Nesta temporada, o Estudiantes recorreu a uma fórmula bastante utilizada no futebol brasileiro: resgatar seus jogadores recentemente negociados no mercado externo. Repatriou Sosa, um exímio meia-atacante esquerdo, e também o oportunista Gastón Fernández. No papel, mantidos Verón, Braña, Boselli, Desábato, Angeleri, Pérez, o Estudiantes de Sabella tem um time titular ainda mais forte do que o campeão da Libertadores em 2009.
Mas o sistema 4-4-2 em duas linhas de quatro jogadores, bem escolhido por Sabella na temporada passada, ainda não emplacou. Pérez está em má fase, e o técnico do Estudiantes não parece confiar na força defensiva de seus laterais - principalmente Clemente Rodríguez. Dessa forma, ele repete em 2010 o sistema tático escolhido para defrontar o Barcelona no Mundial da Fifa: o 3-5-2, com variação para 3-6-1.
Ontem, na vitória de 2 a 0 sobre o Juan Aurich, no Peru, o Estudiantes começou no 3-5-2. A estratégia é bem semelhante à aplicação brasileira dos sistemas com três zagueiros. Os laterais, principalmente Angeleri na direita, apoiam pouco. Sem a bola, forma-se um paredão de cinco jogadores defensivos, somando os alas-lateralizados com o trio Cellay, Desábato e German Ré.
No meio-campo, segue a parceria centralizada. Braña como primeiro volante, e Verón como box-to-box, marcando por dentro e saindo para a armação cadenciada e inteligente, de exceção como craque que é, do meio para a direita. Pouco mais adiantado está Sosa, aberto pela esquerda. No ataque, Gastón Fernández e Boselli movimentam-se, com o segundo mais posicionado na função de centroavante de referência.
Na prática, entretanto, o sistema varia para o 3-6-1. Fernández recua por ambos os lados, sem a bola, dependendo do setor pelo qual avança o adversário. Ele auxilia o ala que está sendo atacado, e ao mesmo tempo compensa a ausência de um segundo volante - Verón sabe marcar com posicionamento e dedicação, mas não é um "Braña", combativo.
O problema - se é que isto se configura em problema - é a viciação ofensiva pela esquerda. Notem no diagrama tático que ilustra o post: Sosa abre pela esquerda, e Clemente Rodríguez apoia mais do que Angeleri. Essa parceria naturalmente atrai Fernández para a triangulação. Não há jogadas pela direita, praticamente. E Verón se força a fazer a transição ofensiva sempre buscando Sosa.
Apesar da previsibilidade, deu certo. Foi com Sosa que o Estudiantes construiu a jogada do primeiro gol, em bela jogada individual do camisa 7, que serviu a Fernández. Braña, em golaço de fora da área, completou o placar.
A contextualização mais importante para a permanência do 3-5-2/3-6-1 é trazida pelo amigo Renato Zanata, o @zanatalabruja do Twitter, cronista especializado em futebol argentino, torcedor pincharrata, e abnegado consultor do blog Preleção para análises de clubes da Argentina. Pérez não vive boa fase. Angeleri está retornando de lesão, ainda incostante. Isso é fundamental para entendermos a escolha de Sabella.
Parece-me - posso estar enganado - que a tendência lógica é, aos poucos, sacar um zagueiro e dar uma nova chance a Pérez. Com ele e Sosa abertos pelos lados, como wingers, e uma linha defensiva bem planejada nas coberturas aos laterais, tendo Braña e Verón centralizados - um volante e um box-to-box - e a dupla Fernández-Boselli na frente, o Estudiantes poderia reproduzir o brilhante 4-4-2 em duas linhas campeão da Libertadores 2009, e com acréscimo de qualidade nas contratações - uma formação mais equilibrada, com jogadas pelos dois lados.
Se isso acontecer, os adversários que se preparem. O Estudiantes se tornaria forte candidato ao título novamente. Competitivo, organizado, e com sobra de talentos individuais.











