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O 4-5-1 do primeiro treino tático de Celso Roth no Inter

24 de junho de 2010 28

Acompanhei hoje o primeiro treino tático de Celso Roth desde o início da intertemporada colorada, na última sexta-feira. A atividade durou cerca de uma hora, no campo Suplementar A do Estádio Beira-Rio. E foi uma oportunidade maravilhosa para acompanhar os primeiros conceitos que o treinador do Inter vai implantar na maneira de jogar da equipe, em todos os aspectos: sistema tático, estratégia, escalação, sistema defensivo…

Roth começa os trabalhos adotando o 4-5-1 com três volantes e dois meias, que pode ser desdobrado pelos mais modernos em 4-3-2-1. O desenho proposto por ele no meio-campo é o clássico modelo italiano conhecido por “árvore de Natal” – ou Christmas Tree, em inglês. A principal referência – para mim – deste sistema é o Milan de Carlo Ancelotti, mas há também outros exemplos: Zacheroni utilizou o 4-3-2-1 na Juventus contra o Fulham pela Liga Europa neste ano, e Paulo Autuori arquitetou o Grêmio desta forma em Gre-Nal vencido pelo Inter ano passado, dia 25 de outubro (1 a 0, gol de D’Alessandro, pelo Brasileirão).

A disposição deste 4-5-1 tem uma linha defensiva de quatro jogadores; um volante à frente, centralizado, e obstinado apenas em marcar e cobrir laterais, sem desguarnecer a entrada da área; uma segunda linha de volantes-apoiadores, um pela direita, outro pela esquerda; dois meias ofensivos abertos pelos lados; e um centroavante de referência. A escalação inicial teve Pato Abbondanzieri; Nei, Bolívar, Fabiano Eller e Kleber; Sandro, Glaydson, Guiñazu, Giuliano e D’Alessandro; Alecsandro. Vale destacar que Roth se previne, não utilizando atletas que ainda dependem de liberação pela janela de transferências (Tinga e Renan) ou estão suspensos da Copa Libertadores pela Conmebol (Walter e Lauro). Andrezinho e Bruno Silva, com pequenos problemas físicos, também não puderam participar.

E Roth deu, em um trabalho tático de posicionamento, uma aula sobre marcação. Ele vai combinar o uso da pressão com a basculação defensiva, sincronizando ambos os movimentos. Funciona da seguinte forma. O time adianta suas linhas e marca no campo do adversário, a saída de bola. Mas a ideia não é espalhar os jogadores e distribuí-los perfeitamente no campo, como se fosse uma mesa de botão. Não. Roth adota a basculação para manter a equipe compacta e fechada. Se o adversário sair pela direita, imaginem que todos os dez jogadores do Inter sincronizam uma espécie de “sanfona” (sinônimo para basculação) na direção deste setor. Se houver uma virada para o outro lado, todo o time vai novamente naquela direção, como se cada jogador puxasse o companheiro por uma corda imaginária. Sem abrir espaços, esta é a meta.

A pressão teve dois momentos. Primeiro Roth “palestrou” aos atletas como deveria ser feita a pressão alta, com Alecsandro, Giuliano e D’Alessandro espetados na saída, Glaydson e Guiñazu batendo com os volantes adversários, e a linha defensiva na divisória do meio-campo. Depois, orientou também a meia-pressão, com o combate posicionando-se a partir da divisória, e apenas Alecsandro perseguindo o primeiro passe, recuando-se as demais linhas.

Talvez por isso Roth tenha escolhido Eller em detrimento de Sorondo, por exemplo. Marcar pressão significa adiantar linhas, e também representa algum risco calculado de bola longa adversária. É preciso que os zagueiros tenham velocidade para acompanhar os atacantes. Eller é mais rápido que Sorondo.

Foi um trabalho que priorizou esta organização defensiva. Roth procurou ser bastante didático, mas também cobrou bastante quando não conseguia se fazer entender por algum atleta. Minuciosamente ele pegava o jogador pelo braço, posicionava na zona de atuação correta, demonstrava que movimento deveria ser feito, e alertava os demais sobre o erro cometido, e a correção. Pouco deu para ver, entretanto, sobre as ideias de Roth com a posse de bola – certamente, um passo seguinte do seu planejamento tático.

Será muito interessante acompanhar os próximos treinos táticos comandados por Roth para acompanhar a linha de raciocínio dele. É fato que a estratégia vai priorizar a marcação-pressão e a ocupação de espaços com jogadores agrupados e próximos. Mas o 4-5-1 com três volantes e dois meias não é uma certeza, ele provavelmente vai testar novas opções, até que encontre a melhor maneira de jogar da forma combativa e intensa como ele gosta.

Comentários (28)

  • Arthur diz: 24 de junho de 2010

    Que retranca hein…

  • Diego diz: 24 de junho de 2010

    É um sistema muito bom, 451 , tem muitos técnicos que usam este esquema mas prendem muito os 2 meias e fica numa retranca, mas esse parece ser muito ofensivo, os volantes são de qualidade e o giuliano aberto pela direita e o D’alessandro pela esquerda , eu acho que tem tudo pra dar certo, muito seguro e ao mesmo tempo ofensivo!

  • Marcos James diz: 24 de junho de 2010

    esse esquema só funciona se o time não tomar gol ate os 25 min, senão desanda e pior> se o adversario souber fazer ligação direta com destreza, com um pivo cabeceador, aí foi para o saco< se o Inter jogar com esse esquem acontra o Santos toma 10 na cola.

    FORA RETRANKEIRO…

  • André diz: 24 de junho de 2010

    ele é bom treinador. trabalha bastante

  • Guilherme diz: 24 de junho de 2010

    pra mim isso só tem um nome: retranca… e que faz retranca é porque é medroso e não confia na qualidade ou do time ou da propria competencia em atacar… MARCAÇÃO É VIRTUDE, RETRANCA É MEDO!

  • dirson diz: 24 de junho de 2010

    a grande maioria das seleções nesta copa do mundo esta utilizando este esquema com pequenas variações, se bem treinada é boa opção, particularmente gosto por tornar a equipe bem equilibrada,.

  • LSDR96 diz: 24 de junho de 2010

    Mas esse time me parece equilibrado, Guiñazú e Tinga jogam mais pelo meio, mas Giuliano e D’Alessandro são jogadores que jogam mais pelos lados, bem provavelmente com bastante movimentação, proporcionando assim a D’Ale e Giuliano puxarem pro meio jogando o destro na esq e o canhoto na dir. E o que -na minha opinião- fortalece a idéia que o time vai jogar bastante pelos lados, é justamente o uso de 3 volantes e dois laterais apoiadores, principalmente Kléber na esq conta com o apoio do Guiñazú que marca mais. É uma compensação. Kléber que é até certo ponto deficiente na marcação, conta com Guiñazú que por sua vez não é tão eficiente quanto ele na frente, e na dir, Nei que tem muita vontade, mas nem tanta técnica, conta com ninguém menos que o Tinga pra ajudar. Promete…

  • Marco diz: 24 de junho de 2010

    Isso não é retranca

  • Edungeon diz: 24 de junho de 2010

    Acho que só funciona com o Tinga, qq tu acha Eduardo? Senão a saída de bola vai ser muuuito porquinha.

  • Jovani diz: 24 de junho de 2010

    Pelo menos ele tá tentando ensinar o posicionamento correto. Antes cada um fazia o que queria. Parecia onze peladeiros de fim de semana. Qualidade o grupo tem. se organizar um pouco vai longe. Será que o Guinazu vai continuar correndo como um doido ?

  • VALDECIR diz: 24 de junho de 2010

    BOTARIA O ANDRÉZINHO NO LUGAR DO GLEIDSON E RECUARIA O JULIANO PARA A DIREIRTA FICANDO ASIM SANDRO, QUINAZU ,JULIANO,ANDRÉZINHO E D,ALESANDRO O MELHOR MEIO DE CAMPO DO BRASIL.

  • Pedro diz: 24 de junho de 2010

    Ta certo ele nao tem atacante tem q coloca o coitado do Alecsandro sozinho la na frente

  • Paul diz: 24 de junho de 2010

    De novo esse esquema! O Fossati começou assim também!

  • candido tiaraju diz: 24 de junho de 2010

    Três volantes?! É brincadeira!! O que esperar de um treinador como esse que o Fernando “Dono de Tudo”Carvalho foi arranjar? Depois do “Espetacular”, agora temos que aturar esse Arroth na casamata do Inter. Mas tenho certeza de que não vai ser por muito tempo. Logo vamos cair fora da Libertadores, com esse esquema não vamos ganhar nunca, e aí a torcida vai exigir a saída desse cara. E lá se foi mais um ano perdido…

  • candido tiaraju diz: 25 de junho de 2010

    Mais um ano perdido… Também, o que esperar de um treinador que nunca ganhou nada?
    Só o Fernando “Dono de Tudo” Carvalho pra aprontar mais essa com o torcedor colorado.
    Mas esse calvário vai acabar no final do ano. O torcedor vai escolher a sua nova Diretoria pela razão e não mais pela emoção.

  • Alex diz: 25 de junho de 2010

    Parabéns pelo blog, que sempre possui análises interessantes. Entretanto, faço uma pequena ressalva: Na verdade, o sistema do Milan, conhecido como “árvore de natal”, possuía os dois meias (Kaká e Seedorf) mais centralizados, próximos ao atacante (Inzaghi). O formato de pinheiro iniciava-se nos quatro da defesa, passava pelos três volantes em linha, continuava com os dois meias e terminava com o atacante…
    Att,
    Alex/RJ

    Resposta do Cecconi: Alex, muito bem observado. Ontem após fazer a postagem eu consultei mais referências e encontrei estas informações. No 4-3-2-1 Christmas Tree é mais central a posição dos meias. Nota 10 pra ti. Abraços.

  • Daniel Halfen diz: 25 de junho de 2010

    Nos post “Possibilidades táticas …” de 15 de junho eu já havia pensado nessa possibilidade de um 4-5-1, ah… se o Inter tivesse um meia com mais chegada na área, tipo Diego Souza, seria um esquema fortíssimo.
    Não acho que seja retranca, significa compactação e pressão, mas a velocidade dos meias e a aproximação com o pivô são fundamentais, situações que o Roth certamente vai trabalhar depois de fixar o posicionamento defensivo.
    Cecconi, será que não é por leituras táticas como a tua que os treinadores fecham os treinos? Desse jeito o Ricardo Gomes não precisa nem de olheiro … hehehehe

  • Fábio – SM diz: 25 de junho de 2010

    Discordo q Eller seja mais rápido q Sorondo… talvez o Eller d 2006, mas o d 2010 perde feio pro Sorondo… aliás, pra qualquer outro zagueiro…

  • gabriel diz: 25 de junho de 2010

    cecconi, esse time em funcoe tacticas pode ser comparado a holanda? ou giu e dale nao fazem tanta funcao ofensiva

  • Alice diz: 25 de junho de 2010

    Duduzinho, seremos campeões.

  • Antonio Magalhaes diz: 25 de junho de 2010

    Grande Roth é isso ai defender primeiro para depois atacar, só se toma a bola do adversário sem a bola não adianta ter 3 atacantes lá na frente e a bola com o outro time. Chamar isso de retranca é falta de conhecimento técnico. Com estes volantes os meias e o atacante tem liberdade para ir a frente sem se precoupar com a marcação, os laterais podem atacar ao mesmo tempo com a cobertura do volantes. Sendo assim 2 meias 1 atacante e os dois lateriasi são 5 jogadores chegando a frente. Retranca heimm.

  • Evil Ryu diz: 25 de junho de 2010

    Não gosto desta formação. A França jogou nesta formação e não criou qualquer perigo para seus oponentes. É claro que haviam problemas internos no grupo, mas, o Japão também tinha e nem por isso foi eliminado, pelo contrário, seu futebol ofensivo surpreendeu. Se não tem coragem para jogar no 4-3-3, jogue no 4-4-2 (em linha ou quadrado), mas 4-5-1 é horrivel. Diga-se de passagem que o Brasil hoje também não produziu muito… 4-5-1 é dureza.

  • Marco Aurélio diz: 25 de junho de 2010

    Para jogar neste sistema, o ataque tem que ser impiedoso e fazer os gols nas poucas oportunidades que surgirem. E, mais: os meias precisam saber arrematar de fora e, também, infiltrar e finalizar. Também os laterais devem ter a capacidade de chegar ao fundo, coisa que não acontece há anos no Beira-rio. Penso que se deveria procurar um híbrido, que aproveite ao máximo as qualidades de nosso principal armador, D’Alessandro: a cadência, o controle do ritmo do jogo e o lançamento preciso. Arrematar não é com ele, sabemos. Ou, então, que se negocie este cracaço e encontrem alguém com as características que o sistema exige.

  • Rodrigo Tomiello diz: 25 de junho de 2010

    Saudações Eduardo! Primeiro, gostaria de elogiar a qualidade de seu blog, parabéns. Gostaria de fazer um questionamento: os volantes do inter, nesse sistema, ganham relevância ofensiva, visto que serão responsáveis por acionar os meias que jogarão abertos pelos flancos, a pergunta é esses nomes já não comprovaram que não tem qualidade de passe suficiente para desempenhar essa função? recuar sandro e guinazu e colocar andrezinho no lugar de glaydson centralizado a frente dos volantes não agregaria qualidade de passe sem perder o poder de marcação?

  • Tomaz diz: 30 de junho de 2010

    Somente hoje li sua matéria. Desejo parabenizá-lo. Excelente trabalho jornalístico. Quanto ao Roth, começo a reconhecer que se trata de um profissional sério e preocupado com detalhes. Estes fazem a diferença entre a vitória e a derrota. Como dizia Parreira, até o gol é um detalhe. Ainda que absolutamente decisivo para a vitória de um e a derrota de outro. Mas não vai bastar para o Inter um técnico sério e dedicado. Para ir mais longe neste ano e no próximo, será necessário reformular a defesa, com laterais competentes – vamos ver como se sai o Leonardo que está chegando -, pelo menos um zagueiro de alto nível, e um centroavante, que seja bem mais, muito mais que um simples empurrador de bola para a rede.

  • Preleção » Arquivo » Sem Guiñazu, Roth altera estrutura tática do Inter diz: 13 de julho de 2010

    [...] do Inter desenhado pelo técnico Celso Roth em seu primeiro treino tático da intertemporada – confiram aqui. Ontem, entretanto, o treinador colorado fez uma alteração, e é neste novo formato que o Inter [...]

  • Luis diz: 17 de julho de 2010

    Como tem treinador aqui, deveriam estar ganhando dinheiro, ao invez de ficar corneteando…Mas é isso, creio q o Roth esta começando bem, apesar dos sempre pessimistas corneteiros, q deveriam mudar para a azenha. Tudo para estes “gênios” é retranca, mas se fossem treinadores morreriam de fome. Vai lá Celso, cala a boca destes charopes e nos tráz o BI …eu acredito. Afinal sempre tem a 1ª vez…( Lembram do Abel, eterno vice? Q calou a boca de muitos destes malas.), pra quem trabalha duro como o Roth. E aos corneteiros: Por q ñ se calam?

  • Preleção » Arquivo » Com Tinga e Guiñazu, Roth altera estrutura tática do Inter diz: 20 de julho de 2010

    [...] Celso Roth sistematizou o Inter no 4-5-1 com três volantes e dois meias ofensivos (ou 4-3-2-1) – leiam aqui. Mas a janela de transferências demorou para abrir, Guiñazu sofreu uma lesão muscular, e ele [...]

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