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Rospide vai bem sem a sombra do 3-5-2

15 de novembro de 2009 19

Diagrama tático das três alternativas táticas do Grêmio de Rospide no Mineirão

Marcelo Rospide assume pela segunda vez o cargo de técnico do Grêmio, interinamente, com o mesmo discurso: prosseguir com o mesmo trabalho do antecessor. Na primeira vez, cumpriu tão à risca a sequência ao legado de Celso Roth com seu 3-5-2 um tanto desarticulado, que chegou a ser chamado de “Rothspide”, tal a semelhança. Mas ontem contra o Cruzeiro, estreando no pós-Era Autuori, Marcelo Rospide mostrou mais recursos.

Ele sistematizou o Grêmio no mesmo 4-5-1 utilizado por Autuori no empate com o São Paulo. Tática que pode ser desdobrada no 4-2-3-1, com dois volantes, três meias ofensivos em linha, e um atacante centralizado. De início, ele partiu com Túlio e Adílson protegendo a linha defensiva; e na segunda linha, Tcheco pela direita, Rochemback centralizado, e Douglas Costa na esquerda.

Pela oferta de três volantes de origem, a opção pelo 4-2-3-1 contrariu a perspectiva anterior que eu tinha – de ver Rospide adotar o 4-5-1 desdobrado em 4-3-2-1 que o Autuori fez no Gre-Nal. Desenho caracterizado no Milan de Ancelotti como o “árvore de natal”, pelo formato em campo dos três volantes seguidos de dois meias e de um atacante. A alternativa escolhida era a mais adequada

Mas essa formação durou pouco. Réver se lesionou, e Rospide não tinha zagueiros no banco. O treinador interino do Grêmio chamou Maylson, e com ele manteve o 4-2-3-1 com uma inteligente reorganização da equipe. Rospide passou Thiego para a zaga, Túlio para a lateral, recuou Rochemback para completar a dupla de volantes com Adílson, centralizou Tcheco na organização da segunda linha do setor e abriu Maylson como meia-extremo pela direita.

Com esta distribuição, o Grêmio passou a controlar a partida. O 4-5-1 com três meias não pode ter lateral-base. Ele sobrevive exatamente das triangulações pelos lados, entre laterais e meias-extremos. Com Thiego na base, o lado direito gremista estava morto. Com Túlio, que passou a apoiar, o Grêmio conquistou aquele setor. Túlio e Maylson criaram as melhores triangulações, reprisando o mesmo que faziam na esquerda Fábio Santos e Douglas Costa.

Ações pelos dois lados, e pelo meio – com Tcheco e o pivô de Maxi López, boa marcação. Um time equilibrado. Rospide parecia ter encontrado o desenho tático e a distribuição de jogadores próximos do ideal, na relação com as características de cada jogador do elenco. Mas no 2º tempo Maylson cansou, parou de auxiliar Túlio, e em um erro de Adilson na saída de bola, saiu o gol do Cruzeiro.

Daí em diante Rospide passou para a terceira formação do Grêmio na partida. Ele recuou os dois jovens, cansados de apoiar e marcar os laterais cruzeirenses. Douglas Costa e Maylson alinharam com os volantes. Tcheco permaneceu à frente, fazendo o “enganche”. Desenhava-se um 4-5-1 desdobrado em 4-4-1-1, com duas linhas de quatro, um meia-ofensivo e um atacante.

Foi o pior momento do Grêmio na partida. Duas linhas recuadas em um campo com as dimensões do Mineirão fazem uma péssima ocupação de espaços. Já no 4-5-1 com três meias e laterais passando o Grêmio estava fazendo uma bela ocupação, embora sem posse de bola, até certo ponto controlando a partida.

O jogo terminou empatado em 1 a 1, com muitos erros de arbitragem, expulsões, lances polêmicos, reclamações, trocas de agressões, e outros aspectos que não fazem parte da análise prioritária do blog Preleção – um fórum de debates sobre sistemas táticos.

Acompanharei com curiosidade a partida de quarta-feira, para ver que mais o Rospide tem a mostrar. Ontem, com três alternativas táticas e capacidade de improvisar imediatamente após uma perda (Réver), o técnico interino do Grêmio se saiu bem.

Postado por Eduardo Cecconi

Comentários (19)

  • Rafael Gelatti diz: 15 de novembro de 2009

    Não vi a partida, mas no scout não tinha nenhuma finalização do Maxi. Imagino que seja culpa de varios fatores, mas o esquema tem a ver com isso? Estratégia? O 9 tá lá só pra fazer parede? Afinal foi dele a assistência. E que tu diria do D.Costa pela direita neste esquema, com a possibilididade de jogar em diagonal?

    Resposta do Cecconi: Rafael, este sistema realmente não ajuda o Maxi, que é mais atacante do que centroavante-pivô. Mas ele fez a assistência para o Herrera, e foi bem. Sobre o Douglas, prefiro ele aprofundando pelo lado esquerdo, porque na direita fazendo diagonal ele abriria um corredor que o Thiego não aproveitaria. Abraços.

  • Emerson Skrabe diz: 17 de novembro de 2009

    É por isso que o ROspide é o técnico que tem a melhor campnha do ano, em comparação ao Roth e ao Autuori.

  • Carlos diz: 16 de novembro de 2009

    Bom dia Eduardo.
    Vi que nao comentaste sobre a entrada do lucio na esquerda, jogando junto com fabio santos. Acho que esta alteracao tambem acrescentou. abraços

  • Zé Eduardo Morais diz: 15 de novembro de 2009

    Cecconi, tu concordas que essa foi a melhor atuação do Grêmio fora de casa?

    Ao meu ver, sim. Aliás, esse esquema de ontem é muito idêntico ao utilizado pelo Mano em 2006, com Jeovânio e Lucas na 1ª linha e Rafinha, Tcheco e Hugo na 2ª linha. Em ambos, o extremo-esquerdo era quem mais se aproximava do centroavante (em 2006, Rômulo).

    Creio que esse esquema funciona melhor em campos grandes, como Mineirão, Morumbi e Maracanã.

    Que achas?

    Abraço e parabéns pela análise!

  • Roberto diz: 15 de novembro de 2009

    Ceccon, teu blog é excelente, parabéns. Quanto ao esquema do Rospide, não vejo vantagem alguma em jogar com Rockembach ou Tcheco, deixando Maylson no banco. Acho que um deveria sair pra entrar o guri, porque ele é mais objetivo, ágil, determinado e ambicioso que qualquer um desses dois titulares. O ideal, inclusive, seria a entrada do Willian Magrão no lugar do Rockembach e do Maylson no do Tcheco. Já! Neste caso, como achas que deve jogar Souza, se é que deve, na tua opinião?

  • Tiago diz: 16 de novembro de 2009

    Cecconi, se as reposições que dizem que o Grêmio trará se confirmarem (Hugo, Borges), eu gostaria da permanência do Tcheco, porque ele passaria de meia para 2° volante, e isso me agrada pelo simples fato do ex capitão não errar passes e ter a leitura do jogo, na minha opinião seria um box-to-box como tu mesmo chamas, por exemplo, um Veron do estudiantes, o que tu achas?

  • Borges diz: 15 de novembro de 2009

    Pelo amor de Deus, quem quer a renovação desta nulidade lenta do Theco, justifique falando de futebol. Esqueçam do gremismo, dedicação, esforço, garram, liderança, ser gente boa e não venham com L.A de 2007… Dentro de campo, o que ele faz? Cobra escanteios e bate faltas cruzadas? Não aguento mais ver este cara não dar UM DRIBLE no jogo TODO, não corre, não GANHA UM LANCE, só se atira no chão pra poder bater falta. Só faz gol de penalti, não tem força no pé, não decide. FRACO DE +.

  • Samuel Ritter diz: 16 de novembro de 2009

    Com Maylson e Douglas vingando em campo, podemos nos dar ao luxo de perder o Tcheco e ter apenas Souza como jogador mais experiente no time. Agora eu sei de uma coisa, entre trazer um outro treinador e manter Maxi, prefiro a 2a. opção. Rospide fica lá enganando e o Maxi resolvendo na frente.

  • francisco diz: 15 de novembro de 2009

    Gustavo falou e disse

  • giovani diz: 17 de novembro de 2009

    isto é 451 com 2 meio campos defensivos e 3 ofensivos, para de desdobrar em mais de tres os setores do campo!!!

  • Jorge André Dal Piva diz: 16 de novembro de 2009

    Borges vc entende pouco de futebol mesmo pois só enxerga um jogador entre 11. Já pensou se na tua casa todos te culpassem por tudo que acontece… mesmo assim vc ta ai…quando o Tcheco não joga o time desanda.

  • sebastiao dilelio maracci diz: 16 de novembro de 2009

    Apreciei muito teus comentarios a respeito dos esquemas utilizados pelo Rospide. Realmente foi o que se passou com o time do Gremio. Mas, ainda estou pra ver, que algum treinador de futebol aplique o QUE REALMENTE É UM ESQUEMA TATICO, ou seja, COLOCAÇÃO, DESLOCAMENTOS, GESTOS, FINTAS, DRIBLES, CONVERSAS, ETC,.. enfim, tudo o que signifique ILUDIR O ADVERSARIO dentro do campo de jogo. Aliás, os treinadores só TÊM ILUDIDO A TORCIDA, comseus gestos na frente das cameras de TV. Nisso eles são bons.

  • Rodrigo diz: 15 de novembro de 2009

    rapaz, na minha opinião o próximo jogo vai mostrar se ele é corajoso ou não. O grêmio só funcionou quando alguém que apoie atuou pela direita, caso Mário fernandez não jogue quero ver quem ele poe na direita. Eu apostaria em um guri da base.
    Qual sua opinião ae?

  • antonio diz: 15 de novembro de 2009

    Eduardo, poderia me dizer dos jogos que o Grêmio jogou fora de casa em quantos terminou com onze jogadores?

  • Gustavo Ribeiro diz: 15 de novembro de 2009

    Time ridículo. Ajudou o colorado a entrar no G4. Kroeff e Meira torcerão para o Inter na Libertadores 2010.

  • Lucas Benvegnú Zambon diz: 15 de novembro de 2009

    Se vc pudesse, daria uma chance do Rospide continuar com o trabalho no ano que vem?

    Resposta do Cecconi: Lucas, pela pouca amostragem acho cedo demais para apostar. Ontem ele foi bem. Preferia ver o Adilson Batista no cargo. Abraços.

  • Christiano Volken Nunes diz: 16 de novembro de 2009

    Em que pese a variedade de esquemas utilizados, fico com a impressão de que o Rospide é um cara que simplifica (quero que isso seja encarado como um elogio). Sem invenções malucas para se consagrar, sem comprometimentos com este ou aquele. Simples. Tem uns q complicam p se valorizar, depois perdem o caminho de volta para o simples. Valeu Rospide! Força!

  • Cezar diz: 15 de novembro de 2009

    Eduardo, não dá para entender porque o tcheco falou que ontem o jogo foi a cara do Gremio. Porque não fizeram isso antes??? Não vamos chaorar leite derramado, pois faz tempo que não se ganha nada, mas se o tcheco fosse um pouco inteligente e esta direção fraca omissa e amadora fosse + ousada, não renovaria este contrato.

  • Leonardo Prade Knop diz: 17 de novembro de 2009

    Interessante análise!

    Gosto muito deste desenho do 4231, para ESTE grêmio que vemos hoje… gostaria de ver neste jogo contra o palmeiras este desenho:
    4231
    Grohe, Mário Fernandez, Léo, Réver, Lúcio, Túlio, Adílson, Maylson, Tcheco, Douglas costa e Maxi Lopez

    Com apenas um adendo… deixar os dois Meias (Maylson e Douglas Costa) mais agudos, trazendo todo o time um pouco mais a frente… claro que é natural jogando fora de casa (jogo do cruzeiro) que as linhas fiquem mais comprimidas na defesa

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