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Inter tem boa perspectiva pelos lados contra o São Paulo

27 de julho de 2010 11

Quem acompanha o blog Preleção com maior frequência sabe que não gosto de fazer projeções. São vários os empecilhos: treinos fechados, escalações sigilosas, estratégias diferentes. Qualquer surpresa no time, na estrutura tática ou na proposta de jogo lançam por terra a projeção. Melhor sempre é analisar o que aconteceu, buscar explicações, apresentar uma interpretação das estruturas táticas e estratégias. Mas a circunstância – uma semifinal de Copa Libertadores – pede uma projeção para Inter x São Paulo, mesmo sob risco de diferenças entre o debate de hoje, e a prática de amanhã.

Mesmo sem Tinga, Celso Roth deve manter o 4-5-1 com dois volantes e três meias ofensivos (ou 4-2-3-1). Para substituir o armador central, candidatam-se Giuliano e Andrezinho, jogadores de características diferentes – o primeiro mais ágil e dinâmico, o segundo mais cerebral e organizador. Saibam mais sobre este sistema clicando aqui.

A possibilidade de centralizar D’Alessandro, com Rafael Sobis entrando no lado direito, parece remota porque o próprio Roth não gosta de ver o argentino refém de volantes. Outra hipótese de menor chance é o retorno ao sistema com três volantes e dois meias (o 4-3-2-1), entrando Wilson Matias – estrutura utilizada pelo treinador colorado nos primeiros treinos táticos da intertemporada – leiam aqui.

O São Paulo tem duas variações possíveis, sem que seja necessário modificar a escalação. A polivalência de Richarlyson permite que ele seja zagueiro pela esquerda, no 3-5-2, ou volante no 4-4-2 – situação que empurraria Hernanes e Marlos para uma faixa mais ofensiva da intermediária do Inter. Pelo histórico recente do clube, apostar no 3-5-2 não é nenhum sacrilégio. Saibam mais sobre o 3-5-2 do São Paulo clicando aqui.

Neste cenário, confirmando-se o 3-5-2 são-paulino, a melhor alternativa para o Inter é o jogo incisivo pelos lados do campo. Os problemas de marcação do sistema com três zagueiros tornam-se ainda mais evidentes quando ele se depara com três atacantes, ou com um atacante e dois meias abertos pelos lados – caso do Inter.

Recuperando a teoria: o 3-5-2 brasileiro utiliza a marcação individual por função. Zagueiro persegue atacante, volante encaixa com meia, meia vigia volante, ala bate com lateral, atacante pressiona zagueiro. Ao invés das zonas de marcação dos sistemas com linha de quatro defensores, os treinadores brasileiros que adotam o 3-5-2 preferem ver seus atletas marcando individualmente os adversários.

Este problema conceitual do 3-5-2 torna-o vulnerável ao 4-2-3-1. Isso porque indefine-se a marcação do meia-extremo. Se Jean e Júnior César precisam “bater lá em cima” com Nei e Kleber, basta os laterais do Inter manterem ambos ocupados, que D’Alessandro e Taison terão muito espaço para desenvolver velocidade às costas dos mesmos. Cria-se um dilema para o zagueiro: ou ele deixa o seu posto original e aproxima a marcação do meia-extremo, o que abre espaço na área e elimina a sobra; ou ele mantém o posicionamento inicial, espera a chegada do meia-extremo, mas permite que ele calcule a melhor jogada com tempo de sobra.

Esta vantagem do 4-2-3-1 sobre o 3-5-2 já se fez clara na vitória do Inter sobre o Flamengo, domingo – leiam aqui. Taison atuou entre as costas de Léo Moura e o zagueiro Jean. Antes que o rubro-negro descobrisse quem deveria marcá-lo, ou de que forma ele deveria ser marcado, Taison já havia feito um gol, e seguiu levando vantagem até o final da partida – leiam aqui.

Comentários (11)

  • Ricardo diz: 27 de julho de 2010

    “Se Jean e Júnior César precisam “bater lá em cima” com Nei e Kleber, basta os laterais do Inter manterem ambos ocupados, que D’Alessandro e Taison terão muito espaço para desenvolver velocidade às costas dos mesmos”

    Tem um problema aí, Cecconi: para os dois laterais manterem os alas ocupados eles teriam que subir ao mesmo tempo, um “pecado” num esquema de 4 atrás, pois não sobra ninguém. Um balão pra cima, uma escorada de cabeça do Fernandão e o Dagoberto tá na cara do gol…

  • manoella diz: 27 de julho de 2010

    Boa noite Edu, queria saber, se há alguma possibilidade de o Sóbis entrar como meia central, ocupando a função do Tinga?

  • ELTON HAEFLIGER diz: 27 de julho de 2010

    Não vejo deslumbramento no Inter. Há muito respeito, mas, também, muita disposição.
    Isso é bom !

  • Eduardo Feier diz: 27 de julho de 2010

    Parabéns xará! Gosto muito do teu blog porque tu analisa muito bem a tática e nos passa isso com facilidade de entendimento, pelo menos pra mim, porque eu sempre vejo a mesma coisa que tu.

    Aliás, tu é um dos poucos, talvez o único além do PVC (espn), que analisa realmente o esquema e a tática utilizada pelos times em campo. E não falo isso por eu ter a mesma visão que tu, até gosto de divergências de opinião, o que não gosto é de jornalista que não estuda, que não baseia sua opinião em alguma análise concreta. Isso é incompetência, é não fazer o mínimo que uma profissão exige.

    Tu, Cecconi, és competente. Continue assim e obrigado pelas tuas análises.

  • Fabio Tust diz: 28 de julho de 2010

    Ótimo texto! Espero que a estratégia colorada se confirme superior hoje a noite e também na semana que vem!

  • Robinson diz: 28 de julho de 2010

    Eu como gremista vou torcer pro são paulo, acredito que o inter tem sim uma leve vantagem, mas não posso deixar de considerar a terrivel zaga do inter, podem me criticar, mas eu considera uma das piores zagas do inter nos ultimos 10 anos se bobiar, lenta de++, o índio e o fabiano eller estão velhos, o bolívar tem dias que é indeciso, mal colocado, e jogar com essa zaga contra um jogador como dagoberto é fatal, um dos melhores atacantes do país e em exelente forma. do meio pra frente achoq ue tudo se emparelha, por mais que a zaga do são paulo não passe por uma boa fase, é uma zaga de seleção, muito boa, e acho que o inter vai ter dificuldades mesmo jgoando pelos lados, pq o d´alessandro é um ciscador não um extremo realmente, ele cisca pra ca pra la e muitas vezes não produz nada, o taison já é mais incisivo, porém tbm é irregular de+, essas questões individuais acredito que podem fazer a diferença num jogo desses, sem levar em conta que o time do são paulo é muito experiente e sabe jgoar esse tipo de jogo.

  • juliano diz: 28 de julho de 2010

    pro são paulo seria bem mais jogo eles tirarem o richarlyson, que é péssimo como zagueiro, e colocarem o fernandinho pra jogar naquele buraco ali na esquerda perto do nei

    ainda mais que 4-3-3/4-1-4-1 é bem efetico contra 4-2-3-1 no papel hehehe

    apesar de poderem colocar o hernanes como volante alinhado em “double-pivot” também

    ah, e se tivessem contratado o ilsinho poderiam fazer um 4-3-1-2 muito bem feito. com jean de primeiro volante, hernanes e souto na segunda linha, e marlos no enganche

  • Cristiano diz: 28 de julho de 2010

    Ricardo: Ai entra o volante. Cabe a um deles ajudar nessa marcação para que sobre um zagueiro. Aliás, é interessante ver quem o Roth colocará na marcação do Fernandão. Òbviamente Bolívar hoje é o zagueiro mais capacitado para essa marcação, mas vmaos ver quem ele escolherá.

  • Pedro Lampert diz: 28 de julho de 2010

    Sei lá, mas antes da Copa, esse esquema do São Paulo era um 3-4-3. Pega o esquema da Nova Zelândia na Copa e troca as peças. É muito parecido. Marlos (direita), Dagoberto (esquerda) e Fernandão (centro) são os atacantes, que jogam bastantes centralizados e trocando muito de posição… Na defesa os três zagueiros, no meio-campo uma linha com quatro jogadores, sendo o Hernandes um box-to-box e o Rodrigo Souto o jogador que dava segurança defensiva para o Hernanes atacar.

  • Ricardo diz: 28 de julho de 2010

    Cristiano, aí sobraria um no meio de campo do São Paulo para ajudar a zaga e acabar com a “vantagem” e deixando o inter vulnerável, com apenas dois efetivamente no meio…

  • Preleção » Arquivo » O bloqueio são-paulino no 4-5-1 diz: 29 de julho de 2010

    [...] da imprensa paulista, que abria margem a duas variações: ou o preferencial 3-5-2, ou o 4-4-2 – leiam aqui, a partir do avanço de Richarlyson para o meio-campo. Mas a proposta defensiva da equipe de [...]

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