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Defensivismo ainda resiste na Inglaterra

21 de novembro de 2009 9

Diagrama tático do Liverpool no 4-4-1-1, contra o City no 4-1-4-1, e o consequente espelhamento

Por muitos anos o Campeonato Inglês sofreu com o estereótipo do defensivismo exacerbado, da rigidez do 4-4-2 em duas linhas, da falta de criatividade, e da articulação ofensiva resumida ao “chuveirinho”. O crescimento financeiro de clubes contribuiu para a mudança de perspectiva. A Premiere League agora é considerada a competição nacional mais qualificada da Europa, mas ainda sobrevivem conceitos defensivistas arraigados à tradição inglesa.

Hoje, os técnicos de Liverpool e Manchester City demonstraram que não pretendem abandonar planejamentos táticos voltados ao combate das virtudes adversárias. Tanto o anfitrião Rafa Benítez como também o visitante Mark Hughes decepcionaram em Anfield Road, relegando sistemas e jogadores mais ofensivos que poderiam ser escolhidos, em nome do encaixe da marcação. Anularam, desta forma, o adversário e a si mesmos.

Ambos optaram pelo 4-5-1. No Liverpool, a disposição dos jogadores pode ser desdobrada em 4-4-1-1. São duas linhas de quatro jogadores, com Gerrard à frente da segunda, e Ngog isolado na frente. E no Manchester City, o desdobramento dá no pragmático 4-1-4-1, com duas linhas de quatro jogadores, um volante entre elas, e Adebayor não menos sozinho.

A sobreposição dos sistemas de Liverpool e City apresenta um espelhamento exato das marcações, conforme demonstra o diagrama tático que ilustra o post. De Jong, o volante entre as linhas do City, confrontou-se com Gerrard, o enganche do Liverpool. De resto, wingers bateram com laterais, e os meio-campistas centrais com os respectivos meio-campistas centrais do adversário. Espelhamento que permitiu sempre existir uma sobra – o único atacante de cada equipe entre dois zagueiros.

Rafa Benítez segue sacrificando Gerrard. E escalando mal. Gerrard não rende como enganche, e costuma perder duelos contra volantes vigorosos. Sei que o Liverpool sofre com dezenas de desfalques. Mas, ainda assim, os jogadores disponíveis permitiam uma formação mais ofensiva. Dava, por exemplo, para escalar Gerrard como winger (é assim que ele atua na seleção inglesa, por exemplo) e empurrar Kuyt para o ataque (com a lesão de Nistelrooy, ele foi o centroavante da Holanda nas eliminatórias). Formaria-se um 4-4-2 britânico, sem a necessidade sequer de recorrer ao banco de reservas. Bastaria reposicionar jogadores e modificar as funções de Gerrard e Kuyt.

Mark Hughes repete Sir Alex Ferguson, e deixa Tevez no banco para escalar um meio-campista. No United, era Giggs que entrava, no 4-4-1-1. E no City a alternativa é ainda mais defensiva: De Jong. Não seria proibido retirar De Jong, ou Ireland – subindo o volante holandês – e iniciar a partida com Tevez na frente. Sem perder a característica do futebol britânico, afinal, constituiria-se um 4-4-2 ortodoxo.

A partida terminou com empate em 2 a 2 – dois gols de bola parada (Adebayor e Skrtel), um de xiripa no abafa (Benayoun) e um de contra-ataque (Ireland). O City só marcou quando Hughes variou para o 4-4-2, com a entrada de Tevez no lugar de Barry (alinhando De Jong com Ireland). Mas ele mudou o sistema porque saiu perdendo. Enfim, como na maioria das partidas que confrontam treinadores obsessivos pela defesa, as duas equipes não atuaram de maneira equilibrada, faltou articulação, criação de oportunidades, e sobrou monotonia.

Postado por Eduardo Cecconi

Comentários (9)

  • carlos de souza diz: 21 de novembro de 2009

    pq nao colocaram meu comentário ainda???? voces da imprensa nunca podem ter uma crítica…passam a vida toda comentando a vida e o desempenho dos outros e agora nao podem ter críticas??? q issooo…quero ter o direito de dar minha opiniao tb…OBRIGADO

    Resposta do Cecconi: mas tchê, o que é isso? Respira e dá um F5. Teu outro comentário já está no ar! O que deu em ti? Sábado de tarde usando o futebol para disseminar tanto ódio. Teu direito de se manifestar, mesmo que agressivamente – sem propósito para tal – e de dar opinião – mesmo que a tua opinião seja na verdade a tentativa de desqualificar a minha, agressivamente – está garantido. Só liberei este comentário para mostrar aos outros frequentadores como o ódio bloqueia a percepção da pessoa, que não deduz a possibilidade de que o responsável pelo blog não fica 24 horas ininterruptas liberando os comentários assim que eles são publicados. Calma.

  • Alan Gressler diz: 24 de novembro de 2009

    Olá Cecconi…já leio de algum tempo a sua critica ao Benítez pela tática não acertada que não aproveita o Gerrard, e vou vendo que é verade mesmo. MAs, eu sempre achei, com a saída do Alonso, que o meio com Lucas e Mascherano na `volancia` e e o Gerrard como o centro a frente, seria o melhor meio campo do Liverpool…sempre imaginei que o Gerrard tivesse ótima disposição assim, quase como o centro do time… para mim é curioso ver que não, e que essa imagem famosa dele não bem correta. Abraço.

  • Yuri diz: 25 de novembro de 2009

    gostei da 1º parte da analise, mas o final nao foi 4-3-3 no city? eu tava vendo o jogo e quando ele tirou o barry pensei “acabou com o time“, mas hughes, pelo que vi, colocou o Tevez de ponta de lança num 4-3-3, o ireland e de jong ficaram de volantes, tevez armando as jogadas, bellamy na ponta esquerda, SWP na ponta direita e adebayor de centro-avante. esses 3 nao tavam se encontrando antes mas com o tevez armando eles entraram no jogo ofensivamen e o city dominou. nao foi isso que aconteceu?

  • IT diz: 21 de novembro de 2009

    Sempre acompanhei teu blog. Sempre achei-o muito bom. Continuo achando e, continuarei. Entretanto, discordo um pouco da tua opinião ao falar em monotonia. Se um jogo com vontade e pegada é monótono, não sei mais nada. Mas, talvez, a nossa diferença de visão seja explicada pela preferência de cada um. Eu, como Gremista, gosto de combate, entrega, força. Você, gosta do futebol-arte mané-molente… Como eu disse, tudo se explica pelo time de cada um…

    Resposta do Cecconi: hoje é o dia do ódio no Preleção, nunca tinha visto isso. Amigo fake não-identificado, o blog Preleção tenta – não sei se consegue – ser um fórum de debate sobre teoria tática, sem cor clubística. Gremistas, colorados, e outros torcedores, comentam nos posts rivais. Tenta fazer isso um dia: acordar e avaliar uma partida sem a sensação de que é necessário ver outros seres humanos como teus adversários.

    Sobre outra colocação equivocada, eu não analiso vontade nem pegada, pois este blog não é de teoria motivacional. É um blog sobre teoria tática. Combate, entrega, força, são aplicações de características pessoais. Eu falo de posicionamento, tática individual, tática coletiva, tática de grupo, posição. Estás comentando no fórum errado. Eu não disse que o jogo foi monótono porque “teve pegada”, mas sim porque os dois treinadores planejaram taticamente suas equipes obstinados em anular (combater foi utilizado como sinônimo de anular, e não de dar carrinho) as virtudes alheias, esquecendo as próprias.

    O mais engraçado de toda essa sucessão de equívocos é ver que na tua teoria da conspiração a explicação se dá pelo time que eu torço. E o pior: será que tu acertou? Eu morro de rir. Grande abraço.

  • carlos de souza diz: 21 de novembro de 2009

    Olá…eu fui no jogo…agora me diga, como é fazer algum tipo de avaliação TÁTICA pela TV, sem ver todo o campo…Mario Sérgio é q tem razao, voces da imprensa sao mto amadores, formam opiniao pela TV…voce sabe o q é winger??? Claro q nao, pois falar que o gerrard é winger na seleçao…abs

    Resposta do Cecconi: olá Carlos. Para que agredir com a intenção de reforçar teu argumento? Amador? Por quê? Eu sou técnico de futebol formado, com registro no sindicato – portanto, de amador não há nada no meu post.

    Eu sei o que é winger, e falo sobre esta tática individual muito aqui no Preleção. Se tu acompanha a seleção da Inglaterra, sabe que Gerrard atua como winger. Ou então não acompanha. Durante todas as Eliminatórias a linha de meio-campo titular teve Beckham (ou Lennon, ou Wright-Phillips) no lado direito (wingers), Lampard e Barry por dentro (box-to-box`s) e Gerrard (ou Milner) na esquerda (wingers). Isso é um fato, não adianta brigar com os fatos.

    Sobre a impossibilidade de comentar jogos vendo pela TV. Essa teoria é muito engraçada. Citas o Mário Sérgio. Mas ele não pode, dentro deste raciocínio que tu atribui a ele, fazer uma análise do próximo adversário do Inter. Ou ele abandona o jogo do próprio time e vai no estádio do próximo adversário para saber como esta equipe atua, ou não pode preparar uma análise com base no vídeo dessa partida – porque pelo vídeo é coisa de amador. Não faz o menor sentido.

    Eu não consigo entender porque algumas pessoas fazem uso da interatividade como válvula de escape de ódios. Acho que não custa contrapôr argumentos – e no meu post só há argumentos, sem ódios, agressões ou ironais – com outros argumentos. Contrários, mas inteligentes e respeitosos. Não dá para considerar a agressividade um argumento. Grande abraço.

  • imortaltricolor diz: 22 de novembro de 2009

    Tá muito cheio de treinador medroso, o barça joga a mais de 20 anos no 433 e ja levou champions league entre outros titulos…gostaria de ver o gremio no 433, a única chance do douglas ser atancante é se já tiver outros dois…agora ta na moda o 4231, q é uma versao medrosa do 433, ora se meias fazem a de atacante pq atacantes nao podem voltar, como o jorge henrique.

  • Rui diz: 22 de novembro de 2009

    Muito se fala no baixo nível do futebol brasileiro e sul-americano, porém assisto algumas partidas de competições européias e não enxergo essa discrepância toda que tanto se fala, descontando excessões. Na minha ótica equipes como Corinthians campeão da CdB, Inter da SA08, Sp dos últimos anos, Flamengo atual enfrentam qualquer equipe européia sem grandes prejuízos. Então Cecconi, gostaria da sua opinião se existe essa “gigantesca” diferença ou se é mais “mídia” em cima do futebol europeu.Thanks

    Resposta do Cecconi: Rui, acredito que apenas colocando um na frente do outro para termos certeza. Os mundiais de clubes recentes mostram que quando há competição de alto nível envolvida existe equilíbrio. Abraços.

  • Caio diz: 23 de novembro de 2009

    Cecconi, acompanho teu blog há tempos, por favor ignore o comentário desse carlos de souza, pois não tem nada a acrescentar, só tumultua a caixa d comentários. Gostaria de sugerir um post sobre contra-táticas. A minha dúvida é: SEMPRE há necessidade de jogar com 1 jogador de sobra na defesa, por exemplo: 2 zagueiros marcam 1 atacante ou 3 zagueiros marcando 2 atacantes? ou ainda: 2 zagueiros + 1 lateral “preso” na defesa contra 2 atacantes? é possível jogar sem a sobra? valeu

    Resposta do Cecconi: bem observado, Caio. Também não entendo esta obsessão recente pela sobra. Sempre se jogou com linha de quatro jogadores na defesa. A cobertura era feita na diagonal do lateral que não apoia, nas subidas alternadas (vai um, o outro fica), pelas costas dos zagueiros. Sempre funcionou. Agora existe essa obsessão pela presença de um zagueiro ou de um volante sempre sobrando. Ótimo elemento para debate. Abraços.

  • Claudio Sacramento diz: 26 de maio de 2010

    Sensacional este blog! Descobri-o há pouco tempo graças ao Dassler Marques (outro blog diferenciado) e desde então acompanho-o com muita frequência. Tenho a mesma opinião de ti (sou baiano, apesar do ti) sobre o posicionamento ideal para Gerrard. Ele rende mais jogando de winger e não funciona como homem de ligação. E acrescento que ele rende bem também como meia box-to-box, não sei se tu concordas. Penso de forma parecida com ti também sobre o espelhamento tático. Acho um atraso no futebol. Só uma dúvida: Hughes não usou no Manchester City por várias vezes um único volante ou estou enganado?

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