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Vitória do pragmatismo inglês, finalmente

23 de junho de 2010 8

Depois de dois empates enfadonhos, a Inglaterra venceu hoje por 1 a 0, e avançou na Copa do Mundo. Amparada no pragmatismo inglês, e também no pragmatismo italiano do técnico Fabio Capello. Embora enrijecida no 4-4-2 em duas linhas (meu sistema predileto, mas de baixo desempenho nos jogos recentes do English Team), a seleção inglesa pode se fortalecer e disputar as primeiras posições com uma fórmula bastante conhecida.

Capello combinou na Inglaterra contra a Eslovênia dois tipos de wingers. Pela esquerda, o winger organizador. E na direita, o winger clássico. Explico: não é regra que o meia-extremo seja um jogador de profundidade e objetividade pelos lados do campo. Este modelo é o winger clássico, jogador que procura a linha de fundo, faz cruzamentos, abre o jogo e forma duplas com o lateral do mesmo setor. Hoje, quem cumpriu este papel foi Milner, na direita.

À esquerda Gerrard foi o winger organizador. Uma figura que no primeiro momento, partindo-se da premissa brasileira de futebol, soa estranha. O articulador da equipe joga aberto no lado esquerdo, e não centralizado à frente dos volantes. Mas esta é a forma que Capello encontrou para abrir espaço aos seus meio-campistas mais qualificados sem desguarnecer a frente da linha defensiva.

Com a predileção por um primeiro volante – no caso, Barry – Capello ocupa a vaga de box-to-box com Lampard. Mas Gerrard precisa jogar. Destro, ele abre na esquerda e não procura a linha de fundo. Do contrário, faz a diagonal para o meio e abre o corredor para o avanço de Ashley Cole.

Outra característica de Gerrard como winger organizador é a inversão de jogadas, e o passe vertical. Não é Lampard quem faz a saída de jogo da Inglaterra. E seria natural que isto acontecesse, afinal, ele é o box-to-box central. Lampard joga mais na contenção e no rebote ofensivo. A equipe procura Gerrard para armar.

Da esquerda, ele faz passes pelo chão para Defoe e Rooney, ou inverte o jogo para Milner, abrindo espaços na basculação defensiva adversária. Hoje Gerrard foi brilhante na condução de uma equipe que, ainda assim, mostrou-se previsível e pragmática demais.

Capello pode “soltar” mais seus craques para brilhar. Hoje, com Milner aberto pela direita, e Gerrard organizando na esquerda, Rooney e Defoe cresceram na frente. É preciso algo mais. Outras variações, outras combinações, mais movimentação, posicionamento mais adiantado. A Inglaterra pode atuar com o favoritismo que todos esperavam dela antes da Copa.

*Imagem corrigida

Comentários (8)

  • Tiago diz: 23 de junho de 2010

    Cecconi, você não acha que se o Capello colocasse o Rooney mais adiantado pela direita e o Joe Cole com segundo atacante pela esquerda no lugar de Heskey ou Defoe o ataque não seria mais efetivo?

  • João A. diz: 23 de junho de 2010

    Cecconi, coloca de volta o Defoe porque, com o 19, o time anda prá trás. O campo vai ficar todo esburacado e congestionado.

  • André diz: 23 de junho de 2010

    Boa tarde Cecconi.

    Vendo suas análises e considerando o que tenho em mente pensei se o ideal para a inglaterra não seria o 4-1-4-1. Assim, no meio campo, jogaria Barry como o 1 atrás de Gerrard e Lampard, tendo várias opções para as asas (Wright Phillips, Lennon, Milner) e Rooney jogaria sozinho na frente.

    Gosto desse sistema porque centraliza gerrard e lampard e tira Heskey, Defoe e cia do ataque, que, na minha opinião, não tem tanto futebol assim.

    Forte abraço!!

  • LSDR96 diz: 23 de junho de 2010

    Cecconi tu acha que esse esquema pode ser aplicado ao Internacional, com o Andrézinho mais aberto pela esquerda buscando o meio e Giuliano não jogando tão aberto como o Milner, mas mesmo assim jogando mais aberto pela direita deixando o Glaydson como um Lateral-base, deixando o sistema defensivo do Inter parecido com o do Barça, Glaydson fica(assim como o Abidal) e libera o Kléber para o apoio com liberdade e com o corredor aberto pelo andrézinho, com Guiñazú(mais “preso”) e Tinga(com mais liberdade no vai-e-vem) pelo meio??

  • Ademir Neissinger diz: 23 de junho de 2010

    Olá Cecconi, realmente é a vitoria do pragmatismo, mas olha, eu gosto do Capello, acho ele um técnico inteligente, mas tem que ter um meio de ele fazer o Gerrard jogar centralizado !!

    Colocar o Gerrard de Winger pela esquerda, mesmo que enveredando ao meio é brincadeira, diminui muito o campo de açao do craque ingles, num jogo contra o Brasil,seria maravilhoso, mas como amante do futebol quero ver os bons , jogando bem !!!

    Olha o sonho heheh, mas porque o capelo no joga 4 – 3 – 3 ?

    com a mesma defesa de hoje, barry, gerrard e lampard, na frente wrigth philips, joe cole e Rooney .. variando para um 4-1-4-1 sem a bola !!!??? que tu acha!?

  • Diego Guichard diz: 23 de junho de 2010

    Show o texto Cecconi. Logo depois de ver o jogo, fiquei afim de ler a análise aqui no Preleção. Acho que o Gerrard tem que ganhar liberdade pra jogar. Ali como Winger armador, ficou perto da linha do ataque. Não funcionou ao lado do Lampard, em outras oportunidades. Com um chute potente, essa é a posição perfeita para ele entrar em diagonal e concluir nos gramados reais ou no Pro Evolution Soccer. hehe
    O Rooney também cresceu ao lado do Defoe. Pq Herskey ou Crouch não dá.

  • Yuri diz: 24 de junho de 2010

    o que to notando desta inglaterra é, ao contrario das eliminatorias que teve o melhor ataque da europa, uma defesa MUITO boa. de chute de fato perigoso no gol inglaterra so sofreu aquele do altidore contra os USA que o frangueiro green defendeu.

    o time simplesmente nao toma chutes perigosos no gol! capello armou a defesa muito bem

    claro, falta um teste melhor, e vai ser contra a alemanha, mas iso me surpreendeu, praticamente inverteu o time das eliminatorias pq antes a defesa era mediana

    os ingleses reclamaram muito do gerrard na partida anterior pq ele ficava sempre no meio deixando o ashley cole com 2-3 argelinos, mas neste jogo ele ficou mais na esquerda ocupando espaços, corrigiu o erro tatico a tempo

    espero que passem da alemanha

  • victor nogueira diz: 24 de junho de 2010

    Ola, Cecconi. Concordo com o Ademir, colocar o Gerrard de Winger é dose. O jogo dele e do Lampard é pelo meio, vindo de tras como fazem no Liverpool e Chelsea. Os 2 cansaram de fazer gols assim em seus times.

    Só discordo dele no que se refere ao 4-3-3. O time ficaria muito exposto. acho que isso só daria certo no video – game

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