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Chivas vs. La U: análise tática

28 de julho de 2010 10

Assisti ontem à noite ao jogo de abertura das semifinais da Copa Libertadores 2010, o empate em 1 a 1 entre Chivas Guadalajara e Universidad de Chile, no México. Logicamente, o blog Preleção não poderia perder a oportunidade de acompanhar o adversário de Inter ou São Paulo na decisão do principal campeonato das Américas. Vamos então à análise tática das duas equipes.

Chivas Guadalajara

Os mexicanos atuam no clássico 4-4-2 em duas linhas de quatro jogadores. Sem a bola, os meias-extremos alinham-se aos centrais, e o centroavante recua de forma centralizada. Recuperada a posse, a transição ofensiva se dá com estes wingers – Arellano na direita, Medina na esquerda – espetados no alto do campo. O centroavante Bautista, apesar de claras e manifestas limitações técnicas, participa na distribuição em pivô, girando sobre a marcação e partindo para a área na tentativa de receber a devolução.

A vocação desta transição ofensiva é pela direita. Arellano, camisa 9 velocista, centraliza as atenções dos companheiros, recebendo a bola com frequência. Bravo, o atacante mais adiantado, abre pelo setor para tabelar com Arellano, trazendo a marcação e permitindo a Bautista ingressar na área.

A compensação se dá no outro setor com o lateral-esquerdo Ponce, que apoia em auxílio a Medina. Ponce não chega à linha de fundo, mas aproxima-se do meia-extremo canhoto e arrisca muitos chutes de longe. Também pela esquerda, o meia central Báez é o apoiador, enquanto Mejía permanece mais restrito à proteção da linha defensiva.

Os zagueiros não são confiáveis, principalmente Reynoso, que entregou o gol da Universidad de Chile. Ele gosta de dar arrancadas à moda Lúcio, mas sem a mesma eficiência, obrigando Mejía a recuar na cobertura, o que abre espaços no meio-campo.

Universidad de Chile

Os chilenos jogam no 4-5-1 em duas linhas com um ponta-de-lança à frente (ou 4-4-1-1). Este sistema, e a própria formação básica, permanecem desde o início da temporada passada, quando La U estagiou em campanhas nas copas Libertadores e Sul-Americana. O grupo agora tem experiência em competições continentais, e está muito entrosado.

A estratégia é defensiva, mas sem abdicar do contra-ataque. As duas linhas compactam-se com laterais de pouco apoio, e meias centrais muito marcadores – Seymour e Iturra. O uruguaio Victorino comanda com maestria a linha defensiva, dando sequência à grande fase que o levou até a Copa do Mundo 2010.

Com a bola, La U procura o camisa 10 Montillo. O ponta-de-lança argentino atua de acordo com a característica do futebol em seu país natal: movimenta-se de lado a outro, apresentando-se ao jogo curto, às tabelas, procurando manter a posse de bola em triangulações com os companheiros até encontrar espaços para acionar o centroavante Olivera.

Olivera é alto, e além da bola aérea – nos cruzamentos e bolas paradas – participa do jogo recuando para reunir-se às tabelas curtas coordenadas por Montillo. A equipe também busca, quando Montillo não encontra espaços, a bola longa para o centroavante.

Pelos lados, os meias-extremos participam de duas formas: na direita Contrera faz a linha de fundo, enquanto na esquerda Puch prefere a diagonal para o centro, abrindo espaço aos raros apoios do lateral Rojas. A equipe ainda se ressente da saída de Álvaro Fernandez, uruguaio que não renovou contrato e foi para o futebol norte-americano.

Vale destacar ainda, para fechar: La U conta hoje com o melhor goleiro em atividade nas Américas. Miguel Pinto é um monstro. Joga demais.

Comentários (10)

  • Jonas diz: 28 de julho de 2010

    O cruzeiro havia comprado um argentino de nome Montillo… não seria esse?

  • matheus furtado diz: 28 de julho de 2010

    sim Jonas, é esse mesmo Montillo. E sobre o goleiro da La U, não lembro dele ter sido o titular chileno na Copa. O time chileno perde com a saída de Fernandez, pena que ele não tenha ficado nem no Nacional, time que o emprestou. a La U joga certinho, com Victorino jogando muito lá atrás e com uma dupla de volantes muito eficiente, e ainda com um goleiro segurando tudo. Pra mim, é o time que pode tirar o título dos brasileiros.

  • Alberto diz: 28 de julho de 2010

    É esse sim. Se apresenta depois da LA.

  • André diz: 28 de julho de 2010

    O Montillo foi para o Cruzeiro e o Omar Bravo foi jogar nos EUA

  • Pedro Lampert diz: 28 de julho de 2010

    Foi mais ou menos isso que vi ontem… Uma coisa só: no primeiro tempo, o Bautista ficou mais na área o Bravo recuou, formando um 4-2-3-1, que se formou no segundo tempo, mas desta vez com o Baustista jogando na linha de três meias e o Bravo na área.

    PS: O 3 do Chivas é o Jonny Magallón.

  • Maicon diz: 28 de julho de 2010

    Eduardo, você poderia fazer um post sugerindo livros e materiais como vídeos no youtube, ou alguma coisa assim para quem se interessa pelas análises táticas. Sei que você fala bem do Inverting the pyramid, mas se houvesse outros bons livros gostaria de saber.
    Abraço, o blog é muito bom.

  • Daniel Colorado diz: 28 de julho de 2010

    Massa… espero ter que vir procurar essa sua analise daqui a uma semana, qdo comecaria a preparacao Colorada para a final da Libertadores… por enquanto, so consigo pensar no Sao Paulo (literalmente! Nervos a flor da pele!)

  • Anderson Cardoso diz: 29 de julho de 2010

    Cecconi, tu que acompanhas o Inter, tens informações sobre o Leonardo?
    Ele está treinando normalmente com o plantel principal ou está fazendo trabalhos físicos específicos?

  • paulo sergio valle diz: 29 de julho de 2010

    Enfrentar um destes times caso o inter passe pelo SP vai ser casca. Tudo por que jogamos com apenas 9 homens, já que nei e alecssandro são da varzea, ruins, horriveis.

  • Preleção » Arquivo » Repetir inversão dos meias é boa arma para o Inter diz: 10 de agosto de 2010

    [...] com três meias ofensivos (ou 4-2-3-1), e o Chivas no 4-4-2 em duas linhas com wingers adiantados – saibam aqui como os mexicanos enfrentaram La U nas [...]

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