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Espanha altera a tática e resgata brasileiros dos anos 90

29 de junho de 2010 8

A Espanha, que prometia antes do Mundial da África do Sul variar entre apenas dois sistemas táticos – conforme seu histórico recente – tem apresentado novidades a cada jogo. Hoje, na vitória de 1 a 0 sobre Portugal, novamente o técnico Vicente del Bosque alterou a estrutura da equipe, e parece ter encontrado uma boa formação no meio-campo.

Para quem gosta de geometria na analogia da análise tática, fica difícil definir a Espanha. A Fúria enfrentou Portugal no 4-4-2, mas sem um desenho claro no meio-campo, todo desalinhado, todo assimétrico. A disposição dos jogadores no setor lembra o clássico 4-4-2 brasileiro dos anos 90: um primeiro volante, recuado (Sergio Busquets, mais à esquerda); um segundo volante (Xabi Alonso, mais à direita); um articulador central (Xavi); e um meia-ofensivo, ou – lembrando a tradição brasileira – o quarto homem do meio-campo (Iniesta, pela direita).

A compensação pela presença de Iniesta mais à direita, embora ainda ligado ao meio-campo, foi encontrada com a abertura de David Villa pela esquerda. De lá, ele procurou as diagonais e a aproximação com os meias ou com o centroavante Fernando Torres. Capdevilla protegeu o setor, sendo um lateral de apoio escasso.

A característica do jogo espanhol, entretanto, foi mantida. A seleção de Del Bosque teve 61% de posse de bola, e trocou mais de 750 passes. Essa postura, embora às vezes carente de objetividade, serve para bloquear o adversário (Portugal teve apenas 9 conclusões, contra 19 da Espanha). Gosto de lembrar uma frase de Tite, treinador que gosta de ver suas equipes atuando com posse de bola. É um conceito muito relevante:

“A posse de bola não precisa ser objetiva o jogo inteiro. É impossível manter essa intensidade” diz Tite. Concordo. A melhor maneira de se defender, ou então, a maneira mais segura de se defender, é manter a posse de bola. E ter paciência para fazê-la objetiva, com passes verticais e conclusões criadas, quando a oportunidade surgir. Sem se desorganizar. Foi o que a Espanha fez hoje.

Comentários (8)

  • LSDR96 diz: 29 de junho de 2010

    Eu acho esse esquema quase perfeito para a Espanha, mudaria algumas coisas: Colocaria o Puyol na lateral-direita(fazendo uma movimentação tipo a do Abidal no Barça) e o Sérgio Ramos na direta com bastante liberdade; No meio, o volante mais recuado seria o Xabi Alonso(Busquets), depois o Xavi Hernández, e armando as jogadas mais centralizado o Cesc Fábregas, com o Iniesta exatamente na mesma posição, e o David Villa pela esquerda, só que mais perto da área.

  • Bruno Costa diz: 29 de junho de 2010

    A Espanha passou se arrastando até aqui.
    É um time bem médio.
    Bem abaixo de Brasil e Alemanha, ou até mesmo de Holanda e Argentina.
    Um bom jogo paraguaio deve encerrar o passeio espanhol na copa.
    Falaram muito de Espanha e Inglaterra, mas futebol de campeão até aqui só a Alemanha mostrou…

  • Blog do Carlão – Futebol é nossa área diz: 30 de junho de 2010

    Pode parecer loucura, mas a Espanha seria um ótimo adversário para o Brasil.

  • Joao diz: 30 de junho de 2010

    Show de bola Cecconi. Com um time bom e essa dinamica é meio caminho.

  • Roberticus diz: 30 de junho de 2010

    Eduardo, parabéns pelo timo analise, o mesmo que eu vou defendendo em meio de debates com outras pessoas;

    Isto bem me parece um 4-2-2-2 brasileiro, mas tal vez mais fiel ao estilo dos anos 80 e particularmente com respeito ao modelo Telê e não àquilo de Parreira que viria depois.

    Explico: O 4-2-2-2 de Santana, como tu já analisaste neste blog, apresentava um atacante na ponta (Villa imitando ao Éder no jogo de ontem). Mas também destaca-se uma diferença no papel e característica dos volantes; tanto Falcao e Cerezo quanto Alonso e Busquets eram muito mais organizadores de jogo do que Dunga e Mauro Silva e toda a grande caravana de volantes/3er zagueiros/destruidores que vem ocupando a posição desde os anos 90.

    Resposta do Cecconi: Roberticus, bem lembrado. Telê Santana fazia bem este 4-4-2. Acabei me referindo aos anos 90 porque nos anos 80 nossos clubes ainda eram adeptos do 4-3-3, foi mais uma época de transição. Mas tua observação é extremamente correta. Abraços.

  • Roberticus diz: 30 de junho de 2010

    Para LSDR96 acima; grande parte da imprensa espanhola concorda contigo; a debate gira em torno a presença dos dois volantes, por muito bons que sejam (Alonso quase parece uma meia), se pergunta “Realmente é necessário que joguem os dois?” .A insistência com a dupla esta quitando sitio a outro meia como Fàbregas no time. Observa-se também que o Xavi prefere organizar o meio-campo alguns metros atrás
    Claro fica, que na Eurocopa de 2008 Espanha jogava com um volante só- ou Senna ou Alonso.

  • Pedro Breier diz: 30 de junho de 2010

    Cecconi, porque esse esquema não pode ser considerado um 4-2-3-1? Sem a bola o Villa se alinha ao Xavi e ao Iniesta, divisando-se nitidamente os dois volantes e, à frente deles, uma linha de 3 meias. Com a bola já é mais difícil definir, principalmente porque o Iniesta movimenta-se por todo o campo. Mas acho que o posicionamento inicial dos jogadores é no 4-2-3-1, principalmente pelo alinhamento do Villa com os meias quando o time está sem a bola.

    Abraço.

    Resposta do Cecconi: Pedro, eu acho que há muito “modismo moderno” na análise tática. Tudo agora é desdobrado, qualquer esquema é 4-2-3-1…a Holanda joga no 4-3-3, mas essa corrente moderna força a análise de um 4-2-3-1. Pra mim Villa é atacante (posição), e jogou como atacante (função). Por isso eu defendo que é um 4-4-2. Essa é minha “corrente” de pensamento. Abraço!

  • Preleção » Arquivo » Espanha altera sistema tático para chegar à final diz: 7 de julho de 2010

    [...] O 4-4-2 semelhante às equipes brasileiras dos anos 80 e 90 (Telê Santana é uma boa referência para a analogia) utilizado pela Espanha durante a Copa do Mundo não foi visto hoje. O técnico Vicente del Bosque alterou o sistema tático da seleção, e obteve a classificação à final do Mundial da África do Sul, vencendo a Alemanha por 1 a 0 – gol de bola parada. [...]

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