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São Paulo, aferrado aos três zagueiros

10 de fevereiro de 2010 17

A fase vitoriosa e recente de Muricy Ramalho no São Paulo, amparada no 3-5-2, aferrou ao clube uma espécie de cultura tática que se impõe ao seu sucessor. Ricardo Gomes, por mais que se declare um apreciador do 4-4-2, não consegue fazer a equipe ter bom desempenho sem atuar com três zagueiros.

Em 2010, Ricardo Gomes apresenta duas versões da mesma base defensiva: o 3-5-2 e o 3-4-3. O primeiro está ilustrado no diagrama tático de abertura do post, já projetando o ingresso de Cicinho na ala-direita, e o desfalque de Dagoberto que, lesionado, deve ficar de fora por quase um mês. É um 3-5-2 com triângulo de base baixa no meio-campo – dois volantes e um ponta-de-lança; três zagueirões de vigor físico e bom aproveitamento na bola aérea; dois alas; um centroavante de referência; e um atacante de movimentação.

Mas, quando Cléber Santana ainda não havia desembarcado no Morumbi, e Dagoberto gozava de plena saúde, Ricardo Gomes apresentou uma variação para o 3-4-3, bem observada pelo Maurício Noriega na transmissão de uma partida pelo canal Sportv. Essa mudança de sistema acontecia a partir do vai-vem de Marcelinho Paraíba, ora partindo do meio para a ponta-esquerda, ora recuando para completar o triângulo de meio-campo – configurando o 3-4-3 ou o 3-5-2 conforme o adversário e as circunstâncias da partida. Simulação no diagrama abaixo:

É bom, entretanto, não esquecermos que Ricardo Gomes ainda prefere o 4-4-2, e suas variações de desenho do meio-campo. Mesmo influenciado pela cultura tática legada por Muricy Ramalho ao clube. E os reforços qualificados para articulação e ataque podem sustentar a transição para o modelo tático com linha defensiva de quatro jogadores. Ontem, no programa Linha de Passe da ESPN, o PVC – Paulo Vinícius Coelho, melhor comentarista tático do país – cogitou um São Paulo no 4-4-2 com meio-campo em losango (por ele conceituado como 4-3-1-2). Gostei muito:

Hoje o São Paulo já estreia na Copa Libertadores. Ainda sem Cicinho, sem Dagoberto, e com estas três possibilidades táticas para encaminhar. Ricardo Gomes precisa, o quanto antes, definir qual a formação prioritária, e a partir dela lançar mão das variações sempre que necessário.

Comentários (17)

  • São Paulo, aferrado aos três zagueiros – Zero Hora | News News News diz: 10 de fevereiro de 2010

    [...] Mais: São Paulo, aferrado aos três zagueiros – Zero Hora Posted by admin on fev 10th, 2010 and filed under Esportes, News. You can follow any responses [...]

  • Ademir Neissinger diz: 10 de fevereiro de 2010

    Boa percepçao do time cecconi, e realmente as opções são muitas para o São Paulo, agora a zaga é fraca, por isso 3 zagueiros? renato silva e xandão são piada, quem sabe com Alex Silva bem e o Miranda interessado o R. Gomes possa jogar no 4-4-2, mas para o meu gosto com meio campo em quadrado Hernanes e Leo Lima, C.Santana e Jorge Vagner, variando para 2 linhas de quatro para fechar mais! Que você acha?

    Resposta do Cecconi: se o Jorge Wágner puder jogar como volante em alto nível, da mesma forma como faz no apoio, daria certo.

  • Roberto diz: 10 de fevereiro de 2010

    Mas este ultimo esquema, sem um primeiro volante de ofício, não deixaria o time fragilizado na defesa? Aliás, Cecconi, tu já fizeste posts sobre quais as melhores maneiras de explorar as fragilidades dos principais esquemas? Lembro de um em que tu falaste de como o Barcelona encontrou a maneira de vencer a LDU na final do mundial de clubes de 2009. Mas o que interessa é saber quais são os principais antídotos atuais para os adversários de times que utilizam, por exemplo, o 3-6-1, o 3-2-3-1, o 4-5-1, o 4-4-2 e 3-5-2. Abraço

    Resposta do Cecconi: Roberto, tu e o Douglas fizeram a pergunta sobre o Hernanes. Estou me baseando na projeção do PVC. Acho sim que ele pode fazer, mesmo sabendo que o time perderia a qualidade de saída dele. Mas poderia ser o Richarlyson ou o Jean no primeiro vértice, saindo o Léo Lima para a entrada do Hernanes na segunda linha. Reforçaria a marcação, mas se perderia alguma qualidade ofensiva. São duas boas possibilidades. Abraços.

  • Leonardo M. diz: 10 de fevereiro de 2010

    Cecconi, só tenho um discordancia. O Cleber Santana não tem condições de fazer a função de trequartista. É até um desperdicio se montar um esquema desses para priveligiar um jogador como Cleber Santana que é somente um bom jogador. Ele até ja atuo como volante. Nesse esquema poderia é fazer bem a função dos volante de saida pro jogo.

  • Douglas Campos diz: 10 de fevereiro de 2010

    Ceconni, apesar de sua polivalência, será que o hernanes tem capacidade de ser o primeiro volante?

  • Marcelo Padilha diz: 10 de fevereiro de 2010

    Jean teria melhor rendimento que o leo lima nesse vértice direito do losango, abraços.

  • Pablo diz: 10 de fevereiro de 2010

    Olá, Cecconi. Gostei da análise.
    Gostei mais ainda da possibilidade (remota, já que o 3-5-2 tem feito parte do “DNA” do São Paulo) de usar o 4-4-2 com o meio-campo em losango.

    Se tivesse algum input na formação do time, apenas sugeriria “trocar” algumas peças: Rodrigo Souto ou Jean como vértice defensivo; Hernanes e Cléber Santana (ou Jorge Wagner) como meias centrais; Jorge Wagner ou Marcelinho Paraíba como vértice ofensivo.

    Vamos ver no que vai dar… hehehe!

    Grande abraço e parabéns pelo blog, é um dos meus favoritos.

  • rafael da silva diz: 10 de fevereiro de 2010

    Por uma recente entrevista do ricardo gomes, dizendo que o fernandinho vai ser titular e pelo tanto que ele preza o dagol, acho que ele montaria o time no 4-3-3 com todas as peças em triangulo baixo: R. ceni; Cicinho, Miranda, Alex Silva e Jorge Wagner( Junior Cesar); Jean( Rodrigo Souto), Hernanes e Marcelinho( Cleber Santana ); Dagoberto, Fernadinho e Washinton( Fernandão, se vier)

    marcelinho, tambem pode fazer a função de ponta pelos lados se o ricardo optar pelo cleber no meio

  • Leonardo Sander diz: 10 de fevereiro de 2010

    Cecconi, será que não éra uma boa o SPFC jogar em duas linhas, mas com um time bem “Ingles”, dois meias extremos, e dois box-to-box(Hernanes e C.Santana), de ótimo chute de longe, ai o time ficaria assim: R.Ceni; Saavedra(ou qualquer outro lateral-base que o SPFC tenha), Alex Silva, Miranda e J. César; Cicinho, Hernanes, C.Santana e J.Wagner; Dagoberto(M.Paraíba) e Washington. O que tu acha?

  • Clecio diz: 10 de fevereiro de 2010

    Belo trabalho Cecconi, sou facinado por esquemas táticos e suas variações, acompanho sempre seu blog. Parabéns.

  • Saulo diz: 10 de fevereiro de 2010

    Olá Cecconi, mais uma vez excelente trabalho!

    Nos primeiros jogos do ano o SP atuou no 4-3-3, com triângulo de base baixa (Léo Lima no vértice e Hernanes e Richarlyson na base – Hernanes saia mais enquanto Richy protegia a zaga)

    Nos jogos contra o Paulista e o São Caetano (4ª e 6ª Rodada) o time atuou no 3-4-3.

    Tenho duas perguntas:
    1- No 1º Tempo dos jogos contra Paulista e São Caetano, vi a movimentação e formação dos homens de meio semelhantes a da 2º linha do 4-4-2 britânico. Vc enxergou da msm maneira ou eu tô equivocado?

    2- Seria possível montar no São Paulo um 4-4-2 britânico mas, com dois atacantes de movimentação e q caem pelos lados do campo, como Dagoberto e Marcelinho Paraíba?

    Obrigado

  • Alberto diz: 11 de fevereiro de 2010

    “A fase vitoriosa e recente de Muricy Ramalho no São Paulo, amparada no 3-5-2, aferrou ao clube uma espécie de cultura tática que se impõe ao seu sucessor. ”

    Cecconi, estás enganado, o 3-5-2 “engessado” do Sao Paulo comecou bem antes, com o Cuca, depois foi usado pelo Leao e pelo Autuori. É questão de caracterista dos jogadores do elenco, que mesmo com um tecnico com disposição para implatar outro esquema como o Ricardo Gomes fez desde quando chegou não dá resultado.

  • Fred Bastos diz: 11 de fevereiro de 2010

    Antes de tudo, convenhamos que plantel igual ao São Paulo, difícil ter no Brasil.

    Acho que o Ricardo Gomes vai de 3-5-2: RC no gol; Alex Silva e Miranda de stoppers com Xandão na sobra; Jean de 1º e Hernanes de 2º volante; JW e Cicinho nas alas; Cléber Santana ou Marcelinho no meio; Dagoberto e Washington na frente.

    Cecconi, você como especialista me responda, por favor: com Marcelinho no lugar de Dagoberto, o SPFC fica mais no 3-4-2-1? Ultimamente, o Marcelinho compõe mais o meio do que chega ao ataque, era assim no Coxa, com Marcos Aurélio e Ariel na frente. O substituto ideal para o Dagoberto não seria o Fernandinho (lesionado)?

    Outra pergunta: onde se encaixaria o Fernandão nesse time?

    Valeu, abraço.

  • Jean diz: 11 de fevereiro de 2010

    ola no diagrama que mostra uma sugestao para o sao paulo no 4-4-2 em losangulo tem um problema hernanes nao é cabeça de area ele nao serve para dar proteçao na frente da zaga e pode me dizer qual é blog do PVC abraços

  • Felipe Corbellini diz: 11 de fevereiro de 2010

    Olá Cecconi, excelente análise tanto sua quanto do PVC, o SPFC tem um grande elenco e dispõem de várias alternativas tácticas, mas agora, aquele meio que o PVC sugeriu me parece um pouco ofensivo demais. O Hernanes não é um grande marcador, Léo Lima muito menos e o Jorge Wagner é um sono na marcação, além do que, os laterais são muito ofensivos. Creio que a equipe ficaria muito bem ofensivamente, mas defensivamente não me parece ser equilibrada. O que você acha? Abraço.

  • Preleção » Blog Archive » São Paulo no 4-4-2 sem Ricardo Gomes diz: 26 de fevereiro de 2010

    [...] No primeiro jogo sem Ricardo Gomes, o auxiliar Milton Cruz abdicou dos três zagueiros e sistematizou o São Paulo no 4-4-2, ontem, pela Copa Libertadores. A equipe levou 2 a 1 do Once Caldas de virada, na Colômbia, mas teve uma boa atuação no primeiro tempo. Uma disposição tática diferente de tudo o que haviamos observado nesta temporada – leiam aqui. [...]

  • Diego diz: 26 de fevereiro de 2010

    Cicinho e Junior Cesar, dois laterais de nenhuma força física e pouquíssima marcação;

    Hernanes, jogador ofensivo, de chegada na frente, um terceiro homem de meio-campo, improvisado como primeiro volante: grande possibilidade de furo por ali, pq ele sai muito pra jogar nessa posição, e, além de ele não ter a característica pra isso, seria um crime ceifar o futebol dele o fixando por ali;

    Léo Lima de volante e Cléber Santana como o meia mais avançado? Não faz sentido. O Cléber Santana não é o jogador pra fazer essa função, e nem o Léo Lima é jogador pra fazer a função mais recuada.

    Esse time defensivamente é frágil demais. Afundaria.

    Pra fazer o losango no São Paulo, teria que encontrar um primeiro volante (coisa que o São Paulo não tem) e um meia ofensivo, o “enganche”. Hernanes e mais um (e aí sobram jogadores: Jean, Cléber Santana, Richarlysson, Jorge Wagner…) fariam muitíssimo bem as outras duas funções.

    É mais prático e mais eficiente acertar esse time com 3 zagueiros. Não entendo o motivo de tanta resistência com 3 zagueiros no Brasil, por uma falsa ideia de que torna o time mais defensivo, e isso tá longe de ser verdade. É uma falácia.

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