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Velocidade para cruzar as linhas britânicas

14 de novembro de 2009 10

Diagrama tático do confronto entre Brasil e Inglaterra

Em jogos de equivalência tática sem variações, é preciso que alguma característica técnica dos jogadores se sobressaia para confrontar o adversário. Senão, o encaixe tático arrastará qualquer partida ao empate sem gols. Pode ser improviso, drible, precisão no chute de média distância, qualidade na bola parada bem ensaiada…

Hoje, o Brasil se utilizou da velocidade de Nilmar como instrumento de desequilíbrio na rigidez tática do confronto entre Brasil e Inglaterra. Foi com as diagonais incisivas da esquerda para o meio que ele indefiniu a marcação inglesa, criando as melhores oportunidades – e marcando o gol – da vitória da Seleção Brasileira por 1 a 0, em partida amistosa.

Dunga manteve o Brasil estruturado no 4-5-1, seu sistema predileto, desdobrado em 4-2-3-1. São quatro defensores em linha, dois volantes guarnecendo a área, três meias ofensivos à frente, e um centroavante no pivô. E na Inglaterra, Fabio Capello também não abriu mão do ortodoxo 4-4-2 britânico, com duas linhas de quatro jogadores, um atacante recuando para fazer o enganche, e um centroavante no pivô.

Os posicionamentos iniciais de cada jogador das duas seleções criou uma situação de vantagem para as defesas. Em qualquer dos campos, venciam os marcadores.

No Brasil, Kaká foi combatido por dois volantes, variando a marcação conforme a zona em que ele ingressava. Foi anulado. Elano, burocraticamente, anulou-se sozinho, no embate com Bridge – que também nada acrescentou. Luís Fabiano, assim como Kaká, lutou contra dois marcadores, entre os zagueiros ingleses. Michel Bastos e Maicon bateram de frente com os wingers britânicos, e os volantes brasileiros não fizeram a passagem da linha para auxiliar Kaká.

Na Inglaterra, Rooney tentou jogar às costas de Gilberto Silva, mas acabou permitindo à dupla de zaga brasileira formar sempre uma sobra. O destro Milner, aberto como winger esquerdo, invariavelmente cortava para o meio, mas Bridge nunca aproveitou o corredor. Wright-Phillips foi pouco incisivo; Brown não o auxiliou no apoio pela direita. E os meio-campistas centrais Jenas e Barry fizeram o mesmo que os volantes brasileiros: muita preocupação com o posicionamento inicial, pouca ultrapassagem para indefinir a marcação.

Nilmar foi o único jogador que demonstrou interesse em aliar inteligência tática com a qualidade técnica que tem. Sua principal virtude técnica é a velocidade. E sua principal virtude tática é atuar sobre a linha defensiva, entre o zagueiro e o lateral, sem entrar em impedimento – foi assim que formou bela parceria com Alex recentemente no Inter, recebendo assistências de frente para o gol, nas infiltrações pelo chão.

Dessa forma, Nilmar buscou a diagonal, batendo o lateral-base Brown e partindo para o confronto direto com Upson. O que provocava a famosa indefinição da marcação, em efeito cascata: Upson deixa a sua zona de atuação, Lescott fecha, e a Inglaterra não sabia se combatia Nilmar e deixava Luís Fabiano livre, ou se mantinha a rigidez segurando o centroavante, mas liberava o ex-jogador do Inter. Nilmar fez gol, cavou pênalti, e participou objetivamente de todas as ações ofensivas do Brasil, sempre entre Brown e Upson.

Infelizmente, a Inglaterra jogou com seu “time B”. Não atuaram Ferdinand, Terry, Ashley Cole, Beckham, Gerrard, Lampard, Glen Jonhson, Lennon, Carlton Cole…Com todos os titulares, Capello manteria a mesma estrutura tática, mas a Inglaterra poderia agregar algo que lhe faltou hoje, e que o Brasil teve com Nilmar: qualidade técnica para desestruturar o equilíbrio tático.

Postado por Eduardo Cecconi

Comentários (10)

  • Ramon Dongo diz: 15 de novembro de 2009

    Fico imaginando esse mesmo time com o Alex no lugar do Elano…

  • Giordano diz: 15 de novembro de 2009

    Eu não sei.. Por vezes, quando o Brasil não conseguia impor a velocidade, e a Inglaterra recuava tentando segurar o ataque da seleção, eu via um Brasil num 4-4-2 num Losango BEM definido e visível… Só eu tive essa impressão??

    Resposta do Cecconi: Giordano, eu também vejo esta variação, principalmente quando o Felipe Melo apoia, alinhando com o Elano, e o Gilberto Silva centraliza. Isso aconteceu muito contra o Chile. Ontem, vi o Nilmar mais preso à intermediária, como o winger mesmo. Ali no diagrama tático que ilustra o post, podes ver que coloquei o Felipe Melo mais à frente do Gilberto, e o Elano mais recuado que o Nilmar, o que muitas vezes proporciona mesmo o desenho do losango no meio. Estás correto. Abraços.

  • Yuri diz: 15 de novembro de 2009

    foi realmente uma pena ser o time B ingles, a inglaterra geralmente joga com os 2 laterais avançando muito, gerrard avança trazendo cole que marca e ataca bem (fase absurdamente boa), no outro lado lennon costurava pelo meio trazendo johnson que faz o mesmo e cruza como poucos laterais no mundo hoje.. lateral é uma posição chave, com bridge e brown é mais seguro prender os 2 la atras. Bridge saindo faz coisas como o ultimo man city x burnley, ele foi culpado de 2 dos 3 gols que o time tomou

  • gustavo vasconcellos diz: 14 de novembro de 2009

    Bridge, da Inglaterra, ficou livre?

  • pacato diz: 16 de novembro de 2009

    Falta mesmo fizeram Terry, Ferdinand, Gerrard e Lampard. Talvez o Lennon (cadê o joe cole nessa seleça???). Beckham e C.Cole nunca titulares nas eliminatórias. O resto compõe time. À Inglaterra falta um atacante pra fazer cia com Rooney, algum matador.

  • Éverton diz: 15 de novembro de 2009

    Po, Cecconi, tá cada vez mais difícil comentar no teu blog… não tenho nada a acrescentar nas postagens, sempre muito boa a análise hehehehe. E essa briga pela vaga no ataque, tu acha que o Nilmar já ganhou a posição do Robinho? Abraço!

  • Rodrigo diz: 15 de novembro de 2009

    Cara não sei se voce concorda, mais acho que Nilmar vai arrebenat jogando de winger(meia ofensivo aberto como queiram) ali acredito eu que é o lugar onde mai se aproveita as prinicpais caracteristicas dele a velocidade e o drible alem de chegar muito bem pela diagonal ao meu ver o Nilmar esta sendo muito mais efetivo que Robinho, por fim parabens pelo seu blog é sensacional continue assim, abraços

  • giovani diz: 17 de novembro de 2009

    este esquema da seleção é o: 442 ou 4222, mas o certo é separar em tres terços o campo. então, 442 com 2 volantes e dois meias padrão bem brasileiro… e mesmo que o nilmar recue, a posição dele atacante … não inventa… já ta ficando doentia esta maneira de desdobrar esquemas…. é muita teoria… tem que levar em conta o jogador e suas caracteristicas. os jogadores de futebol, fora o goleiro se dividem em: defensores, meio campistas e atacantes, logo o campo tatico tem q se dividir em três.

    Resposta do Cecconi: Giovani, duas coisas. 1) não confunda posição com função. A posição é a característica, a função é a tática individual. A posição do cara pode ser goleiro, mas se o treinador escalá-lo na lateral-direita, ele vai desempenhar a função de lateral. Mas a posição continua goleiro. 2) Acredito que estejas acessando o blog pela primeira vez. Eu já fiz um post INTEIRO falando que prefiro apenas a descrição em três setores, explicando o motivo, mas falando que manteria o desdobramento em quatro porque muitos leitores preferem assim, e aqui é um espaço democrático. Portanto, acho que tuas observações não procedem. Dá uma busca nesse post. Abraços.

  • Alessandro Nascimento do Nascimento diz: 15 de novembro de 2009

    Em relação ao primeiro comentário, realmente não interpretei corretamente o que diz o texto. Vou ficar atento para nas próximas vezes analisar melhor. Abraço!

  • Alessandro Nascimento do Nascimento diz: 15 de novembro de 2009

    Pouca argumentação! Falou somente os fatos do jogo e pouco disse sobre a razão que levou as equipes a não terem principalmente no primeiro tempo volume ofensivo. Faltou relacionar a fraca efetividade ofensiva brasileira a pouca movimentação, principalmente com os laterais que jogaram a primeira etapa de jogo abertos, mas com pouco balanço. Mais pareciam pontas, recebiam a bola isoladamente não havendo a aproximação de Elano e Nilmar. Quando o Luiz F. voltava, não havia ninguém a frente da bola.

    Resposta do Cecconi: Alessandro, pra tu argumentar, não precisa dizer que os outros não argumentaram. É só prestar mais atenção na interpretação do texto. Tu diz que eu não falei que houve pouca movimentação. Mas eu digo sim, com outras palavras, quando ressalto a rigidez tática de todos os jogadores, preocupados demais em não deixar o posicionamento inicial. Isso é exatamente igual a dizer que faltou movimentação. Percebes? Abraço.

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