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O Estudiantes joga com apenas um volante

08 de julho de 2009 16

O Estudiantes atua no 4-4-2 com apenas um volante, sem deixar de ser forte na marcação

Esta é para fazer os “combatentes da faceirice” tombar da cadeira. O Estudiantes, como já foi debatido aqui no Preleção, joga com apenas um volante. Está na final de uma competição extremamente dura, que exige vigor e marcação. E prestes a completar 800 minutos sem sofrer gols. O quê? Um volante e defesa sólida? “Mas como?”, diriam alguns. Esse time é “faceiro!” (sic). Brincadeiras à parte, mais uma equipe comprova que o número de volantes escalados não é diretamente proporcional à segurança ofensiva. Todos marcam. Todos jogam.

O Estudiantes de Alejandro Sabella reproduz quase à semelhança completa o 4-4-2 britânico utilizado por Liverpool e Manchester United antes da temporada 2008/2009 (quando essas duas equipes optaram pelo 4-5-1). O time de La Plata tem uma linha defensiva de quatro jogadores, sucedida por outra linha de quatro meio-campistas. À frente, dois atacantes de mobilidade e boa capacidade de conclusão.

No meio-campo, o Estudiantes conta na prática com apenas um volante: Braña. Verón é apoiador, enquanto Benítez e Pérez são os meias-extremos (wingers). Funciona da seguinte forma: sem a bola, as duas linhas aproximam-se, compactando defesa e meio. Verón e Braña, centralizados, combatem à frente da área; Pérez e Benítez fecham os lados, cobertos pelos dois laterais.

Com a bola, o Estudiantes segura Braña, e libera Verón. O primeiro é volante; o segundo, apoiador. Na Inglaterra, Verón seria chamado de “box-to-box”. É o jogador que marca à frente da área, sem a bola, e apoia até a entrada da área adversária com a bola. Os dois meias-extremos apoiam simultaneamente, enquanto os laterais alternam – um sobe, o outro fica. Nesta situação, Braña faz a cobertura de qualquer dos lados. Perdida a bola, a equipe tem pelo menos quatro jogadores compactados na cobertura: os dois zagueiros, um dos laterais, e o volante Braña. Que, por sinal, é um peleador invejável.

Verón organiza o time e distribui as jogadas pelos lados. Da direita para a esquerda, com passes curtos ou inversões. E, como em todo bom 4-4-2 britânico, faz os lançamentos pelo chão para as infiltrações dos atacantes Fernández e Boselli. Ambos são jogadores de movimentação, que saem de lado a outro, e procuram jogar sobre a linha defensiva adversária para receber às costas, e concluir. Não têm vergonha de bater a gol. Pelos lados, contam com a passagem dos wingers para as tabelas e as jogadas de linha de fundo.

É o mesmo, por exemplo, que fazia o Liverpool em 2007/2008. Mascherano e Gerrard centralizados, com Kuyt e Babel de wingers. Mascherano era o volante marcador, Gerrard o box-to-box que apoiava e organizava, com a passagem simultânea dos dois meias-extremos. Na mesma temporada, o Manchester United também tinha essa característica. Um meio-campista centralizado marca mais, o outro apoia mais: um volante apenas. Por sinal, Verón sabe muito bem como cumprir esta função do “box-to-box”, afinal, já a executou pelo próprio Manchester.

A diferença do Estudiantes é a característica dos seus meias-extremos, jogadores que procuram mais a jogada curta, e menos a profundidade, em comparação com os ingleses. Eles fazem boas diagonais, e como argentinos que são, gostam de tabelar com os atacantes na entrada da área. É um time forte, que não perde capacidade de marcação sem a bola, e se torna extremamente compacto, com inúmeras variações de jogadas, a partir do campo ofensivo.

Postado por Eduardo Cecconi

Comentários (16)

  • GERSON diz: 8 de julho de 2009

    JÁ VI O TIME DO ESTUDIANTES.O CRUZEIRO VAI TOMAR UM CHOCOLATE LÁ, COMO O GRÊMIO TAMBÉM IA TOMAR SE TIVESSE PASSADO.

  • giovani stone diz: 9 de julho de 2009

    O PONTO NEGATIVO E REPUGNANTE É O XENOFOBISMO DO GALVÃO…. ME SINTO ENOJADO COM ESTE NARRADOR QUE FOMENTA UM CLIMA BELICOSO CONTRA OS ARGENTINOS. ELE TRATA OS ARGENTINOS PERANTE TODA AUDIÊNCIA NACIONAL COMO SE FOSSEM BANDIDOS, ISTO REFLETE-SE NA IMAGEM DOS MESMOS AQUI NO BRASIL. É LAMENTAVEL A POSTURA DE GALVÃO BUENO. EU NUNCA VI NENHUM NARRADOR ARGENTINO TER TAL COMPORTAMENTO COM RELAÇÃO A BRASILEIROS. QUE VERGONHA!

  • krause diz: 8 de julho de 2009

    Se o douglas costa jogasse 20% do que dizem esse esquema poderia ser utilizado no grêmio com tulio na frente da zaga, tcheco por verón e souza e douglas um por cada lado. É um bom esquema se o armador for inteligente na execução das jogadas. Mas o cruzeiro vai fazer pelo menos uns 3 gols nesse time em 180 min. =]

    Resposta do Cecconi: olá Krause. Concordo com tua referência ao Grêmio e ao Douglas. Muito bem colocado. Abraço.

  • Adriano Colorado diz: 8 de julho de 2009

    acho q os argentinos serão campeões pois a defesa do cru é fraca e qdo são pressionados acabam errando a saida de bola,por pouco o gre n acabou c eles nos primeiros 15 minutos la em minas.falando no meu inter e vendo os teus esclarecimentos sobre esquema eu ando achando q o guina jg muito fora de lugar pois ele corre por td cpo e acho q isso acaba gerando espaços e deichando a equipe meia perdida em cpo.oq o sr acha disso?n seria melhor ele ficar mais plantado na frente da area?

    Resposta do Cecconi: Adriano, a estratégia do 4-4-2 em losango do Inter permite que o Guiñazu faça esta movimentação, porque o Inter conta com um volante centralizado (Sandro ou Glaydson) para fazer a cobertura. Para segurar o Guiñazu, só trocando a estratégia para o quadrado. Abraço!

  • Thiago Ventura diz: 8 de julho de 2009

    Realmente, uma parada dura para qualquer time. Mas acho que o segredo para furar o esquema do Estudiantes não seja realmente “anular” o Véron. Talvez uma jogada pra cima do Braña seja o caminho para o gol.

  • Rafael diz: 10 de julho de 2009

    E agora, Cecconi? Será que o Estudiantes consegue fazer o crime em Minas? Pra mim eles foram muito azarados ontem, parecia até o Grêmio. Dominaram o jogo 90% do tempo, mas não conseguiram fazer o gol!

    Resposta do Cecconi: olá Rafael. Não é impossível. E não seria crime não. Como tu bem falou, o Estudiantes deu aula de desperdício. Em Minas, com mais espaço, talvez não erre mesmo com menos chances. Abraços.

  • Robson diz: 8 de julho de 2009

    Quanto ao posicionamento do Cellay que tu mencionou, creio que ele ficará mais preso hoje. Até mesmo por ser zagueiro, imagino que ele ficará mais preso para impedir a chegada do Gérson Magrão. E quanto a esta faceirice citada não acho que funcione assim. O Estudiantes tem uma defesa bastante sólida principalmente pela linha de quatro defensiva e pelo cão de guarda na frente dela, o Braña. Tanto Ré quanto Cellay são superiores na defesa em relação a eles mesmos no ataque.

  • Evandro diz: 8 de julho de 2009

    Tens que mostrar essa para o Wianey que adora volantes no time! Falando nisso é triste ver o time do Inter com o elenco que tem disponível amontoando volantes. O Inter era para esta jogando com Taison, Alecsandro e Nilmar no ataque, com Magrão, Guinazu e D`Alessandro no meio e a defesa com Índio na lateral direita, auxiliando defensivamente, com Sorondo, Danny e Kleber completando o time…

  • Blog do Carlão – Futebol é nossa área diz: 9 de julho de 2009

    Hoje em dia é assim: todos têm de marcar e jogar. O profissional que não tem este perfil está perdendo espaço no mercado.

  • filipe diz: 8 de julho de 2009

    COMO??? 1 volante só?? que faceiro! tem que jogar com 3 volantes como o tite pra não perder do corinthians, flamengo, coritiba e LDU, não entendo como o Estudiantes chegou na final… hahuaahauaahu

  • Jonas Rafael diz: 8 de julho de 2009

    Acho que o Sabella foi o grande diferencial do Estudiantes pra essa temporada já que a base do time ficou praticamente a mesma. O Astrada é que era meio teimoso. Ainda acho o Cruzeiro franco favorito, como o Fluminense era ano passado aliás. Se não bobear lá na Argentina volta como campeão.

  • Maurício diz: 8 de julho de 2009

    Eduardo. Levando em conta a provável venda de Nilmar e o desgaste do atual esquema 442 losango utilizado no inter, você não acha que o esquema 451 poderia ser interessante? Na defesa teriamos dois zagueiros e dois laterais. No meio, dois volantes (guina e sandro) e três meias, sendo um apoiador (d`ale ou andrezinho) e dois extremos wingers (taison e bolanos). e completar o alecsandro como centro-avante. O que você acha desta tática? Poderia dar resultado?

    Resposta do Cecconi: olá Maurício. Dependendo do posicionamento dos extremos e da estratégia com a bola, seria mais um 4-3-3 à la Corinthians do Mano Menezes, como ele faz com Jorge Henrique e Dentinho. Pelos nomes apontados, seria muito bom, embora eu não discuta a importância e a titularidade do D`Ale, que se encaixaria bem à frente dos dois volantes, distribuindo as jogadas. Abraços.

  • Alberto diz: 9 de julho de 2009

    Olá Cecconi,os “Wingers” do Estudiantes são diferentes dos Wingers ingleses, eles voltam bem mais para ajudar na marcação alí na linha onde o Braña atua, ao contrário dos europeus que sao mais engessados, quem executa esse retorno sao os meias centrais. Outro diferencial da estabilidade da defesa do Pincha é que ele joga com 4 zagueiros atrás, o Cellay toda vida jogou de zagueirao alí no Estudiantes,o Treinador atual achou ele por ali, o Ré ja é + acostumado a jogar assim, mas é zagueiro tambem

  • DANIEL R SANTOS diz: 8 de julho de 2009

    O ESTUDIANTES É O TERROR DOS TIMES DO SUL: JOGA “FACEIRAMENTE”. TOMARA QUE SEJA CAMPEAO DA LIBERTADORES, PRA VER SE ENSINA ALGUNS “TECNICOS” DO SUL A COMO MONTAR UM TIME DE FUTEBOL.

    PS. CADE A ANÁLISE DO BUGRE, CAMPEÃO DA SERIE B INVICTO EM 2009?

  • Franco Garibaldi diz: 8 de julho de 2009

    Cecconi, quando tu recorda o fato do Estudiantes estar a quase 800 minutos sem tomar gol, este dado se refere às partidas disputadas em La Plata apenas? Pergunto isso porque na última partida contra o Nacional, em Montevidéu, o Estudiantes tomou um gol (vitória argentina por 2 a 1), mesmo que este gol não tenha influído na classificação para a final. De qualquer forma, estarei na torcida pelo Estudiantes hoje à noite. O título passa pelo primeiro jogo.

    Resposta do Cecconi: bem lembrado, Franco. Vou pesquisar, agora já não sei se a invencibilidade de 700 e poucos minutos se encerrou neste jogo, ou se ela se refere apenas ao Andújar, e aí o goleiro titular não teria enfrentado o Nacional. Vou conferir…valeu pela dica. Abraço!

  • M Padi diz: 8 de julho de 2009

    Cecconi, você não acha q seria interessante, ao jogar-se em La Plata, Sabella liberar ambos os laterais simultaneamente no apoio ofensivo. Na minha opinão a cobertura não precisa ser feita com tantos homens, alias um homem a mais no ataque é uma possibilidade a mais de passe ao dententor da bola e mais uma possibilidade de construção de jogadas.

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