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Russos inauguram as trocas de posições

04 de janeiro de 2010 10

Diagrama tático do Dinamos Moscow, com as inversões de posição do meio para frente

Retomando a série de posts sobre evolução tática no futebol, com base no livro Inverting the Pyramid, do jornalista inglês Jonathan Wilson, o assunto de hoje no blog Preleção é a contribuição dos russos às experimentações. País que demorou a ingressar no cenário do futebol europeu pelo isolamento geográfico, que impedia os russos de enfrentarem adversários estrangeiros, vivendo durante muito tempo de forma praticamente amadora.

A situação se alterou a partir de 1937, quando uma equipe do País Basco excursionou pela Rússia vencendo com facilidade as equipes locais. Enquanto os bascos atuavam no W.M de Herbert Chapman, os russos ainda estagnavam-se no 2-3-5 dos primórdios. E, assim como nos planos de recuperação da imagem do império na Inglaterra, ou na tentativa de fortalecer uma identidade nacional na Itália fascista, a política interferiu no futebol. Os comunistas não gostaram do massacre basco, e exigiram mudanças.

Pressionados, os técnicos russos debruçaram-se sobre as incipientes pranchetas táticas para estudar maneiras de evoluir. O primeiro passo, lógico, foi a disseminação quase imediata do então desconhecido W.M entre as equipes. E, a partir dele, adotaram a mesma política italiana incrementando a tendência tática com características locais. Também se buscou a profissionalização do campeonato nacional e a abertura para excursões, tanto dos russos para fora, como também a recepção aos estrangeiros no país.

Jonathan Wilson descreve o novo estilo russo implementado na década de 40 como a “desordem organizada”. Tendo o Dinamo Moscow como protagonista, o futebol da Rússia apresentou ao futebol uma estratégia pioneira: as trocas de posições. Desde o início, apesar de todo o crescimento do planejamento tático, e da evolução dos sistemas, os jogadores cumpriam funções e assumiam posicionamentos rígidos.

Tanto os meias-atacantes como também os pontas e o centroavante do Dinamo propunham um verdadeiro carrossel de inversões. O centroavante recuava para o meio, um dos pontas ingressava na área, os meias avançavam pelos lados. Mantendo sempre o desenho do “W” na frente, mas alternando os jogadores que ocupavam cada uma das posições. O que desestruturava a marcação adversária.

No W.M, a marcação era idêntica ao do 3-5-2 brasileiro: individual por função. E agravada pela referência numérica: em 1939, a FA inglesa determinou a adoção fixa dos números de 1 a 11, na ordem crescente por posição, tendo o 2-3-5 como default. Medida que impôs ao centroavante jogar com a 9, aos pontas atuar com 7 e 11, e aos meias vestir a 8 e a 10. Os marcadores tomavam os números como referência. No W.M, por exemplo, o zagueiro central “marcava o 9″, seus companheiros pegavam o 7 e o 11, e os meio-campistas centrais perseguiam o 8 e o 10. Encaixe espelhado perfeito. O famoso “cada um pega o seu”.

A movimentação dos russos destruía este paradigma numérico. O zagueiro central se via obrigado a seguir o camisa 9 aonde ele fosse, abrindo espaço para diagonais dos pontas, ou infiltração dos meias. E todos eles circulando, trocando de posições, arrastavam consequentemente seus marcadores como reféns de um recurso tático ainda não utilizado e, portanto, sem um antídoto.

Eles resgataram ainda o estilo escocês, e também da Danubian School, de passes curtos e valorização da posse de bola pelo chão, sem ligação direta ou correria dos wingers, como se fazia na Inglaterra. O capítulo no qual Jonathan Wilson trata da inovação russa é curto, mas revela a importância desta interpretação do Dinamo Moscow ao W.M, e também como a estratégia aplicada a um determinado sistema tático muda completamente seu funcionamento.

Postado por Eduardo Cecconi

Comentários (10)

  • cereal killer diz: 4 de janeiro de 2010

    Pelo menos, alguém apresenta algo novo aqui no RS. Chega da velharia do futebol do nosso Estado, que somente enxerga até um palmo adiante do nariz e, quando não trata de futebol no campo, se limita à fofoca. E não são só os futessauros bem conhecidos na praça, mas tb a nova geração, que se restringe à repetição do que os velhos sauros dizem/escrevem. Parabéns!

  • Yuri diz: 4 de janeiro de 2010

    Amigo estou criando um blog sobre táticas do Grêmio e gostaria de pedir autorização sua se não for atrapalhar claro de pegar algumas imagens tuas claro que se vc permitir colocarei os devidos créditos gostaria tb de se não for abusar muito perguntar qual programas vc vem usando para fazer os diagramas um abraço e desculpe o incomodo Cecconi

    Resposta do Cecconi: vai firme Yuri, dando o crédito e indicando a leitura (hehehe) pode usar sem problemas. Abraço.

  • Julio Cesar Pereira dos Santos diz: 4 de janeiro de 2010

    Por favor Cecconi me responda uma pergunta O es quema tático de cada equipe é definido quandoa equipe está sem a bola ou com a bola ou há que colo0car um esquema para cada uma das situações?? abraço

    Resposta do Cecconi: Júlio, o sistema tático se define por várias coisas – posicionamento, função de cada jogador, sistema de marcação…a leitura deste diagrama tático é que se dá a partir da ausência de posse de bola, quando fica mais fácil identificar o posicionamento inicial de cada jogador (ou seja, de onde eles partem, qual a área de ação deles). Abraços.

  • rui diz: 4 de janeiro de 2010

    Muito legal essa série de post. Tinha curiosidade de saber a origem da numeração dos times, agora sei.

    Parabéns!

  • Julio Cesar Pereira dos Santos diz: 5 de janeiro de 2010

    Muito obrigado eduardo, mas isso quer dizer que o esquema táticodo liverpool, por exemplo é um 4-4-1-1 e ñ um 4-2-3-1, já que os pontas voltam formando uma linha de quatro com os volantes eo gerrard fica marcando á frente…minha dúvida esta na nomenclatura dos esquemas táticos

    Resposta do Cecconi: sim Julio, o sistema do Liverpool nunca foi o 4-2-31, sempre foi o 4-4-2 em duaslinhas ou o 4-1-4-1. Comparado ao Arsenal, que atua no 4-2-3-1, percebe-se bem a diferença entre eles, principalmente no posicionamento inicial e na função dos jogadores de dentro (volantes, ou meio-campistas centrais). Abraços.

  • Lu Parhan diz: 5 de janeiro de 2010

    Cecconi! Outra hora vou expor aqui nos comentários como eu gostaria de ver meu time jogando, caso fosse o treinador. Gostaria muito de saber qual a tua opinião! Por agora, te faço o seguinte questionamento (off-topic): tu sabes como preferencialmente o Fossati vem trabalhando? Não encontrei nada sobre a LDU aqui no Blog. Acho que não chegaste a postar nada, não é? É isto!

  • Yuri diz: 4 de janeiro de 2010

    Cecconi me tira uma duvida se possivel que programa vc usa para tirar a imagem do campo ou para criar não sei como vc faz estou interessado tb em algum site que tenha bons livros para iniciantes sou um admirador teu aki do blog de longa data e tenho muito medo do tal Silas adpeto do 3-7 que chamam de 3-6-1 e de seus 3-5-2 queira Deus que ele adote o 4-4-2 ala felipão ou mesmo um 4-3-3 o que acho impossivel rsrs um abraço e obrigado mesmo

  • Alvaro diz: 4 de janeiro de 2010

    Muito bons textos. Estou aprendendo cada vez mais. Obrigado, um abraço e feliz 2010.

  • Andre Gremista diz: 4 de janeiro de 2010

    Fala, Cecconi, bom retorno às atividades. Tô esperando tua análise sobre o grêmio 2010, com as possibilidades de formação do time com o elenco novo.
    Abraço
    André

  • Marcelo diz: 5 de janeiro de 2010

    Parabéns pelo blog! Confesso que só comecei a acessar há cerca de duas semanas, mas estou impressionado com a qualidade das análises! Parabéns Eduardo!
    Uma curiosidade: provavelmente você deve ser jogador do Football Manager, não? Se não conhece, vai se apaixonar pelo jogo!
    Grande abraço!

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