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Aquilani salva Gerrard do ostracismo tático

27 de abril de 2010 8

Assunto recorrente no blog Preleção: o mau aproveitamento de Gerrard no Liverpool há praticamente duas temporadas. Devido a convicções que levam a uma estratégia mais defensiva, o técnico espanhol Rafa Benítez abdicou do segundo atacante, desfez o 4-4-2 em duas linhas, adiantou o camisa 8, e passou a jogar no 4-4-1-1. Não é coincidência a má fase do clube, que desde então se viu mal na Champions League, na Premier League e nas copas nacionais.

No domingo, entretanto, o retorno de Aquilani ao Liverpool ajudou Gerrard. Na goleada de 4 a 0 sobre o Burnley, Benítez foi inteligente ao inverter os posicionamentos e funções do italiano e do inglês. Mantido o 4-5-1 em duas linhas de quatro jogadores (desdobrado em 4-4-1-1), ele recuou Gerrard para sua função original, e adiantou Aquilani para a ligação ofensiva.

Deu certo. Gerrard marcou dois gols e foi o melhor jogador em campo. Aquilani teve bom desempenho. A nova formação pode ser mantida, o que levaria Lucas a permanecer no banco de reservas. Nada contra o ex-jogador do Grêmio, excelente volante, mas em um meio-campo alinhado, ele deve concorrer com Mascherano, não com Gerrard ou Aquilani. Ter dois marcadores centralizados retira velocidade na transição ofensiva, e desqualifica a segunda bola. Com Gerrard de box-to-box, é diferente.

Alguém poderia se surpreender com a consequência do reposicionamento de Gerrard. “Mas como ele marcou dois gols em uma posição mais recuada, se antes atuava praticamente como um segundo atacante com liberdade de movimentação?”. Explicações não faltam.

Como box-to-box, Gerrard precisa de espaço para oferecer ao time suas principais características: precisão no passe, eficiência nas inversões e lançamentos longos, potência nas conclusões de média distância, e aproximação ofensiva com bola dominada, ou em tabelas. Adiantado, ele não podia exercer praticamente nenhuma destas características, por estar embretado entre os volantes e os zagueiros.

Recuado, Gerrard parte detrás. Tem espaço para organizar a equipe, fazer a saída de bola, e adiantar-se para apanhá-la na intermediária ofensiva. Foi assim que nasceu o 4-4-2 em duas linhas, no próprio Liverpool, nos anos 70: um sistema criado para aproveitar a velocidade de jogadores pelos lados, acionados com a bola longa na transição ofensiva. Sem um box-to-box nato, o four-four-two não funciona.

O bom desempenho de Aquilani mais adiantado proporciona a Gerrard jogar novamente em alto nível, e permite ao Liverpool resgatar a característica histórica do 4-4-2 em duas linhas (mesmo na variação para o 4-4-1-1). Se for assim, o final de semana promete um confronto sensacional contra o Chelsea.

Comentários (8)

  • Leonardo Sander diz: 27 de abril de 2010

    Cecconi desculpe a ignorância, não tenho acompanhado o Liverpool, mas pelo o que vi no teu desenho tático, quando o Fernando Torres voltar, o Aquilani iria para o Banco, ou o Kuyt??

    Resposta do Cecconi: a mente do Benitez não tem sido muito lógica, mas imagino que saia o Babel ou o Maxi – passando o Kuyt para o meio-campo, e entrando o Torres na frente.

  • Guilherme diz: 27 de abril de 2010

    Não vi o jogo, mas fico feliz por isto, pois sou fã do Gerrard.

    Há algum jogador atuante no Brasil com as mesmas características dele?
    Reconheço no Douglas algumas qualidades de um box-to-box, mas seria possível implementar no Grêmio um esquema como este?

    Abraço.

  • Emerson diz: 27 de abril de 2010

    É! A mente do Benitez é uma incógnita mesmo. Seria muito mais pratico e efetivo se ele fizesse o mais lógico. Entra o Fernando Torres, sai o Aquilani e mantém o Kuyt no ataque, ele é dali. Se tem jogadores de qualidade para utilizar, por que improvisar?

  • Emerson diz: 27 de abril de 2010

    Cecconi, além do Gerrard, quais os melhores box-to-box em atividade no mundo?

    Existem jogadores brasileiros de qualidade com essas caracteristicas?

    Grande abraço.

  • Yuri diz: 28 de abril de 2010

    isso que acontece com ele essa temporada nao é nada comparado à posição que ele joga na seleção. ta, nao tem outro jeito de colocar ele e lampard na equipe, mas entao coloca no banco po, gerrard nao é LW

  • Alan diz: 28 de abril de 2010

    O Gerrard jogou praticamente a vida toda assim não é? ele se tornou esse grande jogador jogando como um cara que vem mais de trás… é de se imaginar que é assim que ele rende. Me surpreende é como o Gerrard tá sempre presente no time, parece que tem 500 anos de Liverpool, e incrível que ele nem é tão velho assim… então, é preciso saber aproveitar o futebol dessa fera não? Tomara que o Liverpool reverta quinta contra o Benfica e vá pra final, gosto muito do time inglês. Abraço;

  • DANIEL R SANTOS diz: 28 de abril de 2010

    Fala Cecconi.
    Viu, queria te dizer 2 coisas:
    1- Entrei esses dias no 4shared, procurando algum texto sobre táticas do PES, e num arquivo .rar sobre táticas de PESm, tinha uma Imagem de uma tática do Real Madrid publicada por vc. Que bom. Esse é o bônus e o ônus de fazer um bom trabalho (no arquivo citado não havia nenhuma referencia a vc)

    2- Tô com uma publicação do Jornal da Unicamp sobre uma tese de mestrado sobre táticas de futebol. Não diz muita coisa diferente daquilo que um simples torcedor sabe, mas é interessante ver como o mundo acadêmico está começando a ver sobre táticas de futebol. Se quiser, posso te mandar via e-mail (é so mandar o seu e-mail p/ o meu)

    Abraço

  • Leonardo diz: 28 de abril de 2010

    Cecconi, gostaria muito que fizesse uma análise do time da Inter que eliminou o Barça perdendo de 1 a zero, e o que tu tens a dizer sobre o embate dessas duas escolas de futebol. Abraço!

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