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Como joga o São Paulo de Ricardo Gomes

27 de outubro de 2009 15

Diagrama tático do São Paulo para o confronto com o Inter

Substituto de Muricy Ramalho, o técnico Ricardo Gomes tentou no início fazer uma transição para o 4-4-2 no São Paulo. Mas o piloto automático de três anos atuando no 3-5-2 venceu, e ele retornou ao modelo antigo. Será no 3-5-2, portanto, que o São Paulo vai receber o Inter amanhã, no Morumbi.

No 3-5-2, Ricardo Gomes desenha o meio-campo do São Paulo em triângulo alto. Richarlyson é o volante centralizado, no vértice da base, enquanto Hernanes – pela direita – e Jorge Wágner – na esquerda – completam o setor, alinhados, mais à frente. Ambos combinam combatividade na marcação, rígida disciplina no posicionamento, e apoio ao ataque assumindo as tarefas de articulação e aproximação.

Richarlyson é responsável pelas coberturas. Como já foi atualizado como zagueiro, ele recua e mantém a formação defensiva em trio quando algum dos companheiros sai para o jogo - invariavelmente, é André Dias quem faz esta passagem. Richarlyson também auxilia Miranda na cobertura de Júnior César, ala-apoiador do lado esquerdo. É um volante de muita mobilidade e capacidade física para se manter em ritmo intenso durante todo o jogo.

Na frente, segue a sincronia de movimentos entre “o grandalhão” e “o velocista”, que Muricy utilizava desde a época em que contava com Aloísio. O São Paulo procura muito Washington em movimento de pivô. O camisa 9 recua para receber o lançamento – ligação direta – trazendo consigo um zagueiro. A intenção é “quebrar a bola”, para que Dagoberto, em diagonal incisiva, aproveite a segunda bola e entre neste espaço aberto pelo deslocamento em recuo do centroavante.

Dagoberto também se movimenta pelos dois lados. Gosta de jogar no limite da linha de impedimento, aberto sobre a linha lateral, para investir do lado para o meio. Procura o contato com os zagueiros, em busca de faltas laterais ou escanteios, uma das principais armas ofensivas – combinando a qualidade de Jorge Wágner e Hernanes nas cobranças, com o tempo de bola e a envergadura dos zagueiros e do centroavante.

Acredito que Mário Sérgio adotará um sistema bastante parecido – para não dizer idêntico. Um Inter no 3-5-2 com triângulo alto no meio-campo (Sandro no primeiro vértice, Giuliano e D`Alessandro na linha de articulação), quem sabe segurando mais Giuliano pela direita e recuando Taison, na transição para o 3-6-1, tentando trazer a marcação de Renato Silva para fora da área, e aplicando ainda um 2-1 sobre Richarlyson.

Fato é que no 3-5-2 as marcações são por função. Individuais, portanto. Veremos nove perseguições mútuas. Duelos. Renato Silva-Taison; Índio-Dagoberto; Miranda-Alecsandro; Eller-Washington; Sandro-Hernanes; Giuliano-Jorge Wágner; Richarlyson-D`Alessandro; alas contra alas (Daniel-Júnior César, e Jean-Kleber).

Isso indica que, além de todos os aspectos táticos deste enfrentamento, a vitória pessoal de algum jogador sobre seu perseguidor pode definir a partida. Um drible, uma indefinição na marcação, uma falha, uma desatenção, uma ousadia. Ninguém poderá sequer piscar.

Postado por Eduardo Cecconi

Comentários (15)

  • Ricardo “COMO É BOM SER COLORADO” diz: 27 de outubro de 2009

    Perfeita analise Eduardo, mas eu o acho queo pulo do gato do MS deveria ser povoar o meio de campo com quatro jogadores, dois volantes, dois meias, pra ganhar a 2ª bola. Não penso que precisamos de 3 zagueiros pois só o Washington joga enfiado e deixa o Dagoberto para o lateral do ladoque ele estiver. Jà no meio, com 2 volantes defensivos matamos a armação deles e com dois meias contra um volante ganhamos a rebote. Sem a bola, Taison pega 1 ala, Alecs pega o Alex e um meia pega o outro ala.

  • Valmir Faleiro diz: 28 de outubro de 2009

    tem q tirar o alecsandro e colocar o marquinhos… 4-4-2 com giuliano e dalessandro metendo bola pra velocidade de taison e marquinhos ao mesmo tempo, ninguém segura. o q vc acha cecconi?

  • Gustavo diz: 28 de outubro de 2009

    Foi espelhando o esquema 352 que o INTER de Abel deu show contra o SP de Muricy em 2006. Porém os tempos são outros, outros jogadores. De repente seria interessante fazer esquema árvore de natal, com 3 zagueiros, 2 volantes, 2 alas, 2 meias ofensivos, um em cada lado, mais o pivô lá na frente. O 442 é ruína contra o 352 bem treinado do Muricy.

  • Rodrigo Leão diz: 28 de outubro de 2009

    O espelhamento é sempre muito interessante. Para este jogo, porém, creio que o mais correto seria manter o esquema do Grenal, com o ingresso do Bolivar na lateral direita.

    Outra alteração que eu faria, seria inverter o Taison de lado. Além de ele não estar rendendo no lado esquerdo, é muito mais interessante segurar o J.Cesar do que o Jean.

    Saudaçoes coloradas!

  • Wagner diz: 28 de outubro de 2009

    Se o Inter for no 352, empata a parte tática…o objetivo é vencer, não?..então coloca o melhor esquema, DUAS Linhas de QUATRO, tá morta a cobra…4411 ou 4141..é só pensar uma coisa, se o SP ficar c 3 zag encima de um só atacante nosso, no resto teremos UM A MAIS..vantagem…Roth matou eles lá assim..é por aí a vitória…ir com 3 zag? ir igual?.. é pouco inteligente…

  • Bruno Bermann diz: 27 de outubro de 2009

    Cecconi, depois de ler o teu post fiquei imaginando porque excluiste o guiña do esquema, ai lembrei que ele está suspenso, e com certeza sua ausência será um prejuízo irreparável para essa partida, que a meu ver deveria ser jogada com dois volantes e um meia-armador, não sobrecarregando assim a marcação do sandro, mas acredito que o MS irá colocar o giuliano recuado ao lado dele e somente d`alessandro como meia-armador. To curtindo muito o blog parabéns. Grande Abraço.

  • gustavo diz: 27 de outubro de 2009

    cecconi, por que no 3-5-2 a marcacao eh necessariamente por funcao?

    Resposta do Cecconi: é uma boa pergunta, Gustavo. Os treinadores, acredito, têm problema para definir marcação por zona, porque na zona criam-se quatro faixas de atuação, mas com três zagueiros e três no meio-campo, sempre uma das faixas ficaria descoberta. Acredito que seja esta a justificativa. Abraços.

  • Richard Curti diz: 27 de outubro de 2009

    Muito bom o post, bem explicativo. Muito interessante. So acho que o sao paulo precisa ser um pouco mais consistente na zaga, e vai vai ter um baita desfalque. vai ser um jogao, porem. Cecconi, jorge wagner e hernanes jogam entao como um segundo volante? Ambos apoiam, e marcam forte? como os meias centralizados do 442 britanico?? Belo post

    Resposta do Cecconi: exato, Richard, eles fazem o “vai-vem”. O JW chegou até a ser utilizado como volante em um triângulo baixo emergencial montado pelo Ricardo Gomes, ao lado de Richarlyson, com Hugo na ponta-de-lança. E foi bem. Mas contra o Inter o desenho deve ser esse. Abraços.

  • luciano diz: 27 de outubro de 2009

    belo post adorei,só que deixar indio marcar dagoberto é suicídio, o indio é lento e com a velocidade do jogador do sao paulo vai fazer falta ou ficar prá tras

  • Antonio diz: 27 de outubro de 2009

    Belo post Cecconi, muito esclarecedor.
    Particularmente acho que utilizar o Taison recuando sistematicamente é perda de tempo e mau uso de talento. Se for para ver ele voltando tanto é preferível entrar com o Andrezinho e jogar no 3-6-1 do primeiro jogo do MS.
    Imagino que no 3-6-1 ele ganha o meio campo,e os 3 zagueiros dominam o ataque paulista.Pode até não ganhar, mas dificilmente perde esse jogo.

  • Guilherme diz: 27 de outubro de 2009

    Bola nas costas do André Dias, olha lá taison na correria….
    VAMO MEU INTER! SEREMOS CAMPEÕES.

  • eduardo diz: 27 de outubro de 2009

    não seria melhor o inter jogar contra o são paulo no 4-4-2 com losango, ou no 4-1-4-1 usado no grenal no segundo tempo?

  • MARCELO diz: 29 de outubro de 2009

    Boa tarde Eduardo, gostaria que você comentasse a idéia de utilizar o Tcheco como box-to-box, assim como o verón joga no estudiantes.

    Resposta do Cecconi: Marcelo, já fiz essa defesa inúmeras vezes aqui no Preleção. Concordo contigo. Abraços.

  • Fabio Henrique diz: 28 de outubro de 2009

    Conclusão: ganha quem marcar um gol após um chutão de um zagueiro. Mas um chutão mesmo, aquele bico pra cima, de time de segunda divisão. com 2 times armados no 3-5-2, é esse o “espetáculo” que espera o torcedor.

  • Guilherme diz: 29 de outubro de 2009

    O Inter jogou num 4-4-2 hein, erraste! :P

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