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Juventus reforça na Itália o renascimento do 3-5-2

07 de fevereiro de 2010 10

Na temporada passada assistia a apenas duas equipes se utilizarem do 3-5-2 no Campeonato Italiano. Foram o Napoli e a Sampdoria, cada um com características bem próprias, e por pouco tempo. Neste ano, o número sobe para três, e em outros lugares: já falei aqui do Livorno e a marcação por zona aplicada ao 3-5-2, hoje o Cagliari também usou o mesmo sistema – e perdeu para a Inter – e ontem a Juventus deu início à nova formação, empatando em 1 a 1 com o Livorno, em confronto espelhado.

Zacheroni, novo técnico da Juventus, é o responsável pela adoção do 3-5-2. Após substituir Ciro Ferrara, ele manteve o 4-4-2 com meio-campo em losango herdado de seu antecessor por apenas uma rodada. Ontem, recorreu ao sistema com três zagueiros. Não sei com qual justificativa, não pude acompanhar o debate na imprensa local, nem as justificativas de Zacheroni.

Na primeira amostragem, o 3-5-2 da Juventus apresentou vários problemas, muitos deles reafirmados pelos clubes brasileiros que também atuam com três zagueiros. O principal defeito foi a total desarticulação da equipe. Diego atuou isolado em uma faixa de campo entre a linha divisória e a intermediária defensiva, de lateral a outra. Facilmente marcado, desapareceu. E, com ele, a articulação da Juventus.

A desarticulação do time de Zacheroni tem diagnóstico. O primeiro é a escolha de um triângulo com base baixa no meio-campo. A Juve entrou em campo com três zagueiros e dois volantes. Cinco defensores, portanto. Diego adiantou-se, para encostar nos atacantes Del Piero e Amauri, mas sozinho contra pelo menos dois marcadores, foi o Diego dos maus jogos – caindo demais, pedindo faltas, desarmando-se a toda hora.

O segundo diagnóstico é a incompatibilidade dos alas com o 3-5-2. Nem o uruguaio Cáceres nem o italiano Grosso são jogadores adequados aos sistemas com três zagueiros.  Cáceres apoia pouco, e sem qualidade. É muito mais um defensor do que um apoiador. Grosso também se sai melhor no combate do que na passagem.

Contra o Livorno, Legrottaglie não foi líbero. Atuou como zagueiro central. Com Cannavaro à direita, e Chiellini à esquerda. Felipe Melo e Candreva protegeram o trio, com os alas a eles alinhados. Sete jogadores no campo defensivo, e todos com muita dificuldade de avançar. Diego sucumbiu, Del Piero e Amauri não foram abastecidos, e a Juventus tornou-se dependente da bola parada. Fez gol de bola parada. Alguma semelhança com o 3-5-2 brasileiro?

Não sei se a Juventus de Zacheroni vai insistir no 3-5-2. Mas uma constatação é clara. Juventus no 3-5-2 é diferente de Napoli, Sampdoria, Livorno ou Cagliari. É um grande, é um enorme clube italiano. No Brasil, tudo o que é usado na Europa torna-se tendência anos depois. Tanto é que o 3-5-2 chegou aqui já aposentado no Velho Continente.

Agora, redivivo por Zacheroni na Juventus, o sistema com três zagueiros pode servir de referência por aqui. Ou justificando quem já se utilizada dele, ou influenciando os demais. Aguardemos os resultados desta Juventus para poder medir qual será a repercussão do 3-5-2 de Zacheroni por aqui.

Comentários (10)

  • Raphael diz: 7 de fevereiro de 2010

    Desde que foi pra Europa, ainda insistem no Cáceres como Lateral/Ala, sendo que sua posição original é a zaga. Incrível como ainda não sacaram isso por lá…

  • juliano diz: 7 de fevereiro de 2010

    o problema é que esses times gringos não entendem o clássico 4-4-2 com meio campo em quadrado, ainda mais pela má impressão do 4-4-2 (mal montado) pelo pé de uva na copa de 2006

  • Fred Bastos diz: 7 de fevereiro de 2010

    Cecconi, briquei com você no twitter mas partilho da mesma opinião: 3-5-2 só dá certo com algumas condições.

    Tem 2 que considero essenciais, mais de cunho técnico:

    1) Volantes modernos, de qualidade. Que saibam destruir e construir. Só citando como exemplo o Grêmio de 2008 com Magrão e Carioca, e o Inter de 2009 com Sandro e Guinazu.

    2) Alas que apóiem. Eles que vão auxiliar o meia na criação e ofensividade da equipe, para que as faixas laterais do campo sejam ocupadas.

    Vi uma entrevista do Mano Menezes em que ele condena o 3-5-2 por ser um esquema que engessa a equipe (fator que o Autuori citava muito). Foi perguntado à ele sobre o 3-5-2 pentacampeão de Felipão e ele respondeu na lata: : “o dia que Edmílson for um zagueiro típico você me avisa… Aquele time não contava com 3 zagueiros típicos”.

    Sem contar que o inventaram um 3-5-2 brasileiro, que você cita bastante aqui também. Sumiram com o líbero e inventaram a “sobra”. Mas isso pode colocar na conta do Muricy…

  • Cauê diz: 7 de fevereiro de 2010

    Cruzes! Três zagueiros, 2 volantes, Grosso de ala….não dá pra assistir mais de 5 min de um jogo da Juve.

  • Johnny diz: 7 de fevereiro de 2010

    Esse esquema “pode até funcionar” para a Juve com a entrada de Camoranesi n ala direita e de Ceglie na Esquerda ( ou até mesmo Giovinco ou Marchisio).

  • Marcelo Padilha diz: 7 de fevereiro de 2010

    Beira ao ridículo, pobre Vecchia Signora.

  • Juventus reforça na Itália o renascimento do 3-5-2 – Zero Hora | News News News diz: 7 de fevereiro de 2010

    [...] Mais:  Juventus reforça na Itália o renascimento do 3-5-2 – Zero Hora Posted by admin on fev 7th, 2010 and filed under Esportes, News. You can follow any responses [...]

  • Guilherme diz: 8 de fevereiro de 2010

    Com esse esquema tactico, vemos o porque de tão pouco rendimento da Juventus, a equipe não tem volume de jogo. Sou contra esquemas de 3-5-2 com dois volantes, ainda mais com dois trogloditas como nesse caso da Juventus. 3-5-2 pode dar certo com 2 volantes quando no caso os dois volantes tenham um bom passe e saibam se posicionar para ajudar o time a articular. Vejo o esquema do Internacional como um 3-5-2 ideal, pois tem 2 volantes de qualidade, porém, ainda acho que falta um articulador, esse cujo está ficando extinto no futebol mundial. o Giuliano que ninguém discute as qualidades tecnicas não é um articulador, é um meia ponta de lança, que recebe e verticaliza o jogo, mas o articulador é aquele que sabe cadenciar o jogo, segura a bola, prende, toca para um lado, aparece, recebe, toca para o outro e assim vão surgindo espaços na defesa adversaria. O ultimo jogador que vi fazer essa função no futebol brasileiro foi o “mercenario” Ricardinho, muitos acham que ele não era um jogador de muita entrega e etc., porém ele sabia fazer direitinho o que eu descrevi aí em cima. Enfim, esse renascimento do 3-5-2 na Itália é uma tentativa de suicidio.

  • Ramon diz: 8 de fevereiro de 2010

    A análise é sobre a Juventus, mas bem que poderia ser sobre o colorado, porque vejo o mesmo defeito no Inter: seja Giuliano ou seja D’alessandro, os dois estão muito isolados naquela faixa de campo que tu marcou o Diego da Juve. Também não temos zagueiros pra jogar no 3-5-2 (mesmo considerando que essa tenha sido a formação campeã da Libertadores no Beira-Rio, exatamente com Índio, Bolívar e Eller). Talvez a diferença seja que os alas colorados apoiem mais que os do time italiano.
    Mas o fato é que mesmo contra times pequenos o Inter produz pouco.

  • Roberticus diz: 14 de fevereiro de 2010

    Ola Cecconi, justo voltei de férias em Italia onde pude seguir a prensa esportiva. A anâlise deles sobre o Juve de Zac é que ele não gosta do 3-4-1-2 por se, mas que queria impor uma transição entre o 4-3-1-2 de Ferrara e o esquema preferido dele, sendo este o 3-4-3 com o qual teve êxitos com o Udinese e o Milan. Claro, sob esse última esquema o Diego teria que se desubicar para a ponta (tanto quanto Giovinco e Del Piero ou Iaquinta) mas seja qual for a esquema o problema do Juve resta numa mau planificação de elenco. Olha só para o ataque: Diego sofre mesmo exercendo de enganche pela lentidão e ineficiência dos atacantes que não se movimentam ou oferecem nos espaços. Candrevo não e nenhum brutucu – ele é meia de origem como o foi Pirlo mas jogando ao lado do caos tático que se chama Felipe Melo nunca vai chegar a ser replica do organizador milanista. Concordo contigo enquanto a Cáceres, quem é tal vez mas adepto como zagueiro-lateral numa linha de 3, ou bem um lateral conservador numa zaga de 4.

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