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Arsenal reconfigura a linha ofensiva

28 de janeiro de 2010 6

Arsene Wenger privilegiou os fãs do bom futebol com a formação de uma das melhores equipes da história recente deste esporte: os Invencíveis, do Arsenal campeão na temporada 2003/2004. Time de um desempenho tão encantador, que acabou influenciando a disseminação imediata do sistema tático 4-5-1 – desdobrado em 4-2-3-1 – na Europa. A linha ofensiva do meio-campo contava com Pires, Bergkamp e Ljungberg, protegidos por Vieira e Gilberto Silva, e tendo à frente Henry.

Será difícil reprisar o desempenho e os resultados conquistados pelo Arsenal dos Invencíveis. Mas Wenger continua tentando. Fustigado por uma epidemia de lesões graves no elenco, ele nunca pôde escalar o time ideal, com os protagonistas do grupo simultaneamente prontos. Hoje, ele ainda não tem Van Persie, acaba de perder o zagueiro belga Vermaelen – para mim, o melhor da posição no futebol mundial nesta temporada europeia – e Song em breve voltará da Copa Africana das Nações.

Mas, a despeito de todos os problemas, Wenger começa a reconfigurar no Arsenal uma linha ofensiva de qualidade acima da média. Ontem, no empate em 0 a 0 fora de casa com o Aston Villa, o treinador repetiu a escalação do trio Fábregas, Rosicky e Arshavin. Eduardo foi o centroavante, enquanto Denilson e Ramsey protegeram a linha defensiva formada por Sagna e Clichy nas laterais, mais Gallas e Vermaelen (depois Campbell) na zaga.

As triangulações que caracterizam o estilo de jogo do Arsenal de Wenger estão deslanchando novamente. Orquestrada por Fábregas, a segunda linha de meio-campo é leve, tem mobilidade, e cria um entrosamento antes barrado pela impossibilidade de escalar o trio simultaneamente. O importante, acima de tudo, é assistir a Wenger contando novamente com jogadores inteligentes e participativos, tecnicamente qualificados e velozes, no setor ofensivo.

Fábregas atua centralizado na segunda linha de meio-campo. Distribui com alento as jogadas, e auxilia no combate sem a bola. O espanhol é um jogador que parece não se desgastar com a bola, pela capacidade de perceber os espaços vazios. É nestes vácuos de marcação que Fábregas se posiciona para receber a bola na transição ofensiva dos volantes, e articular a próxima jogada.

Rosicky e Arshavin atuam pelos lados, como wingers. O tcheco na direita, o russo na esquerda. Ambos aproximam-se de Fábregas em diagonais que indefinem a marcação e aproximam o trio para as tabelas. Eduardo, o brasileiro-croata, também é capaz de participar das triangulações. E assim este quarteto forma um mini-carrossel de peças em constante movimento, mantendo a bola sempre em circulação, de pé-em-pé.

Ainda falta melhor condicionamento a Rosicky, Arshavin é um jogador instável, e realmente não dá para comparar esta formação aos Invencíveis. Mas o Arsenal de Wenger consegue vencer todo o tipo de dificuldade – é um clube historicamente azarado (leiam “Febre de Bola”, de Nick Hornby) – para seguir fiel à filosofia que alia um sistema tático bem planejado a uma estratégia ofensiva. O Arsenal joga com a bola no chão, com movimentos rápidos, com toque de bola. Em breve, voltará a dar prazer em assistir.

Comentários (6)

  • Alessandro Hokama diz: 28 de janeiro de 2010

    Eduardo, eu não acho que o Arshavin seja irregular, ele sempre joga bem, quando não joga é muito em razão do time não ajudar. E esse Vermaelen joga muito mesmo, muita noção de jogo, do tempo de bola e tem muita técnica.

    Abraço.

  • Gustavo F. Barbosa diz: 28 de janeiro de 2010

    Wenger mantém esta filosofia que muito soma ao futebol inglês. Interessante observar que este 4-5-1 (4-2-3-1) é um sistema com disposição tática com verdadeiras semelhanças ao 4-3-3 Triângulo Baixo, principalmente com 2 wingers. Internazionale de Milão tem usado nos últimos 2 jogos (exceto contra Milan) semelhanças com este sistema.

    Espero que Wenger tenha sucesso porque esta filosofia tática “agrada os olhos”.

    Grande abraço.

  • Cauê diz: 28 de janeiro de 2010

    Poderia fazer um post com a análise dos Invencíveis.

  • Alberto diz: 29 de janeiro de 2010

    Um ponto positivo também é que o Denílson vem jogando muito bem essa temporada, a sua melhor desde que chegou ao Arsenal, e sobe mais ainda de produção quando o Fabregas está em campo pois sempre sobra alguma bola pra ele finalizar.

  • Roberticus diz: 29 de janeiro de 2010

    Grande Cecconi! Ótimo post. Concordo contigo enquanto ao Arsenal ser a equipe que tal vez melhor practica o ‘bom futebol’ no mundo hoje junto com o Barcelona e a seleção espanhola. Para mim é interassante ver como os ‘volantes’ (o seja, meiocampistas) neste 4-2-3-1 realmente sao jogadores cerebrais e nao brutucus – se até o Fabregas atuou nessa posicão no inicio de sua etapa lá. So discrepo enquanto a disseminacao do 4-2-3-1; que o patrao ja fora implantado pelas equipes espanholas ao principio da decada, logo a selecao francesa e algumas equipes italianas adotara-no.

  • fernando diz: 29 de janeiro de 2010

    pisaram no meu calo! rarara! o arsenal “invencível” não tinha muito a ver com essa faceirice imberbe q o wenger cismou de uns tempos pra cá, encanta o mundo e, obviamente, não ganha nada – posso queimar a língua daqui a pouco, mas… aliás – não posso não: não ganha nada mesmo! pode escrever, rararara. apesar de jogar pra frente, o invencível tinha jogadores de muita força física e personalidade forte – uns 3 ou 4 líderes natos, por exemplo, além de uma consciência /comprometimento defensivo brutal – os caras não tomavam gol! sobre o time de agora, acho o denilson um jogador fraquíssimo (não entendo o amor dos caras da espn por ele – é só pegar a quantidade de bolas q ele perde/entrega no meio – parece o adílson!) e o eduardo tb está longe de ser uma brastemp no ataque. fabregas é fantástico e a defesa é boa (apesar daquele goleiro esquisito..). mas deve ser a idade… em mim, aquele toquezinho tico-tico do meio campo em partidas decisivas (contra o west brom não vale, ok?) me irrita profundamente. enfim, sou o bastião das botinadas por aqui, mas fazer o q… rsrsrs.. abs!

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