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Vitória da iniciativa pessoal no Gre-Nal do encaixe tático

26 de abril de 2010 18

Grêmio no 4-4-2. Inter no 4-4-2. Grêmio com dois volantes e dois meias. Inter com dois volantes e dois meias. Desenhos semelhantes nos dois meio-campos. Jogadores com característica defensiva na lateral-esquerda, e apoiadores na direita. Um atacante de movimentação e um centroavante. Grêmio e Inter entraram em campo encaixados taticamente um no outro, nesta tarde de domingo, no clássico Gre-Nal 380.

Treinadores e teóricos da tática no futebol são praticamente unânimes. Quando há um “encaixe”, quando duas equipes atuam com formações e estratégias semelhantes, sobressai-se a iniciativa pessoal. Foi o próprio Jorge Fossati quem disse isso nesta semana.

E, neste aspecto, os jogadores do Grêmio obtiveram vantagem. Neuton na lateral-esquerda ousou mais do que Juan. Borges foi mais participativo que Alecsandro. Os jogadores gremistas venceram disputas pelo alto – dois gols de cabeça em lances de bola parada. Willian Magrão e Ferdinando (depois Adilson) combateram com supremacia os articuladores do Inter. Do lado colorado, apenas Walter demonstrou iniciativa, vitórias pessoais, e criou as melhores chances de gol para seu time, sempre em conta própria.

Silas optou pelo 4-4-2 com o qual venceu o primeiro turno do Gauchão 2010. Dois volantes centralizados – Ferdinando pouco mais recuado que Willian Magrão – e dois meias mais adiantados, e abertos (Hugo na esquerda, Leandro na direita). Edilson e Neuton receberam autorização para apoiar alternadamente, enquanto Jonas partida da direita para a esquerda, sempre em movimentação, e Borges manteve-se fixo no jogo corporal sobre Bolívar, em pivô.

Fossati também escolheu o 4-4-2, mas pouco diferente dos últimos jogos. Andrezinho adiantou-se, desfazendo o losango. O desenho do meio-campo praticamente igualou-se ao do Grêmio. Sandro mais recuado que Guiñazu – ambos centralizados – e dois meias adiantados e mais abertos. De início, Andrezinho atuou pela direita e D’Alessandro pela esquerda, mas em função das derrotas para os marcadores, eles inverteram os lados e não mais mudaram até o final.

Faltou, entretanto, o apoio dos laterais. As iniciativas de Neuton seguraram Nei, que não conseguiu responder. Do outro lado, Juan também apenas marcou Edilson, sem jogar às suas costas. Andrezinho e D’Alessandro submeteram-se à marcação, embora Hugo e Leandro pouco tenham contribuído pelo outro lado também.

Com tanto equilíbrio, encaixe tático na reprodução de sistemas e estratégias semelhantes, o Grêmio contou com a iniciativa de seus jogadores para se desvencilhar deste emaranhado de igualdades técnicas e táticas. Neuton foi o melhor em campo, mas Jonas, Borges e Edílson também se destacaram. A dupla de zaga, embora Mário Fernandes tenha perdido jogadas de corpo para Walter, foi bem da mesma forma.

Foi um resultado justo, pelo que produziram os jogadores do Grêmio. Não há o que se contestar no placar. O Grêmio mereceu vencer pelo aproveitamento das oportunidades e pelo empenho e aplicação com os quais controlou o segundo tempo, após leve domínio colorado a partir da metade da etapa inicial.

Comentários (18)

  • Antonio Marques diz: 26 de abril de 2010

    Será que todo mundo viu que o grêmio anulou o d’Alessandro, que o Nei não conseguia parar um avanço sequer dos laterais do adversário, e que o Jonas ficou plantado na defesa, não conseguindo passar do meio de campo colorado?
    Será que nenhum dirigente ou assessor técnico do Inter avisou o Fossati disto? já que ele não consegue ver nada diante do nariz?! Me tira erradamente o Andresinho, que pelo menos tentava acertar algum passe e deixa um anulado d’Alessandro em campo, porquê? Alguém que explique para a enorme torcida colorada, pois eu não entendo mais nada!
    Derrota humilhante em casa e os jogadores e técnico “acham normal”?
    Perder um campeonato em que tínhamos tudo para ganhar e todo mundo no Beira-Rio acha normal?! Nada será feito? Já tô com medo desse brasileirão que se aproxima!!!!!!

  • Fausto Vanin diz: 26 de abril de 2010

    Cecconi,

    Ótima análise do jogo! Alguns fatores que, pela dimensão do jogo, eu creio que faltaram:

    - O menino Juan sentiu a estréia, não jogou mal, mas como procurou não comprometer dedicou-se à tarefa de fechar o lado esquerdo. Andrezinho deveria cair mais por aquele lado para fazer as jogadas de fundo, mas acabou centralizando muito as jogadas.
    - Por diversas vezes Rodrigo acompanhou Walter em seus deslocamentos pelo campo, fazendo com que trocasse de lado com Mário. Funcionou razoavelmente, até pela quantidade de finalizações do atacante do Inter, mesmo que de fora da área.
    - Edilson, por vezes, abandonava o esquema tático da equipe, subindo e não voltando, tentando jogadas pessoais que não deram certo. Desta vez isto não ocasionou falhas defensivas como no jogo contra o Avaí, talvez pela cobertura ter sido feita de forma melhor desta vez.

    Aproveito e deixo uma pergunta pra ti, Cecconi: tu achas que é possível Douglas e Hugo no mesmo time? De que forma poderiam jogar?

  • Antonio Marques diz: 26 de abril de 2010

    Retificando: onde eu disse Jonas, queria dizer Juan, que teve Edilson, Leandro e Jonas, pintando e bordando pala lateral esquerda colorada!

  • Zandormaz diz: 26 de abril de 2010

    parabéns ao time gremista pela excelente atuação. Mesmo desfalcado mostrou que é melhor que o adversário tradicional. Agora é só confirmar o título no Olímpico.

  • Rodrigo De Ros diz: 26 de abril de 2010

    Um nó tático de Silas no Fosatti
    Eu sou um fá do Fosatti, mas no Inter ele não conseguiu fazer nada.
    http://hojesporte.blogspot.com/2010/04/no-tatico-de-silas.htm

  • Ratofx diz: 26 de abril de 2010

    Me pareceu uma das melhores partidas do Edilson, apesar de suas limitações.
    O Neuton foi muito bem, sobretudo na defesa, não ficou com “as costas” tão expostas como quando o Fabio Santos é escalado.
    Acho que o Leandro esteve muito sumido, o Hugo um pouco menos. Mas estão longe de serem titulares garantidos.
    Mas achei um bom Grenal, no sentido do bem jogado, menos truncado do que de costume.

    Desculpa pedir mais grêmio em tuas analises, sei que tu cuida do colorado na divisão de pautas.
    O problema é que não tem uma outra pessoa pra fazer uma tabela tática do tricolor tão qualificada como as tuas. Sendo assim, ficamos meio “orfãos”, com todo o respeito a quem cobre o lado tricolor das pautas.

    Parabéns pelo ótimo trabalho.

  • SANDRO diz: 26 de abril de 2010

    Cecconi. Não pude assistir o Gre-Nal. Mas, sei que suas análises quase sempre são corretas, por isso, considero esse o melhor Blog do Clicrbs. Mas, seu desenho traz uma dupla interpretação sobre o sistema do Grêmio. Para um leigo, esse sistema parece quase um 4x2x4, extremamente ofensivo, pois os meias estão dispostos bem à frente, quase junto com os atacantes e lateralmente, quase como pontas, um pouco mais recuados. Não me leve a mal, não estou dizendo que a análise está errada, pois não pude assistir o jogo. Mas, o desenho que você fez, fica parecendo uma escalação prá lá de ofensiva.

  • Rodrigo diz: 26 de abril de 2010

    Não concordo que o Borges tenha sido mais participativo que o Alecsandro. Após perder o gol no primeiro tempo, sozinho na frente de Abbondanzieri, ele praticamente sumiu da partida. Apareceu somente quando marcou o segundo do Grêmio. Claro que ele fez o que se espera dele, o gol. Mas não foi participativo. Talvez por preciosismo de Jonas. No lance em que cortou dois marcadores do Inter e chutou de esquerda, Jonas poderia ter feito o passe para o meio da área

  • Rafael diz: 26 de abril de 2010

    Rodrigo melhor em campo do Grêmio…… e Neuton jogou mais em 5min do que o F. Snatos no campeonato inteiro.

    Victor – 9,8
    Rodrigo – 10,00
    M. Fernadez – 8,8
    Edilson – 6,5
    Neuton – 9,0
    Ferdinando – 7,0
    W. Magrão – 8,0
    Hugo – 8,0
    Leandro – 7,0
    Jonas – 7,5
    Borges – 8,0

  • EDUARDOO diz: 26 de abril de 2010

    Cecconi,

    Tu acha que se o sistema do inter fosse losango(Giuliano marcando, ao invés do Andrezinho), ai invés do usado no domingo, o inter teria tido alguma vantagem tática?? sem considerar vitória pessoal, digo pelo espaço em campo…..

    Tu não acha que o Fossati deveria feito essa mudança pro segundo tempo??…

    Abraço e e parabéns pelo ótimo post!!

    Resposta do Cecconi: olá Eduardo. Acredito que sim, bastaria ele ter recuado o Andrezinho para recuperar a posse de bola no meio-campo. O Andrezinho atuou muito adiantado, contribuindo pouco na saída de bola, e pouco também na marcação. Abraços.

  • Blog do Carlão – Futebol é nossa área diz: 26 de abril de 2010

    Se as principais peças do elenco forem mantidas até o final do ano, e a comissão técnica, o Tricolor vai brigar pelo título do Brasileiro, imagino eu.

    Essas peças atendem pelo goleiro Victor (o melhor em atividade por aqui há tempos), pelo zagueiro-central Mário Fernandes (a maior revelação brasileira desde Breno), pelo meia-esquerda Douglas (na minha visão o grande camisa 10 do Brasil, depois de Ganso), e pela dupla de ataque formada por Jonas e Borges (para mim, entre as três mais notáveis do país).

  • Júnior Albuquerque diz: 26 de abril de 2010

    Concordo em grande parte contigo.
    Só acho que o Hugo foi bem no jogo. Trabalhou bem como armador.
    E que sem a bola muitas vezes o Jonas voltava e ficava na linha do Hugo e do Leandro só para pressionar a saída, depois ele largava de mão. Pelo menos quase sempre. Acho que isso ajudou bastante o Grêmio. Até o Borges teve uma hora que tava marcando lá atrás.

  • André Lage diz: 26 de abril de 2010

    Muito boa análise, porém não concordo com o titulo de vtória da iniciativa pessoal. A vitória foi a falha coletiva da defesa colorada em duas jogadas simples de bola parada. A primeira falha no primeiro pau e a segunda preferiram ficar parados e assistir ao segundo gol do grêmio.

    Cecconi, qual programa usa para fazer a análise nos campinhos.

    Um abs

  • borracho diz: 26 de abril de 2010

    Po Cecconi, esqueceu do Adilson! Quase ninguem falou mas acho q a entrada dele foi importante pois puxou o time mais pra frente (devido as diferenças de estilo entre ele e o Ferdinando) e estando mais compactado o meio com o ataque e mais perto do gol produziu muito mais no segundo tempo.

    Neuton tambem teve mais liberdade (e confiança) pra subir no segundo tempo e isso ajudou bastante, principalmente o Jonas encostando ali na esquerda.

    Pra mim o diferencial dos meias do Gremio q tu comparou no teu texto foi a marcaçao, coisa q se talvez o Douglas tivesse jogado nao teria dado certo. Por isso eu acho q um meio campo com dois volantes (Adilson e Ferdinando) e Douglas e Rochemback parece ser a escalaçao mais equilibrada daqui pra frente, pois o Leandro nao faz absolutamente nada (e ainda por cima eh amigo de colorado!) e o Hugo apesar de ter sido importante no Grenal nao apresentou nada q o Rochemback nao possa fazer (talvez o Hugo seja mais rapido e possa fazer contra-ataques mas prefiro o Rochemback)

    E pra finalizar eh uma pena mesmo q te ponham so pra cobrir coisas do inter, tudo bem q a Tati q faz a cobertura do Gremio eh linda, mas na hora das analises taticas tu faz falta! hehe

    Abraço

  • borracho diz: 26 de abril de 2010

    Acabei de ver q o Ferdinando deve parar por tres semanas, eh a oportunidade perfeita pro Gremio trazer um camisa 5 de verdade q nos faz falta (Battaglia eh o cara) e tambem estavam falando no Coelho pra lateral direita (acho uma boa). Talvez devessem trazer mais um atacante pra servir como opçao (Ariel do Coritiba seria uma boa e barata alternativa). Se o Victor sair gostaria de ver o goleiro chileno Miguel Pinto com a camisa 1, com essas contrataçoes acho q teriamos um grande time.

    Victor (Miguel Pinto)

    Coelho (Edilson)
    Mario Fernandes (Saimon)
    Rodrigo (Ozeia)
    Neuton (Fabio Santos)

    Battaglia (Matheus Magro)
    Adilson (Bruno Renan, Fernando)
    Douglas (Pessalli)
    Rochemback (Mithyue, Maylson)

    Jonas (Roberson, Bergson)
    Borges (Ariel)

  • Beto diz: 26 de abril de 2010

    Foste muito feliz na análise ao dizer que “quando duas equipes atuam com formações e estratégias semelhantes, sobressai-se a iniciativa pessoal”. Eu completaria dizendo que, ao perceber que o time adversário está obtendo vantagem pela iniciativa pessoal, o BOM TREINADOR altera sua estratégia e desmancha o “encaixe” para tentar retomar o domínio do jogo.
    Não foi o caso do Fossati ontem.
    Além disso foi visível, desde os primeiros minutos do segundo tempo, que o Silas mandou o Neuton ir para cima do Nei (que é mau marcador), forçando a jogada individual. É sempre uma temeridade deixar “Lateral marcando lateral”, ainda mais com zagueiros lentos na cobertura: bastaria alguém do meio campo acompanhar a subida do lateral, nem que seja para “cercar”. E como “antídoto” o Inter deveria passar a ocupar o lado direito do ataque, mas não com o D´Alessandro e sim com alguém veloz, como o Taison.
    Mais uma vez o Fossati não “enxergou” o jogo.
    Aliás, é impressão minha ou o Fossati é um dos únicos treinadores que não usa rádio e um assistente nas cabines? Ali do reservado ele só vai perceber que o time está “torto” quando for tarde demais.

  • Leonardo Sander diz: 26 de abril de 2010

    Cecconi o q tu acha de o Inter jogar em uma espécie de 4-2-3-1 bem parecido com o do Arsenal: Pato; Nei, Wágner Silva, Ronaldo Conceição e Kléber; Sandro(Wilson Mathias), Elton, Giuliano, Andrézinho e Marquinhos; Walter. Andrézinho faz uma função semelhante a do Fábregas, Arma e da combate, Giuliano e Maquinhos, rápidos e técnicos, partem em diagonais, aproximando-se do Walter, q jogaria “flutuando” la na frente. Os volantes, Sandro(W. Mathias) e Elton, São técnicos, donos de bom passe, ajudariam na armação tbm.

  • Guilherme B.A. diz: 29 de abril de 2010

    Mais uma vez, brilhante análise Cecconi. O Clássico foi decidido no detalhe. Na vitória/derrota pessoal. Os meias sendo subtraídos pela marcação. Duas bolas paradas convertidas pelo Grêmio. Falta de um ataque perspicaz por parte do Internacional. Além disso, acho que o técnico Jorge Fossati poderia ter mudado o time antes e de maneira mais ousada. O Kléber fez muita falta também.

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