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3-5-2: a culpa é dos argentinos

25 de março de 2010 16

Não me xinguem. O título do post é uma piadinha com a rivalidade regional. Afinal, sou um grande fã do futebol argentino, coleciono camisas e demais materiais esportivos dos clubes de lá, e da seleção, e não tenho nada contra o futebol ou o povo do país vizinho. Mas, na leitura do livro Inverting the Pyramid, o jornalista inglês Jonathan Wilson relata a gênese do 3-5-2. E a “culpa” (uma brincadeira também com minha restrição à interpretação brasileira deste sistema tático) é dos argentinos.

O pai do 3-5-2, segundo Jonathan Wilson, é Carlos Bilardo. Técnico da seleção da Argentina na Copa de 1986, ele sempre teve predileção por estratégias cautelosas. Para ele, um time de futebol precisa de sete jogadores defendendo, e três atacando.

A criação do 3-5-2 partiu do seguinte raciocínio: frente à extinção dos pontas, na transição do 4-3-3 para o 4-4-2, por que manter laterais presos à linha defensiva? Não havia, na teoria, quem ser marcado no setor. A partir daí, Bilardo desenvolveu o novo sistema tático, que revolucionou o futebol mundial no final da década, e no início dos anos 90.

Pelos lados, havia três opções: utilizar meio-campistas – como preferiu Bilardo, com Olarticoechea e Giusti; laterais ofensivos, como fez a Alemanha na copa seguinte, com Brehme e Reuter; ou laterais defensivos, configurando o 5-3-2 – a inversão completa da pirâmide tática (afinal, o primeiro sistema tático organizado reconhecido era o 2-3-5, uma pirâmide de base alta).

No 3-5-2 da Argentina, Bilardo se dava ao luxo de manter sete jogadores defendendo, pela presença de Maradona. Em grande fase, o camisa 10 foi utilizado como um segundo atacante livre para se movimentar, ocupar espaços, driblar e levar o time para a frente. Valdano era o homem mais adiantado, e Burruchaga o meia de aproximação, completando o trio ofensivo.

Mas, como era novidade, Bilardo fez mistério. Atuou na primeira fase inteira no 4-4-2, e passou ao 3-5-2 contra a Inglaterra, no mata-mata. Fez sucesso. Combinar um meio-campo ocupado por cinco jogadores, abolir os laterais, e recuperar a figura do líbero pós-Copa de 1966, difundida pela Holanda de Cruyff, abriu um grande precedente entre equipes e seleções. Virou moda. Todos passaram a usar. Principalmente na Itália, onde este “5-3-2″ quase lembrava um catenaccio.

O contexto é muito oportuno, como bem Jonathan Wilson ampara em números: a Copa de 1990, abarrotada de seleções no 3-5-2, teve a pior média de gols da história. Foi uma copa “feia”. Cruyff disse que a substituição dos pontas pelos alas significava a “morte do futebol”. A Euro 92 teve média de gols ainda mais baixa. A Fifa procurou mudar regras para o futebol voltar à vida.

Aos poucos, o 3-5-2 caiu em desuso. Menos no Brasil, onde a prática cada vez mais comum influencia países vizinhos, como Uruguai e Paraguai. E há enclaves de resgate do 3-5-2 também na Itália. Ainda assim, é tido por Jonathan Wilson como um sistema ultrapassado e em grata extinção.

Comentários (16)

  • Bruno diz: 25 de março de 2010

    mas convenhamos, nao fosse maradona…
    o cara marcou 5 gols e deus 5 assistencias
    valdano marcou quatro e burruchaga tres, estrategia perigosa pois o time torna-se refem deles…mas deu certo

  • Roberto diz: 25 de março de 2010

    A dúvida que fica é se fizeram antidoping em Maradona nessa Copa. Ele jogava muito, mas psicologicamente sempre foi fraco.

  • Gustavo Frantz diz: 25 de março de 2010

    Odeio o 3-5-2, o futebol brasileiro vai continuar perdendo para os argentinos em libertadores enquanto manter essa filosofia.

    Sou fã do 4-5-1 e ainda quero ver a evolução para o 4-6-0

  • juliano diz: 25 de março de 2010

    não tinha sido criado na italia (?) ou alemanha esse sistema? quando que eu me lembro de times alemães usando o mesmo esquema antes disso

  • Bruno diz: 25 de março de 2010

    sera q posso considerar uma variaçao tatica do 3-5-2(na verdade 3-1-4-2) para o 3-4-3 com o avanço de burruchaga chegando como atacante e o avanço de batista pra fechar esse espaço antes ocupado por burruchaga?

  • fernando diz: 25 de março de 2010

    Nós ganhamos uma copa no 3-5-2.

  • Claudio diz: 26 de março de 2010

    Ao contrário de ti, eu gosto deste esquema. O Inter deveria ser escalado desta forma, pois seus jogadores se adaptariam melhor a este esquema. A minha escalação do Inter neste esquema seria: Abbondanzieri; Sorondo; Índio e Eller; Sandro (como centro-medio); Giuliano, Andrezinho, Guiñazu e Kléber (formando uma linha de quatro); D’Alessandro e Alecsandro (no ataque). E pedir para que os alas Giuliano e Kléber vão até a linha de fundo para cruzar e não cruzar da intermediária pois facilita a vida dos zagueiros adversários.

  • Vinicius diz: 26 de março de 2010

    Eu não gosto de futebol Faceiro, de muito toque de bola e drible, mas abomino o 3-5-2, também não gosto do futebol brasileiro, eu sou fã do 4-4-2 Inglês de 2 linhas, a ocupação de espaços é perfeita, e tendo jogadores de qualidade o time se torna praticamente imbatível, e claro, tendo uma boa estratégia dentro dessa formação, porque só a disposição tática por si não resolve muita coisa… eu gosto de um jogo mais carregado de velocidade, depositado nos lados do campo, pelos wingers, e não aquele jogo chato e centralizado de vários toques que vimos por aqui e na espanha, gosto tambem da bola longa, à Inglesa, ligação direta do zagueiro com o centroavante, no pé, ou botando pra correr, ou então aciona um Winger pra botar na cabeça do centro avante(eu gosto de gols de cabeça e jogada aérea em geral), o contra ataque tambem é uma estratégia de jogo que gosto de ver, os jogadores tem que ter um raciocinio muito rápido para dar certo em um esquema de contra ataque, na minha opinião, melhor que o “Barcelona/Arsenal Style” eu não tenho paciencia pra assistir um jogo de toques apoiados, com o rítimo, um timing um pouco lento
    gosto de um jogo mais rápido, como era jogado na inglaterra antigamente(eu vejo vídeos da época, afinal nasci em 1992), um time que gostei de assistir, foi a Noruega de Egil Drillo Olsen, a bola longa sempre para seu centroavante, o mais famoso dos três irmãos Flo Tore Andre Flo correr atrás, defesa sólida e que marcava bem, no jeito defensivo eu gosto da Zona, acho marcação individual meio ‘furada’ assim como tu explicou no post do Gioco All’Italiana, mas adimiro times que marcam duro, um dos exemplos é o Stoke City. Cecconi, tu viu Napoli e Juventus ontem? eu gostei do jogo pelo estilo mais pegado, e dois gols do napoli, os dois primeiros foram de cruzamento, o terceiro não vi… mas foi um dos jogos que posso dizer que foi bem “ao meu estilo”

  • Joao D Caetano de Oliveira diz: 26 de março de 2010

    Agora sim eu acredito que esse sistema pode dar certo, basta ter um Diego Armando Maradona como o segundo atacante, fácil. Quem sabe o Internacional compra o Messi? Aí o sistema do Fossati daria certo. O que me impressiona é o fato do Fossati dizer que esse é o sistema que melhor se adapta ao grupo de jogadores do Internacional. É por isso que ele deveria ser demitido, afinal, como ele pode afirmar esse tipo de coisa quando nao consegue encontrar, nesse grupo de jogadores, um que seja capaz de ser o segundo atacante? Isso prova que ele chegou com um esquema na cabeça e quiz impor isso aos jogadores. Com o agravante de que ele nao admite esse fato e fica discursando que o esquema nao tem importancia e que será decorrencia do que existe no grupo de jogadores. Ele pratica uma açao contrária ao discurso, o que é inaceitável.

  • André Rocha diz: 26 de março de 2010

    Cecconi,

    Assisti a todos os jogos da Argentina em 1986 para colaborar com o Mauro Beting no livro “As melhores seleções estrangeiras de todos os tempos”. Do que observei, o Giusti não jogava exatamente como ala pela direita. Ele era um volante que cobria o setor. O esquema era muito móvel e tanto Cuciuffo quanto Ruggeri cobriam o setor e Henrique e Burruchaga também procuravam o setor.

    Era um 3-3-2-2 meio “torto” e que às vezes congestionava muita gente atrás. Quem popularizou mesmo o 3-5-2 foi Sepp Piontek com a Dinamarca no mesmo Mundial do México. Até porque era mais funcional e interessante de ver.

    No mais, sugiro a leitura da obra citada acima e uma visita ao meu novo blog. O post mais recente é sobre o Internacional de Fossati. “Colei” muita coisa daqui lá. Hehehe

    Abração!

    Resposta do Cecconi: olá André. Valeu pelo acréscimo. Como eu sempre reitero nesta série de posts, só estou democratizando o que está no livro, ou seja, só transmito ali o resultado das pesquisas do Jonathan Wilson, no máximo trazendo uma contextualização mais atual. Sobre teu blog, estou acompanhando sim. Grande abraço.

  • Marcos Alves. diz: 26 de março de 2010

    Esse e’ um debate bem interessante. Vejamos:
    - O 3-5-2 fez duas selecoes campeas do mundo: Argentina de 86 e Alemanha de 90, alias repetindo a final entre si.
    a) O sistema e’ eficiente quando bem montado.
    b) O sistema foi eficiente com a Argentina em 86 por que era novidade e pegou os demais de surpresa.
    c) O sistema foi eficiente com a Argentina em 86 porque o genio Maradona supria a falta de atacantes, jogando por dois ou tres.
    d) O sistema foi eficiente com a Alemanha em 90 porque praticamente todas selecoes tinha a mesma tatica espelhada, inclusive o Brasil.

    - O Sao Paulo de Muricy foi tricampeao brasileiro 06/07/08 com o 3-5-2.
    a) O sistema e’ eficiente quando bem montado.
    b) O sistema foi eficiente com o Sao Paulo devido a fragilidade das demais equipes.
    c) O sistema foi eficiente com o Sao Paulo porque o time tinha as pecas certas para este padrao, com alas apoiadores, zagueiros bons de cobertura e atacantes de movimentacao.

    - O 3-5-2 foi uma alternativa a extincao dos pontas, uma vez que nao era mais necessario manter os laterais fixos na defesa (no entanto precisariam de cobertura para subir).
    a) Nao e’ possivel fazer a cobertura dos alas com apenas dois zagueiros.
    b) Os alas nao costumam ser bons marcadores e bons marcadors nao costuma ser bons alas.

    - o 4-4-2 (ou 4-2-2-2, ou 4-2-2-1-1) e’ ‘o esquema que melhor distribui os jogadores em campo e equilibra o ataque e a defesa.
    a) E’ possivel fazer a cobertura da subida do lateral/ala com os zagueiros e volantes.
    b) E possivel encontrar laterais/alas que sejam bons marcadores e eficientes no apoio.
    c) Pode-se revezar a subida dos laterais/alas.
    d) Pode-se utililar um lateral marcador mais fixo em um dos lados e um ala apoiador do outro, compensando o equilibrio dos lados com os jogadores do meio do campo (volante marca o lado apoiador, meia apoia pelo lado do marcador).

    - O 3-5-2 faz o jogo ficar feio, com muita marcacao e pouca criatividade (a nao ser que se tenha um Maradona no time).
    a) O 3-5-2 ‘a Lazaroni de 90, ou ‘a Muricy de 06/07/08, ou ainda ‘a Fossati, deve ser extinto por enfeiar o futebol.
    b) O 3-5-2 seja de quem for deve ser abolido e proibido para agradar a imprensa romantica.
    c) E’ muito melhor montar um time competitivo, marcador e com equilibrio no meio e ataque no 4-4-2.

    - O 4-3-3 foi extinto.
    a) Nao se fabricam mais ponteiros como antigamente.
    b) Nao se fabricam mais laterais exclusivamente marcadores como antigamente.
    c) Nao se fabricam mais um conjunto de tres meio campistas que completem marcacacao, armacao e ligacao com o ataque como o antigamente.
    d) O 4-3-3 era muito previsivel e facil de ser marcado.
    e) O futebol atual exige atacantes de muita movimentacao por todos os lados.
    f) O futebol atual exige uma maior concentracao no meio campo.

    Bom para finalizar, nao estou entendendo a cobranca da imprensa com o Fossati.
    - Reclamavam que ele teimava no 3-5-2.
    - Ele mudou para o 4-4-2 e agora o criticam por falta de conviccao.

    Entao:
    a) O plantel do Inter foi mal montado nesse ano.
    b) O time tem potencial, mas o tecnico nao esta conseguindo fazer render o melhor de cada jogador individualmente.
    c) Os esquemas utilizados nao foram adequados.

    Abraco,

    Marcos.

  • Diego Westphalen diz: 26 de março de 2010

    Só corrigindo o amigo, o 3-5-2 venceu 3 Copas do Mundo, 86, 90 (com a final entre 2 equipes no 3-5-2) e 2002. Ou seja, de 6 Copas do Mundo de existência do 3-5-2, esse esquema foi vitorioso em 3. Eu diria que é uma boa média.

    O 3-5-2 do São Paulo foi tri-campeão brasileiro em 06/07/08, e mesmo o Flamengo de 2009 alternava 4-4-2 com 3-5-2. A propósito, em 2008, dos 5 primeiros colocados do brasileirão, 4 usaram 3 zagueiros em grande parte do campeonato.

    O último título de expressão do Grêmio foi no 3-5-2, naquele ótimo time do Tite. E o Inter campeão da Libertadores usou do 3-5-2 várias vezes, algumas com o Edinho de terceiro zagueiro, e outras com Bolívar, Indio e Fabiano Eller. Foi assim que jogou a final da Libertadores e se sagrou campeão.

    O Inter de Fossati era crucificado no 3-5-2, mas alcançava resultados. O Inter de Fossati no 4-4-2 tão pedido pela crônica esportiva está invicto: não ganhou NENHUM JOGO, enfrentando apenas adversários fracos. Contra PELOTAS e SÃO JOSÉ, levou 5 gols! Alguém tem dúvida que a mudança de esquema piorou o time do Inter?

    Será que o esquema é ultrapassado mesmo ou nós estamos diante de uma birra que confunde o numero de zagueiros com defensivismo, e o numero de atacantes com ofensividade?

  • Guilherme Leites diz: 26 de março de 2010

    Cecconi, deixa eu te perguntar uma coisa…quem criou o 3-5-2 não foi a Dinamarca, campeã da Eurocopa de 88? Sempre pensei que eram eles os pioneiros desse sistema…Gostaria de um esclarecimento.

    Abraço!

  • Antonio diz: 26 de março de 2010

    Oi Cecconi, parabéns pelo Blog. Um dos mais agradáveis de se ler. O time da Argentina em 86 era bem inferior ao de Mario Kempes em 78, mas tinha Maradona e aí sabemos como terminou a história. Sobre a ótima discussão da “sopa de números”, cada vez me sinto mais confortável em dizer que não existe esquema ruim, existem jogadores ruins. Jogar no 352 com zagueiros lentos e alas que não sabem compor o meio campo é suicídio. Da mesma forma usar o 352 sem um zagueiro que saiba jogar de volante caso o adversário só tenha um atacante é burrice ( qual a lógica de 3 para marcar um?). Moral da história: quer jogar no 352 ? Arrume dois zagueiros rápidos como Lúcio e Miranda e outro que tenha senso de posicionamento / cobertura como Gamarra. Ah! Um deles deve saber sair jogando como Mauro Galvão. Caso contrário abandone a idéia.

  • Claudio Sacramento diz: 26 de maio de 2010

    Penso que para o momento que vivia o futebol argentino na época o 3-5-2 inventado por Bilardo foi uma grande solução para a seleção argentina. Se naquele momento só existiam Valdano e Burruchaga como diferenciados jogadores argentinos ofensivos e Maradona no melhor momento da sua carreira, então fechar o time e deixar por conta dos 3 o trabalho de frente era a melhor solução mesmo. Se somarmos isto à possibilidade de esconder o 3-5-2 durante a Copa (afinal era uma novidade), como disse o Cecconi, acabou sendo uma arma de Bilardo contra os adversários mais qualificados.

  • Claudio Sacramento diz: 26 de maio de 2010

    Mas incluindo algo mais importante, na minha opinião, quero deixar claro que penso que para o bem da seleção argentina naquela copa o 3-5-2 foi a melhor opção. Mas a invenção de Bilardo fez mal ao futebol. Sem querer ele acabou deixando o futebol chato entre o final dos anos 80 e início dos anos 90.

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