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Seleções da Copa de 2010: análise tática do Chile

03 de junho de 2010 8

Hoje o blog Preleção encerra a série de análises táticas diárias sobre as 32 seleções que disputarão a Copa do Mundo de 2010 na África do Sul. E o desfecho conta com uma característica deste espaço, que se propõe à criação de um fórum de debates sobre teoria tática no futebol: a participação do leitor. Por e-mail, recebi do irlandês Robert Sweeney, que há um ano e meio mora no Brasil, mas é um especialista em futebol latino-americano, uma minuciosa e precisa análise do Chile de Marcelo Bielsa.

O Chile oferece aos fãs do futebol a oportunidade de se deparar com um sistema tático raro, e muito complexo: o 3-4-3 com meio-campo em losango. Esta formação me faz lembrar a adaptação de Flávio Costa ao W.M trazido pelos técnicos húngaros ao Brasil, processo que desencadeou a criação do 4-2-4 na Seleção Brasileira campeã mundial em 1958 (assunto já debatido aqui no Preleção). Mais recentemente, o maior exemplo de sucesso deste 3-4-3 sem alas ou laterais é o Ajax multicampeão da década de 90 com Van Gaal no comando.

Sweeney explica o funcionamento defensivo: “Custa para muitos apreciar como um esquema com três defensores possa prescindir de alas ou laterais avançados no meio-campo. Ainda mais tendo em conta a suposta carência de preenchimento de espaços pelos lados por detrás dos pontas. A resposta não passa por três zagueiros tradicionais, tipo dois na marcação ao homem e outro na sobra (*nota do Cecconi: como no brasileiríssimo 3-5-2). São utilizados “zagueiros-laterais”, laterais conservadores, ou ate zagueiros rápidos – imagino que Mário Fernandes seria ótimo neste papel - atuando quase como laterais-base à esquerda e à direita do zagueiro central, defendendo em zona, saindo para interceptar ataques pelas laterais”.

Outro movimento interessante destacado por Sweeney é o aprofundamento do volante central, o que permite até mesmo uma constatação de variante ao 4-3-3: “Estes zagueiros-laterais contam com o recuo do volante Carlos Carmona em ajuda pelo lado vulnerável ou bem inserindo-se ao lado do zagueiro central. Desta tarefa de marcação pelos lados também participam os vértices do losango na segunda linha de meio-campo”.

Com a bola, este sistema cria uma variedade muito grande de combinações. Os zagueiros-laterais podem passar, contando com a proteção do primeiro volante; os apoiadores da segunda linha aproximam-se, formando aquelas “pequenas sociedades” descritas por Paulo Autuori (jogar sempre com três jogadores próximos uns dos outros em qualquer setor do campo adversário) com o acréscimo dos pontas ofensivos, ou então com a movimentação do enganche – que pode ser Mati, ou Valdívia.

O clichê se justifica: desfecho de ouro para a série do blog Preleção. Uma contribuição de altíssimo nível de um leitor com conhecimento e qualificação para debater sobre futebol, agregando informações e conhecimento. Sensacional a participação de Robert Sweeney. Aprendi muito. Espero que todos tenham gostado desta série, e do post de hoje.

Voltando ao Chile, Bielsa confirmou a lista de 23 convocados. São eles:

Goleiros:
Claudio Bravo – Real Sociedad (ESP)
Miguel Pinto – U. de Chile
Luis Marín – U. Española

Defensores:
Pablo Contreras – PAOK (GRE)
Ismael Fuentes – U. Católica
Mauricio Isla – Udinese (ITA)
Gonzalo Jara – West Bromwich (ING)
Gary Medel – Boca Juniors (ARG)
Waldo Ponce – U. Católica
Arturo Vidal – B. Leverkusen (ALE)
Marco Estrada – U. de Chile

Meio-campistas:
Rodrigo Millar – Colo Colo
Matías Fernández – Sporting (POR)
Jorge Valdivia – Al Ain (EAU)
Carlos Carmona – Reggina (ITA)
Gonzalo Fierro – Flamengo
Rodrigo Tello – Besiktas (TUR)

Atacantes:
Alexis Sánchez – Udinese (ITA)
Fabián Orellana – Xerez (ESP)
Humberto Suazo – Zaragoza (ESP)
Esteban Paredes – Colo Colo
Mark González – CSKA Moscou (RUS)
Jean Beausejour – América (MEX)

Comentários (8)

  • Ricardo Amaral diz: 3 de junho de 2010

    Cecconi, gostei do blog. é bom ver a análise tática para além da crítica, simplesmente tentando “desvendar” como jogo o time.

    Já te deixo uma questão, não tem com o Sanchez e Gonzalez jogarem no mesmo time?

  • Esquemas Táticos diz: 3 de junho de 2010

    O Robert é fera! Eu fiz uma entrevista com ele no meu blog. Fantástica! Sem contar que ele também tem um conhecimento histórico sobre esquemas táticos, técnicos, times e seleções que é de impressionar. Parabéns! Abraços, Marcelo Costa.

  • Filipe Nunes diz: 3 de junho de 2010

    Tava esperando essa análise. Vou torcer muito pelo Chile. Pena que na segunda fase fatalmente encontrará o Brasil.

  • Marcelo Rolim diz: 3 de junho de 2010

    Esse esquema é insano e tem 99% de chances de dar errado…tem imensos “buracos”…sem laterais/alas, só com muito desgaste dos jogadores pra cobrir as bandas…no meio o volante/zagueiro quando recua pra compor a zaga fragiliza ainda mais o meio-campo(cobertor curto)…e por fim na zaga os zagueiros/laterais q abrem pra marcar os atacantes e deixam apenas um zagueiro dentro da área…enfim, uma loucura…pra dar certo só se tiver no time uns 7 ou 8 jogadores acima da média…como teve a Holanda outrora…os clubes holandeses ainda jogam assim(muitos deles), é fácil entender pq nunca mais ganharam nada…quanto ao Chile, obviamente não tem 7 ou 8 craques, então com sorte passará da 1ª fase jogando assim…fácil entender tbm pq o Marcelo Bielsa caiu na 1ª fase em 2002 tendo a melhor seleção daquele Mundial

  • Carlos diz: 3 de junho de 2010

    Muito boa a análise. Vou torcer por todos os sulamericanos até se encontrarem com o Brasil do Dunga, de quem discordo da convocação e escalação, mas como brasileiro vou torcer pelo Brasil, é claro. Sobre o Chile, vai a pergunta de um leigo, quando esse time enfrentar adversários que joguem muito pelas laterais, atacando com dois ou tres em aproximação, a cobertura terá que ser feita por um dos zagueiros e um meio campista, o que fatalmente abrirá um buraco no meio ou no outro lado se o time adversário virar o jogo com passes precisos e em velocidade; o Proprio Brasil atacando pela direita com Maycon, Elano (argh) e Luis fabiano, se houver uma virada rápida para o meio ou a esquerda, encontrará Kaká, Robinho mais o lateral esquerdo no mano a mano ou até tres contra dois; salvo se os atacantes pelas pontas sempre acompanharem os alas.

  • LSDR96 diz: 3 de junho de 2010

    Cecconi, moro no Chile a 6 meses e vi um baita resume da partida, e pelo o que vi é mais um 4-3-3, não jogou o Vidal, pelo que percebi jogou o Carmona por ali, e o Rodrigo Tello é mto bom jogador, tipo box-to-box, com lançamentos mto bons, o Valdivia é o enganche, com Alexis Sanchéz, Suazo e Bousejour. Pelo que tenho escutado o Alexis Sanchés unanimidade entre eles aqui nem um loco(Bielsa) pra tira ele hahha, acho mais provável o Mark González no lugar do Bousejour. Belo post, sou teu fã! continua assim!

  • Vinícius Fernandes diz: 4 de junho de 2010

    Parabéns pela série “Seleção da Copa” Cecconi, ta bem completo e informativo, condizente com a qualidade do blog. Poucos jornalistas, principalmente aqui no Rio Grande do Sul, se preocupam tanto com análises táticas no futebol, quando isso é o principal fator para um comentário qualificado. Apenas tenho uma dúvida, como tu fazes para desvendar a tática de seleções como a Coréia do Norte, Argélia ou Nova Zelândia. Tem acesso aos jogos destas seleções?
    Outro coisa, tu tens como me mandar por e-mail algumas indicações de leituras para aprofundar meus conhecimentos tático futebolísticos?

    Obrigado pela atenção, fico no aguardo de um retorno.

    Abração!

    Att, Vinícius Fernandes

  • Ramon diz: 4 de junho de 2010

    Cecconi, esse esquema de 3-4-3 sem alas pra mim é o melhor que existe, meu time amador usa esse esquema, Pois é difícil achar algum lateral estilo Maicom, que corre os 90 minutos os 110 metros do campo hoje em dia nos nossos campos de pelada.

    Com esse esquema não existe um jogador sobrecarregado (no caso os alas) e todos voltam para marcar até o meio campo.

    A diferença é que nao utilizamos o meio campo em losango, mas sim 2 volantes e 2 meias ofensivos. mas funciona bem, os 2 volantes cobrem as laterais e os 2 atacantes pelas pontas são responsaveis pelas jogadas de linha de fundo.

    Funciona bem, mas exige muito treino (jogamos assim a 18 meses). Em um time profissional (principalmente no Brasil), teria que ser montado um elenco com Zagueiros rápidos, e com um numero grande de atacantes e meias, por isso acho difícil algum time jogar assim hoje em dia.

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