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Itália reúne dois sistemas e cria o W.W

01 de janeiro de 2010 6

Diagrama tático do W.W italiano, inspirado em outros dois sistemas táticos.

No post de ontem – da série de análises do livro Inverting the Pyramid, de Jonathan Wilson – falei sobre a criação do W.M por Herbert Chapman no Arsenal, que revolucionou o planejamento tático do futebol mas foi tido na própria Inglaterra como responsável pela blindagem britânica a novidades. Na Itália, entretanto, a revolução chegou e foi adaptada às características do futebol local, interpretação que originou um novo sistema.

Conforme Wilson lembra em criteriosa apuração histórica, o regime fascista viu no futebol um importante instrumento de propaganda política. Seria necessário criar, principalmente na seleção nacional, uma identidade. O povo precisaria reconhecer na seleção características também atribuídas ao fascismo, e pelos bons resultados vindouros concluir que tudo ia bem no país.

Com o técnico Pozzo no comando, um nacionalista simpático a esta filosofia, a Itália se decidiu pelo futebol-força. Os jogadores teriam de ser atletas, combinando vigor físico e velocidade. Massa muscular e explosão. E, nas atitudades, serem combativos, determinados e dedicados à causa. “Vencer a qualquer custo” era o lema da Azzurra – lema este que levou a Itália a praticar até mesmo certa violência, com intimidação física em campo, como relata Wilson em diveros jogos importantes. Mas, além do comportamento exigido, a Itália também apresentou nesta época uma bela inovação tática.

Pozzo não confiava no 2-3-5, ainda utilizado como padrão na Europa. E também se mostrava resistente ao recém-surgido W.M. A solução foi reunir ambos. De maneira até certo ponto simplista, é possível dizer que o técnico da seleção italiana montou um planejamento com o sistema defensivo do 2-3-5, e o sistema ofensivo do W.M. Nascia o W.W, que pode ser desdobrado em 2-5-3 (ou em 2-3-2-3, como queiram) – reitero, como já avisara ontem, que a tradução do sistema em letras se dá pela leitura do diagrama tático do ataque para a defesa, padronizando a maneira como Jonathan Wilson faz no Inverting the Pyramid.

A Itália passou a jogar com dois zagueiros, protegidos por um centromédio e dois meias lateralizados, tal qual se usava no 2-3-5. Mas acrescentou uma segunda linha no meio-campo, à exemplo do W.M, recuando os atacantes internos para a intermediária. Na frente, permaneceram o centroavante e dois ponteiros abertos pelos lados. Pozzo também foi um dos pioneiros da marcação individual, que adotava sempre para anular o cérebro da equipe adversária – geralmente o centromédio no 2-3-5, ou o centroavante no W.M.

Foi com o W.W que a Itália conquistou duas Copas do Mundo consecutivas, em 1934 e 1938. A inovação tática e a estratégia de futebol-força a ela aplicada deram grande resultado. Subitamente, a Itália tomava da “Danubian School” – Áustria e Hungria – o protagonismo do futebol europeu, desbancando ainda os pragmáticos ingleses e a escola Sul-Americana representada pelo talento individual dos uruguaios e argentinos.

Leiam mais na série “Invertendo a Pirâmide”:

1) Primeira tática se inspirou no rugby

2) Novo impedimento proporciona variação

3) Escolas clássicas do futebol

4) O revolucionário W.M de Herbert Chapman

Postado por Eduardo Cecconi

Comentários (6)

  • Michel Costa diz: 1 de janeiro de 2010

    Olá, Eduardo. Estou acompanhando seus últimos posts com muita atenção. Nunca tinha lido nada mais profundo sobre a evolução tática. Mas, ao ver o WW de Pozzo, fiquei curioso com algo: Onde jogava o craque G.Meazza nessa formação? Abraço e Feliz 2010.

    Resposta do Cecconi: Michel, posso te confirmar na sequência, mas pelo que sei ele atuava na segunda linha do meio, mas vou tentar “bater o martelo” assim que encontrar essa informação. Abraços.

  • Alan diz: 2 de janeiro de 2010

    Nossa, tenho achado interessantíssimo essas narrações das evoluções táticas… uma aula de história de futebol que não se acaha facil não. Agora, fiquei com a mesma duvida do Eduardo sobre onde jogaria o Meazza, e o Piola também (acho que dessa época também). PArabéns pelas postagens! Abraço

  • jonas diz: 2 de janeiro de 2010

    Bah! Muito boa essa idéia! Eu jogava ISS sem saber que meu 1-4-5 não estava tão distante da realidade… Tem uma coisa que me incomodou sobre a mais recente declaração do Silas… ele disse que o sistema é IRRELEVANTE pra ele, que vai conversar com os jogadores sobre isso… Será que um treinador pode sobreviver só com a estratégia, usando uma tática qualquer?

  • Márcio Specht diz: 2 de janeiro de 2010

    Este esquema perderia o meio de campo e em consequência a segunda bola. Muito estranho…

  • Marcelo diz: 4 de janeiro de 2010

    Na pagina sobre o Meazza na Wikipedia em italiano diz que ele começou como atacante (centroavante) e, depois de 1934, passou a jogar como “interno” (provavelmente meia-atacante usando a tua nomenclatura).

    Resposta do Cecconi: exato, Marcelo. É bem por aí. Abraços.

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