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A extinção dos treinos coletivos

16 de outubro de 2009 16

Ouço muitos torcedores, e também jornalistas esportivos, reivindicando a realização de treinos coletivos. Sentem falta dos longos trabalhos de titulares contra reservas, da possibilidade de ver “a mão do treinador”, de conhecer suas orientações neste tipo de trabalho.

A escassez de treinos coletivos, entretanto, tem uma explicação: a tendência é que esta atividade se encaminhe para a extinção. O treinador à moda antiga, aquele que faz coletivos, que aposta nesta fórmula, é considerado “preguiçoso”.

Esta nova linha de pensamento entre os teóricos de vanguarda da análise tática no futebol leva em consideração as limitações proporcionadas pelo coletivo. É uma atividade que foge ao controle do treinador. O técnico não consegue dirigir o trabalho aos aspectos que pretende aprimorar. Afinal, o coletivo é uma partida de futebol. Imprevisível, portanto, como qualquer partida.

Exemplo: imaginemos um técnico que diagnosticou problemas na transição do combate para a posse de bola (o contra-ataque) pelo lado direito. Quantos contra-ataques para os titulares o coletivo vai proporcionar? O técnico não sabe. E se não houver nenhum? O problema permanecerá. Ou então o técnico terá de parar e manipular o coletivo até criar estas situações.

Os técnicos da nova tendência criam atividades dirigidas a aspectos específicos das táticas de grupo. Utilizando o mesmo exemplo: o treinador elabora um treino restrito aos jogadores do lado direito (zagueiro, lateral, volante, meia e segundo atacante), com regras e empecilhos que forcem este grupo a sincronizar movimentos e completar a tarefa com êxito. Corrigindo a saída para os contra-ataques pelo lado direito.

Assim, os treinadores vão criando e executando atividades para cada grupo, com suas regras e delimitações. E todas estas atividades estão ligadas à mecânica de jogo. À estratégia da equipe. São peças de um planejamento tático que se elabora a partir de trabalhos em pequenos grupos, intensos, e que não conseguiriam ser encontradas dispersas em situações fortuitas de treinamentos coletivos.

Os técnicos que mais se sobressaem na Europa são aqueles que mais trabalham para qualificar estes treinos táticos diferenciados. José Mourinho abomina coletivos, e descontroi esta prática no livro “Mourinho: porquê tantas vitórias”. Eu concordo com esta filosofia que busca especificar cada movimento de cada jogador, e coordená-lo de maneira inteligente aos movimentos de grupo, sincronizando todos os elementos que fazem parte do sistema tático. Algo impossível em um coletivo à moda antiga.

Por isso, quando alguém percebe a rara utilização dos treinos coletivos em nossos clubes, fico feliz: é um sinal de que nossos técnicos estão aprimorando seus métodos de trabalho.

Postado por Eduardo Cecconi

Comentários (16)

  • gilberto diz: 17 de outubro de 2009

    “Quantos contra-ataques para os titulares o coletivo vai proporcionar? O técnico não sabe…” ou quantos ele quiser, pois ele é quem orienta as duas equipes no que devem fazer; “Os técnicos que mais se sobressaem na Europa são aqueles que mais trabalham para qualificar estes treinos táticos diferenciados. José Mourinho abomina coletivos, e descontroi esta prática no livro “Mourinho: porquê tantas vitórias”” A inteligência do jogador tem a ver. Burros e indisciplinados não jogam com Mourinho.

  • Gabriel Vieira diz: 17 de outubro de 2009

    Eduardo, onde conseguiste este livro do Mourinho?
    Queria uma cópia…

  • fabio diz: 17 de outubro de 2009

    É justamente por conta essa “robotização” dos treinamentos que o futebol caiu em qualidade tática e técnica. O coletivo precisa ser realizado pelo menos três vezes por semana para, como diz a própria palavra, verificar e aprimorar o conjunto. É por conta dessas idéias absurdas que vemos jogadores completamente perdidos em campo, desorientados pela falta da noção de conjunto. Esses treineiros estão acabando com o futebol e destruindo os grandes talentos. Valeu um abraço para todos os famequianos.

  • Emerson Skrabe diz: 20 de outubro de 2009

    Discordo da extinção dos coletivos. Eles são sim muito úteis. O que deve acabar são coisas como os “rachões” ou os “bobinhos”. Um jogador pode ser muito bom nos treinos específicos por ser muito disciplinado e não se sair bem nos jogos, onde o improviso e a criatividade também devem estar presentes. E é coletivo que se enxergam essas qualidades, além da liderança.

  • Marcelo Scharlau Coelho diz: 24 de outubro de 2009

    É legal de ver alguém (da própria RBS ainda por cima!) contrariando os comentaristas da “velha-guarda”. Por melhores que sejam, alguns estão com ideias ultrapassadas sobre futebol já…

  • cereal killer diz: 16 de outubro de 2009

    Enfim, uma luz no jornalismo gaúcho, que é fraco e retrógado. Como diz o velho Wianey Carlet “duas linhas de quatro”. Todos andam de quatro nessa tiurma. Parabéns!

  • Gabriel diz: 16 de outubro de 2009

    Concordo plenamente q deve haver mais treinos específicos com relação as deficiencias de cada time, e tbm na criação de jogadas de frente com movimentação correta, porém acho q o ideal seria q os coletivos continuasem a ser realizados, mas curtos, tipo meia hora, max 40mim, duas vezes por semana, uma para testar, ver o q estar errado e outro no fim da semana para por em prática o q foi trabalhado.
    Sou a favor sempre do equilíbrio para treinar um time, entre treinos táticos, coletivos e palestras

  • Daniel Vicente diz: 16 de outubro de 2009

    Hum. Não sei. Parece lógico, mas como se aprender a jogar um partida de futebol sem se jogar partidas de futebol? O coletivo faz isso. Como vc disse, a imprevisibilidade é o que domina num campo. Então, é preciso colocar os jogadores nesse tipo de situação o máximo possível. Penso que é preciso haver um equilíbrio entre coletivos e treinos táticos/técnicos.

  • Rodolfo diz: 16 de outubro de 2009

    Bah velho esse teu blog mata a pau! Muito bom mesmo! Pudia faze uma analise tática completa dos dois times antes e depois do greNAL né? Ia ser massa! Abraço

  • jonas diz: 17 de outubro de 2009

    Mas não será essa a causa da distância entre as linhas do Grêmio?

    Só se faz ataque-contra-defesa no Olímpico… Fora os treinos de finalização, que de nada adiantam se o time não cria boas jogadas…

  • Erik – Rio de Janeiro diz: 16 de outubro de 2009

    Concordo com você. O que vem acontecendo é que aboliram por completo os coletivos. Acho que eventualmente deveríam utiliza-los para correções das diversas mecânicas utilizadas e treinadas. Ocorre que os divs. erros acabam ocorrendo nos jogos onde não é possível a correção imediata. Se até o futivoley é utilizado, porque não um coletivo eventual para correções do conjunto?

  • Cléber Farias diz: 17 de outubro de 2009

    Bom dia Cecconi tudo bem? Como sabes eu e meu pai (Marinho) somos seus fãs. Eu particularmente acompanho diariamente seus blog`s! Esse post está excelente e concordo plenamente com você quanto a extinção do treino coletivo, pois o mesmo além de não dar possibilidades de evolução à esquipe por muitas vezes pode resultar na lesão de um atleta titular em disputa com um reserva. A tendência é um jogo cada vez com espaço menor, dessa forma o treino coletivo está com os dias contados!O que acha?

    Resposta do Cecconi: este é o caminho, Cléber, concordo contigo. Abraços.

  • Marcelo Padilha diz: 17 de outubro de 2009

    Sim, perfeito. Mas não podemos confundir esse tipo de trabalho específico como um processo de mecanização do jogador, como você mesmo disse o jogo é imprevisível e é de altissima importância que o atleta aprenda a refletir sobre ele para poder atuar da melhor maneira sobre diferentes situações problema. Treinar é diferente de adestrar o atleta, no Brasil muitos de nossos treineiros insistem ainda em robotizar nossos jogadores.

    Resposta do Cecconi: Marcelo, vou usar novamente o Mourinho como exemplo. Nestas atividades eminentemente táticas, ele cria regras e dificuldades que induzem seus atletas a NÃO obter êxito. O que força os pequenos grupos táticos a trabalhar sob intensa pressão psicológica, a PENSAR mais o jogo, a trabalhar mentalmente para vencer essas tarefas táticas. E pensando, eles vão no caminho contrário da mecanização. Abraços.

  • cesar diz: 17 de outubro de 2009

    Desculpe, mas discordo! Esconder-se em modernidades que levam os jogadores a preguiça cronica, nao me parece correto! Olha o Gremio: não tem nada! Talvez desse para Escola-de-Samba!Passa semanas sem fazer um coletivo para correção de posicionamento e de-lhe gol de bola parada! Nao adianta saber dos problemas depois de PERDER! Nosso MESTRE-SALA, mais SALA que MESTRE, é partidario de quanto menos melhor! Trabalho é claro! Resultado não importa! Se não tem time pronto e treinado vai por agua abaixo

  • cristian diz: 17 de outubro de 2009

    treinos espcíficos, cópia fiél do modelo de jogo da equipe. Muito oportuno teu comentário, estamos sempre acompanhando teus espaços, parabéns,um abraço.

  • gilberto diz: 17 de outubro de 2009

    Mourinho sabe quando há um grande jogador e sabe quando esse não lhe serve. Jogadores como, Ronaldinho, Robinho, Adriano… ( e não vamos prosseguir pois teriámos que escrever os nomes de 90% ou mais dos jogadores do Brasileirão)não servem pois são indisciplinados e nada empíricos. Fazem o que sempre fizeram, desde os terrenos baldios da infância.

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