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O futebol total do carrossel holandês

02 de março de 2010 10

Hoje é possível retomar, depois de muito tempo, a série de posts que dissecam o livro Inverting the Pyramid, do jornalista inglês Jonathan Wilson, que resgata com riqueza de detalhes a evolução tática no futebol. E o assunto é bastante curioso: o futebol total da Holanda dos anos 70.

Segundo Jonathan Wilson, o futebol total holandês se baseava em duas premissas principais: linha de impedimento e marcação sob pressão alta. A estratégia era adiantar o posicionamento inicial de todos os jogadores, sufocando o adversário, ocupando espaços e diminuindo o tempo necessário para o time rival pensar o jogo.

Mas a principal novidade tática eram as trocas de posições verticais. Princípio diferente da desordem organizada dos russos, já analisados aqui, que primavam pelas inversões de posicionamento horizontais – setorizadas, portanto: atacantes saindo da direita para a esquerda, meias fazendo o mesmo. Inversões de lado a outro, sem modificar a formação dos setores (defesa, meio e ataque).

Na Holanda – primeiro com o Ajax (conforme diagrama tático que ilustra o post), depois com a Seleção Nacional – o técnico Rinus Michels instituiu as trocas verticais. Dividido o campo em esquerda, direita e centro, eram nestas faixas que os jogadores invertiam posicionamento. Uma estratégia muito mais difícil de ser diagnosticada pelo adversário.

O básico, ainda utilizado até hoje, é passar o ponta-direita para a esquerda, e o canhoto para a destra – por exemplo. Movimento que não desorganiza o adversário. Agora, se o lateral se torna ponta, se o ponteiro recua para a linha defensiva, se o meia vira líbero, e o líbero aparece na área, aí a marcação adversária – principalmente se houver perseguição individual – naufraga.

O sistema tático era o 4-3-3, mas com um desenho que poderia ser desdobrado em 1-3-3-3: um líbero, três defensores, três meio-campistas, e três atacantes. As inversões de posicionamento se davam, portanto, entre os três jogadores da esquerda, os três da direita, e os quatro do meio-campo. As mais características aconteciam na faixa central, com Cruyff recuando e abrindo espaço para Neeskens, ou com o líbero Hulshoff avançando de surpresa.

No 4-3-3, com líbero, linhas adiantadas, marcação sob pressão alta, uso da linha de impedimento, inversões de posicionamento verticais, estes eram os princípios básicos do futebol total holandês. Acrescidos, é evidente, pela inteligência de Rinus Michels e de seus jogadores: o primeiro, capaz de planejar tal organização complexa; e os demais, de compreender e executar.

Comentários (10)

  • edgard diz: 2 de março de 2010

    Caro Cecconi, em certa entrevista do Rinus Michels, oq hj se conhece como linha de impedimento, era um movimento copiado do basquete, onde ao se adiantar e sufocar na blitz o adversário q tivesse c/a bola, em qquer lugar do campo, automaticamente, principalmente os atacantes ficavam p/trás (em impedimento). já ouviu esse comentário? abçs.

  • Paulo diz: 2 de março de 2010

    Se fosse feito aqui no RS nossa brilhante imprensa esportiva iria achar absurdo, defender sem descanso o 4-4-2, e fazer campanha descarada para derrubar o Sr. Michels, com perguntas cretinas a cada entrevista coletiva, para desestabilizar o ambiente. Amadores ridículos.

  • Caio diz: 2 de março de 2010

    Cecconi, esse sistema poderia ser reproduzido hoje? O que se diz é que teria de haver um preparo físico, inteligência dos jogadores e um treinamento excepcional pra poder botar esse sistema em prática.

  • Marco Aurelio diz: 2 de março de 2010

    Sensacional! Há muito lhe pedia isto, mas o Carrossel não se limitava ao esquema tático, baseando-se também na liberdade dada aos jogadores. Assim, era possível ver o Kroll atacando pela direita, ou o ponta-esquerda cobrinda a lateral direita. Não que isto era previsto no esquema tático, mas era permitido e os jogadores, frequentemente, executavam. A velocidade com que saíam, em bloco, para o ataque também foram surpreendentes. Parabéns pelo post!

  • Jonas Rafael diz: 2 de março de 2010

    Extremamente engenhoso e inovador. Aposto que nunca foi repetido, porque exige super-jogadores. Mas que ia ser legal um desses super times da Europa tentando algo assim de novo iria hein?

  • Jamil diz: 3 de março de 2010

    Excelente post! Sem duvida Rinus Michael e essa geração holandesa foram a grande inovação do século 20 no campo dos esquemas táticos e padrão de jogo. Como apreciador do bom futebol e de videogame, sugiro o jogo WINNING ELEVEN WORLD CLUBS EDITION, um J-League modificado com equipes clássicas como Ajax de 77, Real Madrid de 55-60,Man UTD 68 (do acidente aéreo), Milan de Gullit, Rijkard e Van Basten e assim por diante. Tambem encontramos Internacional de 75-79 e Gremio 80-84 e outros times latino americanos. Uma verdadeira sessão nostalgia, além de uma ótima jogabilidade. Abraço e torço para que o veja treinando algum time!

  • Marco diz: 3 de março de 2010

    Bando de Peladeiros mais bem sucedido da História. Menos contra a Alemanha. Como diziam pela Europa, “Futebol é um esporte onde dois times jogam, e a Alemanha sempre ganha!”

  • Cauê diz: 3 de março de 2010

    Cecconi.

    Uma ideia para futuramente seria uma análise do Ajax 94/95, que ficou muito tempo invicto e bateu o Grêmio na final do Mundial.

    Abraço.

  • Bruno diz: 5 de março de 2010

    e engraçado é ver que o time só afunilava as jogadas, n tinha ngm q jogava pelas “bandas”…

  • Claudio Sacramento diz: 26 de maio de 2010

    Eu sempre li que Krol era líbero. Assisti a final da Copa de 1978 pela ESPN Brasil e me surpreendi! Krol era o lateral-esquerdo! Agora neste diagrama tático do Cecconi/Jonathan Wilson ele faz a função de zagueiro pela esquerda numa linha de 3 homens. Faço uma pergunta Cecconi: quando Krol foi líbero? Na Copa de 1974? Ou é lenda? Abraços

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