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Box-to-box funciona no Manchester United

22 de novembro de 2009 13

Diagrama tático do adiantamento das linhas do Manchester United, com Fletcher e Carrick na segunda bola

Há alguns anos nenhuma emissora de TV – aberta ou paga – transmitia no Brasil os jogos do Campeonato Inglês. Ainda assim, era possível sempre acompanhar nos “Gols do Fantástico” alguns golaços da Premier League, nas noites de domingo. Eram gols, invariavelmente, marcados com potentes chutes de fora da área.

Essa é uma das principais virtudes exigidas pela tática individual do “box-to-box” no 4-4-2 em duas linhas: a conclusão de média/longa distância. A característica do tradicional sistema tático britânico mudou um pouco, principalmente devido à qualificação dos elencos – com jogadores mais técnicos – mas ainda há espaço para jogadores que desempenham esta função da maneira clássica.

No Manchester United, por exemplo, a titularidade de Fletcher e Carrick se explica, entre outras coisas, pela precisão nos chutes de fora. Ontem, ambos deram uma aula sobre o box-to-box na partida vencida pelo Manchester United por 3 a 0 sobre o Everton. Cada um deles marcou um gol de fora da área.

Box-to-box é uma referência ao jogador que faz, no meio-campo central, o “vai-vem”. Box significa área, em inglês, portanto a tradução é “de área a área”. A imagem é claríssima: o jogador que sem a bola posiciona-se defensivamente à frente da própria área, e quando a equipe recupera a bola aproxima-se dos atacantes, nos arredores da área adversária. Atuar nos dois campos é prerrogativa básica desta tática individual.

A conclusão de fora dos meio-campistas box-to-box é consequência do adiantamento das linhas. É um movimento organizado comum ao 4-4-2 britânico. No diagrama tático que ilustra o post, faço a simulação de uma jogada de linha de fundo pela esquerda, usando como referência o gol marcado por Fletcher. É uma reprodução do movimento ideal de cada jogador nesta situação.

A segunda linha adianta-se completamente. Se o winger esquerdo (Giggs) procura o fundo, o winger direito (Valencia) fecha em diagonal para a segunda trave, enquanto um atacante (Owen) entra na primeira trave, e o outro atacante (Rooney) centraliza. A formação se completa com os dois box-to-box posicionados na entrada da grande área, buscando a segunda bola.

O adiantamento da segunda linha proporciona assim duas situações de protagonismo para os box-to-box: os atacantes podem usar o pivô para serví-los (o gol de Fletcher saiu de uma ajeitada de Valencia), ou eles podem bloquear o contra-ataque sufocando em pressão caso o adversário afaste o cruzamento (o gol de Carrick saiu dessa forma).

Para completar, a linha defensiva também avança. Caso a primeira pressão, alta, dos box-to-box falhe na transição ofensiva adversária, os zagueiros e laterais diminuem o campo de ação, tirando a velocidade e o espaço dos meias ou atacantes oponentes.

Acredito que esta característica tenha sido determinante para a reserva de Anderson no Manchester United. Ele não conclui. Quando se aproxima da área, é apenas para distribuir o jogo. Já Fletcher, Carrick e o veterano Scholes marcam com alguma frequência belos gols em chutes de longe. Vale o mesmo para o Liverpool, que sente a saída de Xabi Alonso – jogador que fazia isso com muita qualidade – enquanto Lucas e Mascherano não concluem.

Todos os times que atuam neste 4-4-2 em duas linhas precisam de um box-to-box talentoso na conclusão. O Tottenham tem Huddlestone. Antes de Xabi Alonso, Gerrard era o jogador ideal para a função no Liverpool. O City conta com Barry e Ireland. Na seleção, Lampard é o box-to-box pela direita. Ontem, o Manchester United mostrou que Fletcher e Carrick integram esta lista de bons jogadores para a função.

Postado por Eduardo Cecconi

Comentários (13)

  • Christopher diz: 22 de novembro de 2009

    O 4-4-2 inglês não é o melhor esquema do mundo, a inglaterra e a argentina que são seleções que tradicionalmente usam este esquema conseguiram apenas 3 títulos, o Brasil tem 5, os meio-campistas brasileiros são os melhores, independente de suas características, podemos destacar alguns jogadores estrangeiros por suas qualidades, mas nenhum teria vaga na seleção brasileira na minha opinião.

  • Juliano Morari diz: 23 de novembro de 2009

    Cecconi, na eminência da chegada do novo técnico do Grêmio, tu poderia fazer um post falando de como o Grêmio iria jogar se o técnico fosse o Adilson, e como jogaria se fosse o Dorival Jr. Seria bem legal poder ter uma ideia do que o Grêmio pode apresentar na próxima temporada!

    Valeu!

  • Ailson diz: 23 de novembro de 2009

    Cecconi, existe algum curso de técnico aqui no RS? Ouvi falar em algumas instituições parceiras do Instituto W. Luxemburgo, procede??? Sempre quis fazer o curso, acho fantástica a questão das táticas do futebol… tem algum pré-requisito, algum outro curso anterior, para fazer o curso de técnico?

    Resposta do Cecconi: Alison, tem curso do Sindicato dos Treinadores Profissionais do RS, mas não sei te dizer quando abre nova turma. Abraços.

  • Natanael Felipe Rhoden diz: 23 de novembro de 2009

    André, os direitos de transmissão do Inglês aqui no Brasil estão com os canais ESPN acertadamente dito por você, mas não com o Bandsports e sim com o Esporte Interativo canal exibido nas antenas parabólicas, e os jogos do Inglês são exibidos na internet pelo portal do mesmo.

  • Davi diz: 23 de novembro de 2009

    Cecconi, bom dia!!
    Leio seu blog todos os dias e acho seus posts sempre atuais embora não concorde com todos, pois tenho ideias sobre formações diferentes. Particularidades a parte tens algo a dizer sobre taticas para pes 2010???
    Abraços

  • Felipe diz: 25 de novembro de 2009

    Cecconi sou un fan dos eu blog, adoro ver todas as analises táticas que você fasz dos times.E gostaria de saber se vc ja jogou pes 2010, e se ja jogou poderia fazer um debate de sistemas taticos assim com fez com o 2009.Já que no novo as táticas ficaram bem mais reais.Abraço Cecconi!!!

  • Andre diz: 22 de novembro de 2009

    Caro amigo EDUARDO, otimo comentário com uma pequena correção, nada de mais, mas o campeonato inglês é transmitido pela band esporte, espn internacional e espn brasil, acredito que esqueceste, abraço!

    Resposta do Cecconi: Valeu André, mas eu referi no post que o Campeonato Inglês alguns anos atrás não era transmitido. Hoje é, tanto que eu acompanho com muita atenção. Abraço.

  • Fabio Henrique diz: 23 de novembro de 2009

    Eduardo, eu ia fazer um comentário sobre o Lucas, que, ainda bem, vai perder a posição p/ Aquilani. Mas o tal do Chistopher ai embaixo pisou na bola. Rapaz, pergunta pra Espanha qual jogador brasileiro eles querem na fúria. Eu queria na nossa Gerrard,Lampard, Xavi,Iniesta, Villa, Silva, F Torres, Ibra,CRonaldo,Buffon, Casillas,Amauri (é),Rio Ferdinand, Terry,Vermaelen,
    Drogba, Essien, v Persie, Robben, e o espaço não dá. Será que algum jogador desse tem espaço em algum timaaço aqui do Brasil?

  • Yuri diz: 25 de novembro de 2009

    lembra que eu falei no Chelsea x Man United que eu tinha achado o Fletcher um tipico e ótimo box-to-box? :D ele ta MUITO bem nessa temporada, ele, rooney e evra estao sendo os melhroes do time (evra é o meu conceito de lateral de futebol). denovo nao concordo muito bom o final, è normal gaucho ter carinho pelo anderson, mas o anderson chuta sim.. muito até, e MUITO mal!!! ele sempre isola! quando nao isola o goleiro sempre pega.. ate gibson chuta melhor. mas anderson ainda é bom pra posição

  • Yuri diz: 25 de novembro de 2009

    e outra, e os 9×1 do tottenham no wigan??? wigan é irregular, tudo bem, ams ja venceu o chelsea, aston vila..!! nao sei se vc viu mas o comportamento do time foi um dos mais exemplares que ja vi na minha vida de um time no 4-4-2, “ah mas no 1º tempo teve so um gol“, mas teve bolas na trave tb, defesas do goleiro, pressao!! o lennon foi um perfeito winger, abriu espaços do lateral esquerdo como nunca vi, sempre buscando a melhor jgoada, velocidade, tendo cobertura do Corluka.. maravilhoso hein

  • Carlos diz: 25 de novembro de 2009

    sou muito fã da marcação pressão mostrada no diagrama, mas me parece que ela só funciona em times que tem um bom preparo físico e zagueiros rápidos, para não sofrer com lançamentos para atacantes que saiam de trás da linha do meio-campo

  • André diz: 24 de novembro de 2009

    Olá, Eduardo, em 1o lugar, parabéns pela excelente qualidade do blog. Discordo de algumas posições suas, mas admiro muito a preocupação em formentar o debate.

    Uma pergunta: essa compactação das linhas adiantadas nos ataques no 4-4-2 britânico, ou mesmo a simples estratégia de adiantar a marcação, não deixa o time muito vulnerável a contra-ataques atraves de lançamentos longos por cima aou em diagonal para infiltração de atacantes rápidos, aproveitando o espaço entre a 1a linha e o gol?
    Abs

  • O QUE FALTA AO SÃO PAULO “EUROPEU”? « TWITEIROS diz: 3 de abril de 2010

    [...] área adversária. Atuar nos dois campos é prerrogativa básica desta tática individual” (mais aqui). Além disso, é importante que esse jogador tenha bom arremate de média e longa distância. Quem [...]

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