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A Batalha de La Plata - análise tática do Estudiantes

14 de fevereiro de 2010 12

É possível analisar taticamente uma equipe com 9 jogadores em campo? E com 7 – o goleiro, mais seis? Sim, eu digo. É possível. O amigo Renato Zanata – mais conhecido como “Zanata La Bruja” é torcedor do Estudiantes, músico, e capitão do excelente blog Bruxas e Leões de La Plata. É ele quem nos envia uma detalhada análise tática do Estudiantes na épica Batalha de La Plata, partida disputada em 08 de julho de 1983 pela Copa Libertadores. Jogando em casa, com quatro expulsos, o Estudiantes buscou o empate em 3 a 3 com o Grêmio, depois de sair perdendo por 3 a 1. Tudo detalhado abaixo, com texto de Renato Zanata, e diagramas táticos do blog Preleção:

ESTUDIANTES COM ONZE EM CAMPO

O Estudiantes começou em um 4-4-2 com meio-campo em losango, tendo Trobbiani de enganche – há quem prefira chamar de 4-3-1-2. Ponce , Sabella e Trobbiani usavam a intermediária ofensiva em uma larga faixa de campo para fazer triangulações e tabelas. Se é que podemos comparar, Ponce era o Verón daquele time. Trobbiani ao mesmo tempo buscava Sabella e Ponce, e se aproximava de Gurrieri – de maior movimentação – e Trama – mais posicionado entre a ponta direita e o bico da área – na frente.

O jogo do Estudiantes se deu muito do centro para a esquerda, com os canhotos Ponce e Sabella chamando o lateral Gugnali para o apoio“. Nesta formação, destaco, o jogo foi 0 a 0. O Estudiantes perdeu Ponce e Trobbiani expulsos aos 33min do 1º tempo, e ainda assim abriu o placar seis minutos depois, com Gurrieri. Osvaldo empatou no último minuto, encerrando a etapa inicial em 1 a 1.

ESTUDIANTES COM NOVE EM CAMPO

No começo do 2º tempo, já com 9 jogadores em campo, o Estudiantes adiantou a marcação e formou inicialmente um 4-3-1, com o recuo do atacante Gurrieri.  Sabella foi o grande nome da segunda etapa, com a ausencia de Ponce. Coube ao camisa 10 Pincha armar todas as jogadas do Estudiantes e chegar ao ataque, principalmente pelas laterais do campo, com uma habilidade que lhe “rendeu” inúmeras faltas sofridas no campo de ataque.

Outro importante destaque deste jogo histórico foi o atacante Gurrieri, que no segundo tempo auxiliou os companheiros Sabella e Russo na marcação, e ainda foi responsável por boas jogadas individuais. Gurrieri marcou dois gols, e participou do lance que originou o empate, de Russo.

Assim que o Grêmio fez o segundo gol (com César, aos 8min), o tecnico Manera tirou o zagueiro Gette e colocou o camisa 11 Hugo Tévez. O esquema passou a variar para o 3-4-1, quando o Estudiantes tinha a posse de bola. O retorno à linha defensiva de quatro se dava com o recuo de Russo, transformando-se em quarto zagueiro, quando o Grêmio tinha a bola”. Renato Portaluppi fez mais um, aos 18min. Logo em seguida, Camino e Tevez foram expulsos, aos 24min e aos 30min, com placar de 3 a 1 para o Grêmio.

ESTUDIANTES COM SETE EM CAMPO

Quando o Estudiantes perdeu também Camino e Tévez, expulsos, passou a formar taticamente num 3-2-1. A defesa se distribuiu com Russo pela direita, Aguero no centro e Gugnali no lado esquerdo”. Um minuto depois da 4ª expulsão, Gurrieri descontou. E, aos 42min, Russo marcou o gol de empate.

O Grêmio de Valdir Espinosa jogou no 4-3-3, com triângulo de base alta no meio-campo.  A defesa teve Mazaropi, Paulo Roberto, Leandro, De León e Casemiro. No meio, China foi o volante, com Osvaldo na meia-direita, e Tita na meia-esquerda. E o ataque formou com Renato Portaluppi, Caio e Tarciso. A principal dificuldade tricolor, segundo o Renato Zanata, foi o apoio maciço do Estudiantes sobre o setor de Paulo Roberto, um lateral reconhecidamente forte no apoio, o que o manteve preso à base defensiva para cuidar de Gugnali. No 2º tempo o Grêmio tentou ser mais cauteloso, entrando Tonho no lugar de Tarciso, mas não conseguiu segurar a vitória.

A Batalha de La Plata aconteceu em um triangular semifinal. O Grêmio passou, eliminando o Estudiantes e o América de Cali, e em seguida conquistou a América batendo o mítico Peñarol, que defendia o título Mundial. Em Tóquio, o Grêmio venceu o alemão HSV Hamburgo, que na decisão da Champions League havia derrotado a Juventus de Platini com gol de Magath.

Comentários (12)

  • Gilberto Arruda diz: 14 de fevereiro de 2010

    Cecconi, só um detalhe que ‘La Bruja’ não citou: a hincha argentina, que detonou o alambrado e ameaçava entrar em campo a qualquer momento. E ainda teve o juiz, que deveria ter encerrado o jogo por falta de segurança. Eu diria até que se o Estudiantes não empatasse, os jogadores do Grêmio fariam contra, pra garantirem suas vidas…sem exagero.
    abs

    Resposta do Cecconi: claro, Gilberto, tudo isso nós sabemos. Mas o blog – e o post – são sobre análise tática, e é muito importante saber como o Estudiantes organizou-se a cada expulsão. E como, mesmo com seis jogadores em campo, é imprescindível haver organização. Como tu bem diz, os relatos de violência são de conhecimento geral. Mas a análise tática daquela partida, até onde eu sei, é inédita. Abraços.

  • Cauê diz: 14 de fevereiro de 2010

    Desculpe Cecconi, mas não há lugar para análise tática na situação daquele jogo.

    A tática serve para suplantar o adversário. Quando um dos times faz questão de não vencer, como era o caso, de nada importa a maneira de se postar em campo.

    Os jogadores do Grêmio tinham de ter muito cuidado ao disputar ou pegar a bola, pois corriam o risco de serem agredidos pelos adversários, haver outra expulsão e acabar o jogo. Se isso acontecesse a torcida invadiria e seria um massacre.

    Então, ao contrário do que você disse na resposta ao Gilberto Arruda, não acho importante saber como o Estudiantes atuou com seis e que, no caso, a organização tática era absolutamente prescindível.

  • Roberticus diz: 14 de fevereiro de 2010

    Desculpa Cecconi, mas eu entrei tarde demais para o debate sobre o Juventus. Justo voltei de férias em Italia onde pude seguir a prensa esportiva. A anâlise deles sobre o Juve de Zac é que ele não gosta do 3-4-1-2 por se, mas que queria impor uma transição entre o 4-3-1-2 de Ferrara e o esquema preferido dele, sendo este o 3-4-3 com o qual teve êxitos com o Udinese e o Milan e mantendo por agora o deseno do losango. Claro, sob esse última esquema o Diego teria que se desubicar para a ponta (tanto quanto Giovinco e Del Piero ou Iaquinta) mas seja qual for a esquema o problema do Juve resta numa mau planificação de elenco. Olha só para o ataque: Diego sofre mesmo exercendo de enganche pela lentidão e ineficiência dos atacantes que não se movimentam ou oferecem nos espaços. Candrevo não e nenhum brutucu – ele é meia de origem como o foi Pirlo – mas jogando ao lado desse caos tático que se chama Felipe Melo nunca vai chegar a ser replica do organizador milanista. Concordo contigo enquanto a Cáceres, quem é tal vez mas adepto como zagueiro-lateral numa linha de 3, ou bem um lateral conservador numa zaga de 4. Embora, para sumar nao acho que o Juventus for utilizar este 3-5-2 durante muitas rodadas.

  • leonardo sander diz: 14 de fevereiro de 2010

    Cecconi, tu não conhece nenhum programa parecido sobre táticas, para que eu possa baixar?????

    Resposta do Cecconi: não conheço, Leonardo. Esse que eu uso na verdade nem é um programa, é um arquivo de Photoshop (PSD).

  • rafael do único clube gaucho campeão do mundo, evite paraguaises diz: 14 de fevereiro de 2010

    bha, tomar dois gols jogando com 4 a mais e o outro time no 321 é pra acabar
    é muita vergonha pra história de um clube e orgulho pros torcedores do time que conseguiu o feito (é amigos, não é sempre que se tem um time fraco igual o nautico em uma situação dessas, estudiantes e gremio eram duas grandes equipes oq torna o fiasco tricolor ainda mais humilhante

    acho que o time do gremio se acovardou naquele jogo, ficando com medo dos argentinos
    lembro que certa feita o inter enfiou 6×2 no penarol no gigante e na partida em montevideo tentaram até virar o ônibus da delegação colorada ao chegar no estádio, mas mesmo assim o inter venceu

    não conheço um caso de jogador ter sido morto por torcedor dentro de campo na argentina
    eles só ameaçam e ameaçam, cabe a quem é HOMEM compreender a situação e não se acovardar

    cecconi, será que alguém tem a análise tatica daquele grenal dos anos 40 em que o inter ganhou jogando com 7 ou 8 em campo já que 3 ou 4 jogadores colorados haviam se machucado (tá na PLACAR especial do centenário colorado esse jogo)……..os gremistas devem ter queimado os documentos do jogo hehe

    dalhe inter
    dalhe pincha

  • INTER É MORTAL!!! diz: 15 de fevereiro de 2010

    Pois é… quantas desculpas para justificar o injustificável.

    Não estou falando do blog, da análise tática que, aliás, está excelente mais uma vez! É meu blog favorito nas leituras do site…

    Estou falando dos comentários de alguns gremistas querendo justificar o placar desse jogo. Ridículo. Falam tanto de um joguinho contra o Nautico segundino como eles e não lembram de falar desse jogo, onde froxaram o garrão e sujaram as calças, empatando com um time com sete jogadores em campo. Gostam de se gabar sempre que foram campeões daquele ano (que, aliás, não tinha River, Boca e outros mais fortes – e omitem isso), mas deixaram seus rastros de tricolinos por La Plata. Então, antes de julgarem os jogos e campeonatos de outros times, parem, recordem e reflitam sobre alguns grandes momentos que proporcionaram aos outros, mas que tentam omitir da história.

    Tentem ver nos outros times os méritos que gostariam que vissem no seu time. Isso tornaria mais saudável a disputa pelas conquistas.

    Sou Colorado e sempre achei o Grêmio um time guerreiro, principalmente em 1995, onde acompanhei todo a Libertadores da América. Porém, é irritante a mania de ‘rebaixarem’ os outros clubes/times/torcidas, esquecendo dos próprios deméritos e rebaixamentos literais que já foram protagonistas.

    Quando pararem de achar que empatam e/ou perdem porque o juiz roubou, a torcida queria invadir, o outro time não presta (mas foi favorecido) e etc. etc., podem voltar a ter times memoráveis, novamente. E isso será extremamente louvável e saudável para o esporte.

    INTER – BI CAMPEÃO DA LIBERTADORES 2010!!! Contra tudo e todos (inclusive os secadores segundinos de plantão, os platinos e os curintianos)!!!

  • Ulises Cardozo diz: 15 de fevereiro de 2010

    Cecconi, excelente blog. Parabéns. Virei leitor assíduo, já que o restante da imprensa só fala superficialidades sobre futebol. Aprendi a ver futebol nas décadas de 60 e 70 lendo, quando garoto, a excelente (naquela época) revista El Gráfico argentina. Eles publicavam fotos com o posicionamento das equipes e analisavam os jogos a partir disso. Fica uma sugestão: poderias captar algumas imagens dos vídeos das partidas e mostrar esses posicionamentos a partir das fotos. Enriqueceria teu blog. Lembro que a El Gráfico mostrava também as falhas de posicionamento da defesa, por exemplo, na hora de um contra-ataque, etc.
    Porém concordo coms comentários acima…esse jogo fo atípico. A análise tática é falsa…mera racionalização. Isso não aconteceu em campo. Quem viu o jogo lembra disso.
    Os grandes jogos da história do Estudiantes foram as batalhas contra o Peñarol pela Libertadores.

  • Baldur diz: 15 de fevereiro de 2010

    Sem contar a animosidade argentina para com os brasileiros, que em plena Guerra das Malvinas, foram acusados de deixar um caça Inglês pousar em solo brasileiro para reparos ou reabastecimento, não me recordo. Ou seja, clima de guerra contra o Tricolor e jogadores correndo risco de vida mesmo. Agora, se é pra enaltecer jogos com 07 em campo, que tal um post sobre a batalho dos Aflitos? HE,HE, essas coisas só acontecem com o Tricolor.

  • Roberto diz: 15 de fevereiro de 2010

    Talvez se possa dizer que aquela incrível partida entre Estudiantes e Grêmio tenha sido a gota d’água que pôs um fim definitivo nas baixarias e agressões praticadas em estádios argentinos contra times estrangeiros. Agora, houve uma reação incrível dentro de campo do time argentino, muito inferiorizado numericamente desde cedo. E o post mostrou claramente como foi feita a estrutura tática que permitiu a reação. Agora, será que os torcedores do Estudiantes não imaginam até hoje que poderiam ter vencido aquela partida se tivessem jogado com 11 até o final? No caso, a reconhecida bravura dos jogadores argentinos jogou contra os interesses deles próprios, pois passaram os limites e caíram naquele tipo de bravata tão típico do futebol argentino de antigamente, e foram muito bem punidos por isso. Meus cumprimentos para o valente árbitro, que não se deixou levar pelo ambiente do estádio e expulsou corretamente 4 jogadores do Estudiantes. Se os jogadores gremistas tivessem mantido a postura dele até o final, a vitória seria nossa.

  • Maicon diz: 15 de fevereiro de 2010

    Nesse jogo Cecconi, se os Estudiantes tivessem jogado com um goleiro apenas, a “tática” seria o suficiente para garantir o empate.

    Não existiu nenhum mérito ou planejamento nesta formação, e sim uma grande covardia e falta de esportividade.

    Violência não é Raça …

  • Catimba diz: 19 de fevereiro de 2010

    Cecconi, tu poderia fazer uma analise do Grêmio na Batalha dos Aflitos, de como se postou taticamente, seria bem legal.
    Sei que teu blog é de táticas, mas como tem gente que esquece disso, merecem resposta: Colorados se arriando desse “empate vergonhoso” do Grêmio segundo eles, realmente vergonhoso… um empate que somados aos outros resultados levou o Grêmio à final da Libertadores, na qual foi Campeão. Mas tá certo mesmo, nessa época eles nem faziam idéia do que éra ser Campeão da América, iriam levar mais de 20 anos pra aprender como era isso, depois que a gente já tinha Duas. Não bastasse isso ainda ficaram se vangloriando dos 6×2 no Peñarol. Essa goleada levou o inter a que na Libertadores daquele ano? Ao título? Que piada, querendo se arriar no Grêmio, chegam a querer desmerecer jogo que fez parte de campanha de título, é Dose!

  • Rodrigo diz: 25 de fevereiro de 2010

    grande post. Eu nem lembrava desse jogo. E depois o gremio quer se vangloriar de jogar com 7 ou 8, por poucos minutos, contra o Nautico? Esse sim, foi um grande jogo. Pq esse ae eles não ganharam? com certeza amarelaram, como foi dito na época.

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