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Como o Inter ruiu o paredão defensivo do Banfield

07 de maio de 2010 18

Buscar a vitória sem se desorganizar. Este provavelmente foi o mantra que embalou as conversas do técnico Jorge Fossati antes da partida contra o Banfield. E ontem o Inter mostrou que isso é possível. Frente a um bloqueio defensivo, formado por duas linhas de quatro jogadores, os jogadores colorados tiveram paciência para buscar espaços até conseguir a vitória de 2 a 0, que garantiu a classificação colorada para as quartas de final da Copa Libertadores 2010.

O Banfield se utilizou do 4-4-2 britânico, com estratégia defensiva. Duas linhas de quatro jogadores, a primeira posicionada sobre a divisa da grande área, e a segunda sobre a intermediária, dez ou quinze metros acima. Marcação por zona, evitando o surgimento de “buracos” no paredão. Reparem na foto abaixo:

Qual era a proposta do Banfield? Induzir o Inter a lançar bolas altas na área. Com oito jogadores organizados em rígidos dois pelotões, os argentinos bloquearam a entrada da área, e retiraram de Andrezinho e D’Alessandro o espaço necessário para a articulação colorada. Isso desabasteceu Walter e Alecsandro, que passaram a sair da área para buscar jogo.

O problema, nos primeiros 40min de jogo, foi o Inter cair na armadilha. O Banfield queria ver a equipe de Jorge Fossati cruzando aleatoriamente da intermediária. E o Inter seguia exatamente este roteiro. Trocava passes, as portas estavam todas fechadas, então…chuveirinho. Jogada infrutífera, pois o Banfield tinha no mínimo quatro jogadores – os da primeira linha – todos altos na bola aérea. E um acréscimo.

Notem o movimento do volante Battión na foto abaixo. Assim que o Banfield conseguia induzir o Inter a preparar o chuveirinho, ele aprofundava o posicionamento entre os zagueiros. Mais um grandalhão no combate à bola aérea colorada. Alecsandro e Walter contra uma linha de cinco jogadores:

Dentro deste contexto, qual foi o mérito do Inter? Ter a tranquilidade sugerida no mantra-tático para encaixar a infiltração pelo chão na primeira desatenção do bloqueio do Banfield. Depois de 40min fazendo o que o Banfield queria, D’Alessandro se aproximou de Andrezinho, fez um passe diagonal rasteiro, Andrezinho infiltrou-se por entre as duas linhas argentinas, e serviu a Alecsandro: Inter 1 a 0.

Bola no chão. Infiltração diagonal. Esta é a chave para furar um bloqueio em duas linhas de quatro jogadores. Principalmente quando a estratégia aplicada a este 4-4-2 britânico é o posicionamento recuado, e a compactação dos pelotões. Na marcação por zona, esta infiltração pode indefinir quem é o marcador. O famoso “deixa que eu deixo”. Funcionou no primeiro gol.

A classificação veio em outra jogada correta, de Fabiano Eller. Novamente com a participação de D’Alessandro. Ao invés de recorrer ao chuveirinho lotérico da intermediária, consagrando os grandalhões do Banfield, Fabiano Eller levou a bola até o limite da linha de fundo. E fez um cruzamento curto, na primeira trave. Esta bola rápida permitiu a Walter, apesar da pouca estatura, antecipar-se aos zagueiros para cabecear. Walter havia feito o mesmo no primeiro tempo, em outro cruzamento correto de D’Alessandro – o melhor em campo de ontem – mas errara o alvo.

O Inter de Fossati, no 4-4-2 com meio-campo praticamente em quadrado, demonstrou maturidade contra o Banfield. Não maturidade no sentido de experiência. Mas de compreensão da melhor estratégia. Não perdeu a calma, não se desesperou, e não se desorganizou. Manteve a posse, não correu riscos, e buscou no balanço ofensivo uma variação de jogadas – primeiro errando no chuveirinho, depois acertando na infiltração e no cruzamento curto – a melhor maneira de vencer. E venceu com méritos.

Para minha alegria, o mestre Vitor Sergio, comentarista do canal Esporte Interativo, fez referência ao blog Preleção em sua análise da vitória do Inter. Confiram clicando aqui.

Comentários (18)

  • Gerson diz: 7 de maio de 2010

    Excelente materia, principalmente com as fotos, assim da pra entender melhor do que com os desenhos. Parabens!

  • Felipe diz: 7 de maio de 2010

    Valeu mesmo, Cecconi. Era isso que eu precisava enxergar no Inter. Como foi que eles ganharam. No fundo eu sabia que nós íamos passar, mas não sabia como, pois não vejo no Inter uma organização tática.
    E parabéns pela referência do Vitor Sérgio que fez rasgados elogios ao teu blog e convenhamos, é o melhor blog de análise de futebol no Brasil. Ninguém analisa tão profundamente e com tanta riqueza de detalhes um jogo como o teu blog.

    Os gaúchos agradecem!!

    Valeu!!!

  • DANIEL SANTOS diz: 7 de maio de 2010

    será que a sua analise do Estudiantes ainda está valendo? Ou o tecnico mudou o esquema tático do Estudiantes????

  • Luís Felipe diz: 7 de maio de 2010

    só uma ressalva: o cruzamento do Eller seria para o meio da área com muito menos peso. Mas ele bate no jogador do Banfield e esse leve toque faz com que o cruzamento ganhe peso, seja mais rápido e mais baixo. Foi um lance de sorte. Bom post. Abraços!

  • Antonio Tavares de Oliveira diz: 7 de maio de 2010

    Parabés pela análise e pelo blog, aprendemos muito com isso. Eu que tenho um menino que joga Estadual de Futsal e campo, sempre lemos esses posts e analisamos pra ver se entendemos.

    Valeu

  • Eduardo Menezes diz: 7 de maio de 2010

    As fotos deixam a análise ainda melhor. PArabéns

  • Tiago diz: 7 de maio de 2010

    Que bonita as fotos, dá pra ensinar até a namorada a ver visão de jogo

  • Sandro diz: 7 de maio de 2010

    Muito boa análise, Cecconi. Foi exatamente o que eu percebi durante o jogo, ontem. Só tenho uma observação: o Inter correu, sim, riscos. Na minha opinião, claro. O Banfield não foi muito agressivo, como já não tinha sido o Dept Quito. Ainda assim, jogadas de velocidade contra nossa zaga são mais perigosas que o normal, pois a zaga é lenta. Isso ainda vai nos custar caro.

    Ainda que tenha minhas restrições (bem fortes) ao trabalho do Fossati, eu gostei de duas coisas que vi ontem: um posicionamento melhor do miolo da zaga para as bolas aéreas e (FINALMENTE!) o abandono da bisonha estratégia de fazer linha de impedimento em bola parada alçada na área. Nos custou um gre-nal e um Gauchão, mas parece que o Uruguaio aprendeu.

    De qualquer forma, fica a minha preocupação quanto ao sistema defensivo do Inter. Os adversários driblam o Nei como e quando querem, e chegam pela nossa lateral direita com o caminho pavimentado até bem perto da zona de risco. É um problema sério. O lado esquerdo não é muito mais protegido, também. A nossa sorte (repito, por enquanto) foi ter pego adversários limitados e termos dois ótimos volantes dando cobertura.

    Um abraço, parabéns pelo blog. Ótimo espaço para discutir tática de futebol deixando a paixão (que é fundamental) e a corneta (idem) de lado.

  • Alvair diz: 7 de maio de 2010

    Parabéns pelo blog, Cecconi. Concordo com você e acho que o Inter precisa usar mais essas infiltrações pelo meio, principalmente por ter meias que sabem passar muito bem (D´Ale, André e Giuliano). Para mim, o jogo de ontem revelou também a necessidade do Inter aproveitar melhor o apetite ofensivo do Nei. Trata-se de jogador impetuoso, que busca sempre a jogada vertical, não deixa a marcação do lado esquerdo adversário ter sossego um segundo. Mas não sei se isso é possível com Kleber em campo… Um abraço!

  • Carancho Gaúcho diz: 7 de maio de 2010

    Bela análise dos times, do jogo. Imparcial e lúcida, além de didática.

    Meus blogs favoritos: Preleção e Almanaque. São claros e imparciais, ótimos informativos.

    Parabéns!

    E Saudações Coloradas!

  • Ademir Neissinger diz: 7 de maio de 2010

    Tche Cecconi, parabéns pela transmissao on line do jogo ontem, muito legal, se nao fosses jornalista e isento, diria que és COLORADO hehehhe brincadeira.

    Mas sabes vi a imagem das linhas de 4 na hora da transmissao no site e quando se referistes ao post no preleçao e vim aqui avido pelo debate, assisti o 2o tempo pela TV e prestei atençao a essa parte, e realmente é muito complicado furar essas linhas, o Inter fez bem em colocar a bola no chão!!!

    Agora pergunto, e acho que é tema pra POST Inter x Estudiantes, como ficaria o encaixe dos atuais esquemas táticos ??? e mais como parar o Veron, que é um classico Box – to- box, mas jogando em um time com esquema de 3 zagueiros?? Deixo a minha sugestão, marcar o Veron como o Corintians fez com o D’Ale aqui no beira rio, 2 ou 3 jogadores ligados nele, quando pegar a bola, cerca e toma na boa indo diretamente ao contra ataque, assim cria-se o efeito dominó na defeza cobertor curto, e abrem os espaços! TERÁ O INTER VELOCIDADE de contra ataque pra jogar assim ???

  • Marco Aurélio diz: 7 de maio de 2010

    O seu é um dos melhores blogs esportivos do Brasil, com análises táticas corretas. Tenho recomendado a amigos, principalmente agora que a Copa se aproxima. Parabéns!

  • RAFAEL diz: 7 de maio de 2010

    GOSTEI MUITO DO SEU BLOG CARA PARABENS!!! ACABA DE GANHAR MAIS 1 SEGUIDOR!!!! GOSTO MUITO DE ENTEDER SOBRE TÁTICAS E TALZ,,,

    VC TEM O LIVRO DO JOSE MOURINHO: PORQUE TANTAS VITORIAS? VC SABE ONDE POSSO CONSEGUIR ESSE LIVRO? VC TEM PRA ME VENDER? POR FAVOR ME AJUDE A ACHAR ESSE LIVRO!!!!

    OBRIGADO E AGUARDO RESPOSTA!!!

    ABRÇ

  • azza diz: 7 de maio de 2010

    Cecconi, esqueceu de colocar que tem dedo do fossati nessa vitória, apartir do momento em que mandou D’ale e andrezinho inverterem suas posiçoes, que até então estavam jogando nos lados preferenciais de seus pés.
    Depois disso, os cruzamentos pararam, dando lugar ao jogo pelo chão, como vc citou.

    Gosto muito do teu trabalho com esse blog cara, parabens.

  • César diz: 7 de maio de 2010

    Parabéns, Cecconi! Ler o teu blog é esclarecedor. Agora, então, com essas fotos, ficou show de bola! É, sem sombra de dúvidas, um dos melhores do Brasil…..

  • Carlos Augusto Nunes diz: 7 de maio de 2010

    Boa noite Eduardo! Parabéns pelo blog, sempre que posso confiro as tuas análises e gosto muito pois sou prof. de educação física e isso é uma novidade e tanto. Ontem imaginei se era possível o inter jogar num 4-2-3-1 usando no meio campo, Sandro, Guina, Giuliano, Andrezinho e D’alessandro e apenas o Alecssando ou Walter na frente, é viável? Penso que jogando com 3 homens que sabem avançar e levar a bola até o ataque se tenha mais qualidade na preparação e conclusão das jogadas… fugindo um pouco da parte tática, não sei é impressão minha, mas não vejo os jogadores do Inter chutarem a gol de longa e média distãncia… mais isso é quase um defeito nacional mesmo…

    Abração e parabéns!

  • ACA diz: 8 de maio de 2010

    Merecido a citação no blog do Vitor Sérgio, assim como merecida a sua citação sobre o blog dele, agora sabemos uma das suas fontes de jogos hehehe, no Esporte Interativo passa tudo (quase).

  • Carlos Augusto Nunes diz: 11 de maio de 2010

    Eduardo! E com o Tinga agora no Inter, qual seria o esquema tático ideal???

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