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O 3-6-1 do Estudiantes na final do Mundial

02 de janeiro de 2010 6

Diagrama tático do Estudiantes na final do Mundial

Torci muito pelo Estudiantes de La Plata na decisão do Mundial de Clubes da Fifa em dezembro. Como estava em férias, não pude à época trazer ao debate aqui no blog Preleção o confronto com o Barcelona. Mas agora, aproveitando o sossego no plantão deste feriadão de Ano-Novo, posso recuperar o assunto, antecipando: não gostei das escolhas de Alejandro Sabella.

O técnico argentino sistematizou o Estudiantes no 3-6-1, com a clara intenção de combater as principais virtudes do adversário. Em praticamente tudo ele optou pelas diretrizes dos sistemas com três zagueiros aplicados no Brasil. A começar pela marcação individual, principalmente na defesa. Ré, por exemplo, não atuou como um zagueiro pela esquerda, mas sim como marcador de Messi quando este jogava por ali. Cellay fez o mesmo com Henry do outro lado, e Desábato – ao invés do “zagueiro da sobra” – jogou como sombra de Ibrahimovic.

No meio, uma espécie de trio de volantes: Braña, Verón e Benítez, espelhando com Busquets, Keita e Xavi. Tendo La Brujita, claro, a incumbência de adiantar-se a partir da recuperação da posse de bola, para armar os contra-ataques, que tinham como estratégia de saída rápida o acionamento do ala-direita Clemente Rodriguez, jogador de predicados técnico deficientes.

Perez centralizou, para fazer o enganche entre os três meio-campistas e o centroavante Boselli. Sem a bola, entretanto, todos recuavam, formando um compacto bloco de dez camisas brancas do Estudiantes à frente da área. Situação que favorece o estilo de jogo do Barcelona, equipe que gosta de manter a posse mesmo sem objetividade constante – o Barça sabe trocar passes de lado a outro, na intermediária ofensiva, aguardando a abertura de um pequeno espaço para concluir.

Em todo caso, é de se louvar a aplicação tática e o aguerrimento dos jogadores. No 3-6-1, com pouquíssima posse de bola, o Estudiantes marcou em uma das únicas chances criadas, proporcionou poucas chances, e esteve a dois minutos de conquistar o título. É inegável que a estratégia aplicada a este 3-6-1 “deu certo”, mesmo sem o título, pois o gol de empate que levou a partida à prorrogação saiu de lance fortuito quase aos 45min do 2º tempo, quando eu já comemorava o título sentindo-me um hincha de La Plata.

A derrota na prorrogação, entretanto, evidencia um paradigma importantíssimo, que acompanha o futebol desde seus primórdios: futebol de resultado, ou bom desempenho? O Estudiantes jogou futebol de resultado, como fazem os técnicos brasileiros adeptos do 3-6-1, abdicando da posse de bola para anular virtudes e torcer pela marcação de um gol em lance de bola aérea/parada. O Barcelona jogou seu costumeiro futebol de bom desempenho, iniciando a partida no 4-3-3, adiantando suas linhas sem a bola, atuando no campo do adversário, com praticamente toda a posse de bola.

Sei que há diferenças técnicas gritantes entre os jogadores dos dois elencos, mas…daria para o Estudiantes atuar de outra forma? Eu acredito que sim, mas respeito a decisão de Sabella.

Postado por Eduardo Cecconi

Comentários (6)

  • Éverton diz: 2 de janeiro de 2010

    Pra mim, o Estudiantes perdeu essa final no preparo físico. A tática deu certo, no primeiro tempo eles sempre apresentavam perigo no contra-ataque. Já no segundo tempo com o time morto em campo, nem os meias, nem os alas, consiguiam fazer a transição defesa-ataque. Então o Barça ficou martelando, martelando e em um gol de sobra de bola conseguiu empatar. Na prorrogação foi questão de tempo até sair o gol do título.

  • Anderson Cardoso diz: 2 de janeiro de 2010

    Confesso que não acompanhei o jogo mas ouvi bastante sobre ele. Acredito sim que o Estudiantes poderia ter jogado de forma menos defensiva, dando mais trabalho para o Barça e mostrando que é um time de atitude, de personalidadde.
    Não sou adepto de sistemas como o 3-6-1 que evidenciam o objetivo defensivo da equipe. É possível atacar e defender com equilibrio usando o 4-4-2 ou até mesmo o 4-3-3 que o Milan adotou.

  • Leandro Feltrin diz: 15 de janeiro de 2010

    Por mais o Barça saiba tocar a bola aguardando a abertura de um pequeno espaço para concluir, eles tiveram grande dificuldades para encontrá-las. O futebol espanhol joga e deixar jogar e o argentino é de grande marcação, logo time espanhol sempre encontrará dificuldades ao enfrentar times sul-americanos.

    Deixo a sugestão de post: evolução técnica do Ronaldinho Gaúcho, que certamente estará na copa.

  • Alan diz: 2 de janeiro de 2010

    Pra mim o Estudiantes merecia ter ganho… só perdeu porque houve a prorrogação, e o preparo físico decidiu. O Barça já de algum tempo não vinha tendo aquelas belas atuações… um time sabendo neutralizar o ataque espanhol, e contra-atacando bem, consegue sim surpreender o Barça, foi assim com o Rubim da Rússia, e vinha sendo assim com o Estudiantes… pra mim só faltou os argentinos quererem gostar mais do jogo, pois fizeram o gol e se limitaram à marcar..e daí o futebol nem sempre perdoa.

  • Andrei Haigert diz: 12 de janeiro de 2010

    Bah torci muito pelo Estudiantes, falou um pouco mais de qualidade ao time…se tivesse mais um ou dois ali para ajudar o Veron seria outra coisa

  • Baldur diz: 2 de janeiro de 2010

    Mas se o Estudientes tivesse um pouco mais de fôlego tinha levado o caneco, eles acertaram na estratégia e se tivessem também um atacante mais veloz teriam matado o jogo ainda no primeiro tempo,a linha de zagueiros do Barça joga muito adiantada,acompanhando a posse de bola do time,é só meter umas bolas em profundidade, nas costas dos zagueiros(de preferência do vô Puyol…)e ver o desespero.Invarialvelmente o Barça vem pra cima,o problema é segurar o rojão do ataque,mas a defesa dá muito espaço.
    Resposta do Cecconi: sim Baldur, estás corretíssimo quanto ao posicionamento adiantado e em linha da defesa do Barça. Foi assim que o Atlante fez o 1º gol na semi, e um minuto depois quase fez outro. Aí eu te pergunto: não seria mais inteligente seguir explorando essa vulnerabilidade até o final da partida? Abraços.

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