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Mano, sobre o 3-5-2: "deixa o jogo maluco"

03 de agosto de 2010 21

Gosto quando vejo conceitos que eu defendo aqui no blog Preleção como premissas também do trabalho prático de bons treinadores. Ontem o novo comandante da Seleção Brasileira, Mano Menezes, concedeu entrevista ao programa Bem, Amigos! da Sportv, e falou sobre o 3-5-2. Descartou, de pronto, o uso deste sistema, apresentando diversas restrições.

Mano Menezes compartilha de um conceito trabalhado por José Mourinho em seus clubes: o 4-3-3 é o sistema que oferece maior equilíbrio na ocupação de espaços. Afinal, a que se resume toda a teoria tática do futebol? Ao estudo das melhores maneiras de ocupar os espaços do campo, e no tempo certo.

É por isso que Mano se utiliza do 4-5-1 com linha de três meias ofensivos (ou 4-2-3-1). Este sistema apresenta uma rápida variação ao 4-3-3, dependendo apenas de um avanço mínimo no posicionamento inicial dos meias-extremos, combinado à característica ofensiva destes jogadores – muitas vezes, atacantes atuando como wingers, como debatemos ontem. Portanto, propõe-se à melhor ocupação de espaços.

Mano justificou o uso do 4-2-3-1 comparando-o ao 3-5-2 brasileiríssimo. Separei algumas frases do treinador da Seleção Brasileira sobre este modelo tático. Perdoem-me se não trago aqui a transcrição literal, porque não anotei na hora da entrevista, mas o resumo é este, talvez com outras palavras:

“Prefiro a linha defensiva de quatro jogadores porque é mais equilibrado ocupar uma faixa de 60 ou 70 metros com quatro do que com três jogadores”.

“O 4-2-3-1 ou o 4-3-3 oferecem uma ocupação melhor dos espaços”.

“O 3-5-2 obriga os alas a jogarem lá em cima, e deixa o jogo muito maluco”.

“O Brasil tem melhores alternativas para explorar sua característica de controle da posse de bola do que o 3-5-2″.

Esta última é a principal ideia, que eu tanto defendo: além da ocupação equilibrada de espaços, a melhor estratégia sempre é buscar o controle da posse de bola. Jogar com a bola nos pés é a melhor maneira de marcar o adversário – pois evita que ele, obviamente, tenha a bola – e também (não menos óbvio) a melhor maneira de marcar gols. Isso não quer dizer que outras estratégias não sejam eficientes. Não estou aqui falando de resultados, mas sim de desempenho.

E o mais importante de tudo: jogar com a bola é a característica do futebol brasileiro. Transitar ao 3-5-2 na Seleção Brasileira seria abdicar do nosso tradicional estilo de jogo. O próprio Mano Menezes destacou na entrevista: “o Brasil tem que voltar ao protagonismo, a propor o jogo, a controlar a posse”. Perfeito.

O 3-5-2 é um sistema planejado, no Brasil, para combater e especular. Sem linha de quatro jogadores, a marcação por zona é trocada pela marcação individual por função. Os zagueiros perseguem os atacantes adversários, os volantes marcam de cima os meias, os alas batem com os laterais, e sobra um jogador para as eventuais coberturas. Um planejamento de marcação que coloca em risco a organização da equipe, por obrigar seus atletas a deixar seus posicionamentos nestas perseguições. E ainda escancara áreas vulneráveis, no espaço entre o ala ofensivo e o zagueiro do lado.

Com a bola, o 3-5-2 abdica da posse e do controle, porque conta com poucos jogadores no meio-campo. A articulação se dá na bola longa, à moda antiga (kick and rush – ou “chutar e correr”), acionando os alas ou então procurando o centroavante de referência, que recua e tenta acionar o atacante na segunda bola.

A controvérsia, entretanto, torna o debate divertido. Afinal, este 3-5-2 que tanto me desagrada é tricampeão brasileiro com Muricy Ramalho, que novamente lidera o Brasileirão usando os três zagueiros à brasileira. Mau desempenho para quem gosta de futebol, mas resultados e efetividade para quem depende disso. Não poderia condenar um técnico por adotar o 3-5-2 brasileiro. Não gosto de ver estas equipes jogarem, os desempenhos me desagradam, mas os resultados obtidos se impõem.

É por isso que eu faço questão de ressaltar: dou-me ao direito de dirigir minhas análises ao desempenho, e não ao resultado. Trabalhar conceitos teóricos e suas aplicações práticas sem se preocupar com títulos. Afinal, quem precisa ser efetivo e campeão é o técnico, são os jogadores, e quem exige isso é a torcida. O jornalista não é campeão. O jornalista pode sim idealizar e propor conceitos que considera mais apropriados por não depender dos resultados, como dependem os técnicos que justificam desempenhos ruins com títulos. Um dilema, realmente.

Comentários (21)

  • Dyeison Martins diz: 3 de agosto de 2010

    Eu, pessoalmente, acho que o 3-5-2 é apenas mau usado no Brasil. Sempre leio e ouço falar dos grandes times italianos do início da década de 90, jogando muita bola e encantando o mundo. Eles tinham líberos de verdade, alas de verdade, jogavam com um volante e dois meias… A impressão que fica é que os brasileiros criaram esse 5-3-2 maluco para compensar a carência de bons jogadores, que estavam migrando para a Europa.

    Agora Eduardo, fica um desafio então. Já que o maior defensor desse “3-5-2 a brasileira” ia assumir a seleção, porque não tentas criar uma escalação de como seria o time do Brasil nesse sistema de jogo? Com escalação, diagrama tático. Apenas por brincadeira, aproveite e ataque ainda mais o 3-5-2 com isso.

  • Marco diz: 3 de agosto de 2010

    Estou torcendo para que nenhum time no 3-5-2 ganhe esse brasileirão!

  • Glaucio diz: 3 de agosto de 2010

    O time de Felipão ganhou a copa de 2002 no 3-5-2,
    o Grêmio de Tite em 2001 ganhou a copa do Brasil no 3-5-2,
    O Grêmio de 2008, vice-campeão com Roth, era 3-5-2,
    Eu ganho todos os campenatos de Playstation no 3-5-2 hehehehe, com a Internzaionale.

    Digo uma coisa, a cobertura dos Alas deve ser feita por um dos volantes, enquanto o outro centraliza.
    No ataque a mesma coisa, (isso vc tb disse), qdo ataca por um lado, o ala inverso fecha pelo meio.
    Mas pra funcionar, tem que ter pelo menos um volante rápido, e alas com muita resistência, para ir e voltar.
    É interessante tb atacantes móveis, que aproximem dos alas para as jogadas, enquanto o outro atacante fecha na área.

  • Pedro Lampert diz: 3 de agosto de 2010

    3-5-2 (3-4-1-2) acabou… Ninguém tem bom rendimento fora do Brasil com este esquema.

    Qual o principal esquema tático atualmente: 4-2-3-1, que encaixa perfeitamente no 3-5-2.

    E outra: jogar com apenas um jogador por cada lado do campo (apenas o ala/lateral, sem winger) só dará certo no Brasil.

    Imagina um 3-5-2 contra um 4-2-2-2. Vencerá o time com melhor capacidade individual, no caso o São Paulo do Muricy, já que os esquemas se encaixam.

    3-5-2 também vai seguir dando certo no Brasil, já que os nossos wingers não são os típicos wingers. No Santos, por exemplo, Robinho não faz jogas de meia-direita e Neymar centraliza o jogo sem a bola, o que é errado…

  • Roberto diz: 3 de agosto de 2010

    Cecconi,
    Concordo contigo sobre os problemas de posse de bola e articulação do 3-5-2. Entretanto, gostaria de saber o que faz esse sistema ser tantas vezes campeão brasileiro recentemente? porque o 3-5-2 tem tanto sucesso no brasileirão? Como funciona um 3-5-2 vencedor?

  • Felipe C. diz: 3 de agosto de 2010

    Parabéns. É legal esse debate, ainda mais com uma pessoa ponderada como tu.
    Os times do Muricy, entendo que são um pouco diferentes da formação ilustrada no teu comentário.
    Ele coloca os dois zagueiros stoppers praticamente como laterais, sendo que recua bastante o volante central – além do que esses mesmos zagueiros voltam para cobrir cada lado.
    Os alas sempre são rápidos, com boa habilidade, bom cruzamento e muitas vezes meias improvisados.
    De repente é por isso que dá tão certo, já que ele é quase que tetra campeão do Brasil com esse esquema que muita gente não gosta e acha defensivo.
    Gostaria de uma observação tua quanto ao esquema que o São Paulo vai usar na quinta, um 3-5-2 com Fernandão de meia.
    Eu acho que é temerário. Há não ser que eles joguem com dois volantes e o Fernandão no meio campo.
    Desde a época do Inter acho que não se pode jogar no 3 5 2 com um meia lento.
    Será que não é esse o problema do Grêmio, com o Douglas nessa mesma posição?
    Abraço.

  • Ismael diz: 3 de agosto de 2010

    E como fica a seleção de 2002, ela atuava no 3 6 1, não sou estudioso, nem entendido, apenas acompanho futebol, mas todo esquema funciona o que realmente conta são os jogadores, o bom técnico é aquele que escolhe a tática de acordo com os jogares que possui.

  • Daniel Vicente diz: 3 de agosto de 2010

    Cecconi, veja q o debate acaba caminhando para um rumo ideológico o q não me parece saudável. O treinador deve usar o melhor esquema de acordo com os JOGADORES q tem. Para o Mano, é fácil defender o 4-3-3, pois ele pode escolher os melhores zagueiros, laterais, meias e atacantes do mundo! Mas vamos analisar um caso bem próximo. Dois na verdade! Grêmio e Inter. O presidente do Inter diz q seu plantel esta estruturado para um 4-4-2. O sucesso dos últimos jogos mostra q ele tem razão! Tem laterais e bons meias. Agora, o Grêmio! Desde o começo do ano, insiste na linha de 4 atrás! Mas o Grêmio, tem laterais defensivos no time?? Tem condições de comprar?? E tem dois zagueiros realmente confiáveis para colocar lá?! Não tem! Mas tem meias que sabem jogar pelas alas e bons volantes! Então o Grêmio só vai funcionar no 3-5-2! Mas e os espações da lateral do seu esquema? O volante tem q resolver e o ala tem q voltar. E a carência de articução? Mais uma vez os alas têm q estar voando! Então, pra mim, o esquema é secundário, e o plantel disponível é o q define um time campeão! Afinal vimos o 3-5-2 arrasar no campeonato nacional mais difícil do mundo.

  • Yuri diz: 3 de agosto de 2010

    Olha cecconi a minha maior tristeza nos ultimos anos tem sido esse maldito esquema com 3 zagueiros eu gosto de um bom futebol não me entenda mal eu não gosto de um estilo de jogo firula por firula na verdade nem gosto de firula mais gosto de ver jogadas ensaiadas gosto de ver troca de passes 15 20 30 passes e chute ao gol uma deixadinha uma cavadinha um passe de calcanhar isso é futebol não ligação direta isso para mim está mais para futebol americano eu detesto isso cansei disso e esse é o meu maior desgosto no meu grêmio nos ultimos anos não vejo isso vi com o autuori alguns lampejos disso e nada mais o grêmio não merece isso e eu como torcedor fanatico não mereço ter desprazer ao assistir um jogo de meu time do coração por uma invencionice de cara sem capacidade que não consegue sustentar as proprias ideias

  • celso diz: 3 de agosto de 2010

    Caro Eduardo!
    Comento seguidamente em teu blog, e posso dizer que apesar disso DISCORDO QUASE QUE EM 90 POR CENTO, dos teus comentários! O futebol não é apenas tático, nao se resume a esquemas. O 3-5-2, quando bem montado é um muito bom esquema! O ERRO, está justamente no uso de 2 (dois) VOLANTES. Basta usar um, volante e dois meias, assim os espaços ofensivos, e as jogadas ofensivas fluem de forma natural! Eu também prefiro o 4-4-2 ou o 4-3-3, mas o 3-5-2- funciona se bem executado!
    Não gosto por exemplo do 4-3-3 da ESPANHA, pois é um time que toca, taca, toca, e nada acontece! Onde estava o erro? Exatamente na falta do melhor jogador espanhol: FÁBREGAS, que é quem carrega a bola e dá profundidade ao jogo! FERNANDO TORRES, que foi tão criticado, foi o maior prejudicado dessa copa pois a bola não chegava nele!
    No mas é isso, discordo bastante, mas fica o meu abraço!

  • Luis diz: 3 de agosto de 2010

    Não há dúvida que com o passar dos anos a organização tática vem sendo aprimorada.
    Entretanto, todos devemos saber que não existe uma formação “perfeita”. O importante é o treinador conhecer as características dos seus jogadores e como eles jogam em conjunto.
    Como você mesmo citou, o Muricy ganhou utilizando o 3-5-2 e o Felipão ganhou a Copa de 2002 também com essa formação. Mas isso não quer dizer que ela seja perfeita. Para utilizar o 3-5-2 efetivamente, o principal é ter 2 alas extremamente velozes tanto para atacar, quanto para defender e que saibam apoiar na linha de fundo. O Brasil de 2002 tinha Cafu e Roberto Carlos, ou seja, 2 laterais que se encaixam nesses requisitos. É claro que não é só isso, mas é um dos requisitos para não deixar as duas áreas vulneráveis pelas laterais. Acredito que o Mano fará um bom trabalho no comando da Seleção. Ele possui uma visão individual e coletiva muito apurada e sabe ensinar “consciência tática” aos jogadores como ninguém. O conheço desde os tempos do Caxias. Boa sorte Mano, estamos com você na formação 1 – 11 – 190 milhões hehe.

  • lulu diz: 3 de agosto de 2010

    Concordo!

  • Baldur diz: 3 de agosto de 2010

    Estas variantes táticas também explicam porque muito atletas dão certo em outra posições lá fora e outros não se adaptam. Peguem como exemplo um lateral apoiador, mas que marca pouco; fica perfeito como winger, vide o Mancini ou o Michel Bastos por exemplo. Mas um meia clássico, que joga pelo meio e não tem velocidade, não consegue fazer esta função pelo lado do campo, então, ou o time dele joga com um atacante somente no 4-5-1 e ele permanece no meio, ou ele tem que encostar mais no centroavante e jogar como segundo atacante, mais perto da área, ou pior, vai ter que aprender a marcar e virar segundo volante box-to-box( como aconteceu com o Anderson no Manchester United).

  • Gabriel diz: 3 de agosto de 2010

    As vezes eh preciso simplificar:
    Qualquer sistema de jogo por mais maluco ofensivista, retranqueiro ou equilibrado que seja pode dar certo contando que se tenha os jogadores com as características necessarias para executar a sua determinada função (e se for talentoso improvisar na hora certa) desde que bem treinados e com vontade ou motivados.
    Além disso, no 3-5-2 além de se obter os resultados (como faz o Muricy), eh possível tbm jogar bem e bonito (basta lembra do expcional time do Grêmio de 2001, do Tite, que tocava a bola com maestria e velocidade e marcava sobre pressão os adversários mesmo jogando fora de casa) pq tinha os jogadores certos para tal sistema e era bem treinado para executar jogadas que requeriam um posicionamento diferente, como por exemplo, uma eventual subida do Polga para combater junto ao Eduar Costa no meio, uma eventual subida do Roger como nos velhos tempos de lateral esquerdo, entre outras tantas.

  • Antonio diz: 3 de agosto de 2010

    Cecconi tu sabes que gosto de discutir este assunto e tenho em ti e no teu Blog um canal de referência para boas conversas sobre futebol. Concordo com quase tudo que escrevestes nesse post. Mas…sempre haverá um “MAS” ou blog não existiria. Penso que acima da escolha do modelo tático está o feeling do treinador em utilizar os melhores jogadores. Ponto Nova-linha: Em segundo lugar, adaptar os melhores jogadores, ao posicionamento estabelecendo o esquema que melhor aproveite as características dos jogadores. Em um time imaginário que contasse com Lúcio, Gamarra e Figueroa, seria difícil deixar um deles na reserva. Que fique claro que não defendo o 352 ou qualquer outra sopa de números. Defendo a boa utilização dos talentos de cada atleta.
    Cansei de te dar parabéns!

  • cereal killer diz: 3 de agosto de 2010

    Eu gosto muito das tuas análises táticas e acho que esse é um blog criativo, que refoge aos tradicionais, que estouram a paciência pela ladainha tida e repetida. No entanto, eu não entendi direito a tua última parte. Me parece claro, que qualquer análise técnica, partindo de um jornalista especializado, deve buscar um sentido concreto, no caso, um resultado. Se não for assim, não se sabe exatamente o limite da irresponsabilidade ou, mesmo, da inutilidade do comentário. Eu talvez não tenha entendido direito, pq vc é um jornalista inteligente. Espero!

  • Ivan diz: 3 de agosto de 2010

    Brasil 2002 era tudo menos 3-5-2. Pra começar, os laterais eram realmente laterais, tinham posicionamento e obrigações defensivas e não se espetavam no ataque como fazem os alas.

    Os 3 zagueiros tbm merecem análise. Edmilson a bem da verdade funcionava mais como um cabeça-de-area bastante recuado, mas à frente da dupla de zaga, sobretudo quando o time tinha a posse da bola. Seu papel era mais próximo do papel do G. Silva do que do Lucio ou do Roque. E o meio tinha como desafogo o Juninho (depois Kleberson, que melhorou o time justamente por agregar cadência àquele time com defesa/ataque tão desconectados). E esses jogadores todos ficavam bem distantes dos outros 3, que se movimentavam bastante e voltavam pra buscar jogo, mas tinham como base um posicionamento em arco: Rivaldo na esquerda, Ronaldo no centro, Ronaldinho na direita.

    Pra mim isso tá bem mais próximo de um 4-3-2-1 do que 3-5-2.

  • Fabio diz: 3 de agosto de 2010

    Penso que o conceito abordado sobre o “controle do jogo através da posse de bola” não se encaixar no 3-5-2 tem muito mais a ver com o padrão de jogo implementado pelo treinador, ou seja, como o jogo da equipe vai se desenvolver no campo, do que propriamente com o sistema, que nada mais é do que a distribuição dos jogadores no campo… O 3-5-2 no Grêmio do Tite derrubou este conceito, pois era uma equipe que fazia exatamente isso, ficava com a bola, trocava muitos passes em aproximação, controlava o jogo justamente mantendo a posse de bola por muito mais tempo que seus adversários… Ocupação de espaços, na minha modesta opinião tem muito mais a ver com a “compactação” da equipe, com a aproximação das linhas nos movimentos ofensivos e defensivos.

  • marcel diz: 3 de agosto de 2010

    cecconi,
    tenho uma duvida neste 3 5 2 q o grêmio vem usando…… com o uso do do hugo e maylson, como estes são meias, a tendecia deles é sempre puxar para o meia, não sendo alas….. assim teoricamente existe transação ofensiva pelo meio e chegada, porém o que falta é jogada de linha de fundo…. correto!???

  • Alexandre N. diz: 4 de agosto de 2010

    Pra um um esquema funcionar bem, o time precisa ter no seu elenco jogadores que se adaptem bem a ele. Isto é inevitável. Sou torcedor do Fluminense e acho que a opinião que vou dar aqui pode ajudar a corroborar isto.

    Quem acompanhou os jogos do Flu no Brasileiro até agora, reparou que houve uma mudança brusca no rendimento do time e de alguns jogadores. O time quando escalado no 4-4-2 jogava muito melhor do que este que vem jogando no 3-5-2.

    Quando escalado no 4-4-2, o time do Fluminense controlava todas as ações da partida, pois povoava bem o meio de campo de forma a controlar a bola sempre no campo do adversário. E graças a este povoamento no meio de campo, via-se muitas tabelas e triangulações nas jogadas entre meias, laterais e atacantes. Não à toa, os laterais e o meia Conca sempre foram destaques nas partidas.

    Agora, quando escalado no 3-5-2, o time teve uma queda de rendimento muito grande, mais visível ainda em determinados jogadores chave. Os jogadores que jogam mais próximos uns dos outros são os zagueiros e os volantes. Os laterais jogam muito abertos e o meia Conca muito centralizado, o que facilita a marcação de ambos além de acabar com as tabelas e triangulações. E a bola só chega ao ataque por meio das bolas rifadas da defesa. E com isso, o time que sempre dominava as ações durante as partidas, passou a ser mais dominado, o que permitiu por exemplo, aquele empate contra o Botafogo.

    Eu espero que o Muricy reveja este conceito, pois neste esquema a sorte vem ajudando muito mais que a competência. E a sorte nunca dura pra sempre.

  • Michel Costa diz: 4 de agosto de 2010

    Quando ouvi Mano tocando no assunto, logo me lembrei deste blog. Concordo plenamente com o técnico da Seleção. Matematicamente, é bem menos difícil cobrir 60, 70 metros com quatro zagueiros do que com três.
    Torço muito para que o 4-2-3-1 e suas variações se popularizem por aqui. Assim, veremos o surgimento de laterais de verdade e externos formados para a função. Isso sem falar em volantes que saibam jogar.

    Abraços.

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