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Análise tática do chocolate alemão

04 de julho de 2010 11

Assisti ontem à goleada de 4 a 0 da Alemanha sobre a Argentina, um pouco surpreso com a carência de iniciativa de Maradona. O treinador argentino não apresentou nenhuma alternativa à supremacia alemã, enrijecendo a equipe em um modelo que se mostrou desde o início inferior ao sistema de Joachim Löw.

Na descrição tática, foi o confronto do 4-5-1 (ou 4-2-3-1) da Alemanha, contra o 4-4-2 (ou 4-1-3-2) da Argentina. Os alemães com uma linha defensiva de quatro jogadores, dois volantes, dois meias ofensivos abertos pelos lados, um ponta-de-lança, e um centroavante de referência; e os argentinos com uma linha defensiva de quatro jogadores, um volante, três meias ofensivos, um atacante de movimentação, e um centroavante de referência.

A sobreposição deste sistemas conferiu à Alemanha o domínio do meio-campo. Graças à eficiência da marcação por zona. Em um primeiro momento, poderia se pensar que a Argentina teria vantagem na faixa intermediária, com Maxi Rodriguez, Di Maria e Messi sobre Schweinsteiger e Khedira. Mas este enfrentamento nem aconteceu. Na marcação por zona, a Alemanha colocou seus laterais no combate a Di Maria e Maxi, liberando os dois volantes para cuidar de Messi e dos eventuais recuos de Tevez, proporcionando até mesmo a formação de uma sobra entre os dois zagueiros.

Essa estratégia teve resultado pela abnegação dos meias-extremos alemães. Sem a bola, Podolski e Müller se dispuseram a acompanhar os laterais adversários, o que manteve Lahm e Boateng atentos aos meias argentinos. Se Otamendi apoiasse, Podolski descia com ele; se Heinze passasse, Müller ia junto – alinhando-se, ambos os wingers, aos volantes.

O único meio-campista que não recuava era Özil, o ponta-de-lança “puxador de contra-ataque” da Alemanha. Assim que a equipe recuperava a bola, o primeiro passe (geralmente de Schweinsteiger) busca Özil, responsável pela distribuição do jogo. A partir daí, a variação de movimentos ofensivos é grandes, com as combinações de Müller e Lahm na direita, Podolski e Boateng na direita, ingressos centrais de Schweinsteiger ou Khedira, aproximações de Klose…tudo isto combatido por um abandonado Mascherano, vítima de uma (falta de) organização das zonas defensivas da Argentina, bem diferente do que fez a Alemanha.

Comentários (11)

  • lfblog diz: 4 de julho de 2010

    sem falar do péssimo Otamendi e do insosso ,imprudutivo e inutil do MAXI RODRIGUEZ, que recebia a bola livre e devolvia para o Mascherano no meio de campo. Maradona simplesmente assite os jogos , não percebe o que ta ocorrendo, e substitui por substituir, não mudando em nada a forma de atuar.

  • sandro diz: 4 de julho de 2010

    Cecconi. Muito obrigado pela resposta devido à minha discordância na postura de Holanda e Brasil, quando você disse que os dois times eram, taticamente parecidos. Analisando a Alemanha, entendi o que você quis dizer, naquele dia e reconsidero minha colocação. Não me leve a mal, Cecconi, mas, vejo uma certa semelhança entre a movimentação dos meias abertos da Alemanha, com os pontas, embora partam de uma posição mais recuada. Desculpe, mas, embora partam de um 4x2x3x1, ou 4x5x1, como queira denominar, vejo essa Alemanha, não a mais técnica, mas, a mais ofensiva que já vi, nos meus 40 anos de idade. Quando de posse da bola, vejo quase um 4x2x4, com Ozil sendo quase aquilo que, nos anos 70, se dizia ponta de lança e, com Müller e Podolski, jogando de forma parecida com pontas. Quando se reagrupa, para se defender, ou se armar, sim, um 4x2x3x1. Cecconi, se escrevi bobagem, pode me corrigir, mas, me parece a Alemanha mais ofensiva que já vi. Para mim, isso até é uma alegria, pois sou o que se chama de ofensivista equilibrado. Nem a faceirice da Argentina e nem o defensivismo do Brasil. Me agrada ver seleções como Alemanha e Holanda passando nessa Copa. Obrigado pela resposta anterior e, se escrevi besteira, pode me corrigir. Mas, como sempre, gostaria de uma resposta sua.

  • Bruno Costa diz: 4 de julho de 2010

    Muito bom.
    Apenas dois comentários:
    Apesar de diferentes posicionamentos, para mim os dois times são 4-3-3… O da Alemanha com ponteiros e dois volantes. O da Argentina com dois atacantes mais soltos, e apenas um volante. Acho muito mirabolante essa “subdivisão” das linhas ofensivas. Muller e Podolski são ponteiros, assim como Roben e Kuyt, Ribery e etc…
    O outro é sobre as vitórias pessoais. Os alemães tinham cobertura, então sempre que Tevez ou Messi passavam por um oponente havia um outro pronto para confrontá-los, algo que não ocorreu nas vitórias pessoais dos atacantes alemães e do Ozil. Além disso, diferente do Mascherano, Khedira se apresentava como opção, e diferente do Maxi (condutor de bola), o Schveinsteiger organizava o jogo, aparecia na frente e vencia com habilidade seus adversários, desequilibrando completamente o jogo. Para mim o Schveinsteiger é o melhor da copa até aqui…

  • Daniel Koehler diz: 4 de julho de 2010

    Cecconi
    Você acha possível o Grêmio adotar esquema semelhante ao alemão da seguinte forma:
    - Lahm- Edilson
    Mario Fernandes e Rodrigo na zaga;
    -Boateng- Neuton
    - Khedira- Adilson
    - Schweinsteiger- Souza
    - Ozil- Douglas
    - Podolski- Hugo
    - Muller- Mailson
    - Klose- Borges ou Jonas

  • Felipe Corbellini diz: 4 de julho de 2010

    Como você bem diz Cecconi, os wingers alemães ajudaram muito na marcação, mas também, a Argentina não tem laterais. Heinze e Otamendi são zagueiros improvisados e isso contribuiu para essa “facilidade” na marcação. Outro ponto importante nessa equipa alemã são os volantes, o Khedira é um box-to-box nato, que embora não tenha um bom chute, ele está em todas as partes do campo e o Schweinsteiger é ótimo no passe (além de muitas outras qualidades), permitindo que a bola chegue ao Ozil redondinha. Parabéns ao Low que soube montar a equipe dessa forma.

  • L. Lindner diz: 4 de julho de 2010

    Olá Cecconi gostaria de dizer q aprendi muito sobre esquemas táticos acompanhando o seu blog e cada mais me convenço q o esquema deve se adequar ao jogador e não o inverso. Porém, taticamente como diz o grande Mourinho o 4-3-3 (e as suas variações) me parece definitivamente superior aos demais por ocupar melhor os espaços do campo. Como sou colorado gostaria de comparar o modelo alemão com nosso, com Pato, Nei, Bolivar, Índio kleber na primeira linha de defensores, tinga e guiñazu no meio, d’alessandro no função do ozil, Sóbis na do muller, giuliano na do podolski e alecsandro na do Klose. Sei que dale e alec podem ser inferiores aos seus correspondentes, e Sóbis pode não marcar como muller, mas vejo que os nossos volantes estão a altura em se tratando de futebol brasileiro. Gostaria de uma opinião sua. Valeu

  • Yuri diz: 5 de julho de 2010

    Nao entendi o porque da surpresa. diferentemente da goleada contra a inglaterra (aqui inclui 2 contra-ataques mortais depois de muita pressao inglesa) essa goleada era anunciada

    era so ver a argentina nos outros jogos

    desde o 2º jogo eles jogam nesta formação, priorizando totalmente o quinteto ofensivo e deixando o back-four sempre atras, heinze e otamendi (ate demichelis jogou de LD) raramente passavam do meio campo ofensivo. e eles nao tem muita qualidade.

    a 1º vez que eles enfrentaram um time no 4-2-3-1 foi contra uma coreia do sul fragil, mas varias vezes os coreanos dominaram o meio campo, criaram chances e o park chuyoung e outro jgoador disperdiçava. como a defesa+volantes coreanos eram medianos pra ruins, a goleada veio

    contra o 4-4-2 mais uma vez perdeu o meio campo e o mexico pressionou bastante. teve erro de arbitragem e erro individual, 3×0

    mas tava na cara que contra um time de qualidade melhor e que sacasse a estrategia argentina passava o rodo principalmente se fosse num 4-2-3-1, e foi como tu analisou

    podolski e müller sao MUITO importantes nessa formação, e tiveram o trabalho facilitado contra os fracos laterais argentinos
    ja no campo de criação argentino foram 4 marcando contra 3 argentinos, e ja como os laterais argentinos nao apoiavam muito, os 2 que falei ali podiam ate voltar mais e ajudar
    dai a bola simplesmente nao chegava no tevez e no higuain

    e maradona, como nao é tecnico e so quis colcoar os melhores meias em campo e botar o time pra frente, se deu mal.

    eu faria o seguinte por ex

    meia com mascherano (na posiçãoq ue esta pra enfrentar özil), maxi e di-maria mais abertos e na frente dele (combate com khedira e schweini)
    aguero na esquerda (pode jgoar assim, ou coloca qualquer outro mais veloz), tevez ou milito no meio e messi na sua posição de origem do barcelona, na direita

    daria espelhamento tatico no meio e de combate de ”alas” e laterais nos 2 times, um chocolate que nao seria (acho)

    mas claro, maradona nem tentou nada diferente

  • João A. diz: 5 de julho de 2010

    Na minha opinião não é adotando o esquema alemão a Grêmio ou Inter que vai melhorar um ou outro. Cada técnico tem que encontrar as soluções para seu grupo de jogadores. A comparação feita entre o time do Grêmio e a SELEÇÃO alemã escancara isto. Não é legal esta comparação entre jogadores, pois os estilos são distintos (prá não falar em qualidade: Lahm x Edilson… dá um tempo).

  • Igor Morais diz: 5 de julho de 2010

    Achei a a forma da seleção Argentina jogar meio esquisita, era que se houvesssem dois times separados em campo: 5 jogadores de defesa que não ultrapassam a linha de meiocampo, e 5 jogadores de ataque que não regressam pra formar um linha defensiva. Com exceção de Verón (quando atuava), eram todos jogadores de pouca movimentação vertical, previsíveis.

  • André Martins diz: 6 de julho de 2010

    Cecconi, muito legal sua participação no Bate Bola domingo, pena que o Mauricio Saraiva não estava no estúdio para ampliar o debate tático. Sobre esta análise, volto a perguntar: os brasileiros são “proibidos” de voltar para marcar quando não tem a bola? Nesse mesmo modelo, a Seleção não poderia ter Nilmar, Robinho e L.Fabiano juntos? O que ficou mais evidente foi a diferença de qualidade do nosso 2º volante com os demais. Não estou falando da cavalice do Felipe Melo, mas não dá pra comparar com o Schweinsteiger, Van Bommel ou Xabi Alonso. A única exceção foi o lançamento para o Robinho, mas isso é muito pouco para 4 jogos, e pensar que poderíamos ter Hernanes, Lucas, …. Abraço, parabéns pelo blog.

  • Preleção » Arquivo » Argentina aplica o contra-ataque ao 4-1-4-1 diz: 7 de setembro de 2010

    [...] o 4-5-1 com três meias (ou 4-2-3-1 – leiam aqui) e o 4-4-2 também com trio ofensivo (ou 4-1-3-2 – leiam aqui), sempre priorizando a escolha de jogadores com características mais ofensivas. Com Maradona, a [...]

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