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Newell's usa um 4-4-2 tradicional na Argentina

12 de fevereiro de 2010 6

Gostei do Newell’s Old Boys, apesar da derrota fora de casa para o Emelec por 2 a 1, e da consequente eliminação na pré-Libertadores. Os argentinos criaram mais, foram melhores, mas não conseguiram vencer o inspiradíssimo goleiro do Emelec. Merecia o Newell’s integrar o Grupo 5 da competição. Melhor para o Inter.

O Newell’s do técnico e ex-jogador Sensini joga no 4-4-2 com meio-campo em losango. Muitos analistas táticos desdobram esta formação em quatro faixas de campo, e chama de 4-3-1-2. Segundo o jornalista britânico Jonathan Wilson, no livro Inverting the Pyramid – um resgate histórico da evolução tática no futebol – este modelo de 4-4-2 é tradicional na Argentina.

Foi com o 4-4-2 em losango que a Argentina conquistou a Copa do Mundo de 1978, derrotando a Holanda. Esta formação disseminou ainda os conceitos de duas funções: os carrilleros e os enganches. Carrillero é o apoiador, que faz o vai-vem sobre o mesmo eixo (faixa paralela à linha lateral) de campo. Defende sem a bola, ataca com ela. Na Inglaterra, chama-se box-to-box. E o enganche é o típico camisa 10 argentino, o jogador que pensa, organiza, lança, passa, e aproxima-se do ataque para tabelar e concluir. Um ponta-de-lança.

No 4-4-2 do Newell’s, os carrileros são Barrientos e Vangioni, e o enganche é Formica. Não contando tanto com o apoio de Dolci na lateral direita, Barrientos sobe menos do que faz Vangioni na esquerda, em companhia do lateral Insaurralde. Mas é Formica, com uma movimentação incansável de lado a outro, alguma técnica e muita disposição, quem articula a equipe e concentra a organização. Um enganche típico.

Na frente, forma-se uma dupla de segundo atacante – Achucarro – e centroavante – Boghossian. Nenhum deles é brilhante, mas são ambos participativos. Achucarro aparece mais, é um baixinho daqueles “parrudos”, trombador, que vai para cima do marcador e conclui de qualquer lugar. Boghossian resume-se mais à referência e ao pivô.

O sistema defensivo posiciona-se em linha, com os laterais na base ao lado dos zagueiros Schiavi e Alayés. Quarteto guarnecido pelo volante Bernardi, primeiro vértice do losango, um marcador que cobre as duas laterais e protege os zagueiros pelo centro, sempre preocupado em manter-se fiel ao posicionamento.

Comentários (6)

  • Matias Schuler Guenter diz: 12 de fevereiro de 2010

    Para mim, o esquema ideal.
    Primeiro volante protege a zaga e cobre o laterais, coisa que o gremio nao tem, por exemplo.

  • Roberto diz: 12 de fevereiro de 2010

    Cecconi, em que o 4-4-2 argentino é diferente do 4-4-2 à brasileira, dos anos 60 e 70, por exemplo? Abraço

    Resposta do Cecconi: Roberto, o 4-4-2 brasileiro é com meio-campo em quadrado. São dois volantes em linha, e dois meias em linha. E as funções ficam bem divididas – dois marcam, dois armam e atacam. No 4-4-2 em losango, três marcam, e três armam e atacam. Abraços.

  • juliano diz: 12 de fevereiro de 2010

    o problema desse 4-4-2 com meio em losango que o tite tentou fazer pro inter é que ele não queria que o kleber apoiasse no ataque, sem contar na lateral direita o bolivar improvisado..

    mas eu gosto bastante desse esquema tático, apesar de contar muito com a inspiração do enganche, se pegar o jogador num dia não muito inspirado o time não vai funcionar tão bem

  • Gilberto Arruda diz: 13 de fevereiro de 2010

    Cecconi, não consegui ver o jogo, mas como grande ‘viúva’ do Rafael Carioca que sou, assisto a jogos observando volantes que poderiam jogar no Grêmio. O que te parece esse Bernardi? Gostei da tua definição para ele: um marcador que cobre as duas laterais e protege os zagueiros pelo centro, sempre preocupado em manter-se fiel ao posicionamento. Esse é o volante dos meus sonhos…hehe. Mas to torcendo pelo Fernando, que ele assuma hoje de vez a primeira função do meio-campo e acrescente mais um adjetivo aos que tu relacionou acima – qualidade!!
    abs

  • Roberto diz: 13 de fevereiro de 2010

    Obrigado pelo esclarecimento, Cecconi, mas me diz uma coisa: a Seleção de 70 jogava com uma zaga praticamente fixa (Carlos Alberto, Brito, Piazza – centromédio de origem – e Everaldo), um centromédio típico (Clodoaldo), um meia-armador mais à frente (Gérson), que garantia a passagem qualificada da defesa para o ataque, um “atacante” recuado pela esquerda (Rivelino), um atacante avançado pela direita (Jairzinho), Pelé de ponta-de-lança e Tostão de centroavante de movimentação. Everaldo não subia nunca e Carlos Alberto às vezes fechava o espaço entre o meio-campo e Jairzinho. Esse “bolo” era o que, um 4-4-2 em losango, um 4-3-3 que virava 4-4-2 quando o time era atacado? Bom carnaval.

    Resposta do Cecconi: Roberto, para mim era um 4-3-3…

  • Roberticus diz: 15 de fevereiro de 2010

    Respondendo para Roberto acima;
    Para mim, a Seleção de 70 era mais bem um 4-3-3 assimétrico dificil de definir em linhas ou faixas. E Pele atuava (em aquele equipe) mais bem como uma mistura entre segundo atacante e ponta-de-lança (portanto, nada de meiocampista ofensivo). E se temos em conta que Jairzinho partia desde a punta, o Brasil sempre tinha três homens frente da linha da bola (normalmente Jair, Tostão e Pele enquanto Rivellino flutuava entre linhas) quando estiveram em posse dela. De fato, Zagallo mesmo tem dito que quando recuavam, a esquema virou uma espécie de 4-2-3-1.

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