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Gerrard, sem improvisos. Aleluia!

29 de março de 2010 13

Quem acompanha o Preleção há mais tempo conhece minha oposição ao uso de Gerrard como o “número 1″ do Liverpool. Basta acessar a categoria “Liverpool” no menu à direita do blog para conferir. Há mais de uma temporada o técnico Rafa Benítez desperdiça o talento e violenta as principais características de Gerrard utilizando-o equivocadamente como um mero coadjuvante de Fernando Torres, refém de zagueiros, em nome do defensivismo.

Com o naufrágio de Robby Keane, e a chegada de *Mascherano, Benítez decidiu adiantar Gerrard. Trocou um box-to-box por um segundo volante na faixa central, e abdicou de um segundo atacante. Formou um 4-5-1 desdobrado em 4-4-1-1. Havia outra alternativa: a troca simples de Keane por Kuyt – mas o holandês permaneceu na extrema-direita da segunda linha, embora atue como centroavante na seleção holandesa.

Xabi Alonso foi embora, mas Benítez não reconsiderou a estratégia recente. Promoveu o também volante Lucas, manteve Gerrard improvisado, e insistiu com Kuyt na asa-direita do meio-campo. À época, o novo argumento era a ausência de bons wingers, mesmo que Babel estivesse arquivado, fora dos planos.

Gerrard é um box-to-box. Jogador que precisa de campo para jogar. Não sabe atuar próximo dos zagueiros, nem de costas para o gol. O camisa 8 do Liverpool tem como principais características o lançamento longo, e a conclusão de média distância. O raciocínio é bem simples: preciso lançamento longo + chute potente de média/longa distância = posicionamento inicial na segunda linha de meio-campo. Quanto mais próximo da área, menos Gerrard pode executar lançamentos, menos Gerrard pode surpreender goleiros, menos Gerrard participa da articulação, menos Gerrard domina a segunda bola, e mais a equipe se priva do seu melhor jogador.

Ontem, na vitória de 3 a 0 sobre o Sunderland, Rafa Benítez fez o óbvio: o ex-arquivado Babel na extrema esquerda, o recente reforço Maxi Rodríguez na extrema direita, Kuyt de segundo atacante, Torres de centroavante, e Gerrard de box-to-box. Como fã do camisa 8, empolguei-me a ponto de quase estourar foguetes na janela de casa. Estaria Rafa Benítez febril? Seja qual for a causa, é preciso aplaudir o fim da hipnose. Que o técnico do Liverpool adote esta formação como o time prioritário do Liverpool.

O 4-4-2 britânico, em duas linhas de quatro jogadores, não prescinde de duas figuras: os wingers e o box-to-box. Dois jogadores velozes pelos lados da segunda linha, e um apoiador de qualidade no passe e precisão no chute distribuindo o jogo. Durante mais de uma temporada, o Liverpool emaranhou-se em improvisos e decisões incompreensíveis de Benítez. Ontem ele fez o feijão-com-arroz. Um box-to-box, dois wingers, um segundo atacante…e venceu fácil. Criou 29 oportunidades de gol, e teve 63% de posse de bola. Amplo e irrestrito domínio da partida.

Esta é a melhor notícia para os ingleses em muitos meses. Gerrard, um jogador que precisa de uma extensa faixa central de campo para render – como simula a área em vermelho do diagrama tático que ilustra o post – vem atuando de improviso como “número 1″ no Liverpool, e de improviso como winger na seleção. Caiu de produção, mergulhou em má fase. Voltou a jogar “na dele”. Gerrard é box-to-box, e ali precisa atuar para voltar a ser o Gerrard que, não faz muito, brilhava.

Que a escalação de ontem não seja circunstancial, apenas. Torçamos para ver Rafa Benítez repetindo esta formação do Liverpool. Pelo bem, como sempre reitero, do futebol.

*Post corrigido

Comentários (13)

  • Bryan diz: 29 de março de 2010

    Eduardo , queria saber se vc viu o jogo do chelsea , que venceu de 7×1 o aston villa e se vc gostou do esquema 4-2-3-1 no segundo tempo e do lampard como meia central.

    Resposta do Cecconi: não assisti com muito critério, estava ocupado com outras atribuições. Me pareceu praticamente um 4-3-3, mas vou tentar buscar mais referências para saber se consigo fazer esta análise. Valeu Bryan. Abraços.

  • FALCÃO GRENÁ diz: 29 de março de 2010

    Faz a análise do Caxias ai Cecconi!!! Hehe…

  • André diz: 29 de março de 2010

    eu disse à algum tempo que essa era a melhor escalação do Liverpool(mas com Fábio Aurélio no lugar do Insua)
    PS: Eu tive a impressão que o Kuyt jogava pela direita e o Fernando Torres pela esquerda

  • juliano diz: 29 de março de 2010

    aleluia mesmo, isso de colocar ‘volantes’ como meia , quase segundo atacante no caso do liverpool, é algo terrivel, e que pelo visto não afeta só técnicos brasileiros

  • Fefa diz: 29 de março de 2010

    “Com o naufrágio de Robby Keane, e a chegada de Xabi Alonso” Xabi Alonso estava lá desde 2004, isso não faz sentido nenhum.

    Resposta do Cecconi: eu quis dizer Mascherano. Já corrigi. Mil perdões.

  • Alessandro Hokama diz: 29 de março de 2010

    Ola Edu,

    como você deve saber também sofri muito com o gerrard jogando no lugar errado….finalmente o Benetiz acordou.

    Eduardo, qual jogo você irá analisar nessa rodada de champions, na teça e quarta feiras?

    Abraços

  • Roberto diz: 29 de março de 2010

    E no Grêmio, te parece que William Magrão e Maílson sejam, na verdade, box-to-boxes?

  • Bryan diz: 29 de março de 2010

    ao meu ver foi um 4-2-3-1 mesmo com deco e mikel como volante, malouda como meia esquerda joe cole como direita e lampard como meia central , sendo anelka o unico atacante.
    obs : eu tambem acho que a posição do gerrard é de box-to-box mesmo mas o que fez ele ter a melhor temporada pelo menos individualmete de sua carreira atuando como meia central?

  • Bryan diz: 29 de março de 2010

    Estou falando da temporada 2008-2009.

  • Alberto diz: 30 de março de 2010

    Benitez acordou tarde, a vaca já foi pro Brejo…a quarta vaga para a Champions será do Tottenham finalmente! Abraços.

  • Everton diz: 30 de março de 2010

    Você quis dizer com a saída do Xabi Alonso, muito equivocada a sua frase, pois, ele estava desde 2004 no Liverpool.

    Resposta do Cecconi: não, eu quis dizer com a chegada do Mascherano. Já corrigi. Mil perdões.

  • Roberto diz: 30 de março de 2010

    Cecconi, te fiz uma pergunta que ficou sem resposta: te parece que William Magrão e Maílson têm perfil de box-to-box? Tá certo que não diz respeito ao Gerrard, mas tua resposta me interessa, porque acho que os dois têm potencial para essa função, especialmente o primeiro. Abraço

    Resposta do Cecconi: Roberto, fica difícil analisar porque eles não são utilizados em sistemas que se utilizam desta funçã. Mas, me parece, ambos poderiam fazê-la – o Magrão com uma característica mais defensiva, mas com bom chute de média distância, e o Maylson como um apoiador, conduzindo a bola para a frente. Abraços.

  • Jonas Rafael diz: 31 de março de 2010

    Não acha que esse é o caso do Douglas no Grêmio também Cecconi? Acho que ele não é o gêmeo do Souza como o Silas entendeu. Embora não finalize tão bem quanto Gerrard (ainda mais no Grêmio, onde não acertou nenhum chute ainda, mas sei que ele conclui melhor do que mostrou até agora) sabemos que ele é um armador nato, é o cara do passe longo, da construção de jogadas, do “pensamento do jogo” e não o tabelador com atacantes. Ess função o maylson está fazendo bem até aqui, mas será que com a exigência maior dos times maios fortes ele vai dar conta do recado? É isso o que idealmente eu esperava que o Leandro fizesse.

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