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Marcação individual é eficaz?

14 de agosto de 2009 13

Diagrama tático simula a marcação de Jonílson sobre Diego Souza, e o movimento de Carlos Alberto formando um losango de meio-campo

Na quarta-feira, o confronto Atlético-MG x Palmeiras proporcionou a observação de uma prática bastante comum entre treinadores brasileiros, quando identificam um jogador “diferenciado” no adversário: a marcação individual. Celso Roth determinou que seu camisa 19, o volante Jonílson, acompanhasse individualmente Diego Souza.

Eu parto do seguinte princípio: quem joga para anular, acaba anulando-se. Tanto uma equipe inteira (quando se posiciona tão defensivamente que não consegue se articular com a bola), como também um jogador específico. Mas a questão principal, e acredito que Celso Roth pesou isso na balança, foi medir até que ponto Jonílson seria importante para o Atlético-MG, comparado à relevência de Diego Souza para o Palmeiras.

Na prática, Diego Souza não jogou. Foi anulado. Mas, confirmando o princípio no qual me amparo, Jonílson também não jogou. Anulou-se. Confiram no diagrama tático que ilustra o post a simulação desta simbiose. Celso Roth definiu o Atlético-MG no 3-5-2, tendo Jonílson como uma espécie de líbero. Com a bola, o jogador posicionava-se ora à frente, ora às costas dos zagueiros. Mas quando o Atlético-MG perdia a posse, ele automaticamente ligava-se a Diego Souza, que jogou em uma área do meio para a esquerda ofensiva, às costas do primeiro volante e de frente para o zagueiro destro.

No livro Me gusta El fútbol, do genial Cruyff, o holandês lançou a seguinte sentença: “a pressão deve exercer-se sobre a bola, não sobre o jogador”. Para mim, perfeito. A frase, entretanto, contraria a marcação individual, e também a marcação por função (também chamada de mista, uma combinação de zona com individual) aplicada no 3-5-2 à brasileira. Nestes dois casos, o marcador exerce pressão sobre o adversário. Na marcação por zona, típica dos clubes europeus e argentinos, por exemplo, a pressão se exerce sobre a bola. O combate se dá quando a bola entra na zona do marcador, não quando o adversário ingressa nela.

Eu não sou fã da marcação individual. Atlético-MG e Palmeiras jogaram com 10 atletas cada. Jonílson e Diego Souza fizeram um duelo alijado da partida. Celso Roth partiu do princípio de que vale a pena anular alguma virtude da própria equipe em nome do combate à virtude alheia. Eu acredito no inverso: é mais oportuno valorizar as próprias virtudes. Em todo caso, ele obteve êxito, garantindo a anulação de Diego Souza.

*Atualização (com apontamentos de leitores): êxito relativo, afinal, Diego Souza fez a jogada do gol de Ortigoza. Valeu a pena perder um jogador da própria equipe para marcar durante 90min um adversário, se em um único descuido ele permitiu que este adversário fizesse a jogada do gol?

Outro aspecto interessante da partida foi a escalação do Palmeiras (para variar, com Muricy) em um 3-6-1 sem ala-esquerda. O técnico Alviverde posicionou o volante destro Souza no setor. O Palmeiras não teve jogada pelo lado na esquerda. Souza jogou praticamente como um 4º zagueiro, para cuidar as investidas de Éder Luís.

O interessante é que o Atlético-MG não tem um ala-direita de ofício. Carlos Alberto também é volante de origem. E sem ninguém para combater – Jonílson cuidava Diego Souza, Renan observava Cleiton Xavier, Ortigoza estava entre dois zagueiros, e Souza não apoiava – Carlos Alberto fechou para o meio, formando um losango de articulação (o movimento está descrito no diagrama tático que ilustra o post). Para compensar, não sei se por orientação de Roth ou por iniciativa própria, o volante Serginho fez algumas belas diagonais da esquerda para a direita, apoiando às costas de Souza e em cima de Marcão. Faltou, quem sabe, a passagem de Jonílson, que não podia sair para o jogo por estar preso a Diego Souza.

Foi um jogo de dois treinadores que priorizam o combate, um no 3-5-2, outro no 3-6-1, ambos com estratégia de bola longa com a posse de bola. Mas, pela qualidade de alguns jogadores, e também por algumas alternativas táticas inusitadas, não foi um mau jogo.

Postado por Eduardo Cecconi

Comentários (13)

  • Alexandre Perin diz: 14 de agosto de 2009

    No meu ponto de vista, ela pode ser uma surpresa tática muito eficiente. Basta que seja o jogador certo a ser marcado (e não necessariamente o melhor do time) e em um atleta que não tenha por maior qualidade a movimentação. O Muricy cometeu a burrice de mandar o Álvaro (o `Búfalo`) marcar o Tévez no desastre da Bombonera em 2004. Já o Abel fez com maestria Ceará e Ronaldinho na final do Mundial em 2006. quarta foi ruim pro Galo pois o Jonílson é um ótimo camisa 5 e fez falta na frente da zaga

  • Ademir Neissinger diz: 14 de agosto de 2009

    Eduardo,torço pro Atletico-MG jogar assim contra o Inter,imagina o Kleber solto naquele buraco deixado pelo Carlos Alberto?Flutuando da ponta para o meio pra fazer a assistência,tendo ai o Taison abrindo na esquerda? Seria uma boa alternativa, manda esse post pro Tite e Meus parabéns,essa parte tática é muito interessante,e pra finalizar, digo, sou fã do 4-2-3-1,como o inter ganhou a libertadores.Clemer,Ceara,Bolivar,Eller e Jorge Vagner,Fabinho,Edinho-Tinga-Fernandão-Alex, SOBIS na frente.

  • Anderson Cardoso diz: 14 de agosto de 2009

    Há momentos em que a marcação individual é necessária. Cito dois bons exemplos caseiros: Ceará anulou Ronaldinho Gaucho na final do Mundial 2006; Mano Menezes abriu mão da marcação individual sobre Riquelme na final da Libertadores 2007 e bailou ao ritmo do tango!

  • laert diz: 14 de agosto de 2009

    Ao variar seu esquema tático em função do adversário, Celso demonstra sua versatilidade. Já tinha feito uma ótima campanha, no ano passado, com o time limitado do Grêmio e está repetindo isso com o grupo do Atlético, muito mais limitado. O problema do Roth é não ser “bonitinho” da imprensa, como esse enganador do “fala-mansa” Autuori. Os esquemas do Celso funcionam e do Paulo tem sido um fracasso, que tem sido dissimulado, jogando-se a culpa nos jogadores e fazendo fofocas…

  • Marcelo diz: 14 de agosto de 2009

    E bastou uma falha de marcação para o Diego Souza cruzar e o Ortigoza marcar o gol do Palmeiras… Será que perder um jogador por 90min ao destacá-lo para marcação individual vale a pena? Esse jogador, ao cometer uma falha, proporciona ao adversário uma chance que ele não terá durante toda a partida.

  • Catimba diz: 14 de agosto de 2009

    Diego Souza pode não ter jogado, mas bastou um lance pra ele se desvenciliar da marcação e fazer a diferença.

  • Marco Antônio diz: 14 de agosto de 2009

    Até onde será que estes times vão com esses sistemas??? Pior que fazem um gol na capacidade individual e se retrancam!

  • leandro diz: 14 de agosto de 2009

    Acho que marcação individualç só vale a pena nos casos em que o jogador a ser marcado é responsável por toda, ou quase toda jogada de ataque do time, daí sim pode ser uma estratégia adotada, caso contrário não vejo muito sentido.

  • Matias Schuler Guenter diz: 14 de agosto de 2009

    Tem que fazer como o gremio fez com Ronaldo!! A bola não chegou nele, dai ele não fez nada!!

  • Leonardo M. diz: 14 de agosto de 2009

    Marcação individual é a coisa mais infantil do futebol. Não impediu o Diego Souza de empatar o jogo. E tem gente falando do Riquelma em 2007. Se num jogador do nível do Diego, ela foi ineficiente. Imagina no Riquelme.
    Obs: em 2008, na LA, o Renato fez marcação individual nele e ele fez os dois gols no jogo da Argentina.

  • lucas diz: 14 de agosto de 2009

    existem inúmeros exemplos de casos onde a individual funcionou – e onde não funcionou tb! no fim das contas, vale mais ou menos a mesma coisa em relação ao sistema tático: se bem pensada e bem aplicada, pode ajudar muito. gostei bastante do jogo em questão, e até dei umas risadas imaginando as urticárias de quem não gosta de 3 zagueiros. roth e muricy foram bem , como já foram mal outras vezes. não engulo essa idéia de `bandeira` por tática ou filosofia. tudo é momento e circunstância. abs!

  • Otávio diz: 14 de agosto de 2009

    A diferença é que o Diego Souza joga MUITO mais que o Jonílson. Logo, se ele conseguir anular o Diego Souza já terá valido a pena! Mesmo se anulando. Na prática ele não conseguiu como todos nós vimos, mas a tática foi bem propicia. Na minha opinião o Roth acertou.

  • pacato diz: 19 de agosto de 2009

    Não dá para generalizar! Marcação individual pode sim funcionar. Diego Souza é O craque do palmeiras, merece atenção especial. Não adianta, por exemplo, colocar um jogador fraco e lento para marcá-lo, visto que é Diego tem muita força. É sempre mais cômodo para o treinador/time fazer UMA marcação individual do que armar a defesa inteira para ficar atenta o tempo inteiro. Uma semana de treino pode dar bons resultados, mas pode chegar no jogo e uma simples movimentação acabar com o planejamento.

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