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Posts de maio 2010

Seleções da Copa de 2010: análise tática da Espanha

31 de maio de 2010 15

Ano passado escrevi sobre o privilégio que os torcedores espanhois têm, de encontrar na mídia esportiva um qualificado debate tático sobre a seleção. À época, após a conquista da Euro e a excelente campanha nas Eliminatórias, a Fúria havia caído prematuramente na Copa das Confederações. Jornais como El País, Marca e As abriam ao público, com fundamentação e argumentos técnicos, o diálogo sobre duas alternativas: o 4-4-2 em duas linhas, e o 4-2-3-1. Hoje, como podem notar, a Espanha é o assunto da série diária de posts do blog Preleção, sobre a Copa do Mundo de 2010.

Parece-me que, desde então, o técnico Vicente del Bosque escolheu o 4-2-3-1. Pode ter sido uma opção circunstancial devido aos problemas físicos de Fernando Torres. Sem ele, del Bosque centraliza Villa no ataque, e coloca Busquets para jogar. Incompreensivelmente, Fábregas não é a primeira opção nem neste caso, mas esta é a predileção do treinador, e algum motivo ele deve ter para tal.

Neste 4-2-3-1, o ponto forte da Espanha é a qualificação dos meio-campistas. Busquets e Xabi Alonso, prováveis titulares da primeira linha, além da marcação contam com passe qualificado, chute de média distância, e precisão nos lançamentos - principalmente Alonso; à frente deles Xavi, centralizado, organiza a equipe e conta com o assessoramento dos extremos Iniesta e Silva, jogadores habilidosos e rápidos. Um quinteto de apavorar as defesas adversárias quando se aproxima com bola dominada, pelo chão.

A segunda alternativa é o 4-4-2 em duas linhas, com o qual a Espanha se destacou na Euro 08. Torres e Villa à frente de uma linha que pode contar com Silva e Iniesta pelos lados, Xavi e Xabi Alonso por dentro. Perde-se capacidade de marcação, ganha-se em mobilidade e eficiência nas infiltrações:

Forte candidata ao título do Mundial, a Espanha já tem seus 23 jogadores definidos. Confiram:

Goleiros:
Casillas - Real Madrid
Reina - Liverpool (ING)
Víctor Valdés - Barcelona

Defensores:
Albiol - Real Madrid
Arbeloa - Real Madrid
Capdevila - Villarreal
Marchena - Valencia
Piqué - Barcelona
Puyol - Barcelona
Sergio Ramos - Real Madrid

Meio-campistas:
Busquets - Barcelona
Fabregas - Arsenal (ING)
Iniesta - Barcelona
Javi Martínez - Athletic de Bilbao
Xabi Alonso - Real Madrid
Xavi - Barcelona
David Silva - Valencia

Atacantes:
David Villa - Barcelona
Fernando Torres - Liverpool (ING)
Jesús Navas - Sevilla
Llorente - Athletic de Bilbao
Mata - Valencia
Pedro - Barcelona

Seleções da Copa de 2010: análise tática da Coreia do Norte

30 de maio de 2010 1

O Grupo G fecha hoje, na série diária de análises do blog Preleção sobre as 32 seleções da Copa do Mundo, com a Coreia do Norte. Seleção asiática que vem chamando a atenção nos amistosos recentes - uma derrota por 1 a 0 para o Paraguai, e um empate em 2 a 2 com a Grécia - pela utilização de um bloqueio defensivo formado por sete jogadores.

A Coreia do Norte joga no 3-6-1. Este é o sistema tático básico, independentemente dos desdobramentos em mais faixas também empregados por outros cronistas. São três zagueiros, dois alas, dois volantes, dois meias, e dois atacantes. Sem a bola, a equipe apresenta um bloqueio defensivo de até sete jogadores - o trio de zagueiros e os dois alas, mais os dois volantes.

Com a bola, a Coreia procura o lançamento longo para o atacante Tae-Se, o "Rooney Asiático". No recuo para receber, ele traz a marcação e abre espaço para o avanço dos meias Yong-Jo (outro bom jogador, tecnicamente) e In-Guk. Pelos lados, o apoio vem da esquerda com o ala Yung-Nam. Na direita, Jong-Hyok sobe menos, ou quase nunca.

Esse é o movimento mais comum. E se torna frequente porque a Coreia do Norte simplifica bastante com a posse de bola. A Coreia do Norte não cria grandes tramas, complexas, com sincronia de movimentos, ou inversões de posicionamento, quando tem a posse de bola. Infiltração pelo chão, do lado para o meio, é a saída predileta.

Do amistoso contra o Paraguai para o confronto com a Grécia, houve apenas três alterações na escalação inicial. Isso indica que o técnico Kim Jong-Hun tem uma base definida. E também confirma que o sistema 3-6-1 é o escolhido.

Confira a lista de 23 convocados da Coreia do Norte:

Goleiros:
Kim Myong Won - Amrokgang
Myong-Guk Ri - Pyongyang
Kim Myong Gil - Amrokgang

Defensores:
Cha Jong Hyok - Amrokgang
Ji Yun Nam - April 25
Kim Yong Jun - Pyongyang City
Nam Song Chol - April 25
Pak Chol Jin - Amrokgang
Pak Nam Chol - Amrokgang
Ri Jun Il - Sobaeksu
Ri Kwang Chon - April 25
Ri Kwang Hyok - Kyonggongop

Meio-campistas:
An Yong Hak - Omiya Ardija (JAP)
Choe Kum Chol - April 25
Kim Kyong Il - Rimyongsu
Mun In Guk - April 25
Pak Nam Chol - April 25
Pak Sung Hyok - Sobaeksu

Atacantes:
An Chol Hyok - Rimyongsu
Hong Yong Jo - FK Rostov (RUS)
Jong Tae Se - Kawasaki Frontale (JAP)
Kim Kum Il - April 25
Ri Chol Myong - Pyongyang City

Seleções da Copa de 2010: análise tática de Portugal

29 de maio de 2010 5

Dando sequência ao Grupo G, na série diária de posts sobre as 32 seleções da Copa do Mundo de 2010 no blog Preleção, o assunto de hoje é Portugal. Adversária do Brasil na primeira fase do Mundial da África do Sul, a seleção do técnico Carlos Queiróz tem dois sistemas táticos, e se utiliza deles conforme a conveniência da partida.

O 4-3-3 tem sido o esquema preferencial de Portugal nos últimos jogos. Conforme o diagrama tático acima, nota-se que o desenho é o convencional, com meio-campo em triângulo de base alta (dois meias e um volante), dois pontas abertos pelos lados, e um centroavante de referência na área. Há jogadores apropriados para isto no elenco - Nani e Cristiano Ronaldo pelos lados, Liédson na área, Deco e Raúl Meireles na organização, e Pepe - um improviso que tem dado certo - na proteção da linha defensiva.

Mas o sistema com três atacantes foi adotado, primeiramente, em regime de urgência, quando Portugal corria o risco de eliminação na fase classificatória. Antes, Queiróz havia priorizado o 4-4-2 com meio-campo em losango, conforme o diagrama abaixo:

Neste 4-4-2, a mudança seria a saída de Nani, para a entrada de Tiago, um belo apoiador para este tipo de estrutura tática, formando com Raúl Meireles a segunda linha do meio-campo, tendo Pepe na proteção, Deco de ponta-de-lança, e Cristiano Ronaldo com Liédson à frente.

Queiróz convocou 24 jogadores na pré-lista. Confiram:

Goleiros:
Eduardo - Braga
Beto - Porto
Daniel Fernandes - Iraklis (GRE)

Defensores:
Duda - Málaga (ESP)
Miguel - Valencia (ESP)
Paulo Ferreira - Chelsea (ING)
Ricardo Carvalho - Chelsea (ING)
Bruno Alves - Porto
Rolando - Porto
Pepe - Real Madrid (ESP)
José Castro - Deportivo (ESP)
Ricardo Costa - Lille (FRA)
Fábio Coentrão - Benfica

Meio-campistas:
Pedro Mendes - Sporting
Tiago - Atlético de Madrid (ESP)
Deco - Chelsea (ING)
Raul Meireles - Porto
Miguel Veloso - Sporting
Simão - Atlético de Madrid (ESP)

Atacantes:
Danny - Zenit (RUS)
Liédson - Sporting
Cristiano Ronaldo - Real Madrid (ESP)
Nani - Manchester United (ING)
Hugo Almeida - Werder Bremen (ALE)

Seleções da Copa de 2010: análise tática da Costa do Marfim

28 de maio de 2010 1

Para dar sequência à série diária de posts do blog Preleção sobre as 32 seleções da Copa do Mundo, hoje contamos com a imensa contribuição de André Silva, repórter da Rádio Gaúcha, ao debate. O Andrezinho acompanhou, na Inglaterra, a vitória da Coreia do Sul sobre a Costa do Marfim - o amistoso foi realizado em março. E traz importante análise in loco da seleção africana, adversária do Brasil no Grupo G.

A Costa do Marfim, do técnico sueco Sven-Goran Eriksson, atua no 4-3-3 preferencialmente. Mas há uma variação tênue para o 4-2-3-1, conforme os jogadores escolhidos. A predileção pelos três atacantes foi evidente na disputa da Copa Africana das Nações, mas no amistoso com os coreanos, Eriksson optou pelo 4-5-1 com três meias ofensivos - o time era quase todo reserva.

André Silva destaca o posicionamento em linha da zaga de Costa do Marfim, caracterizada por problemas tanto no combate às infiltrações, como também na bola aérea. Segundo o repórter da Rádio Gaúcha, os defensores são lentos pelo chão e vulneráveis pelo alto. Não à toa, a Costa do Marfim conseguiu levar um gol de cabeça dos coreanos, apesar de contar com jogadores mais altos.

Neste amistoso, Andrezinho reparou ainda em uma variação para o o 4-3-2-1, com Fae pela direita, Zoro centralizado e Romaric pela esquerda - Dindane e Keita mais à frente, e Drogba no ataque. Ainda neste confronto, o 4-3-3 aconteceu com Keita pela direita, Drogba centralizado e Sanogo pela esquerda.

No time titular, entretanto, o 4-3-3 agrega mais qualidade pelos nomes. O trio ofensivo tem nada menos que Drogba, Kalou e Gervinho. O meio campo conta com Yaya Touré e Zokora na marcação, e Tiote na articulação. Na Copa das Nações, Costa do Marfim se deu ao luxo de deixar jogadores como Eboue, Boka, Koné e Romaric na reserva.

Confira a pré-lista de 29 convocados para a Copa do Mundo:

Goleiros:
Vincent Angban - ASEC Abidjan
Daniel Yeboah - ASEC Abidjan
Boubacar Barry - Lokeren/BEL
Aristide Zogbo - Maccabi Netanya (ISR)

Defensores:
Souleymane Bamba - Hibernian (ESC)
Arthur Boka - Stuttgart (GER)
Benjamin Brou Angoua - Valenciennes (FRA)
Guy Demel - Hamburgo (GER)
Emmanuel Eboué - Arsenal (ING)
Abdoulaye Meite - West Bromwich Albion (ING)
Steve Gohouri - Wigan (ING)
Siaka Tiené - Valenciennes (FRA)
Kolo Touré - Manchester City (ING)

Meio-campistas:
Emerse Faé - Nantes (FRA)
Jean-Jacques Gosso - Monaco (FRA)
Abdel Kader Keita - Galatasaray (TUR)
Emmanuel Koné - International Curtea Arges (ROM)
Gervinho - Lille (FRA)
Romaric - Sevilla (ESP)
Didier Zokora - Sevilla (ESP)
Cheik Ismael Tiote - Twente Enschede (HOL)
Yaya Touré - Barcelona (ESP)
Gilles Yapi Yapo - Young Boys Berna (SUI)

Atacantes:
Kanga Akalé - Lens (FRA)
Aruna Dindane - Portsmouth (ING)
Seydou Doumbia - CSKA Moscou (RUS)
Didier Drogba - Chelsea (ING)
Salomon Kalou - Chelsea (ING)
Bakary Koné - Olympique Marselha (FRA)

Seleções da Copa de 2010: análise tática do Brasil

27 de maio de 2010 13

Poucas seleções, como podemos constatar nesta série diária de posts sobre a Copa do Mundo, chegam à África do Sul tendo o 4-5-1 com dois volantes e três meias (desdobrado em 4-2-3-1) como sistema tático preferencial. O Brasil do técnico Dunga é uma destas raras equipes.

O 4-2-3-1 do Brasil é assimétrico. Não há alinhamento entre os três meias ofensivos. Na comparação com Kaká e Robinho, Elano atua em uma faixa mais recuada. Ele é um dos responsáveis pela proteção ao lateral-direito Maicon, sempre liberado para o apoio incisivo.

Na esquerda, o lateral - ainda indefinido - sobe menos, porque o campo ofensivo é ocupado pelo meia-extremo Robinho. Mas o jogador não costuma chegar à linha de fundo, priorizando a diagonal na direção de Luís Fabiano, o centroavante de referência.

Sou voto vencido entre boa parte da imprensa esportiva, mas vejo em determinadas circunstâncias uma variação no Brasil, do 4-2-3-1, para o 4-4-2 com meio-campo em losango. Isso acontece principalmente quando Nilmar substitui Robinho. Gilberto Silva tende a centralizar, protegendo a linha defensiva e cobrindo ambos os lados. Felipe Melo apoia pela *esquerda, alinhando-se com Elano. E Nilmar avança mais que Robinho, ultrapassando a tênue fronteira conceitual entre meia-extremo e segundo atacante. Eu vejo desta forma.

A estratégia do Brasil é a veloz transição ofensiva. Dunga não se importa que a equipe ofereça posse de bola ao adversário. As quatro linhas compactam-se, mantendo um bloqueio agrupado. Recuperada a bola, o contra-ataque é sincronizado e rápido.

O centralizador da transição é Kaká, jogador reconhecido pelo talento na condução agressiva de bola. Ele os outros dois meias partem em disparada, invertendo posicionamentos se preciso for, e contando com o eventual apoio de um dos laterais. Este grupo chega rapidamente ao encontro do centroavante, sem desorganizar a equipe. Felipe Melo se adianta para a segunda bola, Gilberto Silva mantém-se atento às coberturas, centralizado, e a equipe não se torna vulnerável.

O sistema e a estratégia a ele aplicado são eficientes. Desta forma o Brasil vem conquistando títulos e bons resultados, mesmo que em detrimento de uma característica cultural do nosso futebol. Em um campeonato curto, com apenas sete jogos e sucessivas fases eliminatórias, pode ser uma boa maneira de se chegar ao hexa.

Dunga convocou 23 jogadores, todos já sabem quem são, mas aí está a lista:

Goleiros:   
Julio César - Inter de Milão (ITA)
Gomes - Tottenham (ING)
Doni - Roma (ITA)

Laterais:
Maicon - Inter de Milão (ITA)
Daniel Alves - Barcelona (ESP)
Michel Bastos - Lyon (FRA)
Gilberto - Cruzeiro

Zagueiros:
Lúcio - Inter de Milão (ITA)
Juan - Roma (ITA)
Luisão - Benfica (POR)
Thiago Silva - Milan (ITA)

Meio-campistas:
Felipe Melo - Juventus (ITA)
Gilberto Silva - Panathinaikos (GRE)
Ramires - Benfica (POR)
Elano - Galatasaray (TUR)
Kaká - Real Madrid (ESP)
Josué - Wolfsburg (ALE)
Julio Baptista - Roma (ITA)
Kleberson - Flamengo

Atacantes:  
Robinho - Santos
Luis Fabiano - Sevilla (ESP)
Nilmar - Villarreal (ESP)
Grafite - Wolfsburg (ALE)

Seleções da Copa de 2010: análise tática da Nova Zelândia

26 de maio de 2010 6

A Nova Zelândia fecha o debate sobre o Grupo F do Mundial da África do Sul, na série diária de posts do blog Preleção sobre as 32 seleções da Copa do Mundo 2010. E, só para manter a rotina, a equipe da Oceania se utiliza do 4-4-2 britânico, conhecido pelas duas linhas de quatro jogadores.

Neste 4-4-2 em duas linhas, a Nova Zelândia assume a inferioridade técnica evidente na comparação com outras seleções. O posicionamento inicial dos oito jogadores de defesa e meio-campo parte de faixas recuadas do próprio campo, oferecendo ao adversário posse de bola, mas bloqueando espaços. A Nova Zelândia não propõe o jogo, mas também não deixa jogar.

Poucos atletas atuam fora do quase amador futebol neo-zelandês, e quem se tornou um "internacional", milita em clubes do segundo (ou até menos) escalão europeu. O futebol norte-americano também abriu mercado aos representantes do All White, como é conhecido o time nacional.

Com a bola, a Nova Zelândia simplifica, como faziam os clubes ingleses assim que surgiu o 4-4-2 em duas linhas, na década de 1970. A prioridade está nas jogadas pelos lados, com os meias-extremos, tentando a inversão longa ou o cruzamento para os dois atacantes. A dupla de frente deve ser formada por Killen e Smeltz, dois jogadores com mais de 1,80m, bom uso da força física, e familiaridade com o jogo aéreo. Ambos sofrem com a estratégia da equipe, sendo pouco acionados, e aparecendo apenas na conclusão das raras jogadas de ataque.

Neste ano, a Nova Zelândia perdeu amistosos para México e Austrália. Os 23 jogadores convocados pelo técnico Ricki Herbert recém começaram os treinamentos, e têm mais duas partidas de teste antes da Copa do Mundo: contra Sérvia e Eslovênia.

Confira a lista de 23 convocados pelo técnico Ricki Herbert:

Goleiros:
James Bannatyne - Team Wellington
Glen Moss - Melbourne Victory
Mark Paston - Wellington Phoenix

Defensores:
Andy Boyens - New York Red Bulls (EUA)
Tony Lochhead - Wellington Phoenix
Ryan Nelsen - Blackburn Rovers (ING)
Winston Reid - Midtjylland (DIN)
Ben Sigmund - Wellington Phoenix
Tommy Smith - Ipswich Town (ING)
Ivan Vicelich - Auckland City

Meio-campistas:
Andy Barron - Team Wellington
Leo Bertos - Wellington Phoenix
Tim Brown - Wellington Phoenix
Jeremy Christie - FC Tampa Bay (EUA)
Aaron Clapham - Canterbury United
Simon Elliott - sem clube
Michael McGlinchey - Motherwell (ESC)
David Mulligan - sem clube

Atacantes:
Jeremy Brockie - Newcastle Jets
Rory Fallon - Plymouth (ING)
Chris Killen - Middlesbrough (ING)
Shane Smeltz - Gold Coast United
Chris Wood - West Bromwich (ING)

Seleções da Copa de 2010: análise tática da Eslováquia

25 de maio de 2010 1

A série diária de posts do blog Preleção sobre as 32 seleções da Copa do Mundo de 2010 tem sequência hoje com a análise tática da Eslováquia. O treinador Vladimír Weiss tem problemas com lesões de jogadores importantes - o zagueiro Skrtel, principalmente, além dos atacantes Vittek e Holosko - e ainda começou a preparação para o Mundial da África do Sul sendo derrotada em casa pela Noruega, em partida amistosa, por 1 a 0.

O sistema tático da Eslováquia é o convencional 4-4-2 britânico, com defesa e meio-campo dispostos em linhas de quatro jogadores cada. A estratégia privilegia o contra-ataque. Os pelotões compactam-se, formando um bloqueio de oito jogadores, e buscando a saída rápida em velocidade, principalmente pelos lados do campo.

O destaque do time é o meia Hamsik, do Napoli, utilizado como extremo (winger) pela esquerda. Na extrema-direita joga Vladimir Weiss, não o treinador, mas o filho dele. Skrtel - do Liverpool - caso esteja bem fisicamente, deve comandar a zaga. Na frente, a aposta é em outro lesionado em recuperação, o centroavante Vittek, do clube turco Ankaragucu.

Weiss (o treinador) convocou 29 jogadores na pré-lista. Confiram:

Goleiros:
Jan Mucha - Legia Varsóvia (POL)
Dusan Kuciak - Vaslui (ROM)
Lubos Kamenar - Nantes (FRA)
Dusan Permis - Dundee United (ESC)

Defensores:
Peter Pekarik - Wolfsburg (ALE)
Martin Petras - Cesena (ITA)
Martin Skrtel - Liverpool (ING)
Lubomir Michalik - Leeds United (ING)
Jan Durica - Lokomotiv Moscow (RUS)
Radoslav Zabavnik - Mainz (ALE)
Marek Cech - West Bromwich Albion (ING)
Tomas Hubocan - Zenit (RUS)
Kornel Salata - Slovan Bratislava

Meias:
Kamil Kopunek - Spartak Trnava-SVK
Jan Kozak - Timisoara (ROM)
Juraj Kucka - Sparta Praga (TCH)
Miroslav Karhan - Mainz (ALE)
Marek Sapara - Ankaragucu (TUR)
Mario Pecalka - Zilina
Stanislav Sestak - Bochum (ALE)
Marek Hamsik - Napoli (ITA)
Vladimir Weiss - Manchester City (ING)
Miroslav Stoch - Chelsea (ING)
Dusan Svento - Salzburg (AUT)
Zdeno Strba - Skoda Xanthi (GRE)

Atacantes:
Erik Jendrisek - Schalke (ALE)
Robert Vittek - Ankaragucu (TUR)
Martin Jakubko - Saturn Ramenskoye (RUS)
Filip Holosko - Besiktas (TUR)

No 4-2-3-1 de Silas, falta avançar a segunda linha de meio-campo

24 de maio de 2010 20

Nas duas últimas partidas do Grêmio - derrotas fora de casa para Santos e Palmeiras - o técnico Silas resgatou o primeiro sistema tático que tentou implementar no Grêmio, ainda nos treinos da pré-temporada em Bento Gonçalves - leiam aqui: o 4-5-1 com dois volantes e três meias, desdobrado em 4-2-3-1.

Concluí que Silas optou pelo 4-2-3-1 com uma pretensão defensiva. Contra o Santos foi com o recuo de Jonas pela direita; contra o Palmeiras, sem Borges, Jonas foi o atacante central, com Leandro de meia-extremo. Em ambas as situações, entretanto, a escolha tática parece ter seguido a ideia de que, com esta linha de três meias, o Grêmio se defenderia melhor.

Qual o resultado deste raciocínio? O recuo demasiado da linha de três meias. Leandro/Jonas, Douglas e Hugo partiram de um posicionamento inicial muito afastado da zona de articulação. Próximo demais dos volantes. Neste contexto, abertos pelos lados, Jonas/Leandro e Hugo ainda bloquearam a passagem dos laterais, ocupando um espaço que deveria ser destinado ao apoio de quem se desprende da linha defensiva.

Esse posicionamento inicial dos meias-extremos, abertos pelos lados e recuados, retirou do Grêmio a velocidade na transição ofensiva. Há muito campo para percorrer até que se chegue ao centroavante, seja Borges ou Jonas. E com os laterais bloqueados pela própria equipe, além da sobra de campo, faltam opções para o controle da posse de bola. Na prática, o Grêmio faz o desarme, mas sem alternativas e com um vácuo entre meio-campo e ataque, prontamente devolve a bola ao adversário.

Acredito no sucesso do 4-2-3-1, desde que Silas repense a estratégia defensiva que aplica ao sistema. Este modelo de jogo não pode ser escolhido para "defender com mais gente", mas sim para ocupar melhor os espaços a partir da intermediária ofensiva. O exemplo que eu sempre utilizo é o Arsenal de Arsene Wenger, técnico que talvez faça no futebol mundial o melhor uso do 4-2-3-1.

É preciso adiantar as linhas. Todas elas. Agrupar melhor a equipe. E ter os meias ofensivos posicionados entre o meio-campo e a intermediária ofensiva, e não atrás da linha divisória. Com os dois volantes, um cobrindo cada lado, não é necessário tanta cautela com os laterais. Eles podem ser liberados para o apoio, até mesmo simultâneo. Basta que os meias-extremos joguem mais próximos, mais centralizados, trazendo a marcação para dentro e abrindo o corredor lateral. É melhor no 4-2-3-1, para a formação de triangulações, a passagem dos laterais do que o avanço dos volantes.

No diagrama tático que ilustra o post, simulei uma "escalação ideal" do Grêmio no 4-2-3-1, mas com o posicionamento que Silas aplicou nos dois últimos jogos. É campo demais entre o meio e o único atacante. Reitero que este sistema não pode ser adotado com o pensamento único de que ele "defende melhor" que o 4-4-2. O Grêmio pode seguir com este sistema, e talvez até torná-lo preferencial, desde que os meias atuem próximos do atacante, e movimentem-se para criar espaços aos laterais. Estes meias devem entrar mais na área, aplicar mais as diagonais, e mesmo sem a bola pressionar em linha mais alta a saída de bola adversária.

Sem Borges, lesionado, minha sugestão a Silas - para a manutenção do 4-2-3-1 - além do avanço das linhas e da estratégia menos defensiva - é trocar Leandro por Maylson. Ano passado, quando Marcelo Rospide se utilizou do mesmo sistema, Maylson demonstrou ser um meia-extremo muito qualificado pela direita. Seria interessante vê-lo nesta função novamente, tendo as companhias de Douglas e Hugo, protegido por Adílson, e abrindo caminho para Edilson.

Não estou, com isso, dizendo que Silas erra. A escolha pelo 4-2-3-1 é boa, e vejo no elenco do Grêmio jogadores com características adequadas a este sistema. Discordo apenas da estratégia adotada.

Seleções da Copa de 2010: análise tática do Paraguai

24 de maio de 2010 3

A recente disseminação dos sistemas com três zagueiros no futebol sul-americano - graças, principalmente, aos clubes brasileiros - influencia também seleções nacionais. Já vimos na série diária sobre as 32 integrantes da Copa do Mundo de 2010 o 3-6-1 do Uruguai. E, hoje, é a vez de colocarmos em debate o 3-5-2 que o Paraguai leva à África do Sul.

O Paraguai se classificou nas Eliminatórias, com excelente campanha, fazendo uso do 3-5-2. O desenho do meio-campo apresenta alas abertos e cautelosos, e triângulo de base alta - um volante, dois meias. O trio, entretanto, é bastante combativo e pouco criativo. O Paraguai joga para marcar e ocupar espaços sem a posse de bola, como estratégia preferencial, atraindo o adversário e ganhando campo para a transição ofensiva em velocidade (o famoso contra-ataque).

O principal setor paraguaio é a defesa. Os zagueiros são fortes e vivem boa fase. Principalmente Paulo da Silva, jogador de bom nível. Na ala esquerda Vera, que é meio-campista na LDU, sai na frente na briga pela titularidade, concorrendo com Morel, do Boca Juniors. A direita tem dono, é Aureliano Torres, jogador do San Lorenzo.

O meio-campo, para mim, ainda é uma incógnita. Na vitória de 1 a 0 sobre a Coreia do Norte, em amistoso recente, o técnico Gerardo Martino escalou muitos reservas. Gostei muito de Jonathan Santana, meia do Wolfsburg que acrescenta à combatividade paraguaia uma qualidade no passe, e uma movimentação ofensiva, que não se encontra em outros companheiros. Formaria com Estigarribia uma boa dupla de articulação, mas não sei se Martino pensa da mesma forma.

No ataque, Roque Santa Cruz deve ser o titular de referência. Sem Cabañas, Martino convocou o argentino naturalizado paraguaio Lucas Barrios, do Borussia Dortmund. E o ex-jogador do Colo Colo é tido como candidato à titularidade pela imprensa local, concorrendo talvez com o centroavante Cardozo, em uma briga que muda a característica da equipe: ou dois homens de força física e bola alta, ou um segundo atacante de velocidade.

Martino convocou 30 jogadores na pré-lista. Confiram os nomes:

Goleiros:
Justo Villar - Valladolid (ESP)
Aldo Bobadilla - Independiente Medellín (COL)
Diego Barreto - Cerro Porteño

Defensores:
Denis Caniza - León (MEX)
Paulo Da Silva - Sunderland (ING)
Claudio Morel - Boca Juniors (ARG)
Julio César Cáceres - Atlético-MG
Carlos Bonet - Olímpia
Dario Verón - Pumas (MEX)
Julio Manzur - Olímpia
Aureliano Torres - San Lorenzo (ARG)
Antolín Alcaraz - Brugge (BEL)
Marcos Cáceres - Racing (ARG)

Meio-campistas:
Edgar Barreto - Atalanta (ITA)
Cristian Riveros - Cruz Azul (MEX)
Osvaldo Martínez - Monterrey (MEX)
Jonathan Santana - Wolfsburg (ALE)
Víctor Cáceres - Libertad
Enrique Vera - LDU (EQU)
Sergio Aquino - Libertad
Eduardo Ledesma - Lanús (ARG)
Néstor Ortigoza - Argentinos Juniors (ARG)
Marcelo Estigarribia - Newell's Old Boys (ARG)

Atacantes:
Roque Santa Cruz - Manchester City (ING)
Nelson Haedo - Borussia Dortmund (ALE)
Oscar Cardozo - Benfica (ALE)
Edgar Benítez - Pachuca (MEX)
Lucas Barrios - Borussia Dortmund (ALE)
Rodolfo Gamarra - Libertad
Jorge Achucarro - Newell's Old Boys (ARG)

Seleções da Copa de 2010: análise tática da Itália

23 de maio de 2010 4

Muito difícil é, hoje, analisar com precisão o que pretende Marcelo Lippi - taticamente - com a seleção da Itália na Copa do Mundo de 2010. Isso porque, recentemente, ele já fez uso de pelo menos três sistemas diferentes. O diagrama tático que ilustra o post traz uma projeção sobre aquilo que parece ser o mais provável, mas ainda distante de uma certeza.

A ideia principal de Lippi é o uso de um trio ofensivo. No amistoso contra Camarões (0 a 0) ele adotou o 3-4-3; em treinamentos, já com os 28 pré-convocados, a Itália varia entre o 4-3-3 e o 4-5-1 com três meias e dois volantes - o 4-2-3-1 (que, pelo avanço dos wingers, também apresenta um trio ofensivo).

Pela convocação, é possível imaginar que este trio seja formado por Gilardino, centralizado à frente; Iaquinta e Di Natale pelos lados. Ambos - Iaquinta e Di Natale - são qualificados o suficiente para atuar como atacantes no 4-3-3 e no 3-4-3, ou então como meias-extremos no 4-2-3-1.

As dúvidas passam para os outros setores. No 4-3-3 e no 4-2-3-1, a base defensiva do meio-campo deve ser formada por Pirlo e De Rossi. Abre-se uma vaga na articulação, disputada por Cossu, Pepe...e quem sabe Montolivo, Palombo. Vá saber.

Na defesa, tudo indica que a dupla de área tem Cannavaro e Chiellini, com Zambrotta ou Maggio na lateral-direita (ou na ala, no caso do 3-4-3) e Criscito na esquerda. Buffon, é lógico, veste a camisa 1.

Será preciso, entretanto, acompanhar os treinamentos e os dois amistosos derradeiros - contra México e Suíça - para saber qual sistema, e qual escalação, venceu a disputa.

Confira agora a pré-lista de 28 convocados por Lippi:

Goleiros:
Buffon - Juventus
De Sanctis - Udinese
Marchetti - Cagliari
Sirigu - Palermo

Defensores:
Bocchetti - Genoa
Bonucci - Bari
Cannavaro - Juventus
Cassani - Palermo
Chiellini - Juventus
Criscito - Genoa
Maggio - Napoli
Zambrotta - Milan

Meias:
Camoranesi - Juventus
Cossu - Cagliari
Gattuso - Milan
Marchisio - Juventus
Montolivo - Fiorentina
Palombo - Sampdoria
Pepe - Udinese
Pirlo - Milan
De Rossi - Roma

Atacantes:
Borriello - Milan
Di Natale - Udinese
Gilardino - Milan
Iaquinta - Juventus
Pazzini - Sampdoria
Quagliarella - Napoli
Rossi - Villarreal (ESP)