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Com Robben, Holanda recupera o 4-3-3

01 de julho de 2010 5

Nas minhas análises táticas, tento fugir aos modismos modernos que provocam distorções na interpretação dos sistemas e estratégias. Há um esforço muito grande em dificultar a observação, com desdobramentos em quatro, cinco, seis, ou mais faixas verticais de campo…e este escalonamento forçado prejudica a definição de conceitos fundamentais da teoria tática – principalmente o de “função”. Pego a Holanda para exemplificar.

A Holanda, com Robben, mantém vivo seu histórico 4-3-3. O astro canhoto dos laranjas abre pela direita, o destro Kuyt atua pela esquerda, e Van Persie faz a referência central. No meio-campo, o triângulo é de base baixa, com dois volantes (De Jong e Van Bommel) e um ponta-de-lança central, o articulador Sneijder. A linha defensiva tem laterais pouco apoiadores (Van der Wiel e Van Bronckhorst) e dois zagueiros convencionais (Heitinga e Mathijsen). Simples assim. 4-3-3.

É um modelo diferente do utilizado pela própria Holanda na primeira fase. Sem Robben, entrou o meia Van der Vaart na equipe, pela esquerda. Kuyt foi recuado, pela direita, e alinhou-se ao novo companheiro, e a Sneijder. Configurou-se um 4-5-1 com três meias ofensivos, também conhecido por 4-2-3-1.

É forçoso impôr à Holanda do mata-mata a mesma interpretação. Com Robben, resgata-se o 4-3-3. Ele e Kuyt atuam em uma faixa mais adiantada do que faziam o próprio Kuyt e Van der Vaart na primeira fase. As diferenças são perceptíveis no posicionamento (partem de uma região mais próxima à área adversária, enquanto os meias no 4-2-3-1 partem de uma região intermediária) e na função (buscam diagonais e ingressam mais na área; articulam e também definem).

Evidentemente, tanto Kuyt como também Robben cumprem atribuições defensivas. Todo o atacante deve fazer isso. Acompanhar o lateral adversário é a principal. No 4-3-3, o atacante lateralizado precisa fazer isso, para não sobrecarregar os volantes no auxílio aos laterais. Se o lateral adversário não passar, não há motivo para ele recuar. Se passar, ele deve descer junto. Já no 4-2-3-1, os meias-extremos combatem por zona, acompanhando não apenas os laterais, mas qualquer jogador que ingressar na sua faixa de responsabilidade.

Para não acharem que estou teorizando demais, sugiro a observação da imagem que ilustra o post. São os heat maps de Kuyt em dois jogos. À esquerda, ele atuando como meia-extremo do 4-2-3-1 da Holanda contra o Japão, na primeira fase. Reparem que a área vermelha está na zona intermediária, e ele pouco avança, mantendo posicionamento mais rígido; e à direita está Kuyt atuando como ponta, no 4-3-3 da Holanda contra a Eslováquia. Notem que ele parte de uma região (em vermelho) mais próxima da área, é mais incisivo e também se movimenta mais.

Comentários (5)

  • Fabio M diz: 1 de julho de 2010

    Cecconi, posta também os “heat maps” de Van der Vart e Robben dos respectivos jogos. Dará uma noção ainda mais detalhada e exemplificada da diferença do 4-2-3-1 pro 4-3-3.

    Abraços e parabéns.

  • Beto diz: 1 de julho de 2010

    o 433 de antigamente nao existe mais! O 433 de hoje eh um 4321 ou 451, mas nao eh o 433 pois os pontas nao ficam mais na frente. Eles sao efetivamente pontas-de-lanca pelos lados do campo.

    O Brasil mesmo nao joga muito diferente ou alguem acha que robinho eh atacante?

  • Pedro Breier diz: 1 de julho de 2010

    Bom, esse post me ajudou a compreender um pouco melhor a diferença entre o 4-3-3 com triângulo de base baixa no meio-campo e o 4-5-1 com três meias… Mas acho que essa diferença é muito tênue. No Barcelona, por exemplo, o Iniesta joga pela esquerda e o Pedro pela direita, os dois ao lado do Messi… As funções me parecem as mesmas do que as vistas na seleção da Espanha, apenas com a inversão de lado, o Iniesta, meia armador, pela esquerda e o Pedro, atacante, com mais penetração na área, pela direita. Seria um 4-3-3 ou 4-5-1? No próprio Arsenal, que tu citas como o mais perfeito exemplo de um 4-2-3-1 bem organizado (no que concordo), vejo como a jogada preferencial do Arshavin o ingresso em diagonal na área, bem mais como um atacante do que um meia articulador. Quais as diferenças que tu apontarias nas funções dos jogadores do Arsenal, Barcelona, Espanha e Holanda para diferenciar os esquemas em 4-2-3-1, 4-3-3 ou 4-4-2? Abraço!

  • Marcelo Padilha diz: 1 de julho de 2010

    Esses aspectos não se restringem a tática, são principios de jogo concebidos pelos treinadores. Um atacante no 4-3-3 não tem necessáriamente que seguir o lateral numa marcação individual se na fase de organização defensiva de uma equipe o treinador quer e treinei para que ocorra a marcação seja zonal (que obrigatoriamente acontece através do fechamento de espaços e da compactação defensiva), da mesma forma que um meia não tenha como “marca registrada” encurtar esse espaço. Não há diferenças escandalosas no “4-2-3-1″ em relação ao 4-3-3 a não ser como você mesmo salientou um breve recuo em função da diferença de posição (Vaart é meia e Robben é atacante nada mais natural que um atue mais a frente que o outro porque está habituado a isso), há diferença de estratégias e princípios constituintes de modelos que variam de treinador para treinador. A seleção holandesa não deixou de jogar da forma como sempre jogou no comando do seu treinador só porque atuou com um meia no lugar de um atacante, foram os mesmos principios a todo momento.

  • LSDR96 diz: 1 de julho de 2010

    Bem que podia que nem num post seu, tirar o De Jong ou o Vam Bommel e colocar o Van der Vart de Box-To-Box. Além de ficar mais fácil pro Brasil nos contra-ataques(rsrsrsrsrs), tbm ajudaria o Kuyt mais pela esquerda, em quanto o Van Persie naturalmente cai um pouco mais pela direita.

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