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O 3-5-2 que levou o Fluminense à liderança do Brasileirão

23 de agosto de 2010 6

Assisti ontem, na redação do clicEsportes, ao empate entre Fluminense e Vasco. Apesar das atribuições da pauta do dia, foi minha primeira oportunidade de conferir o 3-5-2 de Muricy Ramalho pós-Copa do Mundo. E a estrutura do Fluzão não difere em nada dos demais sistemas com três zagueiros elaborados pelo treinador em outros clubes – São Paulo, principalmente.

O 3-5-2 do Fluminense joga de acordo com a estratégia padrão deste sistema no Brasil. Três zagueiros legítimos, sem líbero; dois alas-lateralizados, espetados no alto do campo, e eminentemente abertos para jogadas de linha de fundo; dois volantes na base de um triângulo de meio-campo, combinando um mais combativo, e outro mais apoiador; um ponta-de-lança no vértice do triângulo, aproximando-se da área; um atacante de movimentação; e um centroavante de referência.

Neste Fluminense, Diogo é o volante-combativo, e Diguinho o apoiador, que faz a passagem pela direita, em suporte ao ala Mariano. O balanço se dá na esquerda com a aproximação preferencial de Emerson pelo setor, na parceria com Júlio César. Gum (dir) e André Luís (esq) abrem os posicionamentos quando a equipe tem a posse, empurrando os alas para frente, deixando Leandro Euzébio centralizado, protegido por Diogo.

Para quebrar um pouco o ritmo do “Muricybol”, termo empregado para ilustrar as ligações diretas do 3-5-2 à brasileira, o Fluminense conta com a qualidade de Conca. Ele evita que a equipe resuma sua articulação à ligação direta dos zagueiros procurando Washington, que dirige a segunda bola a Emerson. O meia argentino faz o time jogar também pelo chão.

A vitalidade de Diguinho também é essencial para que o meio-campo não seja uma seara despovoada, afinal, na prática, são apenas três homens no setor (três zagueiros recuados, dois alas abertos e dois atacantes adiantados formam um círculo ao redor do trio de meio-campo). Essa passagem do volante-apoiador desonera Conca, que pode se movimentar na intermediária ofensiva, recebendo de Diguinho a bola.

Faltando 15min Deco fez sua estreia pelo Flu. E entrou no lugar de Diguinho, como o apoiador. Belletti também vinha jogando nesta função. Como Conca é essencial, Muricy nunca abre mão dos três zagueiros, e nenhum dos citados é primeiro volante, na teoria todos eles – Deco, Belletti e Diguinho – brigam por uma posição no meio-campo.

A não ser – e não acompanho os treinos do Fluzão para saber – que Muricy cogite jogar com Belletti de primeiro volante (ele fez isso em algumas partidas do Chelsea), deixando Deco no apoio, e Conca no vértice adiantado do meio-campo. No papel, fica muito bonito.

Comentários (6)

  • Fabio Henrique diz: 23 de agosto de 2010

    A se manter esse esquema com os atuais jogadores, o Flu perde a dianteira p/ p Curintia vlogo, logo, desde que o timão continue com o 4-2-3-1 que vinha utilizando. Porque o 3-5-2 do Muriçoca vai fazer sucesso até que os treinadores brasileros entendam que futebol vencedor é o ofensivo, com defesa bem postada, mas com jogadores de meio e ataque rápidos e/ou criativos.

  • Felipe C. diz: 23 de agosto de 2010

    Eu queria que tu me explicasse o seguinte:
    Se esse esquema é tão ruim e tão odiado por muitos, como é que ganhou quase que 4 títulos seguidos e está sempre na dianteira dos campeonatos brasileiros?
    Te agradeço.

  • Pedro Lampert diz: 23 de agosto de 2010

    Acho que usar Belletti no lugar do Diogo e Deco no lugar do Diguinho, mantendo o esquema, é a melhor opção para o Fluminense.

    Seria a melhor opção tática, mas não sei se teria o mesmo rendimento deste time.

  • Paulo Gallotti diz: 23 de agosto de 2010

    Edu, desde que comecei a acompanhar o blog Preleção passei a entender melhor porque eu achava tão chato assistir a jogos de times do Muricy. O pior é que eu moro no Rio de Janeiro e aqui é proibido criticar o treinador, que virou sumidade por “salvar” o Fluminense (criticá-lo seria algo tão grave quanto criticar uma obra do arquiteto Oscar Niemeyer). Até a torcida tricolor achou um absurdo ele não ter ido para seleção brasileira. Quem sabe tu não lanças um post imaginário sobre como jogaria a seleção brasileira no Muricybol em 2014? Grande abraço

  • Leonardo diz: 23 de agosto de 2010

    Olá Cecconi,
    Não entendo como insistem nesse sistema no Grêmio. Não sou contra o 3-5-2, ou 3-6-1, mas o Grêmio não tem as peças necessárias, a meu ver, para jogar dessa forma. A começar pelos três zagueiros (não possui tres zagueiros de qualidade). Ainda, Douglas fica refém dos adversários, ao menos com a estratégia que vêm adotando (único articulador), além de Jonas ficar sozinho no ataque (não é alto, nem forte para fazer o pivô). Acredito que deveria ser tentado o 4-4-2 em losango, utilizando marcação em zona, com Edilson de lateral direito apoiador, dois zagueiros, e Fábio Santos de lateral esquerdo base. Adílson ou Ferdiando de voltante central (mais aprofundado sem a posse de bola visto a fragilidade tecnica dos zagueiros) W. Magrão e Rochemback/Souza/ Maylson como “carrilleros” (o da direita c/ mais atenção à cobertua dos avanços de edílson e o da esquerda mais liberado ao apoio – portanto imagino aqui Souza), Douglas o “10″ com o recuo de Jonas para articulação, c/ Borges ou André Lima de referência (como pivô). Imagino também uma estratégia paciente voltada ao contra-ataque com transição da bola pelo chão, com predôminancia de passes curtos, visto que os jogadores são predominantemente (os do meio campo e ataque) técnicos, leves e rápidos (linhas de passe estilo Arsenal, porém voltadas não ao controle de posse de bola mas ao conta-golpe, visto que não acho que os jogadores tem qualidade suficiente para manter grande posse de bola todo o jogo). Por todos esses motivos, creio que o 352/361 está fadado ao insucesso no time do Grêmio, pois os jogadores não détêm características necessárias à efetividade do 3-5-2/3-6-1, como possui o Flu e o São Paulo de conquistas recentes.

  • Eduardo M diz: 23 de agosto de 2010

    O Muricy terá pela frente um enorme desafio. O quarteto Fred-Conca-Deco e Emerson , com muitas qualidades técnicas , não pode ficar de fora do time.

    Para isso , ele terá que jogar no 4-4-2.

    E o Fluminense contratou o volante Valencia , ex-Atlético PR , que cairia como uma luva para o lugar do Sandro.

    E mais um destaque – como é bom o Mariano , lateral direito.

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