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Fluminense se aproxima do M.M no 3-5-2

08 de março de 2010 7

Assisti ontem, no final de sete dias de folga, à vitória do Fluminense sobre o Botafogo por 2 a 1. Foi uma partida de exceção do Fluzão, que saiu atrás e conquistou uma virada que poderia – e merecia – ter sido por goleada. E o mais interessante foi o contraste entre o desempenho de duas equipes dispostas no 3-5-2.

O Botafogo foi analisado aqui no blog Preleção recentemente. O time de Joel Santana armou-se no 3-5-2 com triângulo de base baixa no meio-campo (dois volantes e um ponta-de-lança no vértice ofensivo), três zagueiros fixos, dois alas abertos, um atacante de movimentação, e a referência Loco Abreu na área, levando à estratégia ofensiva prioritária de jogadas aéreas – leiam aqui.

O Fluminense, também no 3-5-2, apresentou uma diferença à primeira vista insignificante, mas muito representativa na prática: o posicionamento inicial adiantado dos alas. No diagrama tático que ilustra o post, o desenho se aproxima do M.M que os húngaros lançaram na década de 1950, adaptado ao W.M de Herbert Chapman. O técnico Tite, em anotações sobre a evolução tática, chamou este M.M de “3-5-2 com os alas espetados”. Uma descrição que se aplica perfeitamente ao Fluminense. Leiam aqui o post sobre a Hungria.

Cuca adiantou Mariano na direita, e Júlio César na esquerda. Ao contrário do que acontece nos 3-5-2′s convencionais (o Inter de Fossati é um exemplo – leiam aqui) a dupla de alas não está alinhada aos volantes. Neste caso convencional, a descrição poderia ser desdobrada em 3-4-1-2 (três zagueiros, dois volantes e dois alas alinhados, um ponta-de-lança, e dois atacantes).

No 3-4-1-2, os clubes brasileiros sofrem com a descentralização da articulação. Sozinho na intermediária ofensiva, o ponta-de-lança sucumbe à marcação, e desaparece. Os alas jogam apenas lateralmente, abertos, buscando a linha de fundo. A estratégia resume-se à ligação longa, aos lançamentos para os alas, ou até mesmo ao “balão” do zagueiro para o centroavante, especulando a segunda bola (o famoso Muricybol).

No Fluminense, isso não acontece. Ao invés de um articulador, a equipe tem três jogadores atuando na intermediária ofensiva. Mariano e Júlio César atuam próximos de Conca. E o trio indefine a marcação adversária. Ou por apresentar maioria numérica sobre os volantes, ou por obrigar os laterais/alas do oponente a fechar, abrindo o corredor à passagem de zagueiros/volantes. Ambos não deixam de lado a jogada aberta, buscando a linha de fundo, mas gostam mesmo das infiltrações diagonais em direção a Conca e ao pivô de Fred. Há tempos eu não via um 3-5-2 com tantas variações de jogadas, com tantas alternativas, e sem ligação direta.

Vou acompanhar mais o Fluminense, e torcer pela manuntenção do mesmo posicionamento adiantado dos alas no time de Cuca. O Fluzão, reprisando – guardadas as devidas proporções – o M.M da Hungria, consegue aliar bom desempenho à já conhecida competitividade do 3-5-2 brasileiro.

Comentários (7)

  • Saulo diz: 8 de março de 2010

    Olá Cecconi, mais uma vez uma excelente análise!
    Vc enxerga a plataforma d jogo só pela partida na TV ou utiliza outros métodos (tipo dados do Footstas, ScoutOnline…)?
    Queria desenvolver mais a leitura tática no futebol. Pode me indicar algum livro, apostila, site, etc…?!

    Resposta do Cecconi: Saulo, são várias as referências teóricas e práticas (de observação). Um dia faço post sobre isso, porque várias pessoas me pedem, mas não tenho como ajudar um a um. Abração.

  • Leonardo diz: 8 de março de 2010

    Esse esquema do Flu não daria certo no Grêmio, por exemplo, que carece de laterais? dessa forma, poderiam ser escalados 3 zagueiros, 2 volantes, 3 meias (Leandro e Hugo como “alas espetados” e Douglas centralizado, por exemplo) e 2 atacantes?

    Acho que o Cuca fez um ótimo trabalho nesse jogo. Foi muito criativo com as peças que ele tem disponíveis.

  • André Martins diz: 8 de março de 2010

    Cecconi, defendo há muito tempo o 3-5-2 com atacantes ou meia-atacantes jogando nas alas, justamente por achar que 3 zagueiros e dois volantes são suficientes para marcar. Se um dos volantes souber sair pro jogo, melhor ainda. Pq o Silas não testa esse esquema, com Mario-Rodrigo-Saimon, Leandro (agora Edilson)-Adilson-Magrão-Douglas-Hugo, Jonas-Borges? Acha que ficaria muito faceiro? Grande abraço, parabéns pelo blog. André

  • André Rocha diz: 8 de março de 2010

    Eduardo,

    Sua observação sobre o comportamento dos alas – ora abertos como alas, ora por dentro como armadores – é mais que pertinente.

    Mas na recomposição o time atua no 3-4-1-2, com os alas alinhando com os volantes.

    O Bota também recolheu os alas ontem e saiu do 3-2-3-2 habitual de Joel para o 3-4-1-2 exatamente por essa projeção dos alas adversários com a bola. A solução fez com que a equipe alvinegra perdesse as jogadas aéreas e isolasse Abreu.

    No mais, análise precisa.

    Grande abraço!

  • Marcos diz: 9 de março de 2010

    Lembrando q o Conca por vezes auxilia no combate e q os 2 volantes não são “fixos”. No mais, excelente análise, parabéns

  • João Vitor diz: 10 de março de 2010

    E os dois volantes sabem jogar, não são dois “cincões clássicos”, são dois “camisas 8″ que facilitam a dinâmica do esquema.

  • Preleção » Blog Archive » O Fluminense que Muricy pode apresentar contra o Grêmio diz: 29 de abril de 2010

    [...] É arriscado, sem assistir aos treinos, projetar o que Muricy pretende em sua partida de estreia. A base do post de hoje vem do noticiário da imprensa carioca – projetando a escalação, das declarações de Muricy sobre a base tática de Cuca, e de um post que publiquei no dia 08 de março sobre o Fluzão – leiam aqui. [...]

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