Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros

Na (contra) mão inglesa

07 de abril de 2010 20

Aconteceu hoje o que se repete há praticamente duas temporadas no Manchester United. Sir Alex Ferguson recorre ao “sistema para jogos de Champions League e clássicos da Premier League”, com uma estratégia defensiva. E deixa a competição europeia, com merecimento, apesar da vitória de 3 a 2 sobre o Bayern de Munique, no Estádio Old Trafford.

O Manchester United atuou no 4-5-1, com duas variações. Sem a bola, a equipe apresentava um desdobramento em 4-1-4-1. Entre as duas linhas, Carrick centralizado; no meio-campo, Valencia e Nani de wingers marcandos os laterais, Fletcher e Gibson por dentro, sobre Van Bommel e Schweinsteiger, e Rooney na saída de bola.

Com a bola, o ManUtd variava para o 4-4-1-1. Fletcher alinhava-se a Carrick, empurrando Gibson para o apoio pela direita, no “enganche” com Rooney. Assim nasceu, por exemplo, o primeiro gol. Gibson fez a transição, tabelou com Rooney no pivô, e abriu o placar. Os outros dois gols dos ingleses nasceram das combinações de wingers: Valencia abre pela direita, Nani fecha para a área na diagonal da esquerda para o meio.

Apesar da opção teoricamente defensiva – o 4-5-1 – a estratégia inicial do Manchester United surtiu efeito, pelo posicionamento dos jogadores. Ferguson adiantou as linhas e encurralou o Bayern. Os ingleses pressionaram a saída de bola, recuperando a posse e fazendo uma transição rápida pelos lados, principalmente na direita, com Rafael, Valencia e Gibson.

Mas Ferguson sobrepôs ao seu vitorioso currículo o estilo recente de trabalho. A partir do 3 a 0, recuou o Manchester, e tentou tirar proveito do 4-1-4-1 apenas para bloquear espaços, e fazer o tempo passar. Sofreu um gol circunstancial de Olic no final do primeiro tempo, retornando para a etapa final convicto em apenas se defender.

Com a expulsão de Rafael – para mim, exagerada – o Manchester retraiu-se ainda mais. Trouxe o Bayern para o próprio campo. O mesmo havia acontecido há poucos dias, quando Ferguson ofereceu terreno e espaços ao Chelsea, sendo derrotado em casa com muita justiça. A punição saiu no final, quando Robben marcou um gol de exceção e classificou os alemães pelo saldo qualificado.

Ferguson me parece – posso estar enganado – andar na contramão da tendência tática do futebol moderno. Ocupar espaços no campo ofensivo mesmo sem a bola, controlar a posse, valorizar a articulação com jogadores próximos, são características mais eficazes que a busca pelo bloqueio defensivo, sem posse, permitindo ao adversário sondar a própria área, para apostar exclusivamente no contra-ataque.

Sei que sou um dos poucos a pensar assim, e respeito quem pensa o contrário. Como eu destaco, apesar da estratégia defensiva, a pressão inicial do Manchester United resultou em três gols, e a equipe sofreu dois em jogadas circunstanciais. Mas, também é fato, quem permite ao adversário controlar a posse de bola, corre o risco de levar gols fortuitos. Marcar com a bola, ocupar espaços e propôr o jogo são maneiras mais seguras de não levar gol.

Comentários (20)

  • juliano diz: 7 de abril de 2010

    eu pensei que seria sobre o bayern, já que já tem alguns artigos recentes sobre o man united nessa formação…

    a derrota do time foi por descuidos, e principalmente a bobeira que o rafael fez, mas torci pelo bayern

  • Sérgio diz: 7 de abril de 2010

    Também acho que o cara está ultrapassado . . . Continua ganhando mais pelo poderio do Manchester em si do que pelas suas qualidades atuais.

    E esse lateralzinho brasileiro é fraquinho, hein ? É só dar uma apertada que sai leite . . .

    Seria banco no Olímpico ! ( mesmo para Patrício, Paulo Sérgio, Mattioni, Edilson …)

  • Leandro diz: 7 de abril de 2010

    ele errou quando tirou o Rooney,pq na expulsão do Rafael ele tinha que frear o Valencia.

  • Téo Alexandre diz: 7 de abril de 2010

    Não pude assistir ao jogo e fiquei na dúvida sem a bola Fletcher recua e se junta a zaga ficando um zagueiro na sobra ou Fletcher marca a bola e dá o primeiro combate?

  • LINCOLN BIANCONERI diz: 7 de abril de 2010

    MANCHESTER SÓ JOGA BEM NO 4-5-ROONEY.
    Sou santista por aqui e torço para a Juve na europa. Nessa temporada os bianconeri não podem falar muito, mas acredito que independentemente do padrão tático, o Manchester atual é “um” com o Rooney (que aliás, participou diretamente nos dois primeiros gols) e “outro” sem ele, haja vista no último sábado que perdeu para o Chelsea no Old Trafford também.
    Ao contrário do que você acredita, a expulsão do lateral Rafael foi muito justa, pois ele deu uma pancada praticamente sem bola recebendo o primeiro amarelo, e após ‘sair’ da partida, acabou com qualquer tipo de esquema que o Ferguson pudesse acionar para tentar ampliar o placar, pois nem um padrão tático pode ser bem sucedido com jogadores a menos num jogo de tão alto nível.
    Conforme falei no início o Manchester 2010, só sabe jogar no 4-5-Rooney.
    abbçs, parabens pelo PRELEÇÃO!!!

    PS. tenho 36 anos e adoro jogar PES 2010, faça mais colunas referente a esse excelente simulador de futebol…

  • Luiz Eduardo diz: 7 de abril de 2010

    Discordo sobre um recuo forçado de Ferguson neste jogo, Cecconi. Como você mesmo disse, o gol de Olic ao fim do primeiro tempo foi circunstancial, em uma falha de Carrick, enquanto o time ainda criava chances de gol e sufocava o Bayern. Na segunda etapa, Rafael foi expulso muito cedo, aos 4 minutos. O recolhimento neste momento foi natural, não havia como se manter no campo oponente marcando.

    Eu acho que Ferguson deu mole ao não entrar com Berbatov na frente quando lançou O’Shea na lateral. Por mais que Nani seja rápido, o português não é atacante, não consegue segurar a bola na frente com eficiência e ainda leva desvantagem na batalha contra os zagueiros pela segunda bola.

    Com o winger português no ataque, por mais que existisse velocidade nas puxadas, faltava a capacidade de segurar a bola na frente e dar um descanso à equipe, que não conseguiu respirar na marcação após a expulsão de Rafael e cansou com o enorme pressing realizado na primeira etapa.

    Um grande abraço e tudo de bom!

  • Luiz Eduardo diz: 7 de abril de 2010

    Ah, e quem deveria sair para a entrada de Berbatov, na minha opinião, seria Carrick. O médio central inglês vinha em péssima jornada e não contribuía como deveria no meio-campo.

    Abração!

  • Alberto diz: 7 de abril de 2010

    Cecconi, o Ferguson “revolucionou” o Futebol inglês na década de 90 após a tendência dos ferrolhos incorporada pelo George Graham no Arsenal da metade da década de 80 até a chegada do Wenger onde ele colocava um volante a frente da zaga e 3 jogadores com pouca criação uma linha a frente. Ferguson comecou a utilizar 4 “meias que jogam” e com isso ganhou tudo que disputou e manteve a competitividade do Manchester por tanto tempo até hoje, ao meu ver não faltou ousadia ao treinador mas sim jogadores que dessem a opção para ele deixar o time ofensivo, tanto que o primeiro tempo foi um atropelo do Man Utd sobre o Bayern, no segundo tempo com a expulsão do Rafael e Rooney com nem 30% das condições ele foi obrigado a recompor a defesa, e quando precisou do resultado não tinha as peças ofensivas necessárias, claramente ele não confia no Berbatov, aí deu no que deu….não acredito que tenha sido culpa dele esse resultado, mas sim da falta de opções para manter a postura que o time manteve na primeira parte do jogo. Abraços.

  • Júnior Albuquerque diz: 8 de abril de 2010

    Também concordo contigo em relação a estratégia. Salvo algumas circunstâncias de jogo, o que não era o caso hoje já que sendo ofensivo o Manchester estava dominando completamente o jogo. Claro que expulsão prejudicou muito, mas ele poderia manter a estratégia um pouco mais equilibrada e apenas ser um pouco mais defensivo e não jogar totalmente retrancado e ainda nos contra ataques quase nenhum winger ou volante subia junto, deixando o Nani, que estava de centroavante, decidir quase tudo sozinho.

  • diego bueno diz: 8 de abril de 2010

    Não se pode criticar um técnico q esta a frente de uma equipe tao vitoriosa desde 1986. Foi com esta mesma estrategia e alex ferguson abril 3 gols de vantagem no primeiro tempo. o fato q ocasionou a volupia ofensiva do bayern foi a expulsao imbecil do nosso glorioso rafael, seguida da saida do ronei descontado pela lesao. nao contramao andam outro tecnicos retranqueiros q colokam o time inteiro atras da linha da bola pra tomar sufoco… ja vi o barcelona em outra champions legue ter 80% de posse de bola contra o manchester e perder.
    Futebol se resume a eficiencia

  • Lucas Colorado diz: 8 de abril de 2010

    Expulsão exagerada? O cara foi unica e exclusivamente para segurar o Riberi, e pelo o que diz a regra segurou, puxou, agarrou a camisa para barrar o avanço do adversário deve ser punido com cartão amarelo, como ele já tinha o amarelo foi pra rua. Simples. Na verdade foi inexperiência do jovem brasileiro, que é bom de bola, mas hoje começou bem mas prejudicou seu time.
    E também o United precisa sair da Rooneydependencia.

  • matheus diz: 8 de abril de 2010

    a expulsao do rafael foi um absurdo mas o bayern merecia.

  • Benito diz: 8 de abril de 2010

    Ferguson pratica o futebol moderno no momento em que todos jogadores colaboram na defesa. Vale ressaltar que uma corrida de 15m de um atacante pode ajudar roubar a bola rapidamente e fazer o time todo parar de correr atrás dela. No resto do mundo, se prefere deixar um craque descansando e fazer outros nove jogadores correrem por ele (isso me deixa fulo no inter, D’alessandro não se estica sem a bola nem quando ela passa do lado!!!!). O problema de Ferguson é o excesso de “futebol moderno” (retranqueirismo e contra-ataque, tendência do futebol, vide a seleção brasileira). Rooney é o único atacante e não raramente ajuda a marcar quase na linha de fundo da defesa. É craque, tem folego, mas não pode jogar assim todos jogos. Sempre que entra Owen ou Berbatov o futebol dele cresce. Rooney já é o melhor do mundo, graças a rapidez do Man Utd no ataque (isso falta em algum time aqui em porto alegre… ah sim, no inter!) e aí vai o ponto pro sir.

  • LucasPileri diz: 8 de abril de 2010

    Concordo contigo, a melhor defesa é atacar, e atacar o adversário o time não precisa estar com a bola. Grande abraço!

  • Artur diz: 8 de abril de 2010

    Só falta analisar o esquema tático do Bayern agora… vou esperar hein!

  • Gilmar Merlo diz: 8 de abril de 2010

    Concordo contigo cara, acho que o Ferguson recuou muito cedo, pedeu a referência na frente, isso é o cúmulo da retranca, podia ter refeito as 2 linhas e deixar 1 na frente (com a expulsão).
    Ele tinha que ter conciência que o Manchester é respeitado no Old Trafford acima de tudo, lógico que a expulsão imatura do Rafael colocou todo o esquema a perder mais mesmo assim achei errado o que fez o Ferguson, embora seja um fã dele!
    abraços ai.

  • Gustavo F. Barbosa diz: 8 de abril de 2010

    O interessante é que muitas vezes só se observa o que quer observar. Gols circunstanciais, explusão exagerada, uma vitória por 3×2 e ainda vêm as críticas. Críticas se aproveitando de uma situação isolada. O Manchester tem feito grandes Champions e grandes Campeonatos Ingleses nestes modelos.
    Sobre o penúltimo parágrafo, concordo com você Ceconni, o futebol moderno tende a isto e acredito ser fundamentalmente mais eficiênte, mas existem filosofias e filosofias…

    Em relação a ontem, coisas do futebol…
    Manchester mereceu passar, é melhor, joga um futebol eficiênte, mas utilizando das palavras de Mano Menezes, “Merecimento no futebol é bola na rede…”

    Abraço.

  • Fernando diz: 8 de abril de 2010

    Perdi uma parte do jogo, exatamente o início do segundo tempo – quando ocorreu a expulsão do lateral Rafael. Vi o lance hoje e se o “árbitro” queria seguir qualquer critério decente, não deveria ter mostrado cartão amarelo em nenhuma das duas faltas cometidas pelo brasileiro – vide as botinadas que o Rooney levou durante todo o tempo em que esteve em campo (e que eu lembre nenhum dos jogadores do Bayern levou cartão nestas jogadas), fora que outros jogadores do Manchester fizeram coisa pior e ficou por isto mesmo. Acho que o Bayern tem méritos – pois apartir do primeiro gol se manteve pressionando e buscando a classificação – mas tanto a expulsão quanto as substituições mal feitas enfraqueceram demais o Manchester. No fim das contas penso que o fator emocional influiu bastante no jogo e o Bayern soube administrar melhor essa questão. Não é exatamente uma questão tática, mas o gol da classificação é fruto daquela cobrança de escanteio típica do futebol europeu e considero uma falha deixar um jogador como o Robben livre pra chutar da entrada da área.

  • Felipe Corbellini diz: 9 de abril de 2010

    Ae Cecconi, parabéns pela análise… Apenas para dizer que também sou uma das pessoas que apoia a marcação no campo de ataque, afinal, são muitos os estudos em análise do jogo que comprovam a eficácia desse tipo de marcação e também torna-se óbvio que a maneira mais eficaz de não sofre gol é tentar ficar com a bola e não abdicar totalmente de tê-la.

  • Paulo diz: 5 de agosto de 2010

    Amigo,

    Quando puder, faça uma analise do Manchester City, pois é o time que gosto de jogar no PES 2010.
    Além disso, creio que nesta temporada 2010/2011 os Citizens vão brigar pelo titulo da Premier League.

    ab

Envie seu Comentário