoalmente, pela diferenciad experiência, seriedade e concretos resultados, prefiro confiar no Dunga!

  • Fábio diz: 29 de junho de 2009

    Puxa, que bloqueio das laterais! Acho que não vimos o mesmo jogo… O Maicon passou o jogo todo indo ao fundo, ultrapassando pelo lado, criou muitas oportunidades pela direita, o mesmo valeu p/ André Santos, lembra da melhor chance brasileira no 1º tempo em um tabelamento pelo “lado” esquerdo com Robinho??? E os dois primeiros gols do Brasil saíram de onde? Justamente de jogadas pelas laterais! Dá uma olhada no teipe e dps conversamos mais…

  • Genésio Nunes diz: 28 de junho de 2009

    De fato, há um engessamento mesmo.
    Ainda mais com Robinho fazendo sempre a mesma jogada: ou bloqueando a passagem do lateral, ou recebendo a bola, cortando pro meio e errando um passe.

    Mas sobre a sorte, ouso discordar! Desde a primeira fase que Lucio leva perigo nas bolas paradas por causa de seu posicionamento no 2 pau: todos vao pro primeiro, levando a marcacao, e Lucio recua, do centro pro segundo pau. Sempre leva perigo!

    Até!

  • Leonardo diz: 29 de junho de 2009

    Continuando, manteria gilberto silva mas testaria Lucas, do liverpool, como seu companheiro (acho que possui melhor saída de bola que F. Melo, podendo assim ficar com dois volantes). No ataque L. Fabiano, centralizado, com Robinho ou Taison pela esq. e Nilmar ou Pato pela direita, formando o 4-3-3, como do Corinthias, do Mano, ou do Chelsea do Avram Grant.

  • Leonardo diz: 29 de junho de 2009

    A meu ver, Robinho tem comprometido o esquema, pois suas movimentações não tem colaborado para desmarcações, merecendo ser substituído por outro (Taison, do Inter, poderia cumprir esse papel). Também acho que teria que ser treinado o esquema 4-3-3, para situações como a da final. No entanto, acho que no meio campo poderia ser mantido os dois volantes com Kaká centralizado na frente deles puxando os contra-ataques. No ataque um centralizado, c/ outros dois abertos.

  • DANIEL R SANTOS diz: 29 de junho de 2009

    MANDEI UM AMENSAGEM, AMS NÃO SEI SE FOI ENVIADA: SE FOI, DESCONSIDERE ESTA:
    O QUE VOCE ACHOU DO 3-5-2 DO INTER, NO JOGO CONTRA O COXA? SEI QUE AINDA É CEDO PARA AVALIAR, E O TITE DISSE QUE SERIA SO CONTRA O COXA, MAS SE OS RESULTADOS ACONTECEREM, O INTER MUDARÁ O JEITO DE JOGAR PARA O 3-5-2. SERÁ UM RETROCESSO? UMA VERSÃO DO GREMIO 2008? OU ESTOU ENGANADO?

  • Mateus diz: 29 de junho de 2009

    Ei você pode algum dia colocar o esquema tático da Seleção Brasileira da Copa do Mundo de 2006.

  • Tef diz: 29 de junho de 2009

    Cecconi, falei justamente isso com os companheiros que assistiam o jogo comigo: o esquema não varia! Como os EUA usava as duas linhas de 4, colocar atacantes abertos, sobre os laterais deles seria uma boa opção. Uma vitória individual já poderia criar uma situação de mano-a-mano e aí são sempre melhores os jogadores brasileiros. Mas, independente do esquema, o Gilberto Silva passeia em campo. Jogador medíocre, não merece estar na seleção. Temos opções de primeiro volante melhores que ele.Abraço.

  • Fábio diz: 3 de julho de 2009

    Opa… Gostaria que vc indicasse uma única frase ou palavra agressiva usada por mim contra vc… Apenas lancei um desafio (no segundo post), pra vc comentar um aspecto tático, já que vc comenta sobre o assunto com grande propriedade no blog… E esse foi o único objetivo, lançar um desafio pra começar um debate, nada mais. Você pode notar que no primeiro post eu discordei da sua análise, e não fui o único… O termo agressividade me parece desculpa pra não debater…

  • Fábio diz: 3 de julho de 2009

    Ah, não sabia que não poderia contrariar tuas observações no blog… Acho que vc não precisa ser irônico ao rsponder meu post… Bom, se é para ser o blog dos “Concordinos”, é melhor discutir com quem admita dicutir sobre tática e aceite discutir em alto nível… “Que decepção”…

    Resposta do Cecconi: grande amigo Fábio! Eu é que não sabia que o termo “alto nível” incluía agressividade. Todos podem discordar, porque não há certo ou errado. Mas não sou inimigo de ninguém para ser atacado gratuitamente a pretexto de um “debate em alto nível”. No seu comentário anterior não havia mera argumentação, mas sim um ataque me desconstruindo sem razão. Fique à vontade. Abraço.

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