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Posts de julho 2009

As mudanças da janela no Campeonato Espanhol

31 de julho de 2009 12

Diagrama tático do Villarreal da temporada passada, acrescido de Nilmar em lugar de Llorente na frente

O Campeonato Espanhol desta temporada centraliza as atenções do mundo, pelas contratações de Cristiano Ronaldo e Ibrahimovic. Para os gaúchos, há ainda o interesse em acompanhar a nova investida de Nilmar no futebol europeu, pelo Villarreal. Hoje, dou sequência ao levantamento da janela europeia com as informações do jornal Marca sobre as transferências, atualizadíssimas, da Espanha - é uma lista mais completa, que inclui a posição de cada atleta contratado, ao contrário da publicada ontem do futebol inglês, retirada do The Sun.

Sem dúvida, quem mais muda é o Real Madrid. É quase possível fazer um time todo novo com os reforços. Chegaram oito jogadores, todos com boas possibilidades de figurar entre os titulares, ou ao menos - para alguns - brigar por posição. O Barcelona contratou muito menos, mas também mexeu menos na base, e conta com a virtude contrária à renovação do Real: a continuidade.

O Villarreal contratou Nilmar, e também alterou pouco o elenco que chegou às finais da Liga dos Campeões na temporada passada. No diagrama tático que ilustra o post, faço uma simulação sobre a base deixada por Pellegrini, apenas com o acréscimo de Nilmar. O Valencia seguiu a linha "Real Madrid", sem as fortunas, renovando boa parte do elenco.

Entre os times de menor expressão, o Valladolid contratou bastante, alguns bons nomes. Surpreendem ao mesmo tempo a inércia do Sevilla, que vai mal na pré-temporada, e o desmanche do Mallorca, que perdeu Arango e Cléber Santana, e não sinaliza com boas reposições.

Bem, tirem suas próprias conclusões. Aí está a lista completa de transferências na Espanha até o momento:

Almería
Chegou: Vargas (V-Boca), Bernardello (M-Newell`s), Goitom (A-Murcia), Cisma (LE-Numancia), David Rodriguez (A-Celta) e Natalio (A-Córdoba)
Saiu: Álvaro Negredo, Carlos García, Mané, Bruno e Iriney

Athletic Bilbao
Chegou: Xabi Castillo (LE-Real Sociedad), Óscar de Marcos (M-Alavés), Díaz de Cerio (A-Real Sociedad) e Zubiaurre (Z-Elche)
Saiu: Garmendia, Vélez, Lafuente, Tiko, Javi Casas e Del Olmo

Atlético de Madri
Chegou: Asenjo (G-Valladolid), Cabrera (Z-Defensor), Juanito (Z-Betis), Jurado (M-Mallorca), Cléber Santana (M-Mallorca) e Valera (Z-Racing)
Saiu: Diego Costa, Leo Franco, Banega, Coupet, Seitaridis e Maniche

Barcelona
Chegou: Ibrahimovic (A-Inter de Milão), Maxwell (LE-Inter de Milão), Henrique (Z-Bayern Leverkusen) e Keirrison (A-Palmeiras)
Saiu: Hleb, Eto`o, Sylvinho e Keirrison

Deportivo La Coruña
Chegou: Juca (V-Partizan), Angulo (LE-Leixões), Adrián López (A-Málaga), Omar Bravo (A-Tigres), Aythami (Z-Xerez), Taborda (A-Hércules), Bergantiños (M-Xerez), Jairo (M-Lorca) e Rubén Castro (A-Huesca)
Saiu: Munúa, Barragán, Verdú, De Guzmán, Cristian, Fabricio e Pablo Amo

Espanyol
Chegou: Roncaglia (Z-Boca), Pillud (Z-Newell`s), Nakamura (M-Celtic), Ben Sahar (A-Chelsea), Verdú (M-La Coruña) e Camacho (LD-Caracas)
Saiu: Torrejón, Riera, Nenê, Casilla, Caffa, Lacruz, Rufete, Jordi Gómez, Valdo, Sergio Sánchez e Beranger

Getafe
Chegou: Parejo (M-Real Madrid), Codina (G-Real Madrid), Pedro Ríos (M-Xerez), Mané (Z-Almería) e Nacho (M-Málaga)
Saiu: Guerrón, Uche, Stojkovic, Jacobo, Granero, Polanski, Pallardo, Sousa e Cotelo

Málaga
Chegou: Edinho (A-AEK), Luque (A-Ajax), Jordi Pablo (M-Villarreal), Stepanov (Z-Porto), Forestieri (A-Genoa), Omar (Z-Sporting), Valdo (M-Espanyol), Munúa (G-Deportivo), Mtiliga (LE-NAC Breda), Xavi Torres (M-Barcelona) e Popo (M-Antequera)
Saiu: Eliseu, Tapia, Goitia, Calleja, Pablo Barros, Adriano, Adrián López, Ángel, Nacho, Cheli, Rossato, Salva e Álvaro Silva

Mallorca
Chegou: Tejera (A-Chelsea), Crespi (Z-Xerez), Casadesús (A-Nástic) e Tuni (M-Hércules)
Saiu: Nsue, Callejón, Moyá, Navarro, Scaloni, Arango, Dorado, Jurado e Cléber Santana

Osasuna
Chegou: Aranda (A-Numancia), Calleja (M-Málaga), Erice (M-Cádiz), Esparza (M-Huesca) e Nico Medina (A-Huesca)
Saiu: Ezquerro, Kike Sola, Plasil, Cruchaga, Margairaz, Font, Tiago Gomes, Sunny, Hidalgo e Flaño

Racing Santander
Chegou: Geijo (A-Levante), Torrejón (Z-Espanyol), Morris (Z-Panathinaikos), Crespo (LD-Sevilla), Arana (M-Castellón), Iván Bolado (A-Elche), Juanjo (A-Alavés), Smolarek (A-Bolton), Sarmiento (A-Xerez) e Diop (M-Tarragona)
Saiu: Vitolo, Marcano, Garay, Pereira, Luccin, Valera, Zigic, Portilla, Valle, Luis Fernández e Gonçalves

Real Madrid
Chegou: Arbeloa (LD-Liverpool), Granero (M-Getafe), Benzema (A-Lyon), Albiol (Z-Valencia), C.Ronaldo (ME-Manchester United), Kaká (M-Milan), Garay (Z-Racing Santander) e Negredo (A-Almería)
Saiu: Cannavaro, Heinze, Faubert, Parejo, Javi Garcia, Saviola, Codina e Bueno

Sevilla
Chegou: Sergio Sánchez (Z-Espanyol), Zokora (M-Tottenham), Alfaro (M-Tenerife) e De Mul (M-Genk)
Saiu: Angel Crespo, De Sanctis, Javi Navarro, Mosquera e Maresca

Sporting Gijón
Chegou: Portilla (M-Racing Santander), Botía (Z-Barcelona B), Arnolin (Z-Vitoria de Guimarães), Juan Pablo (G-Numancia), Rivera (M-Betis) e Miguel de las Cuevas (M-Atlético de Madri)
Saiu: Omar, Torre, Lafuente, Cámara, Colin, Sanchez e Neru

Tenerife
Chegou: Aitor Nuñez (Z-Atlético de Madri B) e Bellvis (Z-Valencia),
Saiu: Alfaro, Cendrós, Marrero, Pérez, Clavero e Iriome

Valencia
Chegou: Moyá (G-Mallorca), Bruno (L-Almería), Dealbert (Z-Castellón), Mathieu (LE-Toulouse), Zigic (A-Racing Santander), Banega (M-Atlético de Madri), Jordi Alba (M-Nástic) e Navarro (Z-Mallorca)
Saiu: Renan, Guaita, Albiol, Bellvis, Torres, Morientes, Miguel, Lombán, Navarro, Hugo Viana, Edu, Moretti, Angulo e Sunny

Valladolid
Chegou: Pelé (M-Porto), Manucho (A-Manchester United), Bueno (A-Real Madrid), Diego Costa (A-Atlético de Madri), Nivaldo (Z-Umm Salal), Héctor Font (M-Osasuna), Nauzet (M-Las Palmas), Antón (M-Numancia), Asier (M-Xerez), Jacobo (G-Getafe) e Barragán (Z-Deportivo La Coruña)
Saiu: Rueda, Sánchez, Calvo, Alberto, Asenjo, Bea, Dorado, Victor, Goitom, Pedro Oldoni e Kike López

Villarreal
Chegou: Nilmar (A-Inter), Marcano (Z-Racing Santander), Oliva (G-Castellón), Fuster (M-Elche), Montero (M-Independiente del Valle), Pereira (A-Racing Santander), Robert Flores (M-River Plate), Escudero (M-Valladolid) e Hernán Pérez (Libertad)
Saiu: Matías Fernández, Nihat, Cygan, Guille, Viera, Garcia e Arzo

Xerez
Chegou: Renan (G-Valencia)
Saiu: Mendoza, Sarmiento, Asier, Aythami, Bergantiños, Rabiu, Pedro Ríos, Luque, Porato, Crespí, Silva, Altidore e Calle

Zaragoza
Chegou: Aguilar (M-Udinese), Uche (A-Getafe), Carrizo (G-Lazio), Pennant (M-Liverpool), Barros (M-Málaga), Luccin (M-Racing Santander) e Hidalgo (M-Osasuna)
Saiu: Generelo, Cuartero, Caffa, Toni D, Zaparain, Pignol, Herrero e Zapater

Postado por Eduardo Cecconi

Mudanças provocadas pela janela no futebol inglês

30 de julho de 2009 15

Bem pessoal, após dois dias de inatividade forçada devido a uma forte gripe, o blog Preleção está de volta ao ritmo normal (pelo menos, assim espero). E hoje abro uma série de posts para abordar os impactos da janela de transferências nos principais campeonatos europeus, mesmo sabendo que o período de contratações vai até o final de agosto, e que muita coisa pode mudar até lá. Começo pelo meu preferido.

Na Premier League - o Campeonato Inglês - houve muitas alterações. Perde-se o grande craque da temporada passada (Cristiano Ronaldo, que foi para o Real Madrid), mas muitas transferências são internas. Tevez, Adebayor, Toure, Barry...são exemplos de estrelas da competição que trocam de camisa sem sair do país. O que mantém o alto padrão de qualidade. Destes, coincidentemente, todos rumam para o Manchester City.

Por isso, o diagrama tático do post propõe uma formação para o Manchester City. Este é o clube que mais mudou, e desta vez parece ter contratado certo. Não investiu apenas em atacantes - excelentes, como Tevez e Adebayor - mas também no volante da seleção inglesa Barry, e no zagueirão Toure.

Mesmo que sem C.Ronaldo, o ManUtd trouxe um bom winger (Valencia) e o atacante Owen, que herda a camisa 7. Entre os grandes, Liverpool e Arsenal disputam o título de clube que "mais perdeu" na janela, ambos ameaçados pela saída de outros titulares - no Liverpool, Xabi Alonso e Mascherano estão de saída. O Arsenal tenta dar a resposta repatriando Vieira.

O Chelsea está bem ajeitado, e com bons resultados na pré-temporada. Manteve a base e perdeu poucos atletas. Assim como os dois Manchester`s. Talvez, de início, as coisas se resumam a estes três protagonistas. Mas não se descarta, claro, o emparelhamento de algum clube "menos cotado.

Abaixo, tem uma lista de todas as contratações envolvendo os 20 clubes da Premiere League. A fonte é o jornal britânico The Sun. Como são muitos, não pesquisei um-a-um quais suas posições, apenas apontei o clube de origem ou destino dos mais significativos.

Confiram e tirem suas próprias conclusões (pode servir para vocês atualizarem os patchs no PES e no Fifa também):

Arsenal
Contratou: Vermaelen (Ajax)
Perdeu: Adebayor e Toure

Aston Villa
Contratou: Downing (Boro) e Courtney Cameron (Northampton)
Perdeu: Laursen, Barry, Taylor, Knight

Birmingham
Contratou: Christian Benitez (Santos Laguna), Scott Dann, Joe Hart, Giovanny Espinoza (Barcelona SC), Roger Johnson, Bowyer (West Ham) e Ferguson (Rangers)
Perdeu: Nafti, Jaidi, Krysiak, Kelly, Pearce e Aydilek

Blackburn
Contratou: Van Heerden (Bruges), Givet (Marseille), Jacobsen (Everton) e Giannakopoulos (Tripolis)
Perdeu: Mokoena, Ooijer, Tugay, Roque Santa Cruz, Derbyshire e Kane

Bolton
Contratou: Sean Davis (Portsmouth), Paul Robinson (West Brom), Knight (A.Villa) e Ricketts (Hull)
Perdeu: Dzemaili, Sissons, Woolfe e Sinclair

Burnley
Contratou: Mears, Steven Fletcher, Edgar, Easton e Eckersley
Perdeu: Steve Jones, Mahon, Kiraly e MacDonald

Chelsea
Contratou: Zhyrkov (CSKA), Turnbull (Boro), Sturridge (City)
Perdeu: Rajkovic, Smith, Sawyer, Stoch, Bertrand, Nouble e Nielsen

Everton
Contratou: Peterlin (Ventura County) e Mustafi (Hamburg)
Perdeu: Jacobsen, Irving, Sinnot, Nuno Valente e van der Meyde

Fulham
Contratou: Kelly (Birmingham) e Riise (Lillestrom)
Perdeu: Volz, John e Andreasen

Hull City
Contratou: Mouyokolo (Bologna)
Perdeu: Windass, Bridges, Bennet, France, Lamplough, Plummer, Woodhead, Brown, Welsh e Ricketts

Liverpool
Contratou: Glen Johnson (Portsmouth), Aaron King (Rushden) e Chris Mavinga (PSG)
Perdeu: Hyypia, Pennant, Hobbs, Huth, Antwi, Roque e MacKay-Steven

Man City
Contratou: Adebayor, Tevez, Barry, Roque Santa Cruz, Toure, Stuart Taylor (Aston Villa), Nils Zander (Schalke 04)
Perdeu: Elano, Hamman, Martin, Mills, Hart, Obeng, Ramsey, Vassel, Sturridge e Gelson Fernandes

Man United
Contratou: Valencia, Owen, Obertan, McGinty (Charlton) e Mama Dioufe (Molde)
Perdeu: C.Ronaldo, Tevez, Possebon, Campbell, Eckersley e Manucho

Portsmouth
Contratou: Mokoena (Blackburn) e Finnan
Perdeu: Crouch, Glen Johnson, Traore, Sean Davis, Collins, Pamarot, Lauren, Little e Thomas

Stoke City
Contratou: Whitehead (Sunderland)
Perdeu: Pericard, Grocott, Phillips e Thorley

Sunderland
Contratou
: Campbell (MnUtd) e Paulo da Silva (Toluca)
Perdeu: Hartley, Riera, Dwight Yorke, Colgan, Connolly, McArdle, Ward, Halford, Chopra e Whitehead

Tottenham
Contratou: Peter Crouch, Kyle Naughton e Kyle Walker (ambos do Shefield)
Perdeu: Ricardo Rocha, Dawkins, Allen, Mtandari, Hutton, Hutchins, Zokora, Gunter, Maghoma, Berchiche, Button, Taarabt e Hughton

West Ham
Contratou: Luis Jimenez (Inter de Milão), Kurukz (Ujpest), Lampe (Harlow) e Npuble (Chelsea)
Perdeu: Sears, Tristan, Lopez, Reid, Stokes, Walker, Widdowson e Bowyer

Wigan
Contratou: Jordi Gomez (Español), Henry Thomas (Olimpia), Scotland (Swansea) e McCarthy (Hamilton)
Perdeu: Valencia, Montrose, Henri Camara, Field, Hampson, Mahon, Pearson e Sibierski

Wolverhampton
Contratou
: Milijas, Hahnemann, Doyle, Surman, Halford e Zubar
Perdeu: Bailey, Gobern e Melbourne

Postado por Eduardo Cecconi

Vadão aplica o 4-4-2 bem brasileiro no Guarani

27 de julho de 2009 4

O Guarani enfrentou o ABC posicionado no 4-4-2 com o meio-campo em quadrado, com dois volantes e dois meias, um atacante de movimentação e um centroavante

Assisti no último sábado, a pedidos de muitos leitores do blog Preleção, ao empate do Guarani em 1 a 1 com o ABC, fora de casa. O Guarani lidera a Série B do Brasileirão, praticamente desde o início da competição, e desperta bastante curiosidade. Mas, vale lembrar, não tenho boa base de comparação. Nas 13 rodadas disputadas até agora, só havia observado a vitória do Bugre sobre o Bragantino, e naquela oportunidade a equipe atuou no 3-5-2.

Contra o ABC, Vadão escalou o Guarani no 4-4-2 bem brasileiro. Desenho do meio-campo em quadrado, com dois volantes alinhados e fixos, e dois meias também alinhados, articuladores. Apoio dos laterais, um atacante de movimentação e um centroavante de referência. Esta é a fórmula matemática exata daquele 4-4-2 que chegou ao Brasil no início dos anos 90, em substituição ao 4-3-3.

No meio-campo, não tem nem 1º nem 2º volante. Ambos são prioritariamente marcadores, e no máximo auxiliam na saída de bola e no rebote ofensivo, sem passar da intermediária de ataque. Nunes, ex-Grêmio, jogou mais à esquerda. E Cléber Goiano à direita. Ambos muito atentos à cobertura de laterais apoiadores - Nunes ocupava o setor nas subidas de Andrezinho, e Cléber nas investidas de Carlos César.

À frente deles, dois articuladores. Wálter Minhoca à esquerda, e o campeão mundial Adriano Gabiru à direita. Parceria que se transformava em triângulo de organização sempre que Ricardo Xavier recuava para o pivô, atraindo a marcação, ou quando o veloz e irrequieto Caíque passava de lado a outro procurando espaços e se apresentando para a tabela.

Quando Caíque, referência da equipe, posicionava-se à direita, Minhoca abria pela esquerda e Gabiru centralizava, no movimento tático mais interessante que eu pude perceber, formando um trio de jogadores apoiano simultaneamente e próximos. Ricardo, embora centroavante, também se movimenta e tem certa habilidade.

Se alguém assistiu a mais jogos do Guarani e quiser trazer mais elementos ao debate sobre o líder da Série B, o espaço para comentários está aberto.

Postado por Eduardo Cecconi

Chelsea mantém a base, Milan muda e perde

25 de julho de 2009 4

Diagrama tático do confronto Milan x Chelsea

Esta semana debatemos aqui no blog Preleção sobre o novo Milan do Leonardo, e o novo Chelsea do Carlo Ancelotti. E ontem à noite, estas duas equipes se enfrentaram. Parei para assistir se os dois treinadores dariam prosseguimento aos testes de pré-temporada. O amistoso terminou 2 a 1 para os ingleses, nos Estados Unidos.

O Milan mudou, em comparação com o time que havia perdido para o América do México. Leonardo não apenas alterou praticamente todo o time titular, como também mexeu no sistema tático. Permaneceu o 4-4-2, mas com um novo desenho de meio-campo: saiu o quadrado, entrou o losango.

A principal diferença foi a mudança dupla de posicionamento e função de Ronaldinho. Ele deixou o ataque - começou contra o América aberto pela esquerda, ao lado do centroavante Inzaghi - e passou ao vértice central avançado do losango, como um legítimo articulador. Acredito que Leonardo esteja realmente em dúvida sobre a posição e a tática individual que melhor rendimento podem proporcionar a Ronaldinho.

A equipe seguiu pendendo à esquerda, mas com pouco mais de equilíbrio. Oddo na lateral-direita apoia bastante, mais que Antonini. Flamini e Pirlo se revezaram nas subidas neste setor. E a alteração mais significativa para o ressurgimento da direita foi a escalação de Alexandre Pato como segundo atacante aberto pelo lado, abastecendo Borriello na área. Mas Seedorf, ainda na esquerda, segue como a referência da equipe, e continua levando o Milan para aquele lado.

No Chelsea, Ancelotti fez algumas alterações na escalação, mas em nada modificou o sistema tático. Ele manteve o 4-4-2 com três jogadores centralizados no meio e um extremo aberto pela esquerda. Este foi o principal acréscimo: por ali, saiu o irregular Malouda, e estreou com muita competência o russo Zhyrkov.

Zhyrkov fez uma dobradinha interessante com Ashley Cole, atraindo Drogba para a triangulação. Pela direita, Anelka se deslocava até lá assessorando o lateral Bosingwa e o apoiador Belletti, que substituiu Essien. Pelo meio, Lampard foi o organizador, e Mikel o primeiro volante. São triangulações formadas nos dois lados, e pelo meio, com Lampard encostando na dupla de ataque. É esta aproximação, possibilitando jogadas variadas por qualquer setor, que os treinadores buscam. E o Chelsea tem.

Ancelotti pegou um elenco melhor, e uma boa base deixada por Guus Hiddink. Neste início de pré-temporada, demonstra que o Chelsea está praticamente pronto. O grupo se qualificou, há alternativas para cada posição, e o sistema tático "encaixou". Já Leonardo ainda aparenta estar tateando no escuro. Muda o sistema, a estratégia, mexe na escalação, ainda procurando a melhor formação. Não por acaso, venceu o mais organizado Chelsea.

Postado por Eduardo Cecconi

Leonardo aproxima Ronaldinho e Seedorf no Milan

24 de julho de 2009 10

Diagrama tático do 4-4-2 de Leonardo no Milan, com dois volantes bem próximos, dois meias e dois atacantes. A maioria das ações se dá pelo lado do triângulo esquerdo

No torneio amistoso disputado nos Estados Unidos, o estreante técnico brasileiro Leonardo valoriza no Milan a aproximação entre o meia Seedorf e o atacante Ronaldinho. Esta é a tendência: o camisa 80 se posiciona e desempenha a função de um atacante aberto pelo lado, como acontecia no Barcelona. Não é meia-ofensivo, como Dunga tentou implementar na Seleção Brasileira, posição na qual ele iniciou a carreira.

O Milan de Leonardo atua no 4-4-2. A defesa atua em linha, com dois laterais que se alternam na passagem - deveriam, na teoria. Observei a partida contra o América (derrota de 2 a 1), e houve apoio incisivo apenas na esquerda, com Jaunkulovski. Na direita, Antonini praticamente não se apresentou à frente. Algo que deve acabar assim que Zambrotta retomar a titularidade, pois provavelmente cedeu espaço a Antonini para Leonardo realizar testes nesta pré-temporada.

No meio-campo, Leonardo posiciona dois volantes combatentes bem centralizados. Gattuso, pouco à esquerda, e Flamini, mais à direita, alinham-se praticamente unidos no círculo central, fechando a frente da área, e saindo para o lado quando necessário apenas para cobrir os laterais. É um desenho de 4-4-2 que lembra as estratégias brasileiras da transição entre anos 80 e 90: dois volantes, dois meias, dois atacantes, assim escalonados.

Na articulação, contra o América jogaram Seedorf e Zigoni. O holandês é um meia esquerda típico, que procurou as triangulações com Ronaldinho e Jankulovski. Nas estatísticas do jogo divulgadas pela ESPN, 70% dos movimentos de Seedorf se deram no lado esquerdo. Já Zigoni, mesmo que originalmente posicionado na esquerda, jogou em diagonal na direção do centroavante Inzaghi, autor do gol rossonero.

Notem no diagrama tático que ilustra o post: na esquerda, Jankulovski apoia, Seedorf abre, e Ronaldinho por ali atua. Na direita, Antonini não sobe e Zigoni afunila para o meio. É um time "capenga". Também pelo scout da ESPN, o Milan atacou 42% do tempo pela esquerda, e somente 27% pela direita. Talvez Zambrotta compense, e se Ambrosini substituir Zigoni poderá preencher melhor os espaços deste lado do campo ofensivo.

Há um desequilíbrio claro, privilegiando o triângulo encabeçado por Ronaldinho. O brasileiro demonstrou boa desenvoltura em dribles, e alguma velocidade. Protagonizou jogadas de efeito e também jogadas objetivas. Recebeu muita atenção do time, e contou sempre com Seedorf e Jankulovski na assessoria. O Milan de Leonardo, parece-me, joga para Ronaldinho.

Mas é apenas pré-temporada, e certamente Leonardo ainda está testando o sistema tático, a estratégia, procurando a melhor formação. Hoje temos uma boa oportunidade de conferir se ele vai mudar algo em comparação com o jogo contra o América. Às 21h começa Milan x Chelsea. O Esporte Interativo anuncia transmissão, não sei se a ESPN também vai passar. Quem puder conferir, é uma boa pedida.

Postado por Eduardo Cecconi

Ancelotti mantém formação ofensiva no Chelsea

23 de julho de 2009 12

Diagrama tático de Ancelotti nos primeiros amistosos da pré-temporada do Chelsea, no 4-4-2 com meias centrais, dois atacantes também centrais, e Malouda aberto na esquerda

A troca do Guus Hiddink sobre o Carlo Ancelotti me deixou apreensivo quanto ao futuro desempenho do Chelsea. Enquanto o holandês é um treinador com predileção por estratégias ofensivas, o italiano é reconhecidamente um técnico no mínimo cauteloso.

Mas os amistosos de pré-temporada disputados pelo Chelsea nos Estados Unidos indicam um comportamento diferente de Ancelotti. Ele mantém a mesma escalação herdada de Guus, com quem a equipe jogava no 4-3-3. E, embora tenha feito duas alterações de posicionamento que aplicam ao time o sistema 4-4-2, ele não recuou seus jogadores nem escalou volantes em excesso, como costumava fazer no Milan.

O Chelsea de Ancelotti joga no 4-4-2 com duas mudanças no ataque em comparação ao Chelsea de Guus. O novo técnico reposicionou Malouda e Kalou. No 4-3-3, Guus mantinha Drogba centralizado, com Kalou (ou Anelka) aberto na direita, e Malouda aberto na esquerda, em estratégia semelhante à utilizada defensivamente e ofensivamente por Mano Menezes, com Dentinho e Jorge Henrique, no Corinthians.

Agora, Malouda recuou uma linha, posicionando-se como um meia aberto pelo lado esquerdo, não mais como um atacante lateralizado. E Kalou aproximou-se de Drogba, formando uma legítima dupla de ataque centralizada - Drogba do meio para a esquerda, e Kalou do meio para a direita. No meio-campo nada se altera - a não ser o acréscimo de Malouda.

Ancelotti manteve exatamente o mesmo desenho central dos volantes e meias da equipe. Sem Ballack, lesionado, Mikel fixou-se à proteção da defesa, como primeiro volante, cobrindo os dois lados. Essien é o apoiador, um segundo volante que faz o vai-vem, na Inglaterra chamado de box-to-box, pelo lado direito. Marca em socorro a Mikel sem a bola, e avança em apoio a Lampard e Malouda com a bola. 

Lampard permanece como o articulador central mais adiantado, próximo dos atacantes, e de frente para o gol, de onde desfere seus potentes chutes de média distância. Ele organiza a equipe de todas as formas, com passes curtos, apresentação para a passagem em tabelas para o pivô dos atacantes, no famoso 2-1. E também aplica outra grande virtude que o consagra como um dos melhores meias do mundo: o lançamento longo para a infiltração de Drogba e Kalou às costas da zaga.

Minha dúvida, que ainda carece de mais observação, é saber como funcionará a estratégia do Chelsea no sistema ofensivo. Na teoria, o time aparenta certa pendência à esquerda - além de Malouda aberto neste lado, Ashley Cole é o lateral apoiador, enquanto na direita o zagueiro Ivanovic atua praticamente na base da linha de defesa. É certo que Essien avança por ali, talvez Lampard se aproxime dele, ou até mesmo Kalou abra para o lado em determinadas circunstâncias.

O melhor de tudo, entretanto, é saber que - ao menos de início - Ancelotti contraria seu passado, e não coloca para jogar todos os volantes que dispõe. Mas, antes de comemorar pelo bem do futebol, é bom ressaltar que Ballack está lesionado, e ele pediu a contratação de Pirlo...

Postado por Eduardo Cecconi

Como jogam Alex e Rafael Carioca na Rússia

22 de julho de 2009 12

Diagrama tático do 4-5-1 do Spartak Moscou, com Alex e Rafael Carioca no time titular

A ESPN nos privilegia com a oportunidade de acompanhar as partidas do Campeonato Russo. E pude assistir ao empate em 1 a 1 entre Spartak Moscou e Kryliya Sovetov, na capital russa, disputado neste domingo. Além da curiosidade natural que me leva a ver qualquer jogo, redobrei atenção buscan as primeiras impressões sobre nossos "ex-gaúchos": o colorado Alex, e o gremista Rafael Carioca.

Comecemos pelo time. O Spartak Moscou joga no 4-5-1, semelhante ao mesmo sistema aplicado por Arsene Wénger no Arsenal. A zaga se posiciona em linha de quatro jogadores; dois volantes protegem a defesa, com Rafael Carioca cobrindo o lado direito; três meias ofensivos formam a segunda linha do setor, com Alex centralizado, e dois extremos pelos lados; e um centroavante fixo atua centralizado, no pivô para os meias - o brasileiro Welliton.

A diferença, na comparação tática entre Spartak e Arsenal, é a função desempenhada por Alex. O camisa 12, recente ídolo no Beira-Rio, é o legítimo organizador. Já no clube inglês, Wenger costumava escalar na mesma posição um atacante, reproduzindo as funções do ponta-de-lança à moda antiga - aquele que se aproxima do atacante e entra na área para concluir.

Alex atua na intermediária ofensiva. Movimenta-se em um espaço restrito, do centro para a esquerda. Não há jogada que não receba seu crivo. Ele organiza de todas as maneiras: distribui o jogo para os extremos ou os laterais, pelos lados; chama Welliton para o pivô; pede a passagem dos volantes em passes curtos; faz lançamentos longos para as infiltrações às costas da zaga; e apresenta-se para a segunda bola, de onde arrisca as tradicionais conclusões de média distância.

Se deixou o Inter adaptado como um ponta-de-lança, variando para segundo atacante, Alex é no Spartak o organizador, o pensador, o articulador. O camisa 10, embora vista a 12. Imprescindível para a equipe. E tecnicamente em boa fase. Vi Alex arriscando dribles, jogadas de efeito objetivas e ofensivas, com a reconhecida qualidade de passe curto e longo. Além de ser o cobrador de faltas e escanteios.

Rafael Carioca, com a camisa 5, é o volante pela direita. Neste 4-5-1, o Spartak não tem primeiro ou segundo volante. Ambos - Rafael e Covalciuc - jogam alinhados. Quando um passa da linha de Alex, o outro centraliza e se posiciona defensivamente. Rafael cobre os avanços do lateral Parshivlyuk e do extremo Bystrov, no lado forte da equipe russa.

Mas Rafael não se intimida em apresentar-se ao jogo, como fazia no Grêmio. Ele sai mais do que Covalciuc. Muitas vezes, ingressa em quantidade maior do que Alex nas infiltrações, sendo Rafael Carioca uma das opções de passe para o articulador da equipe. A função prioritária, entretanto, é a marcação, e Rafael Carioca procura cumprir esta determinação fazendo o usual combate na intermediária defensiva.

O Spartak joga bastante pelos lados. Os dois meias-extremos são bons, principalmente Bystrov na direita, autor do gol de empate. Os laterais passam para o apoio. Welliton se movimenta à frente da área, tenta o pivô para quem vem de trás, ou o giro para concluir na área. Alex centraliza a armação, conta com a ajuda de Rafael Carioca na distribuição de jogo...mas este pode ser um problema: como Alex é o "cérebro", quando receber marcação especial pode enrijecer a transição da defesa para o ataque. Os demais jogadores são fortes e velozes, característica do futebol russo, mas não têm os predicados da armação que Alex apresenta.

Acredito que Ibson, reforço ex-Flamengo cedido pelo Porto ao Spartak, pode ser o companheiro futuro de Rafael Carioca na primeira linha deste 4-5-1. Já imaginaram a qualificação da saída de bola de um time com um triângulo com Ibson e Rafael Carioca na base, e Alex no vértice adiantado? Seria um trio de marcação e organização, acredito, de exceção. Pelo que vi do Spartak, e de Covalciuc, é no lugar do camisa 17 que Ibson deve entrar.

Recomendo a quem tiver oportunidade, que fique atento à grade de programação da ESPN para assistir a algum jogo do Spartak pelo "Russão", como foi apelidado o Campeonato Russo.

Postado por Eduardo Cecconi

Mourinho mantém losango na Inter de Milão

21 de julho de 2009 12

Diagrama tático da Inter de Milão que inicia a pré-temporada

Com vendas e contratações, fiquei curioso sobre a remontagem da Inter de Milão neste início de pré-temporada. Mas José Mourinho, no amistoso disputado com o América-MEX nos Estados Unidos, novamente dispôs o time italiano da mesma forma com a qual conquistou o título do Campeonato Italiano.

A Inter de Milão começa a temporada no 4-4-2 em losango. É o mesmo sistema tático utilizado por várias equipes, entre elas o Benfica e o Inter do Tite, mas obviamente com estratégia diversa. Afinal, cada técnico aplica às características que reconhece em seu elenco a mais adequada sincronia de movimentos.

O losango da Inter de Milão não é central. Pelo contrário. A articulação se dá pelos lados do campo. A estratégia do time de Mourinho, ainda que sobre o mesmo sistema tático e o mesmo desenho de meio-campo colorado, é abrir o jogo. Os laterais apoiam. Ao invés das infiltrações pelo chão, o time italiano prefere a busca pela linha de fundo, acionando os atacantes em cruzamentos por cima ou pelo alto.

Vale ressaltar, entretanto, que a pré-temporada apenas inicia. Mourinho faz testes. Deixou, por exemplo, Maicon, Zanetti e Muntari no banco. Lúcio ainda não tem previsão de estreia. Ibrahimovic, que vai embora, também ficou na reserva. Eto`o, que deve chegar, não está confirmado ainda. São jogadores que podem modificar algum conceito mostrado nesta partida contra os mexicanos - empate em  0 a 0.

A Inter de Milão ultrapassou os 60% de posse de bola. Joga de lado a outro, portanto, procurando espaços. Não quer ceder campo nem oferecer posse de bola para o contra-ataque. Procura, do contrário, marcar com a bola, trocando passes, invertendo os lados. Vai pela direita: não deu? Recua, faz a transição, leva para a esquerda. Tenta o lance agudo: não deu de novo? Tenta manter a posse, traz de volta, vai cercando o adversário.

No meio-campo, este amistoso apresentou um teste interessante. Mourinho retirou os homens da segunda linha - Zanetti na direita, Muntari na esquerda - escalando respectivamente Thiago Motta e Vieira. São dois jogadores de características mais defensivas. Mais volantes, menos apoiadores, embora com muita qualidade de passe para a saída de bola - principalmente Vieira, enquanto Muntari e Zanetti (um ex-lateral) são jogadores que fazem mais a transição conduzindo a bola pelo lado.

No ataque, mudança total. Milito e Quaresma. Eto`o certamente será titular, provável que acompanhado de Milito. E Quaresma poderia buscar um lugar onde no domingo atuou o Thiago Motta, em uma formação mais ofensiva. Na articulação, como D`Alessandro no Inter e Aimar no Benfica, joga Stankovic, também centralizado. Ele tem uma qualidade interessante para a posição, que é o chute de média distância, sempre bem posicionado para a segunda bola.

Postado por Eduardo Cecconi

Os destaques de um clássico de alto nível

20 de julho de 2009 57

Tecnicamente, há muitos anos - muitos mesmo - não se via um Gre-Nal tão nivelado por cima. Grêmio e Inter jogaram bem, com qualidade técnica, poucas faltas e equilíbrio tático. O "clássico do centenário" serviu para quebrar um estigma que muitas vezes nós mesmos vendemos, de que o Gre-Nal é violento, ríspido ou hostil. Hoje não quero ver matérias na TV mostrando carrinhos ou puxões de camisa. A partida tem lances de sobra para um compacto que não deverá nada a ninguém.

Com certo atraso - estava de folga e com o computador caseiro "na oficina" - trago ao debate os aspectos que pude perceber no Gre-Nal. E, como de costume, peço que todos os leitores contribuam com suas observações e análises. Vale destacar que no blog Preleção não há espaço para a polêmica vã, para a corneta inconsequente, ou para a troca de ofensas. Gremistas e colorados podem aqui conviver harmoniosamente, opinando sobre as próprias equipes e sobre os rivais, sem que seja necessário qualquer agressão. Comecemos pelo vencedor:

O Grêmio manteve a base tática do 4-4-2 quase alinhado de Paulo Autuori. E também apresentou novamente a intensa movimentação de seus meias, em perfeita harmonia de Tcheco e Souza, somando Adilson às jogadas em sincronia. Mas no primeiro tempo a equipe não conseguiu se ajustar à estratégia colorada, perdendo a posse de bola com inferioridade numérica pelo meio.

É uma questão matemática simples: no losango e com laterais defensivos, o Inter centraliza as jogadas e busca as infiltrações pelo chão, do meio para o lado. E o Grêmio faz o contrário - abre os meias e chama os laterais para o apoio. Na prática, pelo centro, o Inter tinha Guiñazu, Andrezinho e D`Alessandro, enquanto o Grêmio os continha apenas com Túlio e Adilson. Foi assim que a partida se estendeu em equilíbrio até o intervalo.

No 2º tempo, Autuori manteve Tcheco e Souza abertos, com a intensa troca de lado entre ambos, mas trazendo sempre um para o meio. Explico: Quando Tcheco abria com a bola, Souza centralizava; e quando Souza buscava o lado, Tcheco vinha para o meio. Em qualquer situação, Adilson ou Túlio passavam da linha. E aí houve o empate numérico em 3 a 3.

Autuori abriu bem Herrera, para jogar às costas de Kleber, contando com a assessoria de Mário Fernandes. Na esquerda, Fábio Santos apoiou quando pôde, sempre atento a Taison invertido em seu setor. Maxi jogou no pivô sobre os zagueiros, perdendo para Sorondo, mas obtendo vitória quando trocou e foi para o lado do Índio - assim nasceu o lance da bola na trave. Em resumo, o Grêmio jogou bem, com uma base sólida neste 4-4-2, e sincronia consistente de movimentos do meio para frente.

Com a liberação de D`Alessandro, Tite conseguiu desfazer a perspectiva da manhã de sexta-feira, e desistiu do 3-5-2. O Inter jogou no seu tradicional 4-4-2 em losango, com Andrezinho na armação, Nilmar e Taison na frente. Novamente, apostando nos contra-ataques, na centralização da armação, e nas infiltrações pelo chão às costas da defesa.

No 1º tempo, o time foi bem. Sempre com um jogador sobrando em vitória numérica, Andrezinho orquestrou o toque de bola. O Inter conseguiu manter a posse, e estabeleceu certo controle do meio-campo. O gol nasceu de um contra-ataque, dentro da característica principal do Inter de Tite: armação pelo meio, infiltração do centro para o lado em diagonal, com Nilmar às costas de Fábio Santos e Souza, após escanteio cobrado pelo Grêmio.

A principal novidade de Tite foi a inversão de lado do Taison (finalmente!). Mas com uma ressalva: embora Taison tenha passado da esquerda para a direita, foi pouco aproveitado no ataque. Ao invés de marcar com a bola, ele combateu Fábio Santos. Ou seja, deveria prender Fábio Santos atacando às suas costas, não apenas marcando quando o lateral gremista tinha a bola. Deveria ter acontecido o contrário.

Outra estratégia de contenção do treinador colorado consagrou uma grande partida do volante Sandro. Foi ele o responsável pela cobertura de Kleber, mantendo sempre um zagueiro na sobra. Herrera foi aberto por Autuori neste setor, mas não levou nenhuma vantagem sobre Sandro, que saía do meio para combatê-lo, liberando Sorondo para pegar Maxi, e Índio para a cobertura de ambos. Sandro foi muito bem neste movimento, que permitia a Guiñazu e Andrezinho cuidar dos meias Tcheco e Souza.

No 2º tempo o Inter recuou demais. Autuori consertou a movimentação dos meias gremistas, e sem a vantagem numérica do meio-campo, o Inter se preocupou demais em abrir campo para o contra-ataque. Estrategicamente trouxe suas linhas para trás e cedeu posse de bola, planejando acionar seus atacantes em velocidade. Não deu certo. Na insistência, proporcionou ao Grêmio as temidas chances em bola parada. Em um escanteio, Réver quase marcou. No outro, Maxi virou o jogo.

Os melhores

No Grêmio, aliando tática e técnica os melhores foram Souza, Adilson e Mário Fernandes. O primeiro, pela movimentação e qualidade na criação de jogadas, e pela grande importância na valorização da posse de bola após o 2 a 1. Adilson, pela marcação eficiente no meio campo e pela apresentação ao apoio nas diagonais passando a linha da bola. E Mário, que marcou com eficiência e aproveitou o espaço no setor de Kleber para surpreendentemente apoiar. Ainda é válido destacar o bom desempenho dos zagueiros Réver e Rafael Marques, vitoriosos em praticamente todos os lances de área.

No Inter, destaco Andrezinho e Sandro. O bom 1º tempo colorado deve-se principalmente ao controle de bola do meia Andrezinho, um organizador inspirado ontem à tarde. Ele ao mesmo tempo marcou e se aproximou de D`Alessandro. Deixou boa dúvida para Tite - será que Magrão deve voltar depois da partida de Andrezinho? Não entendi, inclusive, porque Andrezinho foi substituído. E Sandro comprovou que o time sentia sua falta, anulando Herrera na cobertura de Kléber, e marcando à frente da área com muito vigor. Tecnicamente, assim como na outra área, é bom valorizar o desempenho de Sorondo, contra quem Maxi López não levou vantagem nenhuma, obrigando o argentino a trocar de lado e ir para cima de Índio.

Pela soma dos dois tempos, e pelo comportamento das equipes, acredito que tenha sido um resultado justo. Principalmente no 2º tempo, o Grêmio mostrou que tinha "mais vontade", e não falo de garra ou raça, mas de posicionamento adiantado, estratégia ofensiva, em comparação com o recuo colorado.

Postado por Eduardo Cecconi

Um Real Madrid mais inglês em 2009

18 de julho de 2009 12

Diagrama tático do primeiro treino do Real Madrid, com base em informações do jornal espanhol As

Ontem li preciosa reportagem no jornal espanhol As sobre o primeiro treinamento desta pré-temporada no Real Madrid. E, mesmo que muitos prováveis titulares não tenham participado, o técnico Manuel Pellegrini colocou em prática no coletivo inaugural um sistema adequado ao português Cristiano Ronaldo.

O Real Madrid inicia 2009 no mais legítimo 4-4-2 britânico, também conhecido como o "duas linhas de quatro". Nada mais lógico em um elenco que conta com belíssimos meias-extremos: Cristiano Ronaldo é mestre nesta função; Robben tem todas as características necessárias para o sucesso como winger; Benzema pode atuar pelo lado como fazia aberto na esquerda em um 4-5-1 do Lyon; e até o brasileiro Marcelo é uma alternativa, depois de atuar nesta função em um 3-4-3 do Real temporada passada.

Pellegrini formou uma linha defensiva com Torres e Drenthe nas laterais, Garay e Heinze na zaga; os meio-campistas centrais foram o abnegado Lass Diarra e Javi Garcia; Cristiano Ronaldo treinou como winger direito, e Robben como winger esquerdo; e na frente o técnico equilibrou as forças com o canhoto Raúl, mais forte no pivô e na bola aérea, e o rápido destro Benzema, combinando jogadores de características diferentes e complementares.

Aí eu pergunto: onde entra Kaká neste sistema? Segundo a reportagem do As, Kaká vai substituir Robben, jogando como winger na esquerda. Não consegui vislumbrar ele atuando por ali, em contato direto com o lateral adversário. Kaká gosta mais de partir de trás pelo meio, como na Seleção Brasileira. Mas, no Milan ele já atuou até como atacante de área, ou seja, é versátil, tem capacidade técnica e inteligência para compreender a função e cumprí-la caso Pellegrini confirme a especulação do jornal espanhol.

Além de Kaká, tem muita gente boa para disputar posições neste 4-4-2 em duas linhas do novo Real Madrid. Gente que não participou deste primeiro treino também. O lateral-direito deve ser o Sérgio Ramos; Albiol certamente jogará na zaga; no meio-campo, para as funções centrais, tem Gago e Sneijder. Certo é que alguns jogadores perderam espaço. Neste primeiro coletivo, Pepe, Marcelo e Metzelder jogaram entre os reservas.

Quando o Real contratou Kaká e C.Ronaldo fizemos aqui no blog Preleção um debate sobre as alternativas táticas do time de Madrid. Não me ocorreu à época que Pellegrini poderia apostar no 4-4-2 em duas linhas. Pensei em um 4-4-2 inspirado nos primeiros galácticos, com Kaká centralizado e Marcelo no apoio pela esquerda, como faziam respectivamente Zidane e Roberto Carlos; e também em um 4-5-1, ou 4-4-1-1, também voltado à estratégia inglesa das duas linhas.

Por enquanto, se esta tendência se confirmar, ficam uma confirmação e uma dúvida. A confirmação: é um sistema pensado para aproveitar ao máximo o potencial de C.Ronaldo. A dúvida: Kaká vai se adaptar? Vou continuar acompanhando as notícias, e mais novidades táticas sobre o Real Madrid, reabro o debate.

Postado por Eduardo Cecconi