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Quem diria, o velho 4-3-3 é uma revolução no Brasil

16 de abril de 2010 41

A recente rugbyzação do futebol brasileiro provoca uma situação curiosa: o convencional 4-3-3, cujo prazo de validade expirou em nome do defensivismo e dos três zagueiros, protagoniza uma revolução. O desempenho do Santos, que resgata da pré-extinção o sistema com três atacantes e dois meias, divide a opinião pública e ofende quem se enrijeceu pela filosofia do “barro no calção”, que associa competitividade em relação diretamente proporcional com o número de zagueiros e volantes combativos.

A repercussão soa estranha porque o Brasil reproduz sistematicamente as tendências táticas europeias. Foi assim com a importação do 3-5-2, que fez sucesso na Copa de 1986 com Argentina e Dinamarca, e depois se disseminou no futebol italiano. O mesmo aconteceu recentemente com a “chegada” do 4-2-3-1 que embala o Arsenal como seu principal representante. E até mesmo com o 4-4-2 em duas linhas, o four-four-two britânico nascido nos anos 70 e comum em países como Alemanha e Espanha, mas considerado uma novidade por aqui.

Na Europa, o 4-3-3 “está na moda”. O que leva à conclusão lógica: teria de desembarcar no Brasil. Este é o sistema considerado completo e ideal pelo técnico José Mourinho, que transita entre os três atacantes e o 4-4-2 em losango nas equipes que comanda; é o sistema do Barcelona, multicampeão há duas temporadas; é o “default” da seleção holandesa; também é “template” das equipes comandadas por Guus Hiddink; e com tantos exemplos bem sucedidos, influencia equipes menores. O Catania, recentemente analisado aqui no blog Preleção; ou o Villarreal, sobre o qual debatemos nesta semana. E muitos outros.

No Brasil, entre os grandes, o padrão é ter três zagueiros. Tendência que sofre leve queda devido aos insucessos recentes de Muricy Ramalho e Celso Roth, seus principais praticantes. O 4-3-3 foi praticamente abandonado, abolido, alijado, a partir do recuo do ponta-esquerda para o meio-campo – o “quarto homem”, na transição dos anos 80 para a década de 90. A partir daí, usar três atacantes foi considerado antiquado, fora de moda, pouco eficiente. Títulos, pensamos todos os brasileiros (ou quase), conquistam-se com fortalezas defensivas e especulações na bola parada.

Não é necessário fazer comparações entre elencos. Seria inócuo listar Barcelona, Chelsea, Holanda, Rússia ou qualquer grande time-seleção da Europa que se utilize do 4-3-3, ao lado do Santos. E quem critica o time de Dorival Júnior amparado neste contraste se perde. Também não contribui a comparação entre campeonatos e adversários, afinal, ela está atrelada à qualidade dos jogadores. Essa tentativa de desqualificar o 4-3-3 santista é vazia.

A comparação é tática. O Santos joga no 4-3-3 com triângulo de base alta no meio-campo – um volante, e dois meias. A estratégia permite o apoio de ambos os laterais, e a passagem do único volante. Todos os jogadores têm qualidade técnica e mobilidade para sincronizar alternâncias de posicionamento, trocas de funções, tabelas e uma enormidade de movimentos que fica difícil listar. Exatamente como fazem todas as equipes que se utilizam do até então – no Brasil – sepultado 4-3-3. Sistema que Mourinho diz ser o mais completo porque proporciona, segundo ele, a mais equilibrada ocupação de espaços em todos os setores.

O futebol brasileiro, sempre permissivo com as tendências táticas lançadas na Europa, vacinou-se contra o aporte do 4-3-3 por aqui. Não se deixou influenciar por Barcelona, Chelsea, Guus Hiddink, ou qualquer outro clube, seleção ou treinador adepto dos três atacantes. O Santos furou o bloqueio dos defensivistas. O Santos é tipo um vírus que corrompe o enrijecimento das nossas análises. Que o futebol brasileiro se deixe influenciar por esta tendência.

Comentários (41)

  • Luiz Carlos Vieira da Silva diz: 16 de abril de 2010

    Porque inter não contrata o craque tinga para o lugar desses cabeças de bagres que o inter bota para jogar ele vale por todos edu,sandro, gleidson, wilson matias,e outros mais ele nunca fiaca lesionado tragan ele urgente para liberar o dale o juliano para que eles junte-se ao ataque tinnnnnnga uuuuurrrrgente

  • Leonardo Sander diz: 16 de abril de 2010

    Cara sou teu fã, curto mto futebol, proncipalmente Times como Santos e Barcelona, por serem ofencivos e equilibrados, rápidos e técnicos, sonho um dia ver o meu Inter- ñ necessáriamente no 4-3-3- jogar assim. Cara continua assim ;)!

  • Carlos diz: 16 de abril de 2010

    Bah cara, excelente tua análise. Apenas uma podneração, entendo a situação que tu quer representar ao empregar o termo rugbyzação, mas ele é empregado em um conceito depreciativo. Sou fanático por futebol e pratico rugby, entendo as regras dos dois e a diferença tatica deles, portanto, não deprede a imagem de outro esporte apenas para fazer tuas analises taticas. Tu tem grande capacidade descritiva, não precisa ficar apelando pro termo “rugbyzação” a todo momento, dando ao termo carater depreciativo.
    Entendo o contexto no qual o termo é empregado, mas acho pouco cortes, sendo possivel sua substituição.

  • Ronaldo diz: 16 de abril de 2010

    Cecconi, o Mano Menezes não havia utilizado um 4-3-3 também no Corinthians campeão da Copa do Brasil no ano passado, só que com um triângulo de base baixa no meio-campo?

  • Pedro Breier diz: 16 de abril de 2010

    Eaí vai vir a pergunta clássica, “mas e quem marca nesse time??”

    E são duas as respostas:

    - A primeira é o ensinamento de Luxemburgo e Paulo Autuori: marcação é ocupação de espaços. Não é necessário empilhar brucutus pra tirar os espaços do adversário.

    - E a segunda é o que reiteradamente tu repetes aqui no Preleção, Cecconi: se teu time ficar com a bola, tocar com qualidade, criar chances atrás de chances, quem vai ter que se preocupar com a marcação é o adversário! Afinal, quando teu time está com a bola por óbvio não vai precisar marcar ninguém…

    Simples, mas muita gente não consegue entender…

  • Allan diz: 16 de abril de 2010

    Belo trabalho, Cecconi. Gostaria de saber mais sobre a estratégia defensiva do Santos. Gosto muito do 4-3-3 e lembro que no ano passado foi muito usado por Mano Menezes. Acredito que o Santos está muito bem e não faço parte dos críticos ao time da Vila, mas acho que o vétice do meio campo poderia ser invertido, usando dois volantes e um meia as invés de um volante e dois meias. Acho que isso daria mais consistencia defensiva ao Santos. O que você acha? Nos clássicos em que foi atacado, o Santos tomou muitos gols, acho que esse seria o ajuste para o santos enfrentar grandes adversários.

    Cecconi, você, que acompanha os treinos do Colorado, acredita que esse esquema poderia ser utilizado com sucesso no Inter? Claro que não sob o comando de Fossati, que reluta em escalar dois atacantes, que dirá três….

    Outra perguntinha: tu não acha que Fossati transformou o Inter em um time uruguaio, sem volúpia ofensiva, preocupado demais com a defesa e especulador no ataque???

    Abraço

  • Ratofx diz: 16 de abril de 2010

    Ano passado o Corinthias usou o 4-3-3, ou seria um 4-5-1? Ou algo entre ambos? De qualquer maneira, é muito bom ver times jogando pra frente e esquecendo o Muricy-ball! Mesmo que venha a ganhar do meu tricolor, acredito que será um jogo bonito. (caso ocorra)

  • Matias Schuler Guenter diz: 16 de abril de 2010

    Não era esse o esquema do Corinthians ano passado, apenas com o triangulo de base baixa no meio?

  • Roberto diz: 16 de abril de 2010

    Não acredito que os dirigentes gremistas deixariam Silas armar o time no 4-3-3. Ficaria algo como Victor, Mário Fernandes, Saimon, Rodrigo e Fábio Santos, William Magrão, Douglas e Leandro, Mithyuê, Borges e Jonas (Edilson é fraco e Lúcio ainda não está pronto). Um time pra lá de ofensivo, mas com bastante qualidade. O problema é que o fantasma da 2a. divisão é forte demais. Já levou à demissão do Mancini e à contratação do Roth, por exemplo. Pior é que por pouco este retranqueiro truculento não chegou ao título brasileiro de 2008. Título que Muricy, por sinal, ganhou três anos seguidos baseado no 3-5-2 pragmático-brasileiro.

  • Fernando diz: 16 de abril de 2010

    O time é bem diferente, é verdade, mas o sistema é semelhante ao que foi usado pelo Vágner Mancini no Paulista do ano passado (e embora já tenham comentado isto aqui no Preleção, não vejo ninguém da crônica dar qualquer crédito). O Santos não é nenhum espetáculo na defesa mas compensa isto com movimentação e competência ofensiva. Embora eu também admire a determinação e o esforço do jogo defensivo, todo o time que se baseia nisto é limitado e joga contra o princípio do futebol – portanto também torço para que o jogo ofensivo vingue, embora veja como algo improvável de acontecer aqui. Cabe ao Santos comprovar sua eficácia nos jogos decisivos para assim aliar o espetáculo com resultados e “comprovar sua tese”, talvez aí comecem a aparecer outros com a noção de que o gol é o principal objetivo do jogo e estar com a bola, no campo de ataque, é fundamental para que este aconteça.

  • Blog do Carlão – Futebol é nossa área diz: 16 de abril de 2010

    Palmas para Dorival Júnior. Esse elenco do Santos, em outras mãos, provavelmente não seria aproveitado como tem sido.

  • Fabio Henrique diz: 16 de abril de 2010

    Espero, enfim, que tenhamos, no Brasil, times ofensivos. Chega de medo, covardia, muricysmos e celsorrothismos. Temos um campeonato nacional por pontos corridos, nada justifica o pensamento de retranca.
    Se o Inter, tomando exemplo aí no sul, tivesse ofensividade cosntante com seu bons jogadores nos últimos anos, teria sido campeão mais de uma vez, e não o São Paulo.
    Pena que o time atual do Santos não dure mais do que o Paulista…

  • Pablo Cavalcanti diz: 16 de abril de 2010

    Beleza de texto Cecconi.

    Tomara que realmente outros clubes “se deixem levar” por esse sucesso do 4-3-3.

    Mas vale lembrar que ano passado Mano Menezes já fez sucesso com esse esquema no Corinthians. Tudo bem que Elias não era tão ofensivo quanto Marquinhos, e muitas vezes fica mais para triângulo baixo do que alto no meio, mas era bem parecido.

  • Everton diz: 16 de abril de 2010

    Gostei!Creio que tu goste de futebol bem jogado, e o Santos está fazendo isso, sou palmeirense fanático, mas sou viciado em futebol, e está sendo muito bom ver este time do Santos jogar, pois, joga pra frente. Mas, o mais importante é a disciplina tática de dois jogadores que não são tão comentados, Arouca e Marquinhos, graças a eles o Santos chega a frente com qualidade no passe e não fica tão exposto. Mas não é um time imbátivel, o Verdão mostrou isso, com tática, raça e coração, mesmo você não acreditando nesses dois últimos itens. Da uma agonia quando entravamos com 3 volantes algumas vezes com o Muricy. Sinceramente não precisa disso né Cecconi??!!Ainda bem que ele saiu!!

  • Baldur diz: 16 de abril de 2010

    O Corinthians ano passado já usava o 4-3-3 mas com base baixa, dois volantes e um meia, mas como o Elias passa toda hora é quase a mesma coisa. E só voltou a jogar bem este ano quando voltou ao sistema como retorno do Dentinho e aboliu um dos meias. O 4-5-1, se tiver meias habilidosos e agudos também me serve,é quase o mesmo esquema.

  • Dornel diz: 16 de abril de 2010

    O Corintians ano passado com o Mano não utilizava o 4-3-3?
    Ou era alguma variação?

    Me lembro de sempre escutar que era um 4-3-3 atacando e um 4-5-1 defendendo, se eh que isso é possível!

    Muito bom o teu blog, parabéns.

    Abraço.

  • Samuel Ritter diz: 16 de abril de 2010

    Todo o sistema tático é bom, mas ele depende do plantel que se tem em mãos. Dorival demonstra o que todos sabemos desde 2008, é um excelente treinador e foi pedido no Grêmio há anos, mas esse clube demonstra a mediocridade de preferir Celso Roth.

  • guilherme diz: 16 de abril de 2010

    Concordo com o José mourinho que em termos que ocupação dos espaços e em uma equipe bem disciplinada ele funciona muito bem.
    Apenas acho que esqueces que o Dorival não foi o primeiro a “importar” esse esquema tático para o Brasil.
    Esqueces do time do Mano Menezes que no ano passado já se utilizava de um 4-3-3 e sim havia uma variação para 4-5-1, porém Jorge Henrique e Dentinho sempre tiveram caracteristicas de atacantes e com a boa disciplina tática deles, principalmente do Jorge Henrique, completavam o meio campo para defender e “subiam” na hora de atacar. Este Corinthians do ano passado foi o time mais completo que vi ultimamente no futebol brasileiro, tinha bons laterais e rápidos, um mais ofensivo e outro defensivo mas com bastante inteligência tática, um par de zagueiros de qualidade e experientes, dois volantes que sabiam fazer um box-to-box interessante, um armador das antigas com um passe pra lá de refinado, os já sitados “wingers” e um centroavante que dispensa comentários, apesar do peso excessivo.
    Eles foram muito mais time que esse Santos, que ao meu ver, peca muito em termos defensivos.(não sou um defensivista)
    Obviamente é bonito ver os placares elásticos que esse Santos pode fazer e a habilidade desses jovens recém formados, mas em termos de competitividade e combatividade acho o Corinthias de 2009 melhor.

    Um Abraço,
    Guilherme Lages Lauda.

  • Ricardo diz: 16 de abril de 2010

    O Corinthians ganhou a última Copa do Brasil do em um 4-3-3 típico.

  • Vagner Muller diz: 16 de abril de 2010

    O Corinthians jogava assim no ano passado. Claro que sem tanta mobilidade, mas era um 4-3-3.
    Ou estou enganado??

  • Paulo diz: 16 de abril de 2010

    Imagina se Inter ou Gremio tentassem jogar como o Santos, a imprensa cairia de pau com tamanha forca que o treinador seria “fritado” em 2 partidas. Um tal Wiadey Carlet teria chiliques e utilizaria todas as inúmeras midias a que tem acesso, manipulando a massa inculta, para criar uma crise insuportável para o ousado dirigente, culminando com sua demissão e vergonha pública. Os jogadores “faceirinhos” cairiam imediatamente em desgraca, acabando por ser vendidos ou emprestados, restando ao treinador substituto, oriundo do interior do estado, apenas zagueiros e volantes para serem adaptados às funções ofensivas. Então tudo voltaria ao “normal”, e a gloriosa crônica esportiva gaúcha poderia voltar a reclamar das constantes más atuacoes da dupla grenal.

  • Paulo diz: 16 de abril de 2010

    Cecconi, e o gremio em um 4-3-3? Não te parece uma boa idéia?
    Ao meu ver podeia funcionar com magrão, maylson e douglas no meio e jonas, borges e leandro a frente…

    Parabéns pelo blog.

  • Daniel Vicente diz: 16 de abril de 2010

    Cecconi, creio que não utilizamos o 4-3-3 por aqui por duas razões: a primeira é a venda precoce de jogadores habilidosos, técnicos; essencial neste esquema. O Santos não poderá seguir no 4-3-3 no Brasileirão simplesmente pq perderá Neimar, Robinho e talvez Ganso e outros. A segunda razão seria a força das críticas aos treinadores no nosso país, o que faz com q eles prefiram a cautela a arriscar perder seus empregos e serem linxados verbalmente pelos apaixonados por futebol. Concordas??

  • LINCOLN BIANCONERI diz: 16 de abril de 2010

    Sou santista, sou brasileiro e principalmente adoro futebol bem jogado, pra frente. O que temos aqui é um elenco de exceção, o esquema tático nesse caso é secundário. Imaginem a atual seleção brasileira com o 4-3-3, os meias seriam Felipe Melo e Ramires, característica é o mais importante para o sucesso do esquema. Cecconi como voce mesmo diz aqui no Preleção, no caso do Liverpool, a melhor posição para o Gerard é no box-to-box, pois rende mais, assim é no Santos, graças ao Dorival, quem é melhor joga.

    Tema para discussão:
    Imaginem a seleção brasileira na copa da africa com a seguinte formação…
    GK – JULIO CEZAR
    CB – LUCIO
    CB – JUAN
    SB – DANI ALVES
    SB – ROBERTO CARLOS / MAICON (IMPROVISADO)
    DMF – GILBERTO SILVA (PARA FAZER OS GOSTOS DO DUNGA)
    AMF – KAKA
    AMF – PAULO HENRIQUE GANSO
    SS – ROBINHO
    SS – NEYMAR (MAIOR ATACANTE BRASILEIRO NA ATUALIDADE)
    CF – LUIS FABIANO

    Seria fácil demais sermos campeões, assim ninguém falaria em Dunga, e a vaidade dele impede que isso aconteça.

    O que acham a respeito… hein Cecconi e amigos???

  • jonathan-bagé diz: 16 de abril de 2010

    Inter no 4-3-3:
    Pato, Nei, Bolívar, Fabiano Eller e Kléber. Guiñasú, Giuliano e D’Alessandro. Walter, Marquinhos e Alecsandro.
    OBS: Indio, Sandro, Andresinho e Taison seriam, respectivamente, alterações na defesa, meio e ataque. Sem mudar o padrão de jogo. Ou seja, um time CORAJOSO, qualificado e equilibrado.
    Tudo que o inter atualmente não é!!
    Graças ao defensivismo e covardia do nosso técnico e direção.
    Vale lembrar que fomos campeões mundiais jogando num 4-3-3 contra um Barcelona melhor que o atual. Fomos corajosos e ganhamos o mundo.
    Prova de que a coragem é uma virtude dos vencedores.
    Atualmente… Dá nojo de ver o inter jogar.

  • Igor Morais diz: 16 de abril de 2010

    Mourinho está usando cada vez mais o 4-4-2 brasileiro, com 2 volantes (Cambiasso e Motta) e 2 meias de ligação (Pandev e Sneijder) formando um quadrado. Usou de novo contra a Juventus.

  • Roger diz: 16 de abril de 2010

    Cecconi, jamais podemos nos tornar reféns de idéias pré-concebidas. Esse é o grande erro que cometem alguns técnicos e a grande maioria dos comentaristas de futebol. Concordo que o Santos vem jogando no 4-3-3 e, por enquanto, vem vencendo, mas acredito que só nas finais da C.do Brasil e no Brasileirão poderemos saber se o time é realmente confiável. Já o Barcelona, não é bem assim. Contrariando a grande maioria dos comentaristas, Guardiola mostra ser um técnico moderno e tem variado a formação de acordo com o adversário. No clássico contra o Real, por exemplo, o Barça jogou no 3-5-2. Se você assistiu o jogo deve saber disso. Na goleada contra o Arsenal, havia sido um 4-4-2 sem centroavante fixo. Eventualmente joga no 4-3-3. Pra mim, esse é o segredo desse Barça, a imprevisibilidade.

  • Alexandre – Vilhena/RO diz: 17 de abril de 2010

    Sistema 4-3-3 no Inter:

    Goleiro: Pato
    Zagueiros: Bolívar e Juan
    Lateral direito: Ney
    Lateral esquerdo: Eltinho
    Volantes: Guinazu e Andrezinho (isso mesmo, Andrezinho, que pode auxiliar também na meia, tendo em vista que o principal objetivo desse time é ser ofensivo).
    Meia: D´Alessandro (ou Giuliano)
    Atacantes: Walter, Tayson e Marquinhos

    Seria um time rejuvenescido e com qualidade. Seria algo muito parecido com o time do Santos, com jogadores de frente muito rápidos.

    Os jogadores de defesa (Bolívar, Eller e Guinazu) deveriam se dedicar somente a defesa, evitando aquelas escapadas ao ataque, que abririam muitos espaços. Os laterais também subiriam um de cada vez, quando um vai o outro fica.

    Não adianta misturar jogadores de qualidade como o D´Alessandro e Giuliano com o perna de pau do Alecssandro (o cara até faz alguns gols, mas convenhamos, um atacante sem velocidade e que não sabe driblar é difícil de suportar).

    Jogadores dispensáveis:

    -Índio (já foi um grande zagueiro, mas não consegue mais acompanhar o ritmo dos atacantes mais jovens)
    -Sorondo (muito deficiente tecnicamente, tem um tempo de bola muito ruim)
    -Sandro (tá com a cabeça na Inglaterra, tá jogando de salto alto).
    -Kléber (lento, marca muito mal e quando vai ataque demora demais pra voltar).
    -Alecssandro (Extremamente limitado. Não tem velocidade, não tem drible e tem extrema dificuldade em tabelar com os meias, já que tem uma matada de bola deficiente).

    Podem até me achar louco, mas sem ousadia vamos passar mais uns dez anos sem ganhar títulos expressivos e sendo obrigados a aguentar esse futebol burocrático que o Inter vem apresentando.

    Vamos aproveitar mais a gurizada do Beira Rio !!!!

    Um abraço dos colorados de Rondônia !!!!

  • Roger diz: 17 de abril de 2010

    Muito bem… pois eu sempre fui um fanático fervoroso pelo 4-3-3 desde os tempos em que iniciei a ver o meu Inter em 1987 (do meio pra frente, Norberto Luis Fernando e Gilberto Costa, Heider, Amarildo e Balalo); e em 1988 (do meio pra frente, Norberto Luis fernando e Luis Carlos Martins, Maurício, Nilson e Edu) jogando desta maneira comandados pelo seu Enio e pelo próprio Abel, respectivamente. São equipes que precisam priorizar as jogadas pelas laterais, lançamentos mais longos e mais jogadas de linha de fundo. Importante a presença de um centroavantão daqueles a moda antiga, e quase em escassez no Brasil, que tromba mas possui técnica e finaliza com qualidade. Poucos valorizam o Inter de 1987 e 1988, mas eu reconheco que eram grandes equipes … Senhores em 1987, na final da copa União enfrentamos um flamengo que tinha: Zé Carlos, Leandro, Aldair, Mozer e Leonardo, Andrade, Aílton e Zico, Renato , Bebeto e Zinho . UM TIMAÇO !! E mesmo assim fizemos frente e perdemos por miseros 1×0 no Maracanã na final. 4-3-3- típico

  • Valair Ferreira diz: 17 de abril de 2010

    Vc esqueceu de um detalhe nesse post.

    O time mais acertado ano passado, era o Curintia, que jogava no 4-3-3. Com a diferença de que era mais equilibrado ainda que o Santos, pois tinha 2 volantes de cobertura, um armador (Douglas) e 3 atacantes (Dentinho, J. Henrique, que voltavam p/ atras da linha da bola na defesa, ficando só o Gordo na frente sem marcar).

    O Santos, as vezes me parece irresponsável quando ataca. Pq sobem muito agressivamente, e deixam buracos defensivos pra todo o lado nos contraataques. Mas como são muito eficientes, técnicos, e objetivos, fazem muitos gols, intimidam os adversários que ainda não conseguiram uma estratégia pra conter o Santos. O Palmeiras conseguiu e ganhou. O São Paulo com 10 em campo, quase virou. Mas acabou perdendo num lance que até o único zagueiro que fica normalmente, foi pro ataque.

    Ou seja, o Santos tem como ponto fraco a defesa. Ou seja, quem jogar com o Santos, tem que agredir. Pq provavelmente vai tomar um ou doi gols pelo menos. Tem que bater no ponto fraco do Santos que é a defesa.

    É bonito de ver o Santos jogar. Mas os times adversários, acostumados a encaixar o jogo contra times muito menos agressivos, e com menos qualidade individual, ainda não conseguiram encaixar um jogo pra conter e atacar o Santos.

    Mas eu acho que esse time não vai ser vencedor esse ano. Não acredito em tanta agressividade. Pode continuar no 4-3-3, jogando bem, com objetividade, mas com mais equilíbrio defensivo. Tem 3 jogadores altamente diferenciados pra fazer os gols.

  • Roger diz: 17 de abril de 2010

    Já na Seleção Brasileira (o 4-4-3 que consegui acompanhar), foi praticado pelo Telê na sua essência pela equipe de 1982… melhor time que já vi jogar em todos os tempos. Um 4-3-3 irreverente , com Éder detonando pela ponta esquerda e com Sócrates e Zico se revezando na ponta direita , incluindo os apoios qualificados lo lateral Leandro pela direita. Na “centroavância” o comando era de Serginho Chulapa, ferida e motivo pelo qual perdemos para a Itália, pois o grande centroavante da época era o Careca que acabou se machucando na véspera e cortado. O importante sobretudo é a movimentação diferenciada que laterais e meias precisam desempenhar… para procporcionar tabelas, cruzamentos e lançamentos. Se tivéssemos o Careca ou o Dinamite no comando de ataque daquela seleção teríamos sido campeões. Enfim, o Centroavante rompedor e com técnica é fundamental para o sucesso do esquema.
    Abraços e 4-3-3 pra sempre!!!
    Salve

  • Mário Corrêa diz: 17 de abril de 2010

    Estou absolutamente bem impressionado com a forma de abordagem destes participantes. A referencia ao Timão é corretíssima. A equipe era mais consistente, pois era baseada mais na obediencia tática, por ser menos talentosa. O Santos é mais alegrinho e menos experiente. Não se pode negar que o Peixe é mais vulnerável defensivamente. O esquema exige muita movimentação para ter equilíbrio. Certamente a base baixa propicia a cobertura mais rápida, sem prejuízo do contra ataque (aí a velocidade deve ser mais da bola do que do jogador). Em verdade, gosto mesmo é de futebol jogado, em qualquer esquema. Não tem como se impressionar com meias do tipo William Magrão, Andrézinho, Hernandes, Paulo Henrique, Marquinhos, Douglas e Rodrigo Souto (os dois últimos dão rapidez na bola), com muita movimentação. Parabéns aos técnicos de plantão. Sem baixarias de outros blogs, com respeito a opinião dos outros, enfim que golaço de bate-papo.

  • Alexandre diz: 17 de abril de 2010

    Cecooni, muito boa a tua analise mas deixo aqui uma questao:
    Um time como este montado de forma tao ofensiva certamente toma no minimo 2 gols por jogo… A maior prova e esse proprio time do Santos. O que pode acontecer a hora que pegar um time forte, com uma defesa muito bem postada e um rapido contra ataque?
    Um abraco e segue fazendo este excelente trabalho!

  • Ricardo Pilat diz: 17 de abril de 2010

    Análise perfeita. Seria bom se todos tivessem essa visão do futebol brasileiro, pois parece que as pessoas se acostumaram com a “rugbybização”, como você destacou.

    Quanto às comparações com o Corinthians, era duas diferenças:
    1- O Corinthians jogava com dois volantes, e o Elias saía um pouco pro jogo.
    2- O Jorge Henrique não era exatamente o “ponta”. Era muito mais um meia pela esquerda. Mas era um timaço também.

  • Azza diz: 17 de abril de 2010

    Cara, eu tenho uma raiva desses técnicos brasileiros totalmente desatualizados e que acham que conhecem as verdades do futebol e que mudam de idéia muito dificilmente. Isso vai mudar com a nova safra de técnicos… Alguns antigos também são atualizados.
    Dos técnicos que eu poderia citar fazendo parte disso que falei são:
    Dorival, Mano Menezes, Tite, Vagner Mancini, até o Argéu, Adilson Batista, entre mais alguns poucos.
    Quem sabe até o Silas, analisando mais a frente… E olha que sou colorado…

    O Brasileirao do ano passado foi mal visto o ano passado por ter um futebol feio, sendo um futebol que não ajuda a trazer novas revelações… É só verem o próprio Neymar o ano passado.

    É hora de nós excluirmos essa idéia aqui no RS de que se joga futebol só marcando e com bola aérea, e ajudar a “revolucionar” o futebol brasileiro, antes que os outros façam, e nós apenas sigamos uma tendencia imposta.
    Tá na hora de pensarmos em ser os protagonistas, e deixarmos de ser apenas os coadjuvantes do futebol brasileiro.
    Que é o que somos.

  • daniel carrasco diz: 17 de abril de 2010

    Gostaria de lembrar dos tempos da escola quando tinhamos que escolher no famoso par ou impar os times para se enfrentarem no recreio.
    Quem normalmente ganhava era o time daquele que recrutava para o seu time os MELHORES independente da posição em que iriam jogar.
    Isso é facil de traduzir escalando o time ideal do INTER. Ou os onze melhores do elenco distribuidos em campo desta forma:
    PATO, tres zagueiros BOLIVAR SANDRO(isso mesmo, como zagueiro) e ELLER, GIULIANO e KLEBER nas alas, GUINAZU ANDREZINHO DALESSANDRO no meio, WALTER e TAISON no ataque ou MARQUINHOS, o melhor time do colorado com o que se tem hoje.
    Um abraço Ceconi o pior zagueiro na pelada do Brasil.

  • juliano diz: 17 de abril de 2010

    outro esquema tático que está sendo usado , ou pelo menos sondado hehehe, recentemente por técnicos no brasil finalmente é o 4-3-1-2, que pra mim corrige dois problemas usuais: pode usar volante com qualidade de saída de bola sem utilizar ele como meia, e os laterais podem ser bastante ofensivos sem precisar ser 3-5-2/3-6-1

    e o bom que o “3″ não precisa ser necessariamente 3 volantes, o luxemburgo usa o junior ali, em 2003 no cruzeiro chegou a usar mesmo o zinho
    no caso do grêmio poderia dar pra usar o souza ou leandro aí, junto de dois volantes
    e o douglas como camisa 10 centralizado, claro

    ah, e quem diria, ferdinando fez muita falta no segundo tempo contra o avaí!

  • Roberto diz: 17 de abril de 2010

    Lincoln, tua proposta é nota 9. Não ganha 10 pela escalação do Roberto Carlos. Melhor deixar o Maicon na direita e escalar o Daniel Alves na esquerda, com o André Santos de reserva. No mais, apoiado. Azza, tás coberto de razão, amigo. Mas pior papel faz o Inter, pois ganhou muito em 2006 e se apagou, enquanto o Grêmio ainda está se recuperando do “Obinazo” em 2004 (que veio logo depois do lamentável episódio ISL/Guerreiro). No mais, abraços.

  • Felipe Corbellini diz: 18 de abril de 2010

    Cecconi, como você, sou um apoiante do futebol ofensivo, mas estive pensando em todas os times-seleções que você citou que jogam no 4x3x3 e isso me leva a crer que este esquema funciona muito bem quando se tem jogadores excepcionais, principalmente no ataque e pelos lados, lembrando, o Barça tem Messi, a Holanda tem vários craques que desequilibram entre eles Van Persie, a Russia de Hiddink tinha Arshavin, o Mourinho tem Eto’o e o Santos tem Robinho e Neymar… Você acredita que seja possível jogar no 4x3x3 com triângulo de base alta no meio sem ter esses jogadores que podem decidir o jogo em uma genialidade? Porque, embora o Santos venha empilhando gols, quando enfrentou equipes mais qualificadas, o São Paulo por exemplo, acabou por sofrer gols, lógico que pela qualidade acima da média, acabou fazendo também, mas sem craques, fica muito mais difícil jogar assim. O que você acha? Abraços

    Resposta do Cecconi: Felipe, concordo contigo. Essa é a premissa básica da teoria tática – conciliar o planejamento com a característica dos jogadores. Mérito do Dorival Júnior, que soube entender a necessidade do 4-3-3 no Santos. Abraços.

  • Rodrigo Farias diz: 19 de abril de 2010

    Cecconi, muito boas as tuas análises! Mas eu poderia propor uma idéia? Tu poderia “criar (ou citar um existente)” sistema de jogo (esquema + tática de jogo + tatica individual) que, na tua opinião, anularia os pontos fortes do santos e barcelona ou de outros times em alta no momento? Acho que dariam discuções bem interessantes. Abraço e parabéns pelo trabalho!

  • Claudio Sacramento diz: 26 de maio de 2010

    Antes de tudo, parabéns pelo blog, Cecconi. A idéia de que Dorival Jr. entendeu bem a necessidade de armar o Santos de forma tão ofensiva eu tinha percebido também e essa análise do Cecconi somado aos comentários dos outros leitores confirma pra mim tudo isso. Estou torcendo pra que o Madson não seja negociado pois é uma ótima opção quando Robinho não pode estar em campo. Aliás, vejo 2 tarefas da diretoria santista como fundamentais para a manutenção desta formação tática santista bem como o sucesso do time ao longo de 2010: a óbvia tentativa de segurar os titulares no clube este ano e a contratação de alguns jogadores que encaixem neste posicionamento tático santista para tê-los como opções de banco num campeonato longo como o brasileiro.

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