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Mário Sérgio surpreendeu até seus jogadores

29 de outubro de 2009 28

Na marcação por zona, cada jogador cuida de seu espaço delimitado, e só pressiona o adversário que estiver com a bola. No exemplo, o volante da esquerda não

Sem tempo hábil para realizar sequer um treinamento tático aprimorado – o Inter jogou o Gre-Nal no domingo, viajou na segunda para São Paulo, e fez um trabalho leve na terça – Mário Sérgio demonstrou muita destreza na alteração tática que apresentou quarta à noite, no Morumbi. Uma surpresa até mesmo para os jogadores.

O Inter encarou o São Paulo se utilizando do 4-4-2 britânico, em duas linhas. À primeira vista, sem novidade tática, porque este sistema havia sido aplicado no Gre-Nal. Mas com significativas mudanças nas táticas de grupo, e nas táticas individuais (funções) de jogadores importantes.

As maiores mudanças aconteceram no “grupo esquerdo”. Mário Sérgio, quando se esperava o retorno ao 3-5-2 original, principalmente pela ausência de Guiñazu e pelo retorno de Fabiano Eller, abriu Eller na esquerda como um lateral-base. Entrevistei Eller hoje, e ele confirmou: “fiquei surpreso. O Mário Sérgio me avisou na segunda, e nem tivemos tempo de treinar. Acho que fui bem, mas prefiro ser zagueiro”, revela. E foi bem mesmo.

Outra mudança no mesmo lado foi avançar Kleber para a asa esquerda da linha de meio-campo, como um “winger” – ou meia-extremo, protegido por Kleber. Índio e Bolívar formaram a dupla de zaga, Daniel foi o lateral-direito, e Giuliano permaneceu como “winger” direito. Na segunda linha, Sandro e D`Alessandro jogaram por dentro, contando ainda com o apoio de Taison, que ora recuava centralizado, ora aberto, auxiliando na marcação.

O que de melhor trás o 4-4-2 em duas linhas, pouco compreendido e raro no futebol brasileiro? A marcação por zona. Kleber pode avançar tranquilo, pois sabe que Eller faz a cobertura imediata. Vale o mesmo para Giuliano, com Daniel, ou D`Alessandro com Bolívar, e Sandro com Índio. São quatro duplas que, caso estejam próximas e agrupadas, formam um paredão inteligente e sincronizado, forçando o adversário a trocar passes sem objetividade, pela falta de espaços.

Neste sistema, reitero, a marcação é “pressão na bola”, não no adversário. O marcador só ataca o adversário quando este recebe a bola dentro da sua área de ação, trazendo consigo a cobertura respectiva. É exatamento o contrário do 3-5-2, que exige a marcação individual por função, e faz o marcador exercer pressão sobre o adversário, mesmo que ele esteja sem a bola.

A diferença é simples: marcação por função do 4-4-2 em duas linhas não desorganiza a equipe. Os atletas atuam como se estivessem presos às suas zonas “com elásticos”. Pressiona quando a bola cai ali, reconstitui o posicionamento original quando a bola sai. E assim, quando se recupera a posse, os jogadores estão ainda próximos, a equipe está organizada.

Na marcação por função do 3-5-2 são tantas perseguições individuais que, se os adversários se movimentarem, desorganizarão a outra equipe. E ela, quando recuperar a posse, está desagrupada e desarticulada. Recorrendo à ligação direta com o ataque, pela ausência de alternativas para passes, tabelas, triangulações…

Mário Sérgio foi bem ontem. Não sou comentarista de resultado, mas sim de desempenho. Até porque o resultado continua avalizando o uso do 3-5-2 no Brasil: perda do controle da partida, da posse da bola, e falta de organização; mas vitória com gol em lance fortuito de bola parada. Uma pena.

Postado por Eduardo Cecconi

Comentários (28)

  • Thiago Andreazza diz: 29 de outubro de 2009

    Há algum tempo atrás eu tinha enviado aqui para o preleção para o Cecconi colocar em discussão esse exato sistema de jogo para o Inter.
    Naquele momento não possuia Giuliano e nem a confirmação de Daniel, porém era a mesma estratégia…
    Mandei até uma imagem do esquema, mas alguns discordaram e o próprio Cecconi nem deu bola, só queria entender porque?
    Vocês da imprensa tem um poder gigante na escalação das equipes sim! Poderiam ouvir mais a galera e ajudar a melhorar os nossos times.

  • Rui diz: 30 de outubro de 2009

    O M.Sérgio deu uma aula para quem gosta de futebol tático, foi ousado nas alterações, estava iluminado.

  • jose luiz de castro david diz: 30 de outubro de 2009

    Se conseguirem monitorar o Mario Sergio para que não tenha seus ataques de furia e irritação poderia ser um dos grandes tecnicos do Brasil e o Inter estaria muito bem servido,é melhor do que a maioria dos que estão por ai.

  • gustavo diz: 29 de outubro de 2009

    eh uma pena mesmo.. sem contar o futebol feio que o 3-5-2 proporciona..

  • Luis diz: 30 de outubro de 2009

    Só funcionou porque o SPFC fez o gol e abdicou de atacar, pois sabia que o ataque de asma do Inter jamais faria gol em Andre Dias e Miranda.

  • Mario Quadros diz: 30 de outubro de 2009

    O Inter jogou maravilhosamente, e o técnico (sic) Mário Sérgio deu um espetáculo que não era esperado nem pelos jogadores. Veja bem: nem pelos jogadores! Com certeza deu uma aula de bola para os paulistas, gaúchos, e para o Brasil. Muito bom o cara. Só faltou a coisa primordial do futebol: fazer gols, o que leva um time à vitória; o que leva um time a consquista de pontos, estes sempre importantes! Por mim, pode continuar dando espetáculo, pois parece que isto, para alguns, é melhor que vencer!

  • Mateus Dagostin diz: 30 de outubro de 2009

    Fantástico.
    Cada vez melhores teus posts, meu camarada.
    Uma aula tática. Mas não espalha pros outros técnicos por aí, senão vira palestra antes de jogo!
    Abrs.

  • Fabio Henrique diz: 30 de outubro de 2009

    Não entendi o “Kleber protegido por Kleber”. Será um clone??!! Agora, Cecconi, falando sério, esse geração de treinadores que usam 3-5-2 só o fazem porque no Brasil (salvo excessões) não existe meias armadores ou mais incisivos, como na Europa. O que há nos nossos timecos, salvo excessões, são volantes, digamos, esforçados. e outros que dependem de um atacante, como o Atlético-MG, Flamengo…

  • Gilvan Lazzaretti diz: 30 de outubro de 2009

    Parabéns pela análise e pelo blog.
    Abraço, Gilvan

  • Cléber Farias diz: 30 de outubro de 2009

    Bom dia pessoal!

    Novamente uma ótima análise da partida Cecconi, parabéns!
    Em alguns momentos, como você citou, o Taison recuava formando uma linha de cinco no meio campo, mas isto foi em momentos isoladosdo jogo, por isso, não caracterizou o 4-5-1.
    Sou gremista, mas o Inter jogou muito bem e controlou boa parte do jogo.

    Abraços,

  • Fábinho diz: 30 de outubro de 2009

    O engraçado é que o Mauricio Saraiva não observa estas coisas. Ele só foi notar que o Kleber estava jogando no meio lá no segundo tempo, e ainda comentou na TVCom depois que o Kleber jogou por 10minutos no meio de campo. Como pode a RBS manter nas transmissões o Paulo Brito e Mauricio Saraiva, se existe na casa pessoas com muito mais conhecimento e menos balaca que aqueles dois que não entendem nada? O Brito pq jogou no Avenida pensa que já jogou bola e o Saraiva, este devia comentar carnaval.

  • pacato diz: 30 de outubro de 2009

    O inter perdeu o campeonato pela inoperância do ataque. Taison e Alecsandro estão mal, um não faz go le o outro se enrola com a bola. O inter precisa de dois atacantes (que têm no grupo); são eles: Marquinhos e Edu.

  • Camila Reinehr diz: 30 de outubro de 2009

    Olha o Mario Sergio esta surpreendendo positivamente (explorando as virtudes de cada jogador), eu gostei muito do time contra o São Paulo (q é um excelente time), infelizmente por detalhe da falta de perícia dos nossos atacantes não ganhamos o jogo. PENA!!! =(

  • Roberto Kern diz: 30 de outubro de 2009

    Concordo contigo tchê!! To gostando do MS.
    Só queria que ele perdesse a teimosia por insistir com o Taison.
    Tu tens feito um grande trabalho na cobertura dos treinos, nunca posto, mas acompanho teu trabalho.
    grande abraço

  • Ronei diz: 29 de outubro de 2009

    Pôxa, cara. Tu tá cada vez melhor (espero não subir à cabeça esse comentário). Tb vi a “quase” a mesma coisa que tu. Logo deu pra perceber que o Inter tava no 4-4-2 e o SP só fazia lançamentos longos, muito bem controlados. Como é bom ter um grupo de jogadores que assimilam com facilidade as determinações do técnico. Abraço.

  • marco diz: 30 de outubro de 2009

    O Mario Sergio, quando comentarista, enxergava o jogo como ninguém, não dizia o obvio como TODOS os outros, talvez ele não queira ser tecnico, prefira outra profissão, mas ele seria, com certeza, um grande tecnico.

  • Yuri diz: 30 de outubro de 2009

    deu pra perceber direito na TV o 4-4-2 ingles do inter nessa partida. achei muito interessante como o time jogou bem nesse esquema , jogou compacto e podia ter melhor sorte (coisas como alecsandro FURAR cabeçada nao entra na conta ne…).. so achei a troca de passes e a velocidade meio cadenciadas ainda assim.. os “wingers“ pegavam a bola e ou cruzava (kleber) ou tentava recortar a defesa (giuliano). nao torce pra nenhum da dupla mas ver o inter jogar assim é bacana, espero que continue

  • Mauricio® diz: 29 de outubro de 2009

    Tá explicada a supremacia do Inter contra o São Paulo. Se o 3-5-2 leva à ligação direta, perda da posse de bola, etc, o que dizer quando esse 3-5-2 encontra um time compacto como jogou o Inter ontem. Como eu havia dito, para quem estava acostumado com o estrategista Tite (e eu gostava dele justamente por isso), o Mário Sérgio vem sendo uma surpresa positiva na montagem do time. Uma pena o resultado, fruto da única falha do time durante o jogo. Valeu, Edu!

  • Leonardo Soares – Pelotas diz: 29 de outubro de 2009

    Cecconi, achei que o MS foi muito bem ontem, gostei do time. Demos azar nas conclusões, o D`Ale geralmente daria um toque de classe por cima do goleiro, mas foi mal na conclusão. Acontece. Acho MUITO importante ressaltar a mudança de postura da equipe e principalmente do treinador do Inter, que quando precisou do time na frente tiropu zagueiro e lateral e botou meia e centroavante. MS teve exatamente a coragem que a torcida reclamou por 1 ano faltar ao Tite.
    O Intere tem boas chances!

  • edu diz: 30 de outubro de 2009

    Cecconi, gostei muito do sistema e pouco do resultado, mas fico pensando se não foi este que trouxe o sucesso tático. O SP não precisaria atacar e recuou. Antes do gol, em alguns momentos do jogo, o SP se impos e, aí, a zaga colorada (Índio voltou a jogar) é que foi eficiente. O que surpreeendeu, muito positivamente, foi que Taison marcava, mas D`Ale, não e, assim, sem função tática, começava as jogadas mais exitosas, na minha modesta opinião.Abs

  • bruno diz: 30 de outubro de 2009

    quando se joga com wingers, nao seria melhor utilizar dois atacantes mais centralizados (mais de [area).
    valeu!!

  • Rafa diz: 30 de outubro de 2009

    Mário Sérgio foi bem ontem. Não sou comentarista de resultado, mas sim de desempenho … Até onde conheço futebol, o bjetivo maior do jogo é fazer mais gols do que o adversário … Acho que isso é tanto resultado , quanto desempenho … Esquecestes de comentar que a “genialidade tática” que endossas, deixou o ataque do time NULO !!! O segundo atacante, Taison jamais pisou dentro da grande área adversária !!

  • Chico Costa diz: 29 de outubro de 2009

    olá Eduardo, desta vez não concordo com a tua análise, embora ele seja, como sempre, muito boa.
    na minha ótica, o Inter entrou em campo no 4-1-4-1, já que o Sandro ficou plantado à frente da zaga e o Taison foi mais meia do que atacante. também acho que o “Vesgo” está mandando bem no comando do Inter… abraço

  • gilberto diz: 29 de outubro de 2009

    En não sei pq os técnicos complicam tanto o futebol… Devias editar tuas idéias. Seria tudo tão simples

  • Daniel Vicente diz: 29 de outubro de 2009

    Uma pena nada, Cecconi! Ótimo! Vamos tricolor! Queremos a coopa!

  • Marcelo diz: 30 de outubro de 2009

    O blog está cada vez melhor, mas achei o Kléber muito centralizado na etapa inicial, mais para volante do que winger. Seria legal se você pudesse colocar o desenho tático do time que descreveu.
    Grande abraço!

  • Ademir Neissinger diz: 30 de outubro de 2009

    Oi Edu,li o jogo da mesma maneira,pela qualidade técnica do Eller foi possivel fazer esse movimento,parece que o MS é mesmo um bom estrategista do futebol, pq alem de criar a movimentação que você analisou,a presença de Eller aberto, neutralizou totalmente Dagoberto que nao fez nenhuma jogada por aquele lado! Seriamos capazes de analisar o Segundo tempo? com as mudanças feitas, Na minha opinião o sistema de manteve, só mudaram peças e funções tornando o time mais ofensivo, que você acha?

  • Carlos Nodari diz: 30 de outubro de 2009

    Beleza cara, vamos continuar jogando bem e perdendo.Estive no Morumbi e o que vi foi um Inter determinado e muito melhor em empenho do que o SP. Entretanto concluir que tinha estratégia naquilo é ir longe demais. O 3 zagueiros são lentos, nao se ataca pela pontas (e tinham espaços), os atacantes ficaram isolados e sem estrutura que os apoiasse, o Kleber não tem força para jogar no meio e o Eller é lento para ala.

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