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O 3-5-2 do Uruguai espelhado no 4-3-3 da França

10 de junho de 2010 8

Acredito que o sistema adequado para ruir com o bloqueio defensivo do 3-5-2 é o 4-3-3. O raciocínio inverso, obviamente, também é verdadeiro: nada pior para um sistema com três zagueiros do que enfrentar um oponente com trio ofensivo. Assistiremos amanhã, na África do Sul, a este espelhamento tático no confronto entre Uruguai e França, pelo Grupo A da Copa do Mundo 2010.

O Uruguai joga no 3-5-2, com variação para o 3-6-1. São três zagueiros fixos, dois alas de predileção defensiva, dois volantes, um meia-articulador, um atacante que recua para a ponta-de-lança, e apenas um atacante nato. A escalação provável uruguaia tem Muslera; Lugano, Godín e Victorino; Maxi Pereira, Arévalo, Pérez, González e Álvaro Pereira; Forlán e Suárez. A França prefere o 4-3-3 com triângulo de base baixa no meio-campo. Linha defensiva de quatro jogadores, dois volantes fazendo a saída de bola e cobrindo o apoio dos laterais, um articulador, dois atacantes pelos lados, e um centroavante de referência. Os franceses devem jogar com Lloris; Sagna, Squillaci, Abidal e Evra; Gourcuff, Toulalan e Malouda; Govou, Anelka e Ribéry.

Para o Uruguai, este espelhamento é muito arriscado. Culpa do sistema de marcação aplicado ao 3-5-2 (individual por função). Os três zagueiros uruguaios devem perseguir homem-a-homem os três atacantes franceses: Lugano em Anelka, Godín em Ribéry, e Victorino em Govou. Da mesma forma, os alas Maxi e Álvaro Pereira vão bater com os laterais Sagna e Evra.

Na obsessão pela sobra, o Uruguai precisará recuar um dos volantes sem a bola – Pérez ou Arévalo – deixando o outro colado em Malouda, o articulador francês. Neste caso a teoria tática diz – e a prática comprova – que no encaixe tático, nas perseguições individuais, vence o lance quem tiver maior técnica. Qualquer vitória pessoal de um dos atacantes franceses sobre os zagueiros, qualquer passagem dos laterais pelos alas, qualquer movimento que desorganize a defesa uruguaia, vai oferecer muito perigo.

No 4-3-3, a França marca por zona. Esta diferença é fundamental nas faixas laterais. Sagna e Evra serão marcados pelos Pereiras, mas a recíproca não é verdadeira. Sem a bola, eles devem recuar para combater qualquer adversário que ingressar por ali. Eles serão auxiliados ainda pelo recuo dos atacantes Govou e Ribéry, que devem acompanhar os alas uruguaios.

De véspera, o único claro risco para os franceses, parece-me, é a movimentação de Forlán às costas dos volantes. Como o atacante uruguaio recua para buscar jogo, e da intermediária parte em diagonais imprevisíveis, deve indefinir o combate por zona da França. Se, neste desdobramento, Forlán conseguir retirar os zagueiros do lugar, poderá ele mesmo se aproveitar, ou então abrir espaços para Suárez.

A perspectiva é de um jogo com posse de bola e controle franceses; recuo das linhas e bloqueio defensivo uruguaios. Ataque da França, com trocas de passes e aproximações curtas; contra-ataque do Uruguai, com bola longa e velocidade. Na teoria, vantagem tática para a França. Mas vale lembrar que este 3-5-2 à brasileira – mesmo que pobre de recursos - quando obtém vantagem defensiva, e consegue eficiência na bola parada (aérea, principalmente), é competitivo.

Comentários (8)

  • Raphael diz: 10 de junho de 2010

    Estava sendo divulgado que, com a escalação do Victorino, o sistema poderia variar para o 4-4-2 para combater um eventual 4-3-3 francês, deixando o zagueiro do Universidad como lateral . No entanto, caso os franceses surpreendam e joguem no sistema tradicional, voltaria ao 3-5-2.

  • Bruno Matos diz: 10 de junho de 2010

    Uruguai ganha. Nas mãos do Raymond Domenech, a França joga um futebol digno de uma Tanzânia da vida.

  • Bruno diz: 10 de junho de 2010

    me explica uma coisa, sao 3 atacantes franceses e 3 zagueiros uruguaios

    pq eles n vao ficar no mano-a-mano…

  • Victor diz: 10 de junho de 2010

    Caro Cecconi;

    Embora este post seja sobre outro assunto, quero dizer que estou gostando muito da serie sobre o livro “Invertendo a Piramide”.

    Gostaria, se possivel, que voce fizesse um post sobre as equipes montadas por Vanderlei Luxemburgo no Palmeiras de 93/94 e 96. Já li em posts anteriores que voce adimira o trabalho do Luxa, e acretido que essas equipes, juntamente com o São Paulo 92/93, Corinthians 98/99 (Tambem do Luxa), Santos 2002, etc…, são algumas das equipes Pós Copa – 1982 que mostraram ao Brasil que é possivel jogar muito bonito e levantar a Taça.

    Obrigado.

  • Bruno Costa diz: 10 de junho de 2010

    Eu acredito que o Maxi Pereira vá marcar o Ribery, que é o ponta que volta mais e arma o jogo… Assim, os três zagueiros uruguaios segurariam 2, atacantes. Para França sair disso será necessário o Evra subir. O Suárez sabe jogar aberto, e a minha tese é que ele vá dar incertas na ponta direita…

    Além da zaga e do Forlan, o Alvaro Pereira é bastante alto. A jogada aérea tende a ser forte no Uruguay…
    A marcação uruguaia também é bem rápida e forte. Eles marcam muito a saída de bola, e jogam sempre verticalmente.
    A “aposentadoria” do Recoba fez bem a seleção uruguaia. Ele era de longe o melhor jogador do país, mas com ele o uruguay se propunha um jogo lento rodando sempre pelo armador, como faz o Brasil, só que eles não tem a quantidade de jogadores qualificados para resolver individualmente. Desde então pouco-a-pouco eles foram se voltando para jogar em velocidade, e esse time que chega à copa é bem rápido.

    Acho que dá Uruguay, em especial se a França entrar de salto alto.

  • Ronan diz: 10 de junho de 2010

    Pra enfrentar 4-3-3 acho que a melhor saída é apostar no 4-4-2, com os laterais marcando os pontas, e um zagueiro na cola do centroavante, ficando o outro na sobra. Talvez não seja tão simplista a estratégia, mas pelo menos não deixa a zaga no mano-a-mano, o que é um perigo!

  • World Wide News Flash diz: 11 de junho de 2010

    Preleção » Arquivo » O 3-5-2 do Uruguai espelhado no 4-3-3 da França…

    I found your entry interesting do I’ve added a Trackback to it on my weblog :)…

  • Bruno Costa diz: 11 de junho de 2010

    França e Uruguay passarão fácil do grupo, defesas sólidas e times muito fortes fisicamente. Ambos os times se defendem com 7 jogadores… A França tem três volantes, o Uruguay 3 zagueiros. Muitos jogadores acima da média nessas posições: Os goleiros, Godin e Lugano, os laterais franceses e todos os volantes dos dois times.

    Falta para eles ataque… Forlan e Ribery fazem o que querem, mas os “parceiros” são marcáveis e burocráticos… A França até tem mais opções no banco, mas nada que fosse resolver um jogo contra Brasil, Alemanha ou Holanda…

    A verdade é que com Zidane e Recoba – ainda que de muletas – esses times dariam medo…
    Mas mesmo sem eles, saem do grupo sem tomar gols, e talvez tirem a Argentina…

    Quartas de final para ambas.

    Abraços.

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