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Como joga o Inter B

20 de novembro de 2009 6

Diagrama tático do Inter B

Ontem assisti ao jogo entre Inter B e Brasil de Pelotas, pelas semifinais da Copa Arthur Dallegrave, no Estádio Beira-Rio. Foi uma excelente oportunidade para assistir a duas filosofias completamente diversas de planejamento tático. E, mais ainda, mais uma chance de observar a qualificação do técnico Osmar Loss à frente das categorias de base coloradas.

Na goleada de 4 a 0, o Inter B enfrentou o Brasil se utilizando do britânico 4-4-2 em duas linhas de quatro. Mas não foi sempre assim. A equipe iniciou posicionada no 4-5-1, também em duas linhas, desdobrado – para quem prefere – em 4-4-1-1. Na segunda linha, Loss dispôs o meia Ytalo como extremo pela direita, e o atacante canhoto Léo na extrema esquerda. E à frente dos volantes Élton e Josimar, posicionou-se centralizado Wagner Libano, como o “enganche”.

Talvez esta primeira formação pudesse ser vista como um 4-2-3-1, idêntico ao utilizado por Mário Sérgio no Inter “profissional”, contra o Santos. Observei em algumas situações Ytalo, Libano e Léo no mesmo patamar do campo, mas sem a bola os extremos alinhavam com os volantes. Em todo caso, esta formação inicial durou pouco tempo até que eu pudesse tirar esta dúvida.

Osmar Loss percebeu que, em função do campo encharcado pelo temporal recente, precisava mexer na estrutura tática. É um dado importante para constarmos que o treinador tem papel muito relevante, precisando manter-se atento até mesmo a estes elementos adversos imprevisíveis, como uma chuvarada. No Beira-Rio, o campo alagou nas laterais, impedindo a condução de bola em velocidade dos leves extremos. E Libano, um jogador leve, estava perdido na tentativa de articular sozinho a equipe, desabastecendo Leandro Damião na frente.

O Inter B ganhou com o reposicionamento. Loss passou Léo para o ataque, caracterizando um 4-4-2, e abriu Libano pela extrema-esquerda da segunda linha.  Léo é atacante, e auxiliou Damião a disputar pelo alto a bola quando a equipe viu necessidade de recorrer à ligação direta. E Libano “entrou no jogo” atuando aberto pelo lado esquerdo, embora seja destro.

A estratégia priorizou o jogo pelo meio. Afinal, não havia como aprofundar as jogadas em função das poças nas laterais. Tanto Ytalo como também Libano jogaram insistentemente em diagonal da ponta para a frente da área. Leandro e Léo apresentavam-se para os pivôs em jogadas curtas com os meias-extremos. E os volantes adiantavam-se para a segunda bola. Um time que soube compreender as exigências do cenário – campo pesado, jogo pelo meio, toques rápidos, aproximação da linha de meio-campo e presença física dupla na frente.

Tecnicamente, Ytalo teve uma atuação muito destacada. Inteligente, aplicou suas diagonais às costas do zagueiro que marcava Damião, indefinindo a marcação entre ele e o lateral. Libano também revelou, com liberdade para o apoio pelo lado, uma habilidade que eu desconhecia – o drible. Leandro e Léo formaram boa dupla de área, Élton comandou o meio-campo, e Wagner Silva foi soberano nas raríssimas vezes que o Brasil passou perto da área colorada.

Boa atuação acentuada pela estruturação tática risível do Brasil de Pelotas. O técnico Paulo Porto sistematizou a equipe da seguinte forma: três zagueiros (marcação individual por função sobre os dois atacantes do Inter, e um sobrando); dois laterais que não apoiam (sim, laterais, não alas ofensivos); e dois volantes combatentes. Foram sete jogadores de defesa posicionados a partir da intermediária, para trás.

No campo do Inter ficavam um meia centralizado, e dois atacantes abertos. Para piorar, a estratégia foi surreal: jogar pelos lados. Os jogadores do Brasil passaram 90min brigando com poças d`água nas laterais. Tentando conduzir a bola. Em nenhum momento o Xavante apresentou alguma variação buscando o meio. Nem ao menos adiantou suas linhas para evitar as diagonais dos meias colorados. Ninguém parou na beira do campo e disse: na lateral tem água, vai pelo meio! Foi goleado ao natural, sem reação do treinador, e não fosse a atuação do goleiro Vanderlei, retornaria a Pelotas saraivado por muitos gols mais.

*Post corrigido

Postado por Eduardo Cecconi

Comentários (6)

  • Theo Cruz diz: 21 de novembro de 2009

    Perdão Cecconi, mas sou obrigado a comentar: é charco ou xarco? Sendo assim, algo que fica como charco é enCHarcado ou enXarcado? ;)

    Resposta do Cecconi: tens razão, Theo. Corrigi. Obrigado pela correção. Abraços.

  • Daniel Halfen diz: 24 de novembro de 2009

    Cecconi, o Paulo Porto afundou o Brasil na série C contra o América no 1º jogo em casa, debaixo de chuva, dê-lhe bola pelas laterais, condução, triangulações e nada de futebol objetivo (ocupação dos espaços e transição em função das condições do gramado). No futebol, não basta ser estudioso, tem que ser esperto, raciocínio rápido, antever as situações e propor soluções. A passividade do Paulo P(m)orto não fecha com a visceralidade Xavante.

  • Paulo diz: 20 de novembro de 2009

    O inter forma muito pouco jogador, o jogador já chega pronto, tem sim o contato com os melhores empresarios.

  • luiz roberto leal vicente diz: 20 de novembro de 2009

    Olha o inter b , e algo assombroso, como o inter tem qualidade pra fazer bons jogadores, tem muito guri bom de bola ali, é algo descomunal , parabens a categoria de base do inter , e ao osmar loss, que é talhado pra cuidar dos guris.

  • Jonas Rafael diz: 21 de novembro de 2009

    Esse Paulo Porto eu achava que era bom, mas já começo a me convencer que é da escola do Muricybol não acha Cecconi?

    Resposta do Cecconi: sim Jonas, estás certo. O Paulo Porto é adepto do Muricybol. É como eu digo toda semana: torço pela derrocada deste sistema não por ser contra o Muricy, mas sim porque, enquanto ele continuar vencedor, seguirá sendo “copiado”. São os títulos do Muricybol que disseminam o 3-5-2 pelo país. Quando este sistema se esgotar, a “moda” muda, e os treinadores médios alteram a convicção tática para a nova tendência. Abraços.

  • Gabriel Lopes diz: 21 de novembro de 2009

    Se o Inter não se classificar para a Libertadores, 2010 será o ano para lançar vários desses guris no time principal, promovendo uma grande renovação no plantel colorado!

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