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Império do Amor indefine a tática flamenguista

08 de fevereiro de 2010 5

Em 2009, o Flamengo conquistou o Brasileirão se utilizando do 4-5-1 com dois volantes e três meias ofensivos, também chamado de 4-2-3-1, no desdobramento em quatro faixas de campo. O principal movimento tático era o vai-vem de Zé Roberto como “winger” pela esquerda, avançando com a bola para assessorar Adriano no ataque, recuando sem ela para manter a linha de três meias.

Hoje dou sequência à série de posts sobre os clubes brasileiros na Copa Libertadores 2010 convidando o amigo e jornalista André Nunes Rocha a falar sobre o Flamengo. Acredito que este intercâmbio de informações, abrindo espaço para a análise de quem acompanha o dia-a-dia destes clubes, acrescenta muito para nosso debate aqui no Preleção. André comanda o blog Futebol e Arte, assina colunas nos sites Papo de Bola, Futnet e Jogo de Área (de Portugal). Ele também colabora com os jornalistas Mauro Beting e Lédio Carmona em seus blogs, escreve mensalmente para o site “Olheiros”, e participa do programa “Beting & Beting” do canal Bandsports. Com a palavra, André Nunes Rocha:

A saída de Zé Roberto, de volta ao Schalke 04, e a chegada de Vágner Love obrigaram o técnico Andrade a repaginar taticamente o Flamengo para a temporada 2010. O 4-2-3-1 que compactou os setores e deu liberdade a Petkovic e Adriano na arrancada que culminou no título brasileiro teve que ser desfeito. Apesar da aceitável disciplina tática do novo reforço, não há como o ex-Palmeiras e CSKA reproduzir o papel híbrido de Zé Roberto, que recompunha o setor esquerdo ou o central, revezando com o veterano meia sérvio, e virava um atacante com livre movimentação na retomada da bola.

Agora o campeão estadual e brasileiro tem uma dupla de atacantes de ofício que vem correspondendo em parceria e individualmente. Mesmo considerando o nível técnico indigente das equipes de menor investimento do Rio de Janeiro, os onze gols em apenas quatro partidas chamam a atenção. Mas se o rendimento ofensivo supera o de 2009, o time rubro-negro ainda não encaixou uma formação no meio-campo que dê segurança à retaguarda. A saída de Aírton para o Benfica, a contusão de Maldonado e a inconstância física de Willians, que só jogou o segundo tempo do clássico, contribuem para o cenário dramático de 12 gols sofridos em 6 jogos.

Como nas rodadas finais do Brasileiro, Toró herdou a posição do volante chileno e a ideia do técnico seria plantá-lo à frente da zaga, com Willians novamente ocupando o setor direito, mas com atribuições defensivas mais rígidas, e Kléberson, de volta ao time titular depois de se recuperar de lesão no ombro, pela esquerda. À frente deles, um Petkovic mais solto na ligação com o ataque. Na prática, um losango. Em números, um 4-3-1-2 (*ou, como convencionei no Preleção, o 4-4-2 com meio-campo em losango).

Com os seguidos problemas de Willians, Fernando, contratado ao Goiás, foi efetivado na equipe. Ele deveria ocupar o setor esquerdo, com Kléberson mudando de lado. Porém o novo reforço fica mais recuado e centralizado, quase ao lado de Toró, configurando um 4-2-2-2 (*ou um 4-4-2 com meio-campo quase em quadrado) que deixa a defesa vulnerável. Ainda mais com a lentidão do volante na cobertura a Juan, lateral que é frágil no confronto direto e concede generosos espaços pelo seu setor.

Outro problema é Pet, que se reapresentou em péssimas condições físicas e, embora tenha marcado um golaço na vitória por 3 a 1 sobre o Volta Redonda, partida que marcou o seu retorno à equipe, atrapalha pela morosidade na criação das jogadas e a participação incipiente no combate. A atuação constrangedora contra o Fluminense e a posterior indisciplina que causou seu afastamento abriram espaço para a entrada de Vinicius Pacheco, jogador irregular que vem tendo um bom início de ano. Também porque mostra sintonia fina com Love e o Imperador na frente, além de ajudar no combate aos volantes adversários.

As peças de reposição também deixam a desejar. Everton Silva não inspira tanta confiança, a ponto de Andrade ter preferido improvisar Fierro na vaga de Léo Moura contra o Flu. O próprio meia chileno, apesar da velocidade e disposição pela direita, não é um reserva à altura para Willians ou Kléberson. Michael, Rodrigo Alvim e Ramon são outras contratações  incapazes de empolgar e formar um grupo confiável para o desafio maior do clube em 2010: ultrapassar a “barreira” das oitavas-de-final na Taça Libertadores da América.

Andrade vai trabalhando para alcançar um mínimo de consistência visando às semifinais da Taça Guanabara e a estreia na competição continental. A meta é recuperar boa parte da solidez defensiva do ano passado e fazer a bola chegar com mais rapidez e facilidade à dupla de ataque que funciona e, por enquanto, é o único ponto positivo do campeão brasileiro na temporada“.

Comentários (5)

  • Marcelo Padilha diz: 8 de fevereiro de 2010

    Daqui umas dezenas de dias o Flamengo melhora, é questão de tempo. Início de temporada dentro dos paradigmas da metodologia convencional é assim mesmo.

  • Mario Quadros diz: 8 de fevereiro de 2010

    Ganhou o Brasileirão porque o Corintians e o “Azulão da Azenha” entregaram o título, de bandeija, para o Fla. Se tivesse que ser jogo, no taco-a-taco, dúvido que àquele grupinho ganharia o título. Segundo: a imprensa brasileira tem que se mobilizar para realizar, ou incentivar a realização, de um concurso em nível mundial, para ver qual país tem menos senso de ridículo na hora de colocar apelidos em jogadores ou grupos de jogadores, como este tal de “Imperio do Amor”. Falta de criatividade e falta de senso de ridículo. Porque será que na Europa não basta ter “apelido”, tem que jogar futebol? E os “Fenômenos” da vida acabam baixando aqui, entortando os menos qualificados do futebol brasileiro, que não são poucos!!!!

  • Eduardo diz: 8 de fevereiro de 2010

    Bruno ; Léo Moura , Alvaro , Angelim e Juan. Maldonado , Willians , Kleberson e Pet. Adriano e Vagner Love. O time do Flamengo é o melhor entre os brasileiros e candidatissimo ao titulo.

    Essa história de elenco é engraçado. Muitos falam no Inter e no Cruzeiro , cujos os times titulares nem seus treinadores sabem.

    O Inter até hoje procura um goleiro. Mas isso ninguém fala , não interessa. Mas se fosse o Flamengo…ih…sai de baixo

  • Fred Bastos diz: 8 de fevereiro de 2010

    Cecconi,

    O que o Zé Roberto fazia pela esquerda no Fla/2009 é o que o Leandro fazia pela direita na pré-temporada em Bento, do Grêmio?

    Esses wingers são moda nos times brasileiros. Todo mundo tem ou quer um. Citando um, o Jorge Henrique do Corinthians é perfeito nesse aspecto.

    Resposta do Cecconi: Fred, perfeita tua comparação. Leandro e Jorge Henrique reproduzem em Grêmio e Corinthians o que fazia o Zé Roberto. É um 4-5-1 (4-2-3-1) assimétrico, com uma propensão ao 4-4-2 porque o meia de um lado apoia muito mais do que o do outro lado. Bem observado. Só não sei porque Silas não manteve esta estrutura (vale lembrar que ele alterou o sistema ainda antes de perder Leandro por lesão…). Abraços.

  • Valair Ferreira diz: 9 de fevereiro de 2010

    Sim, nesse caso acho que a técnica compensa qualquer indefinição tática. Pra mim, o flamengo tem um sistema defensivo muito ruim. Se acertar isso, e tiver uma forma qualquer de alçar bola em condições ao império da bagaceirada, não tem pra bater. Esses dois na frente desequilibram qualquer jogo. Então o problema do Flamengo a meu ver é do meio pra trás.

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