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Santos no 4-3-3 vs. Vitória no 4-4-2 em losango

05 de agosto de 2010 5

O Santos perdeu ontem para o Vitória por 2 a 1, no Estádio Barradão, mas o resultado foi suficiente. A equipe paulista conquistou a Copa do Brasil, graças à vitória de 2 a 0 no jogo de ida, na Vila Belmiro. Assisti ao jogo pela TV, e por isso trago ao debate o sistema tático e a estratégia das duas equipes.

O Santos recorreu ao seu bem sucedido 4-3-3 – conforme o diagrama tático que ilustra o post. Dorival Júnior posicionou o meio-campo em triângulo de base alta, com Arouca no vértice de marcação, Wesley como apoiador pela esquerda, e Paulo Henrique como o articulador, na direita. Os dois laterais – principalmente Pará na direita – receberam livre autorização para o apoio alternado.

Na frente, o trio formado por Robinho, Neymar e André. Os dois primeiros pelos lados, mas não como pontas à moda antiga. Ao invés da linha de fundo, tanto Robinho na direita, como também Neymar na esquerda, priorizaram as diagonais para o meio, conduzindo a bola na direção da área, facilitando as tabelas com André e os meias.

Depois de sofrer alguma pressão no início da partida, o Santos controlou a posse de bola aproximando Paulo Henrique e Robinho. Apesar do campo embarrado, ambos comandaram as tabelas curtas, retirando velocidade do jogo. Quando o título era iminente, Dorival trocou André pelo meia Marquinhos, o que intensificou ainda mais essa posse baseada em aproximações.

O Vitória se utilizou do 4-4-2 com meio-campo em losango. Neto Coruja foi o volante central, com Elkeson e Bida de apoiadores, e Ramón na legítima ponta-de-lança. O veterano camisa 10 jogou espetado entre os atacantes, não como um organizador clássico, mas sim como um definidor de jogadas.

Na frente, dois centroavantes: Schwenck, deslocando-se para a direita para abrir espaço aos avanços de Ramón, também retornava à área para acompanhar Júnior. A estratégia foi clara desde o início: abdicar do jogo pelo chão, em função das condições do gramado, buscando a bola alta.

Neste aspecto, a equipe foi prejudicada pela carência técnica de alguns jogadores. O lateral-esquerdo Egídio, muito acionado – Gabriel, que substituiu Nino Paraíba no início da partida, é zagueiro e permaneceu na base marcando Neymar – consagrou-se como um cemitério de jogadas. O Vitória insistentemente procurou por Egídio, e ele não conseguiu completar praticamente nenhum passe ou cruzamento, desabastecendo os atacantes.

No confronto das duas estratégias – Santos controlando a posse, com passes curtos; Vitória com intenção de pressionar lançando a bola na área – os paulistas se deram melhor. A consolação para os baianos foi conseguir a virada em casa, vencendo a partida.

Comentários (5)

  • Lucas Gutierrez diz: 5 de agosto de 2010

    Esse Santos tem virtudes e carências, como qualquer time. Seu maior mérito é que ainda não descobriram ou tiveram coragem de fazer o que deve ser feito para pará-lo.

    As virtudes do Santos vão além do grande gabarito técnico de suas estrelas. Taticamente é um time interessante ofensivamente. É de se notar, por exemplo, que o Wesley e o Ganso trocam frequentemente de posição. Na verdade, o P.H. Ganso tem liberdade de movimentação pelo meio e o Wesley faz o contra-balanço da sua movimentação, infiltrando-se pelo setor oposto. Simplificando: quando o Ganso está na esquerda o Wesley cai para direita; quando o Ganso cai pela direita o Wesley sai pela esquerda.

    Outra coisa legal de ver é que o Robinho se doa um pouco mais pelo coletivo que as outras estrelas. É ele quem faz, quase que exclusivamente, o retorno pelo meio, tanto para armar as jogadas como para compor o setor.

    Mas como fica claro pelo dito acima, a cheve do time é o Ganso. A movimentação dele dita a movimentação de todo o sistema ofensivo do time.

    Essa movimentação intensa e troca constante de algumas posições confundem a marcaçã do adversário. Fora isso (que já é bastante em nível de futebol nacional), o que faz a diferença é a qualidade de passe do time e grande competência na jogada individual.

    É um time difícil de ser parado, quase impossível, SE VOCÊ FIZER UMA RETRANCA.

    O problema do Santos é a sua defesa, não pela qualidade dos seus defensores, mas pela proposta do time (não só atacar bem, como ter um contra-ataque mortal).

    Há no time 4 jogadores que apenas cercam, quando muito: André, Neymar, Robinho e Ganso. Quando o time se defende o desenho tático parace um 4-4-2 com o meio campo em quadrado. Wesley emparelha com o Arouca e um dos atacantes (principalmente o Robinho) alinha com o Ganso. Ou seja, na frente da zaga e protegendo os laterais há apenas 2 jogadores (Weslwy e Arouca). Não é a toa que o time toma muitos gols.

    Só não toma mais gols e não perde mais jogos pq poucos entendem que para ganhar do Santos é preciso sufocar o Santos.

    Os zagueiros não sabem sair jogando. Quem faz a saída são os laterais e os 2 volantes. Basta encostar neles e tirar a opção de passe do zagueiros que o balão será inevitável. Aí o Santos ia sofrer com a insipiente complexão física de seus atletas (mas há que se trabalhar, também, a segunda bola).

    Ainda, uma marcação adiantada é a única capaz de para o PH Ganso. Esse jogador não joga enfiado. Ele sempre recua até o círculo central para distribuir o jogo, passa e se movimenta em direção aos espaços vazios para receber livre novamente. A marcação adianta pega ela lá no círculo central e o faz jogar de costas, numa zona onde não deve arriscar muito.

    Assim sendo, note como uma marcação adiantada pode ser muito mais eficiente para parar um time do que uma retranca.

    Querem a prova que dá certo? Assistam o segundo tempo do jogo do Grêmio contra o Santos no Olímpico, o primeiro tempo do Grêmio contra o Santos na vila e o segundo tempo do Santos contra o Vitória no barradão.

    Na minha opinião. Só não vê quem não quer.

    Valeu Cecconi, adoro o teu blog

  • Vinicius Ryazantsev diz: 5 de agosto de 2010

    Gostei demais do jeito que o vitória jogou nos 10 primeiros minutos, consegui sacar a estratégia do time, mas a formação eu nao conseguia, porque os jogadores saiam demais da posição inicial, ao contrario do que acontece na inglaterra e na russia(campeonatos que acompanho com mais frequencia), como iniciante tenho dificuldade com umas coisas ainda mas com o tempo pego, vi o jogo só até o gol do santos, e o losango, eu cheguei a desconfiar que era um losango mas dae o instinto falou mais alto “não, brasileiro só conhece 4-2-2-2 e 3-5-2/3-6-1″ ae acabei ficando confuso quanto a isso.

    ah, e saindo do assunto do jogo, acho que não comentei contigo isso ainda, FINALMENTE o 4-2-3-1 ta “fazendo escola” no Brasil…é um esquema que eu gosto, porém ainda assim prefiro o que nunca vingou por aqui, o 4-4-2 clássico, em 2 linhas.

  • Pedro Lampert diz: 7 de agosto de 2010

    Santos tem um esquema bonitinho no papel, mas a parte tática no campo é um LIXO.

    Lixo total mesmo. Robinho toda hora vai jogar na ESQUERDA, e não é troca de posição com o Neymar, os dois ficam no mesmo lado. Neymar também tem pouca responsabilidade tática…

    Enfim, legal no papel, um lixo no campo.

  • William Cascaes diz: 7 de agosto de 2010

    Olá Cecconi!
    Primeiro quero dizer que virei fã de carteirinha do seu blog; que é sem igual em se tratando de futebol. Parabéns.

    Estou com dificuldades contra times que jogam no 4-5-1 no PES 2010; acabo quase sempre perdendo jogos tomando gols de contra-ataque, já que a defesa deles é muito consistente.

    Alguma sugestão?

    Grande abraço.

    Resposta do Cecconi: bruxo, minha sugestão para não tomar gol de contra-ataque é usar linha de quatro zagueiros (CB). Perde-se a passagem do lateral, mas sempre tem quatro jogadores posicionados quando o adversário perde a bola, evitando lançamento nas costas ou mano-a-mano. Abraços.

  • Eduardo Airoldi diz: 7 de agosto de 2010

    Cecconi, sou seu fã!

    Como meu Grêmio está em crise, gostaria que você comentasse a seguinte escalação:

    Victor
    Ozéia, Rodrigo, Rafael Marques
    Rochembach, Ferdinando, Adilson
    Souza, Douglas
    Jonas, Borges

    Uma espécie de 3-3-2-2.

    Atacando, poderia até variar um pouco, com a mesma escalação, adiantando os zagueiros e mudando o posicionamento dos volantes.

    Victor
    Rodrigo
    Ozéia, Rafael Marques
    Ferdinando, Adilson
    Rochembach (mais solto pelo meio, livre pra chutar de fora)
    Souza, Douglas
    Jonas, Borges

    1-2-2-1-2-2?

    Alguém já jogou assim na história? Será que dá liga? Quais seriam, na sua opinião, os prós e contras? Hoje o Grêmio já não marca – os 2 volantes do meio não têm ajuda – nem ataca bem – a Douglas-depndência é grande demais.

    Abraços,
    Eduardo.

    Resposta do Cecconi: Eduardo, tenho por norma não comentar sugestões “no papel”, porque parto do princípio que qualquer sistema pode dar certo, desde que bem treinado, e com os jogadores adequados para cada função. Teríamos de ver em ação este time que sugeres para formar opinião. Abraços.

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