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Seleções da Copa de 2010: análise tática do Brasil

27 de maio de 2010 13

Poucas seleções, como podemos constatar nesta série diária de posts sobre a Copa do Mundo, chegam à África do Sul tendo o 4-5-1 com dois volantes e três meias (desdobrado em 4-2-3-1) como sistema tático preferencial. O Brasil do técnico Dunga é uma destas raras equipes.

O 4-2-3-1 do Brasil é assimétrico. Não há alinhamento entre os três meias ofensivos. Na comparação com Kaká e Robinho, Elano atua em uma faixa mais recuada. Ele é um dos responsáveis pela proteção ao lateral-direito Maicon, sempre liberado para o apoio incisivo.

Na esquerda, o lateral – ainda indefinido – sobe menos, porque o campo ofensivo é ocupado pelo meia-extremo Robinho. Mas o jogador não costuma chegar à linha de fundo, priorizando a diagonal na direção de Luís Fabiano, o centroavante de referência.

Sou voto vencido entre boa parte da imprensa esportiva, mas vejo em determinadas circunstâncias uma variação no Brasil, do 4-2-3-1, para o 4-4-2 com meio-campo em losango. Isso acontece principalmente quando Nilmar substitui Robinho. Gilberto Silva tende a centralizar, protegendo a linha defensiva e cobrindo ambos os lados. Felipe Melo apoia pela *esquerda, alinhando-se com Elano. E Nilmar avança mais que Robinho, ultrapassando a tênue fronteira conceitual entre meia-extremo e segundo atacante. Eu vejo desta forma.

A estratégia do Brasil é a veloz transição ofensiva. Dunga não se importa que a equipe ofereça posse de bola ao adversário. As quatro linhas compactam-se, mantendo um bloqueio agrupado. Recuperada a bola, o contra-ataque é sincronizado e rápido.

O centralizador da transição é Kaká, jogador reconhecido pelo talento na condução agressiva de bola. Ele os outros dois meias partem em disparada, invertendo posicionamentos se preciso for, e contando com o eventual apoio de um dos laterais. Este grupo chega rapidamente ao encontro do centroavante, sem desorganizar a equipe. Felipe Melo se adianta para a segunda bola, Gilberto Silva mantém-se atento às coberturas, centralizado, e a equipe não se torna vulnerável.

O sistema e a estratégia a ele aplicado são eficientes. Desta forma o Brasil vem conquistando títulos e bons resultados, mesmo que em detrimento de uma característica cultural do nosso futebol. Em um campeonato curto, com apenas sete jogos e sucessivas fases eliminatórias, pode ser uma boa maneira de se chegar ao hexa.

Dunga convocou 23 jogadores, todos já sabem quem são, mas aí está a lista:

Goleiros:   
Julio César – Inter de Milão (ITA)
Gomes – Tottenham (ING)
Doni – Roma (ITA)

Laterais:
Maicon – Inter de Milão (ITA)
Daniel Alves – Barcelona (ESP)
Michel Bastos – Lyon (FRA)
Gilberto – Cruzeiro

Zagueiros:
Lúcio – Inter de Milão (ITA)
Juan – Roma (ITA)
Luisão – Benfica (POR)
Thiago Silva – Milan (ITA)

Meio-campistas:
Felipe Melo – Juventus (ITA)
Gilberto Silva – Panathinaikos (GRE)
Ramires – Benfica (POR)
Elano – Galatasaray (TUR)
Kaká – Real Madrid (ESP)
Josué – Wolfsburg (ALE)
Julio Baptista – Roma (ITA)
Kleberson – Flamengo

Atacantes:  
Robinho – Santos
Luis Fabiano – Sevilla (ESP)
Nilmar – Villarreal (ESP)
Grafite – Wolfsburg (ALE)

Comentários (13)

  • Elizabete diz: 27 de maio de 2010

    Só faltou o Ganssssoooo…
    rsrsr
    Mas que venha a copa!
    vcs irão vencer!

  • Azza diz: 27 de maio de 2010

    Acho um bom time, apenas gostaria de ter o daniel alves na posição do elano…

  • zé lima diz: 27 de maio de 2010

    eu discordo, vejo direitinho um losango no meio campo (tem o 1, o 2, o 3 e o 4 do meio certinho em termos de poder de defesa e ataque), essa historia de 2-3-1 é muito a febre do momento, tem gente encaixando esse esquema em qualquer equipe. e tem outra, como mesmo escreveste, o time durante a partida não é estático, a movimentação não permite que a equipe fique sem ultrapassar lihas entre os jogadores. no papel, muito bonito…

  • Michel Costa diz: 28 de maio de 2010

    Olá Eduardo,

    Vale lembrar que, além dos 2 esquemas que citou, o Brasil já apresentou variações como um 4-1-4-1 (usado para marcar a saída de bola do adversário) e um 4-3-3 (usado contra a Itália na Copa das Confederações). Na segunda formação, esse foi o esquema base utilizado naquela partida.

    Abraços.

  • Nicolas diz: 28 de maio de 2010

    Só uma correção Cecconi. Com a entrada do Nilmar, o meio em losango tem Gilberto na base, Elano na direita e FELIPE MELO alinha na ESQUERDA, não na direita.

  • Vinicius Ryazantsev diz: 28 de maio de 2010

    acho interessante nessa seleção o debate tático que gera, em um site Inglês, o cara fala que não tem como saber se é um 4-2-3-1 ou 4-4-2 em losango, ou as vezes até um 4-2-2-2
    quando os laterais sobem, forma uma linha de 3
    mas acho que o 4-2-3-1 é predominante sim… só ver que o Robinho, mesmo sendo o Robinho(disciplina tatica zero), tá sempre ali na esquerda… desde a época do ‘vai pra la que eu vou pra ca’ eu percebi isso.

    aqui no Brasil muita gente se confunde como por exemplo, o Robinho começou como atacante, mas ja jogou pelo lado esquerdo do meio pelo Real e pelo City…mas muita gente ainda acha que por ser o Robinho, é atacante puro… hoje em dia tem muito jogador versátil.
    eu gosto DESSA seleção, mas não gosto do futebol Brasileiro, porem, torcerei pela Inglaterra e caso caia, Alemanha

  • Roberto diz: 28 de maio de 2010

    Dunga é um pragmático na vida. Sabe que se não levar gols e fizer ao menos um, ganha tudo. Na hora da Copa, é o melhor a fazer. O romantismo proposto por saudosistas – respeitáveis, claro -, fica bem pra amistosos, jogos de exibição, torneios menores. Parreira fez o contrário e ficou com o título da Copa das Confederações e uma derrota humilhante pra França em 2006.

  • Pedro Breier diz: 28 de maio de 2010

    Só uma correção Cecconi, acho que na parte “Felipe Melo apoia pela direita, alinhando-se com Elano.” seria “apoia pela esquerda” né. Abraço.

  • Claudio Sacramento diz: 28 de maio de 2010

    Grande parte dos meus convocados seria outra. Mas baseado nesta convocação eu faria o seguinte: colocaria Daniel Alves no lugar de Elano, apesar de entender a importância do jogador do Galatasaray no time. Uma troca com certa frequência eu faria também. Em momentos que o time estivesse “travado” ou precisando de mais um auxílio para o contra-ataque eu colocaria em campo mais um especialista nesta função: Ramires no lugar de Felipe Melo. Na lateral-esquerda eu escolheria Gilberto pois neste lado o lateral não sobe tanto por causa da presença de Robinho mais a frente, – como disse o Eduardo Ceconni – afinal Gilberto marca melhor do que Michel Bastos.

  • Klebber diz: 28 de maio de 2010

    Concordo com a análise do meio campo da seleção feita pelo Zé Lima.
    E vou mais além… todos os setores do time são assimétricos:
    O Maicon sempre sobe mais – se torna quase um ponteiro antigo.
    O Michel Bastos sobe ao ataque muito raramente porque tem o Robinho naquela posição ofensivamente.
    O Gilberto Silva fica preso à frente dos dois zagueiros. Principalmente quando o Brasil está no ataque, diminuindo a exposição da defesa à contra-golpes.
    O Felipe Melo protege sempre a subida do lateral que estiver apoiando no momento.
    O Elano, apesar de cair um pouco mais pela direita, faz a função de articulador. Até mesmo porque o Kaká não tem essa característica e joga quase como um segundo atacante, puxando os contra-ataques e encostando sempre ao Luis Fabiano.
    Sendo assim, O Brasil na minha opinião, ataca em 3-1-4-1 e se defende em 4-2-3-1

  • LINCOLN BIANCONERI diz: 28 de maio de 2010

    Perfeito o comentário!!!
    Sem tirar nem por, voce exemplificou em poucas linhas tudo aquilo que o time do Dunga poderá realizar na Africa.
    Não há nenhuma outra alternativa tática e estratégica, muito menos técnica…o que não é bom para quem sonha com o hexa.

  • Sergio Schneider diz: 28 de maio de 2010

    Eu discordo, como o colega falou ai eu tambem vejo a nossa verde amarela no 4-4-2 com dois volantes mais fixos e dois meias mais a frente, com o avanço dos dois laterais se revezando no apoio…. Assim como atuava o Felipão pelo GREMIO!!!

  • Roberto Justo diz: 24 de junho de 2010

    Eu concordo 100% com a formação, é essa que o Brasil vem apresentando nos últimos tempos, 4-5-1 (desdobrando-se em 4-2-3-1) e não 4-4-2 com dois volantes e dois meias que a globo insiste em mostrar.

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