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Um Jorge Wágner diferente

16 de setembro de 2009 19

Diagrama tático do São Paulo contra o Avaí

Assisti no final de semana ao jogo entre São Paulo e Avaí, pelo Brasileirão. E gostei de uma alteração proposta pelo técnico Ricardo Gomes. Com desfalques imporantes – Hernanes e Richarlyson – ele recuou Jorge Wágner.

Na vitória de 2 a 0, Ricardo Gomes sistematizou o São Paulo em um 3-5-2 com triângulo baixo no meio-campo. À frente dos três zagueiros, ele alinhou dois jogadores – Arouca pela esquerda, Jorge Wágner pela direita – com Marlos na ponta-de-lança, fazendo a ligação com o ataque e também entrando na área.

E Jorge Wágner teve uma bela atuação. Qualificou a saída de bola, posicionado em uma linha entre as intermediárias defensiva e ofensiva. Foi o responsável pelo primeiro passe da articulação, recebendo dos zagueiros e distribuindo para atacantes, alas ou Marlos.

Sem a bola, Jorge Wágner demonstrou que muitos confundem “marcação” com “combate”. Certamente, alguém que viu o jogo pode ter dito que o São Paulo estava “faceiro”, “aberto”. Que Jorge Wágner “não sabe marcar”. Que ele não cometeu faltas, não deu carrinho, não tentou matar ninguém, e saiu com a roupa limpa. Marcador, neste conceito equivocado, tem que se sujar de barro.

Mas marcação também pode ser feita de duas maneiras: com posse de bola, e com posicionamento. Jorge Wágner primeiro marcou com a bola. Mantendo a posse para o Tricolor, ele fazia o Avaí correr. É como eu insisto em repetir: quem tem a bola não sofre gol, a não ser que chute contra o próprio goleiro.

A posse de bola não precisa necessariamente ser objetiva durante 100% do jogo. Mantê-la consigo é uma maneira de desorganizar o adversário, fazê-lo cansar, e também de evitar o desgaste. E Jorge Wagner fez isso muito bem. Permitiu ao São Paulo descansar com a bola, rodar, virar o jogo, trocar passes, enquanto o Avaí corria. O Inter fez isso contra o mesmo Avaí, fora de casa, e também venceu. Objetividade no momento certo, da definição. Posse de bola acima de tudo, mesmo que aparente ser inócua. Não é possível ser intenso o jogo inteiro.

Sem a bola, posicionamento. Jorge Wágner não trombou, não deu carrinho, nem agrediu ninguém. Ocupou um espaço, taticamente dedicado. E, com Jorge Wágner ali posicionado, o Avaí precisava procurar outra alternativa para avançar. Aquela região do campo contava com ele.

Este é um aspecto importante dos sistemas de marcação: quando o time consegue manter a organização e os jogadores obedecem à determinação de posicionamento, não é preciso combater a todo momento. Caçar, muitas vezes, significa que o jogador está mal posicionado, e com a falta ou o carrinho compensa ter largado atrás. Mas, no lugar certo, ele força o adversário a procurar outro caminho, que não aquele.

Quando Hernanes e Richarlyson retornarem, Ricardo Gomes já anunciou que saem Arouca e Marlos. E Jorge Wágner vai recuperar a função de articulador mais avançado, com Hernanes e Richarlyson na base do triângulo de meio-campo. Mas foi bom ver este jogo para comprovar na prática diversos conceitos com os quais concordo plenamente.

Postado por Eduardo Cecconi

Comentários (19)

  • André Martins diz: 17 de setembro de 2009

    Cecconi, será que este posicionamento tbm seria usado fora do Morumbi? Sem dúvida, é mais fácil para o treinador fazer estas experiências com jogadores inteligentes e versáteis como o J.Wagner. Abraço.

  • Paulo Borges diz: 17 de setembro de 2009

    Cecconi, Boa tarde! Muito bem analisado. Fiquei com uma dúvida apenas: o posicionamento do J.Wagner, pois tive a impressão, no jogo, que ele jogava pela esquerda, não pela direita. (Cecconi, o Mano jogou ontem contra o Coritiba com um 4-4-2 bem britânico, com laterais que são zagueiros praticamente (Balbuena e Diego), e os volantes faziam, normalmente, o box-to-box. Vale a pena um post sobre o time de ontem.)
    Abração.

  • Filipe Nunes diz: 17 de setembro de 2009

    Eduardo, concorda que nesse 3-5-2 aplicado no Brasil é ainda mais necessário que hajam volantes de boa técnica do que em um 4-2-2-2, uma vez que não são usados líberos pra compensar a ausência de um armador?

    Ah! Pra variar, mais uma vez uma aula…

  • Alan diz: 17 de setembro de 2009

    Olha até entendo teu ponto de vistaCecconi, mas po jogando asssim, se o treinador do Avaí tivesse abrido o time, e jogado pelos flancos ele tinha matado o São Paulo. Ao menos eu acho, eu não vi o jogo, e to falando baseado no q tu escreveu e do pouco q entendo de futebol. Por um exemplo o Avaí poderia por um 4-3-3, q ele ia desestruturar o SP, abrindo um ponta mesmo a moda antiga e um centroavante no meio, além da meia cancha ficar perdida, a zaga tb ia bate cabeça. Abraço

  • Felipe Corbellini diz: 18 de setembro de 2009

    Tenho que discordar de você me partes Cecconi, pois vi o jogo do São Paulo, e embora também eu seja um “defensor do futebol ofensivo”, o São Paulo só não saiu perdendo o jogo no primeiro tempo porque o Avaí não teve ataque, pois o meio do São Paulo não marcava ninguém no primeiro tempo. O Marquinhos fez o que quis e o Avaí sõ não fez gol por falta de qualidade de seu ataque.

  • Jonas Silveira diz: 16 de setembro de 2009

    Quinto lugar na liga preleção!!!!!

    E fiquei em primeiro na liga publica que eu jogo!!!!

    Se eu tivese pego o cristiano ronaldo, tava ainda melhor, mas eu acredito que o arshavin vai entrar de vez na segunda rodada!

    Peguei o puyol dessa vez, não tive problema com perder pontos, pois usei os pontos do jogador que vendi…

  • Rodrigo Pereira diz: 17 de setembro de 2009

    Não podia discordar mais desta firmação. O jorve Wagtner não sabe marcar. Ao meu ver nem é tão bom criador como muitos dizem. Acerta cruzamentos porque os faz trinta vezes, um tinha que ir corretamente, mas enfim…
    Não tem nada a ver com fazer faltas ou não sujar a roupa. Isso realmente é bobagem. Ele não marcou bem, simplesmente porque desarmou pouco. Não precisa ser a base de carrinhos, mas marcador tem de desarmar..
    Justiça seja feita, o Arouca, que é volante de verdade, também jogou mal.

  • Emerson diz: 18 de setembro de 2009

    Cecconi, tu és um adapeto da linha Paulo Autuori, então? Ele tembném fala muito da mrcação por espaço. Mas no Grêmio vemos muito essa importante discussão: marcação por espaço x pegada. Creio que esta é uma discussão inócua, pois um bom time tem que ter os dois. Enquanto o Jorge Wagener, mais técnico, marca por posicionamento, Jean e Arouca são mais “pegadores”, fora os três zagueiros. Creio que o equilíbrio (como diz o “pastor” Tite) é tudo no futebol.

    Resposta do Cecconi: claro Emerson, o importante é ter os dois – posicionamento para ocupar os espaços, e combate no momento de recuperar a bola. O problema é que no RS a discussão sobre o discurso do Autuori se banalizou – como sempre – com cronistas dizendo que é time faceiro, que é coisa de carioca, que o Grêmio é time de “pegada” e isso vai contra as suas características históricas. Na verdade, o Autuori só defende que um time bem posicionado não faz faltas, porque seus jogadores não chegam atrasados. Concordo plenamente – é preferível pegar a bola do que mantê-la com o adversário, cedendo a ele uma cobrança de falta. Abraços.

  • Claudio diz: 18 de setembro de 2009

    Cecconi, gostaria de te elogiar pela tua análise, visão de jogo e a terminologia correta para as posições como: ponta-de-lança (que era muito utilizada na década de 70, onde tinhamos: o centro-médio, o meia armador e o ponta-de-lança no meio de campo). Agora não dá para te entender, que tu defendas este esquema de jogo (3-5-2) para o São Paulo (que é TRI brasileiro jogando com ele) e não aches bom para o INTER que tem os jagadores ainda mais adequados para esta forma de jogar.

    Resposta do Cecconi: Olá Claudio. Na verdade, eu não estou defendendo o 3-5-2 para o SP. Estou analisando a maneira como ele jogou. Com estes meio-campistas, acredito que o 4-4-2 seria muito melhor (Jean, Arouca, Richarlyson, Marlos, J.Wágner, Hugo, Hernanes) – deveria-se jogar com quatro entre estes, no 4-4-2. Mas ele joga no 3-5-2, e por isso analisei a equipe sob esta perspectiva. Abraços.

  • pacato diz: 17 de setembro de 2009

    se não me engano, em portugal, ponta-de-lança são os centroavantes…

  • rmnromano95 diz: 17 de setembro de 2009

    Primeiro da liga preleção

  • Jonas Silveira diz: 17 de setembro de 2009

    Não tinha percebido antes….

    COMO TÁ FRACO ESSE SÃO PAULO!

    Não é nem sombra do que foi nos anos anteriores; decadência total…

  • Guilherme diz: 17 de setembro de 2009

    Por isso somos tri brasileiro… time organizado, dedicado e mantendo à base.

  • Matheus Sumny diz: 18 de setembro de 2009

    Cecconi! Grato por “atender” meu pedido!
    Realmente o São Paulo estava mais faceiro esse jogo, já que nem JW e nem Arouca são volantes de origem. No primeiro tempo o Avaí mostrou muito perigo, que foi mais pela falta de mais um homem ajudar na marcação(Marlos) do que pela dupla de volantes. O RG disse que houve mesmo uma displicência tática no 1o tempo, haja vista o 2o que o SP dominou.
    Quando o Richarlyson e o Hernanes voltarem com ctz assumirão a titularidade e esse meio vai fica + compacto.

  • Leonardo diz: 17 de setembro de 2009

    Desculpe a “grossura” Cecconi, mas para mim esses conceitos só são efetivos quando aplicados num time de qualidade técnica superior a outro, como o caso em questão. O grande problema, hoje em dia, é que não existem nem seleções de grande qualidade técnica, quiçá times (talvez o Barcelona seja exceção). Contudo, é certo que estas fazendo um belo trabalho e sigas firme, tenho aprendido bastante no teu blog!
    abraço!

  • pacato diz: 17 de setembro de 2009

    Olha Cecconi, há algum tempo observei que utiliza o termo “ponta-de-lança” para a famosa posição de meia-atacante (armador). Ponta-de-lança são jogadores pelos lados, extremas, ponteiros. da uma olhada nessa reportagem: http://www.goal.com/br/news/805/transfer%C3%AAncias/2009/05/26/1287399/marlos-diz-que-%C3%A9-meia-mas-muricy-diz-que-%C3%A9-ponta-de-lan%C3%A7a sempre dou uma conferida no blog. Muito bom! ps: não achei em lugar algum seu e-mail.

    Resposta do Cecconi: Pacato, segundo o Jonathan Wilson, o termo ponta-de-lança surgiu no Flamengo de 1937, no primeiro losango registrado no futebol mundial, para designar o meia mais avançado – simulando exatamente uma ponta de lança. Por isso eu utilizo para falar dos meias mais ofensivos e condutores de bola. Abraços.

  • antonioa_ra diz: 17 de setembro de 2009

    excelente a definiçao do conceito de posicionamento, é mais ou menos assim que o verón atua de “2° volante” obrigando o adversario a porcurar alternativas, e se insistir no espaço dele, ai sim chega firma, sem espalhafatos e rouba a bola, saindo com grande qualidade… abraço

  • Diego Westphalen diz: 17 de setembro de 2009

    O teu conceito é muito lindo, muito romântico. Mas vê se algum treinador escala o time dessa mesma forma na decissão do campeonato. Ou contra o Grêmio no Olímpico, ou o Inter no Beira-Rio. Ou se o Ricardo Gomes escalaria esse time em um clássico contra o Palmeiras. Pq será que treinador nenhum do mundo faria isso, Cecconi?

    Resposta do Cecconi: Diego, aí tu teria que perguntar para os treinadores que se contradizem fazendo isso. Mourinho nunca muda seu estilo de jogo, nem dentro nem fora, nem em jogo amistoso, nem em decisão. Vale o mesmo para o Guardiola. O Guus Hiddink. Poderia citar dezenas de treinadores de ponta que não têm recaídas defensivisas e fazem o certo nos momentos decisivos: MANTÊM SUAS ESTRUTURAS TÁTICAS E VALORIZAM AS VIRTUDES DAS SUAS EQUIPES. Mas, é claro, existem muitos exemplos de técnicos vencedores que na hora da decisão colocam até o presidente dentro da área, conquistam 5% de posse de bola, rebatem tudo, e fazem um gol de escanteio. Campeões também. Mas aqui não estou defendendo resultados, mas sim desempenho – que sempre traz o resultado junto. Abraços.

  • DANIEL SANTOS diz: 17 de setembro de 2009

    CECCONI, APESAR DE NÃO TER ASSISTIDO AO JOGO, ACHEI INTERESSANTE TAMBÉM O FATO DE APESAR DO RICARDO GOMES TER COLOCADO O JORGE VAGNER NA POSICÇÃO QUE ELE JOGOU, NA DIREITA ELE PÔS O JEAN, QUE É UM VOLANTE, AO INVÉS DE UM ALA, FORTALECENDO ASSIM O SETOR, E PODENDO (PELO MESNO NA TEORIA, JA´QUE NÃO ASSISTI) AJUDAR O JW. NO 3-5-2 DO INTER, SERIA POSSIVEL FAZER EESA PROPOSTA? ANDREZINHO NO LUGAR DE GUIÑAZU? O QUE ACHA?

    Resposta do Cecconi: é um bom diagnóstico, Daniel. Jorge Wagner pelo lado do Jean, que ele não precisa cobrir tanto, enquanto Arouca – mais combatente – no lado do Júnio César, um apoiador nato. Bela leitura. Sobre o Inter, em qualquer formação, eu nunca tiraria o Guina. Abraços.

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