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No 4-2-3-1 de Silas, falta avançar a segunda linha de meio-campo

24 de maio de 2010 20

Nas duas últimas partidas do Grêmio – derrotas fora de casa para Santos e Palmeiras – o técnico Silas resgatou o primeiro sistema tático que tentou implementar no Grêmio, ainda nos treinos da pré-temporada em Bento Gonçalves – leiam aqui: o 4-5-1 com dois volantes e três meias, desdobrado em 4-2-3-1.

Concluí que Silas optou pelo 4-2-3-1 com uma pretensão defensiva. Contra o Santos foi com o recuo de Jonas pela direita; contra o Palmeiras, sem Borges, Jonas foi o atacante central, com Leandro de meia-extremo. Em ambas as situações, entretanto, a escolha tática parece ter seguido a ideia de que, com esta linha de três meias, o Grêmio se defenderia melhor.

Qual o resultado deste raciocínio? O recuo demasiado da linha de três meias. Leandro/Jonas, Douglas e Hugo partiram de um posicionamento inicial muito afastado da zona de articulação. Próximo demais dos volantes. Neste contexto, abertos pelos lados, Jonas/Leandro e Hugo ainda bloquearam a passagem dos laterais, ocupando um espaço que deveria ser destinado ao apoio de quem se desprende da linha defensiva.

Esse posicionamento inicial dos meias-extremos, abertos pelos lados e recuados, retirou do Grêmio a velocidade na transição ofensiva. Há muito campo para percorrer até que se chegue ao centroavante, seja Borges ou Jonas. E com os laterais bloqueados pela própria equipe, além da sobra de campo, faltam opções para o controle da posse de bola. Na prática, o Grêmio faz o desarme, mas sem alternativas e com um vácuo entre meio-campo e ataque, prontamente devolve a bola ao adversário.

Acredito no sucesso do 4-2-3-1, desde que Silas repense a estratégia defensiva que aplica ao sistema. Este modelo de jogo não pode ser escolhido para “defender com mais gente”, mas sim para ocupar melhor os espaços a partir da intermediária ofensiva. O exemplo que eu sempre utilizo é o Arsenal de Arsene Wenger, técnico que talvez faça no futebol mundial o melhor uso do 4-2-3-1.

É preciso adiantar as linhas. Todas elas. Agrupar melhor a equipe. E ter os meias ofensivos posicionados entre o meio-campo e a intermediária ofensiva, e não atrás da linha divisória. Com os dois volantes, um cobrindo cada lado, não é necessário tanta cautela com os laterais. Eles podem ser liberados para o apoio, até mesmo simultâneo. Basta que os meias-extremos joguem mais próximos, mais centralizados, trazendo a marcação para dentro e abrindo o corredor lateral. É melhor no 4-2-3-1, para a formação de triangulações, a passagem dos laterais do que o avanço dos volantes.

No diagrama tático que ilustra o post, simulei uma “escalação ideal” do Grêmio no 4-2-3-1, mas com o posicionamento que Silas aplicou nos dois últimos jogos. É campo demais entre o meio e o único atacante. Reitero que este sistema não pode ser adotado com o pensamento único de que ele “defende melhor” que o 4-4-2. O Grêmio pode seguir com este sistema, e talvez até torná-lo preferencial, desde que os meias atuem próximos do atacante, e movimentem-se para criar espaços aos laterais. Estes meias devem entrar mais na área, aplicar mais as diagonais, e mesmo sem a bola pressionar em linha mais alta a saída de bola adversária.

Sem Borges, lesionado, minha sugestão a Silas – para a manutenção do 4-2-3-1 – além do avanço das linhas e da estratégia menos defensiva – é trocar Leandro por Maylson. Ano passado, quando Marcelo Rospide se utilizou do mesmo sistema, Maylson demonstrou ser um meia-extremo muito qualificado pela direita. Seria interessante vê-lo nesta função novamente, tendo as companhias de Douglas e Hugo, protegido por Adílson, e abrindo caminho para Edilson.

Não estou, com isso, dizendo que Silas erra. A escolha pelo 4-2-3-1 é boa, e vejo no elenco do Grêmio jogadores com características adequadas a este sistema. Discordo apenas da estratégia adotada.

Comentários (20)

  • MacGregor diz: 24 de maio de 2010

    A solução pro Silas, já que perdeu o controle do time, é colocar de titular os seus jogadores de confiança, William e Ferdinando. Além disso trazer o André Turatto e o Eduardo Martini, que foram os pilares da campanha do avaí na segunda divisão de 2008, conquistando o acesso pra série A.

  • Daniel Vicente diz: 24 de maio de 2010

    Cecconi, meparece justamente o contrário, ou seja, muita distância entre a linha de marcação e a linha de criação, o que fragiliza o sistema defensivo. Douglas, Jonas, Borges, Hugo ou Leandro não marcam e não têm velocidade. Fica um espaço enorme no meio de campo. O resultado é que quando a defesa do Grêmio recebe um ataque em velocidade a primeira linha fica facilmente batida e sobram 3 ou 4 jogadores para evitar o Gol. Foi assim no segundo tempo contra o Santos e em todo o jogo contra o Palmeiras. Creio que o Grêmio deveria jogar com três volantes (base alta). Um bem defensivo, que seria o Ferdinando (Adílson) e outros dois com mais qualidade de chegada, mas com igual responsabilidade de contenção, formada com Maílson e WM (Rockemback, Fernando). Na armação teria o Mithyuê (Douglas na reserva) e Jonas e Borges, na velocidade e pivô, respectivamente. Ainda dois laterais defensivos mas com boa chegada (Mario e Neuton). Nessa situação, o time dependeria pouco da zaga, que seria muito bem protegida, sendo indiferente Rodrigo, Rafa, Ozéia ou Saimon, meu preferido dos 4. Penso, Cecconi, que marcação e contenção é o principal fundamento de um bom time. Por isso, discordo do faceiro 4-5-1 do Silas ou seu 4-4-2, com 2 homens de armação e dois de ataque.

  • JL diz: 24 de maio de 2010

    bah ceconi parabens novamente também concord alem do que hugo e douglas são lentos demais para executar essa função tão longe dos atacantes. abraço

  • VICTOR diz: 24 de maio de 2010

    Pois é Cecconi, será que essa é a melhor formação com o material humano que o Grêmio possui? Acredito que não seja. Não entendo a retirada do Maylson do time, um jogador que já jogou como volante, tem velocidade, marca muito bem, qual contra-ataque tem o Grêmio com Douglas e Hugo? Ainda sai pro jogo como um meia ofensivo fazendo o corredor pela direita, e ainda por cima faz gol. Foi onde o Grêmio teve equilibrio. O Leandro é segundo-atacante não meia (Reserva do Jonas). O Hugo não encaixa no sistema jogando junto com o Douglas. Fica lento e torto. Enquanto o Souza não voltar o Maylson tem que ser o titular do time. Bem que poderia ser esse meio campo para depois da copa: BATTAGLIA, W. MAGRÃO (ADILSON), SOUZA E DOUGLAS.

  • Marcelo da Rosa diz: 24 de maio de 2010

    Não seria mais correto os jogadores correrem certo, adiantar a primeira e segunda linha e recuar a terceira?

    Os laterais não correriam mais 60, 70m, seriam defensores (aliás é isso que eles são), um volante defensivo (Ferdinando) um outro ao seu lado, dois volantes ofensivos (para fazer a jogada pelo lado do campo e um atancante com vocação para completar o meio. É notório, Silas vive tentando imitar o Mourinho mas tem Jonas, Mourinho tem Eto’o, a ideia é boa, ótima mas esbarra na qualidade dos jogadores, Mailson e Taison o dia que acordarem e jogarem de volante ofensivo, marcando o lateral e descendo “nas costas” do mesmo, logo, logo estaram na europa.

  • edgard diz: 24 de maio de 2010

    concordo, Cecconi. viu-se isso no 2º tempo contra o santos em q trouxemos o adversário p/cima e contra o palmeiras qdo equivocou-se nas substituições, tirando os laterais, improvisando um e colocando um meia na lateral, perdendo a força do Maylson do meio p/o ataque. abçs

  • Aldino diz: 24 de maio de 2010

    Já vimos que este sistema não funciona defensivamente e, ao mesmo tempo, retira a velocidade no contra ataque. Além disto, esta forma de jogar leva a um insano toque prá lá e prá cá sem efetividade na área adversária ou porque o jonas não chega até lá ou porque o borges fica inteiramente isolado… O time fica sem compactação afastando os atacantes um do outro e afastando os três meias dos dois volantes, por onde tem entrado os contra-ataques adversários. É um modo suicida de jogar…

  • DAvi diz: 24 de maio de 2010

    Mas o time nao teria dificuldade com apenas um volante?

  • Roberto diz: 24 de maio de 2010

    Beleza, gostei do teu comentário. Só que ou muito me engano ou o Silas estava tentando adiantar o time para compactar as linhas, como, por exemplo, no jogo contra o Fluminense no Maracanã. Só que vieram as lesões e aí … De qualquer forma, com esse time do teu diagrama não importa muito o esquema, porque todos sabem jogar bola (tá bem, o Edilson destoa, mas é só um em onze) e machucam o time adversário de um jeito ou de outro. O problema é falta de consistência agora, que a defesa é quase toda reserva e o meio tá desfalcado. O time jogou contra o Palmeiras num autêntico 2-1-1-6 (Ozéia e Rodrigo, Adilson, Rockembach, e todo o resto lá no ataque, incluindo Joílson, Edilson, Hugo, Jonas, Leandro, et caterva). Resultado: 4 x 2 pra um time de segunda categoria. É dose.

  • Leon diz: 24 de maio de 2010

    O MAgrão não é dessa função! E para esse esquema, vejo que se necessita dois volantes marcadores, tipo Sandro e Guinazu… dificil comparação mas é fato! Mas acho que Adilson e Rochemback fazem bem. O magrão é um jogador mais agudo… joga vertical… pra frente! Não tem essa caracterisitica de cobertura! E de horizontalização dos espaços!
    Mas uma coisa com certeza ira mehlor nesse esquema ai.. sera com a volta do Souza! Sai Hugo, souza na direita, e Jonas na esquerda, tendo a chance de poder cortar pra dentro e chutar com a direita!!! Jogar na diagonal para a direita! E o SOuza mestre pela direita!

    Acho que o time é bom! Parece ta faltando vontade para alguns!

  • Cláudio Sirangelo diz: 24 de maio de 2010

    Fico no meio termo entre tua análise e a do Daniel Vicente. Para mim não se trata de adiantar ou recuar as linhas do meio campo. O posicionamento está correto quando estamos nos defendendo. O problema é que Douglas e Hugo não sabem ou não querem marcar. De qualquer forma, não marcam, no máximo cercam e isso sobrecarrega os volantes.
    E quando atacamos, os volantes tem subido junto com os laterais, principalmente o Rockemback e o Joílson. Por isso tomamos gols de contra-ataque contra o Palmeira, com os Dois zagueiros e o Adilson contra os atacantes e meias.
    Em resumo: o posicionamento defensivo está correto, mas os jogadores tem caracteristica de pouca pegada (Douglas, Hugo, Rockembach).
    Quando atacamos, sempre com muitos jogadores, cedemos contra-ataques (Só fica um volante no meio campo e os zagueiros atrás).
    Se eu fosse o Silas escalava o Maylson no lugar do Hugo na meia e colocava o Hugo no lugar do Leandro e cuidava a subida do lateral direito junto com o 2º volante e os meias.

  • Luis Felipe diz: 25 de maio de 2010

    Por Favor, ninguem esta vendo o furo do time do gremio?!?!?!??!
    Pessoal o gordo DOUGLAS ta simplesmente acabando com o time.
    Hugo no lugar dele e mailson na função do hugo jahhhhhhhh.
    Por favor!!!!

  • Carlos diz: 25 de maio de 2010

    Cecconi, enquanto o Borges está fora, não seria uma solução colcoar o garoto Mithyuê ao lado de jonas?!
    Ele já atuou por ali, com bastante movimentação de ambos, e o mithyuê tem habilidade e velocidade. Acho que não custa tentar.
    Outra mudança é colocar o maylson!
    abraço

  • Cesar Altino diz: 25 de maio de 2010

    O SILAS MOSTROU QUE SE PERDEU.

    NA VERDADE, FEZ UM CAMPEONATO GAÚCHO BEM COMUM. E PERDEU O ÚLTIMO JOGO.

    DEPOIS, PERDDEU PRO AVAÍ NA COPA DO BRASIL, NUNCA É DEMAIS LEMBRARMOS QUE A CLASSIFICAÇÃO SE DEU POR UM GOL!!! CONTRA O AVAÍ…

    QUANDO ENFRENTAMOS O ADVERSÁRIO MAIS FORTE, SILAS CAGOU NO PAU. ASSIM SE FORMOS DIVIDIR A SEMIFINAL EM 4 TEMPOS DE 45 MINUTOS, O GREMIO PERDEU 2, EMPATOU 1 E VENCEU 1!

    NO BRASILEIRÃO, ESTAMOS LEVANDO SURRA DE RELHO, UMA TUNDA ATRÁS DA OUTRA.

    EU JÁ ACHO QUE ELE É BOM TREINADOR, MAS MUITO INEXPERIENTE PRA UM CLUBE COMO O GREMIO.

  • ADRIANO diz: 25 de maio de 2010

    Boa tarde Ceconni! Gostei da tua análise .. muito coerente, gostaria que voçê fizesse uma análise do grêmio jogando em duas linhas de 4 onde :
    vitor- gol
    1ª linha – Mario fernandes, Ozéia, Rodrigo e Neuton,
    2ª linha – Maylson,Adilson,Magrão,Douglas ou para a segunda linha;
    Souza,maylson,Adilson,Douglas

    jonas e borges

    valeu!!

  • Tiago diz: 25 de maio de 2010

    Certo Cecconi, mas vc não acha que seria necessário esclarecer aos volantes do Grêmio que eles saem demais da defesa para se aventurarem (mal) no ataque?

  • augusto diz: 25 de maio de 2010

    Cecconi,

    Incluiria na tua análise uma estratégia de “basculante ofensiva”.

    Explico: quando do avanço do lateral direito Hugo sobe e soma-se a Borges, enquanto Jonas fecha pelo meio, abrindo possibilidade de tabelamento com o lateral, com Douglas e Borges, saindo assim do 4-2-3-1 para um 4-2-2-2, ou seja, o 4-4-2 “a brasileira”. A jogada se repete pela esquerda, com Hugo fechando no meio e Jonas fazendo o segundo atacante.

    Abre ainda a possibilidade para a subida de um volante, permitindo assim a subida de mais um meia à ponta, dando condição de inversão de jogada. Da mesma forma que a basculante é feita no ataque, seria prudente fazer na defesa, “girando” assim o time inteiro, com apenas os zagueiros, o primeiro volante e Douglas guardando posição, este último não como função defensiva, mas para centralizar as jogadas e fazer lançamentos.

    Do que acompanhas de treino, acha possível vermos algo assim em campo?

  • LINCOLN BIANCONERI diz: 25 de maio de 2010

    Vamos considerar… chega de ilusão, nessa temporada o Grêmio irá lutar pela sulamericana.
    No gauchão o Silas foi campeão em cima de um Inter remendado e focado na libertadores (haja vista a derrota no segundo jogo). Na copa do Brasil a derrota para o time sensação (Santos) era prevista, mesmo após a ‘imortalidade’ mostrada e cedida pelo Rodrigo Mancha no jogo de ida. O Silas deve usar um 4-4-2 e aproveitar o bom entrosamento de Borges e Jonas, já o caso do Douglas é mais complicado, é necessário faze-lo conduzir a bola e armar as jogadas, o dificil é ele permanecer acordado durante os 90 min e não cochilar durante a partida.

  • Junior Albuquerque diz: 25 de maio de 2010

    Não sei se as derrotas passam pelo sistema, já que o 1° tempo contra o Santos e vários momentos contra o Palmeiras o Grêmio dominou o jogo.
    Também não sei se é a melhor escalação do Grêmio. Sem o Borges acho que essa que tu escolheu seja mesmo a melhor mas, com ele ela pode ser boa, mas não a melhor. Eu sei que tu não ta comparando com outras. É só um comentário meu.
    No mais, acho que tu tá certo. Ela pode dar certo desse jeito. O 4-5-1 do Mano deu certo em 2006 com jogadores parecidos com os que o Grêmio dispõe este ano..

  • Ade Elias diz: 25 de maio de 2010

    Cecconi primeiro o sr. VICTOR tem que sair do gol, se ele nao sai na pequena area vamos perder sempre. Vc sabe quem marcou JARDEL na final do mundial contra o AJAX?? Van der Saar, GOLEIRO TEM QUE SABER MARCAR TBEM, SAIR, SE ANTECIPAR, IMAGINAR.
    COM RELAÇÃO AO ESQUEMA DOUGLAS E HUGO NAO DÁ, POIS MARCAM POUCO…E ADILSON E WILLIAM MAGRAO MARCAM MAS NAO CHEGAM, NAO TEM CHUTE.
    PRA MIM O TECNICO BOM FAZ DA RAPADURA O BUFFET.
    MAYLSON NA ALA DIREITA SE REVEZANDO COM O ADILSON QDO EH PRA CHEGAR, HUGO NA ALA ESQUERDA PRA TER SAÍDA DE BOLA E FICAR NA LINHA DAS DUAS INTERMEDIARIAS, POIS ELE NAO TEM VONTADE DE IR E VOLTAR SEMPRE.
    NO MEIO ADILSON QUE NAO SABE CHEGAR LAH, WILLIAM MAGRAO, ROCKEMBACH(SAINDO UM POUCO MAIS, ESTILO DINHO, ABRINDO ESPAÇO E DOUGLAS(ESSE NAO ADIANTA TER FUNÇAO NEM DE CERCAR). NA FRENTE JONAS E BORGES OU OUTRO NO LUGAR DO BORGES MACHUCADO.
    4-4-2, COM SAIDAS PELAS LATERAIS, MEIO FORTE, E ATAQUE EM MOVIMENTAÇÃO.

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