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Silas completa a primeira etapa

26 de março de 2010 20

Minha principal crítica ao trabalho recente de Silas no Grêmio tinha relação com a falta de uma “mecânica de jogo”, como popularmente se chama a sincronia de movimentos entre os mais diversos pequenos grupos de jogadores distribuídos conforme o sistema tático escolhido. Essa carência se dava principalmente pelas indefinições de tática e escalação: Silas passou do 4-5-1 para o 3-5-2, depois para o 4-4-2, mas ainda sem convicção; e alternou a formação diversas vezes, não apenas por lesões e suspensões, mas também por escolhas pessoais.

Entretanto, a indefinição se desfez. Há cinco jogos Silas repete o sistema tático e a escalação do Grêmio. A primeira etapa na formação de uma equipe competitiva foi atingida: repetição. E, a reboque desta sequência, começam a aparecer movimentos organizados, ainda incipientes, mas alentadores para os torcedores gremistas.

O Grêmio já não busca exclusivamente o pivô – antes com Borges, depois com William, e às vezes com Jonas. Agora há apoio alternado dos laterais, assessoramento de Maylson pela direita, avanço comedido dos volantes, e centralização da articulação ofensiva em Douglas. Além do pivô, existe a bola aérea, o chute de média distância, e a infiltração pelo chão com as assistências longas do “regente” da equipe.

A ressalva permanece: os adversários são de Gauchão e de início da Copa do Brasil. Mas a análise se presta à comparação do Grêmio que ontem venceu o Novo Hamburgo, com o mesmo Grêmio de algumas semanas atrás – dominado, por exemplo, pelo próprio Novo Hamburgo na decisão do primeiro turno do Estadual. É evidente o crescimento do desempenho. Nada empolgante, mas houve evolução. E, se na hora dos problemas é feita a crítica, quando a equipe evolui é preciso parabenizar o técnico.

Silas acerta na manutenção deste 4-4-2 com dois volantes centralizados, e dois meias adiantados e pouco mais abertos pelos lados. Acerta na fixação de Mário Fernandes na zaga (sempre defendi que este é o lugar do garoto, exímio no desarme limpo, na antecipação, e na velocidade de recuperação). Acerta em oferecer protagonismo a Douglas. Acerta na alternância dos laterais e dos volantes, que não mais desguarnecem a equipe subindo simultaneamente. E estão de fora Borges, Leandro, Souza, Hugo…

Ainda tenho restrições à filosofia de futebol do técnico gremista. Ele costuma recair ao defensivismo quando se sente acuado. Foi assim contra o Votoraty, foi assim na decisão da Taça Fernando Carvalho, sempre com substituições discutíveis. Talvez esta evolução, consolidando um desempenho regular e equilibrado, possa também levar Silas a não ter mais recaídas. Alcançando maturidade tática para as próximas etapas: variações, novas combinações, jogadas diferentes…

Comentários (20)

  • AILSON GAMARRA diz: 26 de março de 2010

    Cecconi, se me permite discordar, eu considero que o Grêmio atua num 4-4-2 em losango. A primeira vez que se percebe esse esquema foi no jogo Universidade x Grêmio, justamente estréia do Douglas… creio que desde que o camisa 10 do Grêmio foi contratado, Silas ficou com a dúvida: “onde usá-lo para tirar o máximo proveito de sua qualidade”? No 4-5-1 que Mano fez pra ele no Corinthians? No 3-5-2 que teoricamente o deixaria com mais liberdade? No 4-4-2 como winger? Desde aquele jogo Silas usou-o como ponta de lança no losango, e casualmente Maylson – que hoje é destaque do time – atuou naquela partida, do mesmo jeito que vem atuando hoje… eu até comentei no seu post, dizendo q ele havia atuado na segunda linha, à direita… é assim que eu vejo o meio campo do Grêmio: Ferdinando no primeiro vértice com Adilson e Maylson alinhados sem bola; e com bola, Maylson sobe, Adilson guarda posição; enquanto isso, Douglas joga no vértice adiantado do losango, com liberdade, protegido por estes 3 homens com capacidade de marcação e mobilidade para ”voltar”. Douglas atua na faixa central, de lateral à lateral… prova disso é que nas últimas partidas finalizou da direita e da esquerda… é obvio que por jogar de costas e ser canhoto, vai preferir puxar para o meio, mas tenho que visto que quando Maylson cobre Edilson, Douglas flutua para a direita; ao receber a bola, gira e traz para o meio… quase marcou um gol assim contra o Votoraty… é assim que eu vejo o time. O que acha?

    Resposta do Cecconi: Ailson, no post anterior que escrevi sobre o Grêmio – o da final da Taça Fernando Carvalho – tem uma foto da disposição dos jogadores, mostrando este desenho com dois volantes e dois meias abertos. Dá uma conferida, é só ir em “Categorias”, depois “Grêmio”, no menu da direita do blog. Abraços.

  • Guilherme diz: 26 de março de 2010

    Ao meu ver..essa “evolução” ocorreu apenas porque o Silas foi obrigado pelas lesões dos “craques” a montar um time mais equilibrado.

    No entanto, a melhor campanha se dá por termos disparado o melhor plantel do gauchão….porque em termos de time…o Novo Hamburgo é o melhor time da competição….time compacto, bem organizado…cujas deficiências ocorrem justamente pelo fato dos jogadores serem de nível mais baixo.

    Infelizmente essa boa campanha nos levará a um fracasso monumental no decorrer do ano.

  • Jonathan diz: 26 de março de 2010

    E eu achei que era proibido falar sobre o Grêmio por aqui… Só post do Inter.
    -
    Tá certo em parte o Adilson Gamarra. O Grêmio tem 3 variações táticas. A inicial é o 4-4-2 brasileiro. Com a bola, Maylson avança, Jonas recua e Douglas centraliza. Um 4-3-3 ou 4-5-1. E, para contra-atacar, o Maylson recua, formando um losango. Os atacantes abrem bastante e o Douglas puxa o contra-ataque.
    -
    Realmente, no último post que fizeste, o Grêmio jogava claramente assim, no 4-4-2. SÓ QUE FOI A UM MÊS, O TIME TINHA ROCHEMBACH E HUGO NO MEIO DE CAMPO. Impossível comparar com o atual. Mas é claro, se parasse por um segundo de prestar atenção no Inter e fizesse o mínimo de dever-de-casa sobre o Grêmio, saberias isso, Cecconi.

    Mas entendo, é difícil sendo setorista do Inter e cobrindo treino dos morangos…

  • Francisco (Bagé-RS) diz: 26 de março de 2010

    Neste esquema, uma peça fundamental, ou talvez a mais fundamental é o Maylson, devido a dupla função que ele recebeu, pois quando o Grêmio é atacado, ele vira um terceiro volante, completando junto tom Adilson e Ferdinando, e quando ataca, vira mais uma opção na armação das jogadas, tabelando com o Douglas ou até indo ao ataque, desta forma, o Grêmio ataca qualificadamente, e ao mesmo tempo marca a saida de bola do adversário. Assim vejo nele uma das principais armas do Grêmio para seguir essa invencibilidade, e talvez não haja no plantel um outro jogador que desempenhe esta função tão bem.

  • Ademir Neissinger diz: 26 de março de 2010

    Olá Cecconi, legal esse post né, porque de uns tempos pra cá os “pensadores do futebol brasileiro”, deixaram de lado esse feijão com arroz? É o esquema classico do futebom brasileiro, e foi deixado de lado.
    O Silas faz muito bem em reeditá-lo no Gremio, num futuro proximo com o Borges, e quem sabe com Leandro ou Souza a disposição, esse esquema possa se tornar ainda melhor, tendo a qualidade necessaria do meio pra frente, para encarar grandes times, o que ainda nao aconteceu com o Gremio !!! Jogou 1x com o Inter e perdeu!

    Sou colorado, mas ja começo a admirar o tecnico gremista, é um cara moderno sim, viaja , faz workshops na europa com o Guardiola, com o Mourinho e parece que é humilde, principalmente na sua declaraçao de apoio ao Fossati.

    Esse cara vai longe, tomara que nao contra o Inter heheheheh

  • PAULO diz: 26 de março de 2010

    O GREMIO PODE ESTAR RENDENDO AGORA MAS ASSIM QUE ENFRENTAR UMA EQUIPE FORTE IRA PERDER. FOI ASSIM NO ÚNICO JOGO DO GRÊMIO NO ANO, O GRENAL, E CONTRA PROVAVELMENTE O CORITIBA NA PRÓXIMA FASE DA COPA DO BRASIL SERÁ TAMBÉM.

  • Guilherme diz: 26 de março de 2010

    Quando todos voltarem creio que o time deve ficar assim:
    Victor
    Souza (ou Edílson)
    Mário
    Rodrigo
    Lúcio (ou Fábio Santos)
    Adílson (ou Fernando ou Ferdinando ou ainda uma contratação – Battaglia p. ex.)
    William Magrão (ou Adílson ou Fernando)
    Maylson (ou Souza)
    Douglas
    Jonas (ou Mythiuê)
    Borges

    O esquema permanece e, com o acréscimo de qualidade, a tendência é crescer ainda mais.

  • Paulo Paiva diz: 26 de março de 2010

    Grêmio competitivo ou Inter em baixa? O Grêmio continua jogando a mesma droga que vem apresentando desde o início do campeonato. Coincidentemente, após o fiasco do Inter, passou a ser um time de ponta, pronto para derrotar “Novo Hamburgos”, “Juventudes”, Veranópolis” e demais grandes clubes do futebol brasileiro. Brincadeira deveria ter hora!

  • Vinicius diz: 26 de março de 2010

    Cecconi, concordo plenamente com o Aílson, naquela foto que tiraste na final da taça fernando carvalho (trabalho que considero muito legal) o time atuava diferente com o Hugo aberto pela esquerda e o Douglas centralizado um pouco mais á direita. Agora o time do Grêmio joga com o Adílson na esquerda, Maylson na direta e o Ferdinando centralizado com o Maylson subindo mais que o Adílson, exatamente como descreveu o Aílson.

    E o Fábio santos sobe mais do que o Edílson justamente pra equilibrar o lado esquerdo e direito… eu já tinha escrito isso à uns 3 posts atrás. Pode até ser uma questão de “ótica” mas no meu modo de ver o colega Aílson está 100% certo.

  • Roberto diz: 26 de março de 2010

    Cecconi, lembro de no post anterior falaste da indefinição defensiva pela falta de um volante de contenção eficiente. Acreditas que Ferdinando está cumprindo agora essa função satisfatoriamente? E como fazer para acomodar nesse time Mithyuê, quando Borges voltar, se é que achas adequado? Abraço

  • Rodrigo De Ros diz: 26 de março de 2010

    Concordo com Ailson, o Grêmio para mim Ontem começou jogando com duas inhas no meio campo mais logo passou para as três linhas em formação de losango, até escrevi um post sobre este posicionamento, da forma como eu anlisei o jogo táticamnete, e lá coloquei os dois momentos do Grêmio no jogo de ontem. Se puder dar uam conferida e me dar a sua opinião, ficaria honrado. Sou seu fã Cecconi.

    o link é http://hojesporte.blogspot.com/2010/03/douglas-o-cerebro.html

    Cheers

  • Marcelo diz: 26 de março de 2010

    Cecconi, ótimo post! O padrão de jogo construído pelo Silas tem méritos, e se apresenta na construção de jogadas durante o jogo de ontem, com muitas opções, pelos lados e pelo meio com o Douglas. Tu concorda com a entrada do Maylson, que pode marcar melhor que o Hugo, nesta posição? isso ta dando mesmo consistência ao meio campo, ou é fruto de posicionamento e acerto dos volantes?

  • VICTOR diz: 26 de março de 2010

    Fala Cecconi, concordo com a tua análise. O Douglas faz a meia-esquerda, mas também centraliza na armação. O Guri Mayson jogou nas costas do Lateral esquerdo do Nóia. O que deixou o Grêmio jogando quase que exclusivamente pela direita. Era estratégia do Silas. Quanto ao teu último parágrafo, essa disconfiança é compreensível, mas eu entendo o treinador. O que mais importava pra ele, e para o emprego dele era o resultado naquele momento. Acredito que quando o time alcançar o patamar que esse time tem capacidade, ele poderá sim arriscar um pouco mais. A evolução do time dirá.

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  • Carlos A C (100% 1ª) diz: 26 de março de 2010

    Eu quero ver o portoalegrense pegar um time forte para ver se é tudo isso, até agora o único confronto com um adversário de peso que ele teve, perdeu, que foi o GRENAL. è muita marra para muito pouco futebol, como sempre!!!!!

  • ander diz: 26 de março de 2010

    DEUS te ouça!

  • Carlos diz: 26 de março de 2010

    Aê Cecconi, podes matar minha curiosidade acerca da equipe do São José?? Abs.

  • Rodrigo diz: 26 de março de 2010

    Carlos A C (100% 1ª) diz

    Marra é a tua cara, o post é sobre o Grêmio e tu vem te meter onde não foi chamado.
    Vai cuidar do teu time que é o melhor da galaxia e seus torcedores os mais “humildes” da face da terra, como demonstrou o teu comentário ridículo.

  • Roberto diz: 26 de março de 2010

    Carlos AC, neste momento tem duas coisas que prefiro:
    a) ter perdido o Gre-nal de Erechim, porque a vitória por acaso do teu time só serviu pra mascarar seus defeitos;
    b) ter caído duas vezes pra segunda divisão e ainda assim ser o primeiro no ranking nacional, muitas posições na frente do teu time.
    Espero que continues assim, feliz com o que vem acontecendo. Tanto quanto eu.

  • Fred Bastos diz: 27 de março de 2010

    Cecconi,

    O esquema está consolidado. Parece que a discussão agora é no que tange às peças do esquema, principalmente quando os lesionados voltarem.

    Mas acho que a única ressalva técnica no time titular é o Ferdinando. William é banco quando Borges retornar e Maylson não pode sair do time pela simples setinha azul para trás que você colocou ali no diagrama.

    Com essa ideia de volantes postados lado a lado, não haveria problema algum em preterir o Ferdinando e colocar o Magrão, mesmo ele e o Adílson tendo características de movimentos verticais. E só adequar um sincronização de movimentos com alternância de subidas.

    E o Leandro e Hugo? Ótimas opções no banco. E se quiserem o colete, que o façam por méritos não pelo carteiraço.

    O que acha?
    Abraços.

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