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O bloqueio são-paulino no 4-5-1

29 de julho de 2010 5

Na segunda-feira projetei uma escalação do São Paulo, baseado nas partidas recentes e nas informações da imprensa paulista, que abria margem a duas variações: ou o preferencial 3-5-2, ou o 4-4-2 – leiam aqui, a partir do avanço de Richarlyson para o meio-campo. Mas a proposta defensiva da equipe de Ricardo Gomes apresentou ontem, na derrota de 1 a 0 para o Inter, uma terceira via – ainda com a mesma escalação: o 4-5-1.

Na prática, o sistema prioritário do São Paulo ontem pode ser configurado como um 4-5-1 com três volantes, dois meias centralizados e um atacante de referência (ou 4-3-2-1). O desenho se aproxima bastante do que Carlo Ancelotti fazia no Milan, no “Christmas Tree” (árvore de Natal). Reparem na figura abaixo:

A foto apresenta uma variação de exceção na partida. Provavelmente Hernanes desceu ao primeiro posto para cobrir um eventual avanço de marcação de Rodrigo Souto, que retornou pela posição do camisa 10. No primeiro tempo Richarlyson foi o primeiro volante, com Rodrigo Souto à direita e Hernanes à esquerda na segunda linha. E no segundo tempo (quando fiz a foto acima) Richarlyson passou para a esquerda, marcando D’Alessandro de cima, enquanto Hernanes foi para a direita, e Rodrigo Souto recuou à primeira função.

Mas em determinados momentos de pressão do Inter, Ricardo Gomes apresentou ainda uma variação. Mantendo o 4-5-1, com diferente desenho de meio-campo. Reparem na imagem a configuração de um 4-1-4-1, com a abertura dos meias pelos lados, alinhando-se aos volantes da segunda faixa:

Acredito que Ricardo Gomes tenha pensado em bloquear as jogadas preferenciais do Inter, que são as triangulações laterais com Taison, Guiñazu e Kleber na esquerda, ou D’Alessandro, Nei e Sandro na direita, tendo Andrezinho a liberdade para se aproximar de ambos os trios.

Com estas duas linhas – Richarlyson entre elas – havia marcação dupla pelos lados. Jean e Marlos encaixados em Taison e Kleber, Júnior César e Dagoberto em D’Alessandro e Nei, enquanto o trio Richarlyson, Hernanes e Rodrigo Souto batia com Andrezinho, Sandro e Guiñazu. O que permitia aos zagueiros Alex Silva e Miranda cuidar de Alecsandro.

Nunca é demais lembrar um conceito teórico relevante: quando há encaixe de marcação, quando uma proposta é apenas defensiva, cabe ao time proponente buscar jogadas individuais. A técnica precisa prevalescer para desorganizar a estrutura defensiva adversária. Afinal, se cada jogador cuida de um respectivo, driblá-lo provoca um efeito em cadeia de jogadores deixando seus postos para a cobertura. Outra boa alternativa é o chute à distância.

Taison foi o melhor em campo exatamente porque compreendeu as exigências da partida: driblar e concluir. Partiu para cima em todos os lances, arriscou a jogada individual, e sempre que possível chutou a gol. D’Alessandro fez o mesmo, não com tantos dribles, mas investindo contra a marcação e concluindo.

O Inter foi bem neste aspecto, não se desorganizou e conseguiu, sem abdicar de sua estrutura tática, chegar à quinta vitória em cinco jogos. Um justo aproveitamento de 100%, pelo bom desempenho da equipe treinada por Celso Roth.

Comentários (5)

  • Jonas Rafael diz: 29 de julho de 2010

    Cecconi, tu não acha que se o Grêmio for no 3-5-2 vai levar um passeio tático do Inter? Penso assim, 4-5-1 contra 3-5-2. Ambos tem 5 no meio, até aí a marcação fica equilibrada. A defesa do Inter vai ter 4 pra marcar 2, aí sobra um dos laterais sempre livre pra apoiar. Se um dos alas abrir pra marca o lateral, vai desmarcar alguém do meio. É um cobertor curto. Por outro lado, o tricolor vai ter 3 zagueiros pra marcar um único atacante. Sobra um livre pra subir. Agora me diz: o que é melhor? Ter um Kleber pra subir e apoiar, ou um zagueiro do Grêmio (qualquer um dos três, pode escolher)? Se o Grêmio tivesse um VERDADEIRO líbero a história talvez fosse outra. 3-5-2 com três zagueiros lentos e sem saída de bola? Rezemos pra não sair goleada.

  • airton ribeiro diz: 29 de julho de 2010

    Excelente análise tática, parabens, precisas comentar no rádio, pois o que ouvimos de abóbra de alguns comentaristas é uma vergonha.

  • Vinicius Ryazantsev diz: 29 de julho de 2010

    Eu achei o esquema são paulino uma verdadeira bagunça, não sei se foi por prestar mais atenção no inter, ou se tava bagunçado mesmo, eu identifiquei uma troca de posições entre Dagoberto e Marlos, mas enfim… acho que minha dificuldade com o são paulo, foi o costume com times europeus que usam a mesma formação atacando e se defendendo, e quando fazem uma variação fica mais facil de perceber, mas gostei do 4-2-3-1 do Inter, Taison foi muito bem… percebi que os laterais subiam até o fundo pra cruzar, enquanto os wingers partiam pra dentro, principalmente o Taison, achei o Andrezinho meio apagado, esperava mais dele como enganche ali, o são paulo errou em se defender muito e contra atacar pouco, apesar de ser fã de esquemas defensivos, acho que o sp exagerou…Kleber e Nei subiram muito, um contra ataque rapido ali poderia pegá-los pelas costas, porém tinha Guiñazu e Sandro que cumpriram bem as funções defensivas de um volante, com as substituições, Giuliano foi um acerto de Roth, entrou, fez o gol e cumpriu bem a função, já o Sobis, achei ele meio atrapalhado ali como um Winger pela esquerda.

  • Antonio diz: 31 de julho de 2010

    Cecconi proponho um post: como ficará o Inter com Tinga e as possíveis alterações do SP. Não joga o Rycharlisson, com isso fala-se em 352 ( entrada do vigoroso Xandão) ou 442 (entrada do bom mas lento Cleber Santana). Particularmente acho que o cobertor ficou curto para o Ricardo Gomes. No 352 não tomaria gols mas corre o risco de não fazer algum .No 442 faria os gols que precisa correndo risco de tomar também. Dar espaço para o Taison só com dois zagueiros é correr risco elevado. Acho que ele vai de 352. Sobre Tinga não há nada o que comentar,está muito melhor do que quando saiu há 4 anos,aliou técnica com movimentação intensa e inteligente, além disso, Tinga e Guina juntos vira 12 contra 11. Aguardo o post hein?

  • Wagner diz: 31 de julho de 2010

    Cecconi…

    Muitas vezes apareci aqui para te corrigir, faz tempo que não apareço… tu, como detalhista que és, deves lembrar bem as coisas que achava errado nas tuas análises… bem, podes relaxar, não existe correção, estás PERFEITO, foi isto aí mesmo… parabéns…

    Deverias ir no Sala dar uma aula para o velharedo, os caras falam lá, de um assunto que pouco entendem, futebol… é impressionante a avalanche de asneiras, dói os ouvidos…

    Quinta ouvi o tal do Professor… professor do quê mesmo?… de futebol não pode ser… ele e o FORA DA CASINHA, Guerrinha, comentando o 352 do São Paulo?… me explica como conseguiram enxergar isto?…

    Bom, deixa eles… vi várias vezes durante o jogo este 4141 no São Paulo… a Seleção da Espanha no tempo do Marcos Sena, jogava assim, o Barça às vezes… naquela final da Champions League, contra o United, o Barça jogou no 415… ficavam cinco alinhados, sem a bola, Eto, Messi, Xavi, Iniesta e Henry…

    Só que tem uma FUNDAMENTAL diferença no posicionamento, tanto da Espanha como do Barça, em relação ao São Paulo… a linha de zaga ficava aproximadamente onde aparece o juiz na tua foto, e a segunda linha, na linha do meio do campo, até um pouco depois… era um posicionamento, defensivo ofensivo… na tua foto, até que eles estão adiantados, normalmente a linha de zaga ficava na área deles e a segunda linha onde aparece a zaga… foi retrancão mesmo…

    Um abraço…

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