Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros

Variação do Barcelona para o 3-4-3

02 de janeiro de 2010 15

Diagrama tático do Barcelona na final do Mundial

Hoje dou uma pausa na série de posts sobre a evolução tática para resgatar o confronto entre Barcelona e Estudiantes de La Plata, na final do Mundial de Clubes. Mais cedo, logo abaixo, já publiquei uma análise do 3-6-1 utilizado pelos argentinos. Agora, coloco em debate uma variação para o 3-4-3 apresentada pelo Barcelona no segundo tempo.

Acredito que houve esta variação, mesmo sabendo que a basculação de Abidal na linha defensiva não configura desestruturação do 4-3-3 original do Barça, conforme já expliquei antes – leiam aqui e aqui. Contra o Estudiantes, entretanto, foi diferente. Não aconteceu uma simples basculação para a cobertura de Daniel Alves, mas sim o reposicionamento dos zagueiros e do lateral-esquerdo.

A variação para o 3-4-3 fica evidente a partir da entrada de Jeffren. Guardiola fixou Pique, Puyol e Abidal como zagueiros, abriu Jeffren e Daniel Alves como wingers pelos lados, e os alinhou aos meio-campistas Xavi e Yaya Toure. Ele mexeu ainda na configuração do ataque, desfazendo a linha ofensiva e formando um triângulo de base alta, com Messi centralizado, tendo à frente Ibrahimovic mais à esquerda, e Pedro mais à direita, mas todos com muitas trocas e movimentação.

Deu certo. O Estudiantes, no 3-6-1, marcava individualmente na defesa. E variação para o 3-4-3 indefiniu esta marcação argentina. Cellay não tinha mais Henry aberto pelo lado para marcar. Messi ficou distante de Ré. E o principal: Ibrahimovic passou a fazer movimentos de pivô, abrindo da meia-esquerda para o lado, deixando Desábato sem saber o que fazer enquanto Messi e Pedro infiltravam-se em diagonais na grande área escancarada.

O Barcelona suou para furar o bloqueio, e conseguiu. Graças, eu sei, ao talento de seus jogadores. Entretanto, resultado ainda mais amparado na alteração tática. Futebol é esporte coletivo, e geralmente ganha – apesar da qualidade técnica – quem estiver melhor organizado, ocupando melhor os espaços. Guardiola soube entender o que Sabella propunha do outro lado, encontrando uma forma de explorar as falhas do 3-6-1, principalmente as marcações individuais (perseguições).

Jeffren aberto pelo lado acabou com Clemente Rodriguez, e tirou Cellay da área na cobertura. Criou-se um efeito cascata. Ibrahimovic recuava e recebia livre, abrindo corredores para o trânsito de Messi e Pedro. Daniel Alves se adiantou ainda mais. Xavi e Toure também, para a segunda bola e a organização, distribuindo o jogo. A linha de três zagueiros fixou-se praticamente no meio-campo. Futebol bonito, e de resultado: seis títulos em 2009.

Postado por Eduardo Cecconi

Comentários (15)

  • Anderson Cardoso diz: 2 de janeiro de 2010

    Isso tudo só é possível quando um treinador tem tempo para conhecer o elenco que tem em mãos. Claro que para funcionar o treinador tem que ter inteligência.
    Emerson Leão respondeu em uma entrevista que não sabe de tática, que não sabe o que é 4-4-2… o que esperar dele?!

  • Pablo Cavalcanti diz: 2 de janeiro de 2010

    Completando o comentário anterior, queria dizer que sou grande fã deste blog. As vezes deixo algum comentário discordando de algo, mas se não faço na maioria dos posts é porque gosto da análise e concordo. Gostaria de saber onde consigo bons livros de futebol, como o do Jonathan Wilson que tens citado nos posts anteriores. Obrigado.

  • Pablo Cavalcanti diz: 2 de janeiro de 2010

    Eduardo, concordo contigo em partes. Acho que é importante fazer uma ressalva. O Jeffren entrou no lugar do Henry lá pelos 30 do segundo tempo. A partir disso eu concordo que o esquema passou a ser essa espécie de 3-4-3. Mas enquanto Henry esteve em campo, no segundo tempo, o esquema foi o 4-3-3. Com Pedro no lugar de Messi no ataque e este no meio, a única diferença para o esquema tradicional de início de jogo do Barça foi uma variação do meio-campo de triângulo alto para triângulo baixo.
    Resposta do Cecconi: exato, Pablo. Por isso eu falo da variação a partir do Jeffren. Antes era o 4-3-3, com os atacantes jogando pelos lados. Depois, Guardiola afunilou os atacantes para jogar sobre os zagueiros dentro da área (os dois gols saíram de cruzamentos) e abriu os lados com os wingers no 3-4-3. Abraços.

  • VICTOR diz: 4 de janeiro de 2010

    Revi o compacto agora, reitero o que disse (me interesso muito por esse assunto por isso verei novamente apos esse assunto sehuse)no ataque o estudiantes mantinha uma estrutura com dois atacantes com o verón logo atras de enganche. o clemente jogou de volante pela direita (lugar que o W. monteiro jogou em 2006). As outras 2 funções foram feitas por dois cabeludos que eu não sei o nome.

  • VICTOR diz: 3 de janeiro de 2010

    pois é, eu comentei ali em baixo os sistemas. saudações

  • VICTOR diz: 3 de janeiro de 2010

    As variações que uma equipe sofre com a bola, não devem ser tão demasiadamente levadas em consideração, por que são tantas que fica impossível enumera-las. o que se deve prestar atenção é na estrutura defensiva, e nessa, na minha observação, nem o estudiantes utilizou o 3-6-1 e muito menos o barça o 3-4-3.

    Resposta do Cecconi: Victor, essas variações que coloco partem do Posicionamento Inicial (P.I) de cada jogador. O P.I é determinado a partir do posicionamento das equipes sem a bola, como tu observas. Mas fica aberto o espaço para dizeres então quais foram os sistemas utilizados. Abraços.

  • VICTOR diz: 4 de janeiro de 2010

    muito bom esse blog, não conhecia, saudações

  • Yuri diz: 2 de janeiro de 2010

    Cecconi olha só estou muito desgostoso com o tecnico Silas (tecnico assim mesmo pelo menos esta se mostrando assim em suas entrevistar) o meu primeiro grande critica ao mesmo ele diz que não vai fixar um esquema tatico no time para mim um time sem esquema tatico é um grupo de pessoas correndo sem direção que não tem a minima sincronia depois ele diz querer adotar o 3-5-2 abomino isso que chamam de sistema tatico para mim isso é covarde em terceiro o mesmo ja cogitou até mesmo um esquema 3-6-1

  • Leo Almeida diz: 3 de janeiro de 2010

    Pergunte ao tal de Abidal se a “basculação da linha defensiva” funcionou.rsrsrs. Que piada! Os pseudo-tecnicos de plantao dizem cada uma…Perguntem ao jogador no calor da decisao qual a tatica adotada no decorrer do jogo e verao a resposta. Queriamos ganhar e PONTO! Uma vez colocaram o comentarista Apolinho, que nunca tinha jogado bola de tecnico do Flamengo. Não durou nem um mes!

    Resposta do Cecconi: Leo, acredito que tu esteja se esforçando para não entender, com o objetivo de sustentar a tua tese. É óbvio – repito: é ÓBVIO – que os técnicos não usam termos teóricos nas suas preleções. O Guardiola não diz ao Abidal que ele vai fazer a basculação, mas explica que ele terá de dar alguns passos para o lado, modificar o posicionamento, e seguir o Puyol sempre que este estiver cobrindo o Pique. É tão simples que eu não consigo compreender a tua incompreensão. Mas, acho que tu está certo: futebol é só futebol, joguem a bola para cima, ganha quem está afim, é viva São João minha gente!

  • Yuri diz: 2 de janeiro de 2010

    Então te pergunto Cecconi o que tu achas deste tecnico que até o momento tem me decepcionado bastante com suas declarações para mim se mostra um covarde adpeto do defensivismo dessas coisas que deviam ser proibidas no futebol mundial e se chamam se 3-5-2 e 3-6-1 detesto isso e sou fã de um belo 4-3-3 ou mesmo um compacto 4-4-2 ja me serviria um abraço e desculpe o encomodo mais a decepção com o dono da casamata tricolor está vindo e muito forte

  • VICTOR diz: 3 de janeiro de 2010

    O estudiantes entrou em campo no 4-4-2 com o meio em losango, o fato de o lateral ser a principal valvula de escape, não significa que o esquema seja 3-6-1. O mesmo serve para o Barça, no segundo tempo, ao colocar o pedro, Guardiola simplesmente trouce messi para a articulação e inverteu o triangulo do meio, o esquema passou de 4-1-2-3 para 4-2-1-3, isto, para garantir uma certa solidez defensiva e aumentar o poder de ataque.

  • VICTOR diz: 4 de janeiro de 2010

    O estudiantes entrou em campo no 4-4-2 com o meio em losango, o fato de o lateral ser a principal valvula de escape, não significa que o esquema seja 3-6-1. O mesmo serve para o Barça, no segundo tempo, ao colocar o pedro, Guardiola simplesmente trouce messi para a articulação e inverteu o triangulo do meio, o esquema passou de 4-1-2-3 para 4-2-1-3, isto, para garantir uma certa solidez defensiva e aumentar o poder de ataque.

    Resposta do Cecconi: Victor, continuo discordando. Eu sei que um lateral apoiar não faz dele um ala. O 3-6-1 se deu pelo posicionamento inicial, e pelas funções cumpridas. Neste 4-4-2 em losango, te peço por favor que nomine quem jogou em qual posição…principalmente Ré, Diaz e Benítez. Abraços.

  • João Henrique diz: 3 de janeiro de 2010

    O que ocorre é que as equipes possuem uma plataforma de jogo com bola e outra sem bola (matriz). O Estudiantes usou como matriz um 1-4-4-2 losango e o Barcelona o 1-4-3-3. Com bola o Estudiantes ficou com a plataforma de jogo 1-3-4-1-2 e o Barcelona um 1-2-3-2-3. Forte Abraço!

  • Alberto diz: 6 de janeiro de 2010

    Cecconi, concordo com o Jáder lá no comeco dos comentarios, pra mim nao houve 3-4-3 nao, o Abidal é um lateral recuado de origem e o Dani Alves ao contrário, bem ofensivo. Na verdade houve um 3-3-4 se levarmos em consideracao a prorroga somente já que o Dani Alves jogava da intermediária pra cima abastecendo os 4 da frente.

  • Jáder diz: 2 de janeiro de 2010

    Assistindo o jogo me passou a impressão de um 4-2-4. Atémesmo antes do jefrey o henry jogava aberto na esquerda, o pedro pela direita ..ibra de centroacante e messi encostando nele pelo centro.

Envie seu Comentário